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Campanha de Natal 2008 em Banco da Vitória
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O Inventor do Churrasco de Banco da Vitória 
A tradição de comer carne assada em Banco da Vitória se reporta aos velhos tempos quando se assavam carnes de bois ou de porcos nas fogueiras do Matadouro Municipal de Ilhéus e as comiam como tira-gostos em bares da região de Banco da Vitória. Quem iniciou esse hábito pitoresco no “quiosque” de Dico, perto do Matadouro, foi o saudoso funcionário da Prefeitura Municipal de Ilhéus, Seu Nafital de Souza, marido da ‘nossa’ amada professora Cláucia.
Nafital era um intelectual primoroso e leitor compulsivo. Tinha o hábito de andar sempre com um livro nas mãos e era um exímio jogador de futebol. Além de trabalhar na Administração do Distrito de Banco da Vitória como Escrevente, ele atuava também como açougueiro amador nos finais de semana na feira de Ilhéus. Nafital, acompanhado de Pedro Melo, Tonho de Nouzinho, Seu Ailton Costa, Zé Carioca, Zé da Linhagem, Formiga, Buré e vários outros homens do ’sangue’, adoravam comer carnes assadas e distribuir espetinhos para os amigos e fregueses dos bares próximos ao matadouro.
Foi Dico quem primeiro viu uma oportunidade de negócios na idéia de Nafital e profissionalizou o ‘assado’. Com isso se iniciou o ciclo da tradição de churrascarias em Banco da Vitória. Depois do sucesso de Dico, vieram os Bares de Seu Diva e de Juarez, – esse último que se tornou um dos mais famosos churrascos de Ilhéus, nos anos 80 e 90. Em pouco tempo o cheiro do Banco da Vitória se tornou o aroma dos churrascos. O cupim do boi, aqui chamado de mamilo, se tornou tão famoso quanto os pitus e robalos do rio cachoeira.
Hoje Banco da Vitória têm hoje verdadeiras churrascarias altamente profissionalizadas que oferecem diariamente carnes de alta qualidade para mais de três centenas de clientes. Tudo isso cria empregos e oportunidades para muita gente da nossa comunidade.
Por certo, Seu Nafital, com os seus famosos ‘assados’ de rabo e lombos de porcos, jamais imaginou que o seu hábito culinário iria transformar todo o bairro de Banco da Vitória. Devemos tudo isso a ele e os seus amigos de boêmia e comilança.
Quando de folga, Seu Nefital gostava de andar sem camisa, usando uma bermuda larga, que ele dobrava na cintura, como se a prendesse para não a deixar cair. Ele era uma amante mor do pingado chamado de rabo-de-galo e dizia que só bebia comendo. Nafital era um pacifista nato e homem muito respeitado em nossa comunidade. Mesmo trabalhando no matadouro, ele jamais usava uma faca na cintura. Preferia mantê-as enroladas em panos e escondidas dentro do seu tradicional bocapio, que sempre vinha pendurado no seu braço esquerdo. Só tinha uma coisa que deveras lhe irritava: pessoas que falavam mal de Banco da Vitória. Para essas mal-quistas, ele mostrava o caminho da rodagem e dizia: Ilhéus fica logo ali e Itabuna fica na outra direção.
Nafital costumava ir se banhar no Rio Cachoeira no meio da noite. Normalmente ele ia até a Pedra de Guerra, com uma tarrafa nas costas e ficava contemplando o rio cachoeira, as matas da outra margens e o céu impar de Banco da Vitória. Depois pegava uns peixes, se banhava com o famoso sabonete ‘Vale Quanto Pesa’ e voltava do seu banho noturno. Minutos depois, ele se sentava na porta da sua casa, – que ficava em frente ao Clube Social -, e mergulhava nas suas leituras. Depois de dois dedos de prosa com seu Josias Xavier e seu Faustino, ele ia dormir no aconchegante leito do seu lar.
Numa noite de um triste domingo, ficamos sabendo que seu Nefital não iria voltar mais para casa, nem para a administração, nem para o matadouro. Chamado por Deus, ele foi ensinar a arte de fazer churrascos vegetarianos para os anjos e querubins. Até hoje ele continua pescando estrelas nos vastos universos celestiais.
O Banco da Vitória precisa fazer uma homenagem a esse homem tão importante para a nossa história e cultura. Afinal, todas as vezes que você sentir o cheiro dos churrascos nos ares do Banco da Vitória, lembre-se que tudo isso começou com ele, Nafital ‘dos espetos e assados’. O homem que sabia reunir amigos e construir belos sonhos. Sua família é prova disso.
Roberto Carlos Rodrigues
Quando eu encontro os meus amados conterrâneos, sempre pergunto à mesma coisa: – vocês já assistiram ao filme A Paixão de Cristo, no cinema de Banco da Vitória? Se a resposta for não, eu sei que essas pessoas não moravam em nossa comunidade, nos melhores anos das suas vidas. Se a resposta for sim eu sei que elas, assim como eu, tiveram o privilégio de ver o nosso cinema funcionando e alegrando a nossa comunidade.
O cinema de Banco da Vitória era famoso e funcionava no atual clube social. Aos domingos, logo após a missa, tocava a sirene avisando que a sessão ia começar. Normalmente o cinema fica lotado de gente. Tinha muitas pessoas que traziam as suas cadeiras e tamboretes para poder assistir os filmes famosos que eram exibidos ali. Dona Dedé, mãe de Nida, além de levar sua cadeira azul, levava também toti, seu cachorro de estimação, que não perdia uma só sessão de cinema.
As moças e rapazes malmente faziam o sinal da cruz na saída da igreja e corriam apressados para o cinema. Afinal no escurinho era possível ‘dar uns ‘amassos’, ‘dar uma de mãos-bobas’ ou até uma triunfal “colada”, como se chamava naquela época o beijo na boca.
A idéia do cinema de Banco da Vitória partiu de Seu Amaro, um comerciante que tinha uma bodega, perto da atual casa de Carlos Cambal. Um dia ele trouxe um amigo seu de Itabuna, chamado “Seu Zé” que logo viu que um cinema era uma grande oportunidade de negócio na comunidade. O clube Social era o local perfeito. Tinha um palco grande, cadeiras, sanitários e bilheteria. Na sessão inaugural, a pedido de Dona Lia, se exibiu o fenomenal filme Luzes da Ribalta com o Charles Chaplin no papel principal. Teve gente que se urinou nas calças durante a projeção. O sucesso foi astromboso e durante vários dias só se comentou esse filme nas ruas de Banco da Vitória.
Seu Zé do Cinema morava no Bairro do São Caetano, em Itabuna. Ele era um homem culto e inteligente. Era um cabo-verde de cabelo bom e olhos miúdos. O cinema de Banco da Vitória começou a funcionar no final da década de setenta e durou até o início da década de noventa.
Umas das figuras principais deste episódio era Dui, que carregava nas costas uma placa de madeira com os cartazes dos filmes. Dui passava nas ruas e anunciava aos gritos: “Não percam! Hoje às vinte horas e quarenta minutos o magistral filme de artes marciais, o Vôo do Dragão, como o mestre Bruce Lee.” Isso Dui fazia em todas as ruas de Banco da Vitória. Além de anunciar o filme, Dui ainda dava uma ‘palinha do filme” contando algumas cenas ou citando os artistas principais. A noite o cinema estava lotado e os meninos tinham assunto para contar a semana Inteira. Vale lembrar também que o lanterninha era Zé Sucena, que de olhos nas meninas, não deixava ninguém namorar no escurinho do cinema
Como naquela época pouca gente tinha televisão em nossa comunidade, o cinema era a maior diversão para o nosso povo. Para poder pagar um ingresso tinha menino que vendia frutas na rodagem, moça que lavava e passava roupas ou então ficava uma semana inteira sem fazer uma travessura somente para ganhar o dinheiro do um ingresso do cinema.
As sessões começavam rigorosamente no horário marcado. Isso porque Seu Zé não podia perder o último ônibus da Sulba para Itabuna que passava as 12:30. Além disso, tinha ainda os problemas com a velha maquina de projeção que queimava as lâmpadas, cortava os filmes, engolia a fita etc. Tudo isso acontecia no meio das projeções, mas eram resolvidas imediatamente pelas mãos hábeis de Seu Zé. Vale dizer que tinha também o intervalo no meio da sessão, quando os homens iam tomar um rabo-de-galo no Bar Zebrinha de seu Josias e as crianças iam compra balas, pipocas e roletes de cana.
Tarzam, Xita, Jane, Bruce Lee,O Conde Drácula, Charles Chaplin e principalmente os artistas dos filmes de faroeste faziam parte do linguajar do povo de Banco da Vitória. Dizem até que Zé Vieira ia assistir aos filmes dublados, mas não gostava disso não. Ele preferia filmes com legendas, pois assim ele podia lapidar o seu inglês e o seu francês. Agenor Bolacha, Teça, Gaguinho, Courinho, Gazula, Dona Zezé e Cabo Jonas, não perdiam um só sessão de cinema. Eram freqüentadores assíduos.
Muitos casais começaram a namorar no escurinho do cinema de seu Zé. Teve gente que até convidou o ilustre ‘operador do projetor’ para ser padrinho de casamento. Mas seu Zé não pode aceitar. O seu coração amante do cinema, já estava combalido com o ocaso das artes em todo o Brasil. Seu Zé insistiu com as projeções em Banco da Vitória até a última sessão, que dizem que só tinha oito pagantes. A televisão tinha decretado o fim do cinema de Banco da Vitória.
Dizem que Seu Zé, quando passava de ônibus por Banco da Vitória, abaixava as vista e marejava em silêncio. Ele sabia o quanto a nossa comunidade lhe proporcionou alegrias e dias prósperos. Afinal, o cinema de Banco da Vitória tinha lhe dado umas casinhas de aluguel em Itabuna, um pedaço de terra com trinta e poucas cabeças de gado em Itapé e uma casa de praia em Olivença.
Um outro que ainda hoje sente saudade do nosso cinema é Dui. Afinal, ele era o propagandista, o bilheteiro, tesoureiro e ajudante de toda ordem de Seu Zé e era o único que pegava na mala se trazia o projetor importado. Dui até hoje é capaz de narrar vários filmes que passaram no Cinema de Banco da Vitória, como Laurence da Arábia, A Ponte do Rio Kwai, O Franco-atirador e A Um Passo da Eternidade.
O tempo levou seu Zé e nosso cinema. A única coisa que ficou foi a lembrança dos domingos a noite, quando, após a missa o povo de Banco da Vitória ia se deslumbra com a sétima arte e sonhava com dias melhores para nossa comunidade.
Por último eu vou lhe fazer a seguinte pergunta: você já assistiu aos seguintes filmes: Adios Sabata!, Ringo, A Morte Não Manda Recado, A Volta do Pistoleiro, A Sombra de Uma Alma, A Morte Anda a Cavalo e A um Passo da Morte?
Se sim, você foi feliz em Banco da Vitória. Se não, então que saudade mortal do nosso antigo cinema…
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Na próxima semana não perca:
A Boite de Dona Loura
Roberto Carlos Rodrigues




