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Quase perto do final do ano de 1959, o meu avô, seu Feliciano de Assis, estava na sua lida de quebrar pedras, próximo a bica da Água Boa, quando uma comitiva de automóveis parou enfileirados no acostamento do rodovia Ilhéus- Itabuna. Desceram dos carros diversos homens e algumas mulheres, que em frente à Água Boa admiraram e comentaram a beleza do Rio Cachoeira, que era naqueles instantes, aos poucos  era invadido pela grande maré do Atlântico.

jorge-amados2O meu avô, que só tinha o hábito da leitura da bíblia, não sabia quem eram aqueles célebres senhores e senhoras que lhes fizeram algumas perguntas sobre o seu trabalho, sobre o rio, os peixes existentes ali e a ‘vila de Banco da Vitória’. Dias depois se soube que aqueles apreciadores da linda paisagem do Rio Cachoeira nas fraldas de Banco da Vitória eram Jorge Amado, sua esposa Zélia, Jean-Paul Sarter e Simone de Beauvoir, que eram ciceroneado pelo amigo Jorge Amado, no conhecimento da Civilização Cacaueira. Eles acabavam de vir da Fazenda Progresso, nas franjas de Itabuna, onde literalmente colocaram os pés e as mãos nos frutos de ouro, o cacau.

Jorge Amado tinha como hábito, – quando se deslocava entre Ilhéus e Itabuna -, parar em Banco da Vitória para apreciar o Rio Cachoeira, em sua curva magistral entre as matas escuras. Ali ele comprava peixes, (robalos e carapebas), siris e pitus e não partia sem antes beber água de coco no próprio fruto, como gostava e dizia ser assim a forma mais corretar de saborear essa delícia da natureza.

O Banco da Vitória aparece como cenário das suas estória da saga do cacau, em dois dos seus livros. Já o Rio Cachoeira foi personagem vezeiro das boas prosas do escritor grapiúna que nasceu na fazenda Aurícia, no distrito de Ferradas, município de Itabuna, em 10 de agosto de 1912 e logo foi morar em Ilhéus.

O apreço pela localidade de Banco da Vitória surgiu ainda na sua adolescência quando, em visitas a parentes e amigos da região, o pai de Jorge Amado e seus familiares se deslocavam de trem e depois nas antigas fobicas nas toscas estradas que interligava as cidades de Ilhéus e Itabuna. Como tinha muitos amigos nas fazendas da beira da estrada e nas margens do rio, o pai de Jorge Amado sempre visitava a região com sua prole animada. A parada na redondeza de Banco da Vitória era sempre uma festa, pois somente a parti dali a estrada beirava o Rio Cachoeira, rumo a Itabuna e a paisagem ficava realmente diferente das plagas ilheenses.

Quando se construiu a nova estrada entre Ilhéus e Itabuna, isso na década de cinqüenta, Jorge Amado estava a mais de 10 anos sem sentir o ar morno da Região Cacaueira e o aroma de cacau secando nas barcaças. Quando ele percorreu essa estrada pela primeira vez, ele ficou extasiado com tamanha beleza do novo trajeto e suas tonalidades de cores e cheiros da natureza em profusão. Jorge Amado se apaixonou pela paisagem, e em particular, como a aproximação da pista com o Rio Cachoeira nas mediações de Banco da Vitória.

Aos amigos mais íntimos Jorge Amado dizia que parar em frente à bica da Água Boa e apreciar a curva do Rio Cachoeira, a mata em sua vastidão na outra margem e o céu de um azul impar, era uma verdadeira oração de louvor à vida. Isso, mesmo para um ateu convicto com ele.

Até hoje todos nós tenho essa mesma sensação quando passamos por esse pedaço da Rodovia, que hoje se chama exatamente Jorge Amado. Aquele lugar é uma das paisagens mais bonita do mundo. Jorge Amado realmente tinha razão quando parava ali para ver os cenários vivos das suas tantas estórias cheias de tantos sonhos, belezas, desafios, lutas e ambições.

Hoje Jorge Amado repousa sob uma frondosa mangueira, num quintal de uma casa na Rua Ilhéus, no bairro de Rio Vermelho, em Salvador – Ba. Ali onde suas cinzas foram depositadas se sente um cheiro de mato úmido, suor de gente batalhadora e lágrimas de morenas Gabrielas. Ao lado da mangueira tem um pequeno poço artificial, que Jorge Amado docemente chamava de Poço da Água Boa. O Banco da Vitória agradece pela vistosa homenagem.

Roberto Carlos Rodrigues

Fonte: Grandes Advogados, Grandes Julgamentos – Pedro Paulo Filho – Depto. Editorial OAB-SP

Sílvio Farias

O Professor Paulo José da Costa, de São Paulo, renomado criminalista, relatou um dos mais folclóricos eventos ocorridos no Tribunal do Júri, em crônica publicada pela imprensa paulista.

Aconteceu na Bahia. Mais precisamente em Ilhéus.

Um senhor não se relacionava. Vivia encerrado dentro de casa. Não abria as janelas nem de dia. Fechado pior que um molusco. Lia e estudava. Detestava ruídos. Almejava a paz, solidão e silêncio. Acima de tudo, silêncio, para sua meditação, para a sua paz interior.

Os garotos da redondeza sabiam de seus hábitos e predileções. Por isso mesmo, irritavam-no. De forma reiterada. Com impertinência, postavam-se embaixo de sua janela e punham-se a produzir toda série inimaginável de ruídos. Como na época não haviam ainda as “motocas”, não as aceleravam, de escapamento aberto. Mas faziam barulhinho equivalente. Senão equivalente, incomensurável para o Ilhéus primitivo e tranqüilo, no início da década de 30.

O zunido reboava dentro da casa hermeticamente fechada, como se fosse uma caixa acústica. O seu solitário eremita punha-se louco.

Fazia de tudo. Punha algodão nos ouvidos, panos nas janelas. Não eliminava a barulheira atroz.

Mas ele não saia de seu posto. Firme nele. Sem arredar pé da casa e sem abrir as janelas.
Um dia abriu violentamente uma das janelas. Num gesto de desespero. Dela surgiu, abruptamente, desvairado, a gritar e a empunhar uma espingarda. “Parem! Parem, por amor de Deus! Vão embora, senão eu atiro!”

Os meninos prorromperam em gargalhadas estrepitosas. Riram-se muito, mas não se foram. Ficaram, primeiro a rir e a observar. Depois, prosseguiram no rumor das latas, de ferros e demais instrumentos infernais.

O senhor pôs-se a berrar. de forma desconexa. Nem se ouvia o que dizia. Sua voz era inteiramente abafada e encoberta pela algazarra, que foi num crescendo estrepitoso.
De repente, atirou. A esmo. O projétil foi ter ao paralelepípedo. Ricocheteou. E foi atingir um dos garotos, que caiu no solo, com uma mancha vermelha no peito.
Os demais, espavoridos, fugiram.

Nunca mais se ouviu algazarra alguma, em torno da casa do eremita.

Naquele dia, porém, ele saiu. Para ir à Polícia, para ser interrogado.

Ultimado o inquérito, passou-se à fase processual instrutória. Dela, chegou ao julgamento.
Incumbiu-se da defesa o advogado Sílvio Faria. Um profissional experimentado, afeito ao debate. Experimentado e hábil. Muito hábil mesmo.

No dia do julgamento, quando lhe foi dada a palavra, dirigiu-se nos termos de praxe:

“Excelentíssimo senhor doutor juiz-presidente do Egrégio Tribunal do Júri desta Comarca de Ilhéus. Nobre representante do Ministério Público. Senhores cidadãos jurados que compõem este respeitável conselho de sentença.”
Fez o intróito, sorveu lentamente dois goles d´água e sentou-se.

Esperou alguns segundos e levantou-se pela segunda vez. “Excelentíssimo senhor doutor juiz-presidente do Egrégio Tribunal do Júri desta Comarca de Ilhéus. Nobre representante do Ministério Público. Senhores cidadãos jurados que compõem este respeitável conselho de sentença.”

Sentou-se novamente e novamente bebeu os goles d´água que restavam no copo.

Dali a momentos, alçou-se pela terceira vez, para repetir a mesma saudação: “Excelentíssimo senhor doutor juiz-presidente do Egrégio Tribunal do Júri desta Comarca de Ilhéus. Nobre representante do Ministério Público. Senhores cidadãos jurados que compõem este respeitável conselho de sentença.”

O juiz impacientava-se. Mexia-se na sua cadeira. Os jurados, um tanto perplexos, também. O advogado sentou-se, uma vez mais e repetiu a mesma cena da água.

Quando se levantou e pela quarta vez, ultimada a saudação inicial, ia tomar a água, foi advertido pela Presidência: “Advirto o digno defensor de não prosseguir desta forma, sob a pena de declarar o réu indefeso e dissolver o conselho de sentença”.

O advogado fez ouvidos de mercador.

Repetiu a cena, como se não tivesse havido a advertência.

Aí o juiz perdeu a paciência e as estribeiras. Desatou a censurar o advogado, de forma áspera e indelicada.

Era o que pretendia o advogado, que só então iniciou a defesa:

“Vejam, ilustres juízes de fato que compõem este Júri. O magistrado sereno, o magistrado equilibrado, o magistrado imparcial irritou-se desta maneira porque repetimos, algumas vezes, uma simples saudação. Que dizer, então, deste homem, tantas vezes molestado, tantas vezes importunado? Dias, semanas, meses. Sua reação tinha que ser esta. E a resposta, aparentemente violenta, não podia ser outra.”

E foi adiante em suas considerações.

O Júri compreendeu o drama daquele homem. Absolveu-o , por reconhecer estar ele, no momento do crime, com perturbação dos sentidos.”

Paulo José da Costa

Fragmentos do estudo de Mari Guimarães Sousa, do ICER – Uesc

Aborda o imaginário do rio Cachoeira, concernente aos causos narrados oralmente pelos ribeirinhos do Banco da Vitória, localizado na Ba-415 da rodovia Ilhéus/Itabuna.

Com base nessas considerações, a divulgação e o tratamento literário dessas narrativas, aliados à formatação da paisagem ao longo do rio Cachoeira no mencionado trecho da Ba 415, podem contribuir para a ampliação de ofertas de atrações turísticas da Região Sul-baiana, proporcionando uma experiência diferenciada ao turista que “reúne condições de ser o elo na cadeia de transmissão sobre as qualidades da sociedade/lugar visitado; que interpreta e respeita a cultura local” (SIMÕES, 2001, s/p). Nesse caso, o turismo, enquanto uma atividade que proporciona intercâmbios culturais, assume papel de relevância, já que pode contribuir para a valorização e preservação desses bens simbólicos.

Nessa perspectiva, o rio Cachoeira é mais do que fonte de vida para aqueles que habitam suas margens, pois é também fonte de criação literária. Isto ocorre quando o rio, juntamente com a mata em seu entorno, ultrapassa a sua condição física e é percebido pelos ribeirinhos como cenários ou como coadjuvantes na constituição de histórias que dão vida a seres assombrosos como a mulher de sete metros, que fica vagando na rodovia Ilhéus/Itabuna; a dona das águas, que impõe respeito ao rio; o nego d’água que assusta os pescadores quando distraídos; os compadres que viraram biatatás e que dão carreira nas pessoas desavisadas; a caipora dissimulada que faz o ribeirinho se perder na mata; o lobisomem cachorrão comedor de criancinhas; as tarrafas e canoas encantadas, que desaparecem no rio; as visagens, também conhecidas como as almas penadas dos que se afogaram no Cachoeira.

Entretanto, das muitas narrativas recolhidas na pesquisa aqui tomamos para análise duas que especialmente sinalizam temáticas de interesse para turismo. A primeira, A mulher de sete metros, por se tratar de uma lenda essencialmente local; a segunda, o Nego d’água, que apesar de aparecer em diversas localidades no Brasil, apresenta particularidades locais. Assim, para compreender a essência desse imaginário específico, que se ficcionaliza nessas narrativas orais, abordamos essas manifestações artísticas como elementos de representações culturais, que expressam, através de uma linguagem própria, o pensamento de uma comunidade, a essência de sua cultura, uma vez que revelam informações históricas, etnográficas, sociológicas e, portanto, identitárias.

No Banco da Vitória, os grupos sociais que sobrevivem diretamente do rio Cachoeira – em sua maioria pescadores, lavadeiras, areeiros e trabalhadores rurais desempregados -, costumam contar causos que supostamente “aconteceram” dentro e/ou nas proximidades do rio. Trata-se de narrativas orais que, em geral, abordam o cotidiano dessas pessoas; somando-se a isso a liberdade criadora e imaginativa de seus contadores. Em tais narrativas, as situações reais, o simbólico e o imaginário são tecidos conjuntamente como resultado de experiências vividas e/ou inventadas. São causos em que os contadores são, normalmente, as personagens principais, testemunhas ou simplesmente ouvintes dos episódios narrados.

Um fato curioso é que os causos são quase sempre acompanhados de uma explicação racional para os fenômenos que foram (supostamente) vivenciados pelos pescadores. Em boa parte, testemunhas são solicitadas para comprovar os fatos. A este respeito, pudemos observar também uma grande influência das religiões seguidas pelos contadores, pois muitos ao se declararem evangélicos, conforme os preceitos religiosos, não poderiam mentir. Apesar disso, nunca desmentiam totalmente que foram testemunhas visuais dos episódios narrados. Fato que poderemos constatar a seguir com o causo narrado de forma muito espirituosa pelo Seu Osmário, pescador desde criança, naquela localidade. Seu Tum, como é conhecido entre os seus companheiros, é um senhor de 54 anos, estudioso dedicado da Bíblia

O finado Vavá, pai de Alfredo, xingava muito. Ele era ferreiro. Ele usava um fole pra fazer as peças dele. Ele tinha o costume de toda às seis horas ir tomar banho no rio e ficar esquentando na Pedra de Guerra. Às 6:40, mais ou menos, estava tudo escuro e apareceu pra ele a imagem de um homem dentro d’água. Ele tinha mais de dois metros. Tava nu. Mas a gente só via da cintura pra cima. O homem tava assim parado com os braços encruzados. Pergunta a Zé Evanildo e Jatobá que também conhece esse caso. Todo mundo viu. Lorinho [o valentão do lugar] pegou o facão e foi atrás do tal homem e não encontrou nada. Quando chegou lá não tinha mais ninguém. Olha, eu sou evangélico e não posso contar uma coisa negativa. Eu tenho que contar o testemunho que eu vi (grifos nossos).

A Pedra de Guerra a qual o Seu Tum se refere é, na voz dos moradores, um “lajedão que vai até o Iguape”. Eles acreditam que se trata de uma rocha cuja dimensão alcança uma média aproximada de uns 15 km. É nesse lugar que geralmente aparecem as assombrações, as visagens. Foi ali, na Pedra de Guerra, que o Seu Tum se deparou por mais de uma vez com o Nego D’água.

No rio também já apareceu o Nego d’água na Pedra de Guerra e na poço das Freiras. Foi visto duas vezes. Ele é um anão, escurinho e forte, careca e tem a cabeça redondinha. Tem mais de vinte anos que eu vi. Quando você chega perto dele ele cai n’água espalhando muita água. Quer dizer que ele tem volume, né? Essas coisas a gente via era com a lua clara.

Para Seu Tum o Nego D’água, um ser aquático que vive no fundo do rio Cachoeira, mas que gosta muito de ficar se esquentando em cima de um rochedo, existe de verdade, tanto que a prova maior é que “ele tem volume” e molha quem está por perto.Também conhecido como caboclo d’água, é uma assombração que se manifesta através de uma figura de aparência humana distorcida, de cor escura, com a cabeça grande e redonda; é tronchudo, isto é, de baixa estatura e muito forte, pois são capazes de virar as embarcações que lhes desagradam; às vezes surgem, conforme os relatos, com uma grande cabeleira dura de tão enlameadas, ou se apresentam como carecas de um único olho, localizado bem no meio da testa.

Segundo afirmam os pescadores do Banco da Vitória, o Nego D’água gosta de aparecer nu e tem o poder de se transformar em qualquer coisa para assustar os ribeirinhos, além disso, eles são muito ágeis, no entanto, se tornam razoáveis se receberem fumo ou pinga. Coisas que, normalmente, fazem parte dos apetrechos dos pescadores.

Trata-se de um mito que também é recorrente na Lagoa Encantada (Ilhéus) entre os ribeirinhos daquela localidade. Conforme o relato de seus moradores, o Nego D’água tem mãos e pés de pato e são bem escurinhos e adoram virar as canoas e desaparecer em seguida[2].

Segundo Seu Ozias, 59 anos, pescador a mais de 30 anos, o Nego D’água já o fez passar por situações muito vexatórias quando era jovem:

Por causa do Nego d’água eu saí uma vez correndo assustado. Sempre ouvi falar do Nego d’água. Aconteceu que um dia eu tava pescando e a rede enganchou na pedra. Aí, eu mergulhei. Quando eu tava lá embaixo eu me lembrei do Nego e saí na carreira. Minha mulher falou: Ôxe! Já voltou da pescaria?!! É… Não tinha peixe… Quando a gente é jovem, até o barulho de pau rangendo assusta nós. De dia, tudo bem, todo mundo tem coragem de olhar o que é, mas de noite…!!!

Por aqui aparece muito pau que range, parecendo a Caipora. Muitas vezes eu deixei de entregar a comida de meu pai, que trabalhava na roça. E ele ficava lá com fome. Tudo isso por causa do medo da Caipora. Se ela pegasse um…

Todavia, o Seu Tum tem uma explicação curiosa sobre o encantamento da Caipora

Essa história de se perder na mata por causa da Caipora, sabe por que é que acontece? Não sabe menino, quando tá caçando passarinho? Pois ele se perde porque enche os bolsos de pedra e sai com o badoque atrás dos passarinhos. Quando vai ver, já tá perdido no mato e depois fica dizendo pra mãe que foi a Caipora. Caipora, meu pai nunca contou pra nós. Mas meu pai já se perdeu na mata.

A explicação de Seu Tum demonstra a necessidade que tem o homem em refletir sobre as próprias ações, visando a esclarecer os comportamentos diante do perigo, bem como criar, inventar soluções para as ameaças que surgem em seu cotidiano e que fogem ao seu controle.

Mais que isso, as narrativas aqui analisadas apresentaram soluções práticas do dia-a-dia dos ribeirinhos que, muitas vezes, utilizavam-se de causos assombrosos para conter a criançada longe de situações perigosas. Mantida pelas fontes perpétuas de seu imaginário, a Literatura oral ainda se faz presente no Banco da Vitória.

Essas observações são pertinentes, pois justificam a valorização e a inserção dos contadores de causos do Banco da Vitória no discurso disciplinar que apresentamos neste estudo. Quem já teve o privilégio de ouvir histórias da boca de um contador expressivo tem noção do prazer que é compartilhar de uma reunião onde a inventividade e a imaginação se manifestam através de uma linguagem livre, especial, porque envolvente. Uma prática que possibilita o intercâmbio contínuo de experiências entre o contador e o (s) ouvinte (s), todos envolvidos em um mundo fictício onde prevalecem o riso, o encantado, a fantasia, o mistério.

Leia o artigo completo nesse endereço ICER

lampiaoPouca gente sabe, mas o cangaceiro Lampião foi uma das pessoas que mais influenciou no desenvolvimento de Banco da Vitória. Apesar de jamais ter colocado seus pés em nosso lugar ou simplesmente saber onde ficava Ilhéus, Lampião botou muita gente para correr do Sertão Nordestino e muitas dessas pessoas que fugiam das atrocidades feita pelo bando dos cangaceiros, vieram parar exatamente na nossa comunidade. Ou seja, ao seu jeito cruel, Lampião acabou ajudando em muito o povoado de Banco da Vitória e o sul da Bahia com um todo.

Lampião se chamava Virgulino Ferreira da Silva e nasceu no dia 07 de junho de 1897, numa das fazendas do seu pai que ficava no Vale do Pageu, em Pernambuco. A família de Virgulino era rica e pacífica, mas vivia envolvida nas disputas de terras, que germinava crimes e matanças por todo o sertão brasileiro. Um dia, o pai de Virgulino, o senhor José Ferreira da Silva foi assassinado pelo delegado de polícia Amarílio Batista e pelo Tenente José Lucena, quando o destacamento procurava por Virgulino, Levino e Antônio, seus filhos.

Revoltado com essa ação da polícia e da política pernambucana, Virgulino resolveu se alistar na tropa do cangaceiro Sebastião Pereira, também conhecido como Sinhô Pereira. Isso ocorreu em 1920. Em 1922, Sinhô Pereira decidiu deixar o cangaço e passou o comando para Virgulino, que nessa época já se chamava Lampião. Ele recebeu esse apelido porque gostava de atirar a noite, criando um facho de fogo na boca do cano da sua arma.

Em pouco tempo Lampião se tornou um dos bandidos mais procurados e temidos de todos os tempos, no Brasil. As suas atrocidades vingativas viraram notícias em todo o território nacional e a sua fama correu o Mundo. O bando de Lampião agia nos Estado de Paraíba, Pernambuco, Ceará Sergipe, Bahia e Alagoas.

Em 1930 uma seca sem precedente assola o nordeste brasileiro e então ocorre o grande êxodo de nordestinos para o sul da Bahia e os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa época, Lampião fazia grandes investidas nos interiores de Alagoas e Sergipe, onde moravam várias famílias que acabaram se mudando para a região cacaueira, onde o cacau era ouro e se ganhava muito dinheiro com muita facilidade.

Muito moradores que vieram parar em Banco da Vitória nessa época, fugiram do sertão mais com medo de Lampião e o seu bando, do que da seca que assolava as terras nordestinas.

Entre 1932 e 28 julho de 1938, data da morte de Lampião e dizimação do seu bando pela Volante do coronel João Bezerra, na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, muita gente ‘arribou’ do sertão com medo das tantas mortes provocadas pelos bandos de cangaceiros e principalmente pelo bando de Lampião e pela polícia que vivia em seus encalços.

Moradores com os saudosos Seu Cazeca, Paulo Rocha, seu Sebastião, Pedro Preto, João Ruim (pai de Zé Pote) seu Milton Nunes, seu Oliveira, seu Péricles, seu Zé Melo entre tantos outros, contavam essas histórias com bastante propriedade e vários graus de veracidades.

No Alto da Bela Vista viveu por muitos anos um ex-cangaceiro sertanejo de nome Genésio, que por fazer jogo do bicho, era conhecido com Genésio Cambista. Esse alagoano dizia ter pertencido a volante (polícia sertaneja) e matado muita gente. Outras vezes ele dizia que tinha sido cangaceiro, todavia não tinha sido do bando de Lampião.

Como se ver, Lampião, que teve a sua cabeça cortada e exposta com as demais dos cangaceiros em vária capitais brasileiras, contribuiu e muito para a formação do povo de Banco da Vitória. Se não fosse ele e sua guerra particular, muitos nossos conterrâneos não iriam largar de jeito nenhum o belo luar do sertão e o canto doce do sabiá.

Cabo Jonas disse que chegou a ver as cabeças de Lampião e Maria Bonita, expostas no Museu Nina Rodrigues, em Salvador. Ele disse que não achou o ‘cabra’ com cara de brabo não. Para Cabo Jonas, Lampião não era esse homem todo como se dizia…

Mas isso já é uma outra estória.

Roberto Carlos Rodrigues

Estrada de Ferro de Ilhéus (tronco) – (1960)   BA-2631   Inauguração: 1910

Autor: RALPH MENNUCCI GIESBRECHTPerfil

HISTÓRICO DA LINHA:

ilheus1A linha-tronco Ilhéus-Itabuna foi aberta em 1910 em seu primeiro trecho, por investidores ingleses da The State Of Bahia South Western Railway Company Limited, com a idéia de alcançar Conquista (Vitória da Conquista). O primeiro ramal, o de Água Preta (Uruçuca), que partia da estação de Rio do Braço, foi aberto ao tráfego em 1914 e estendido até Poiri em 1931. Em 1918 um outro ramal tem iniciada a sua construção, estendendo-se até Itajuípe, aonde chegou em 1934. Foram as máximas extensões da ferrovia, que jamais se comunicou com outras do estado da Bahia ou com a Bahia-Minas, apesar de diversos projetos nesse sentido que jamais saíram do papel. Em 1950, os ingleses repassaram a estrada ao Governo, que mudou o nome para E. F. de Ilhéus.

A estrada jamais chegou a Conquista, pelo que se diz, pelo fato de os ingleses já estarem satisfeitos com o que arrecadavam somente com a linha já existente. Em 1963, já estava decadentíssima a ferrovia, que em 1965 já não mais funcionava.

A ESTAÇÃO: Na história dos transportes da região cacaueira de Ilhéus, temos de tomar dois marcos principais para traçar sua evolução: o lançamento da ferrovia e a fundação do Instituto de Cacau da Bahia. Até 1910, quando se inaugurou o primeiro trecho da linha de Ilhéus a Itabuna, apenas se usavam canoas e animais.

Mapa ferroviário Ilhéus Bahia 1930Os rios por demais acidentados e o excesso de chuvas dificultavam o transporte, mas mesmo assim a exportação de cacau era compensadora. Com o início do tráfego pela via férrea da Estrada de Ferro de Ilhéus a Conquista, a estação de Ilhéus foi inaugurada nesse ano, passando a servir como o seu ponto inicial e como porto de escoamento de cacau e outras culturas da região. O Instituto do Cacau, por sua vez, foi fundado em 1931. Uma das principais providências tomadas foi a construção de rodovias na região, que convergiam para a rodovia-tronco que, como a ferrovia, ligava Ilhéus a Itabuna. A situação da ferrovia, porém, em 1950, quando foi resgatada dos ingleses para a União, era horrorosa: a descrição dos problemas nos relatórios desse ano, com falta de peças, falta de condições de trabalho e outros era desesperadora, causada pela falta de verbas e prejuízos constantes.

O edifício da estação Central (estação de Ilhéus) “está encravado no centro do pátio. Não possui plataforma para embarque ou desembarque de passageiros, havendo somente um passeio de cimento, com 5 cm de altura”. Mesmo com a ferrovia em frangalhos, em 1954, a antiga ferrovia ainda figurava em regime de concorrência caótica ao lado das rodovias. Partindo de Ilhéus, seus ramais atingiam então as bordas da antiga zona do cacau.

O trem era um meio de transporte que estava ainda longe de suprir as necessidades de escoamento da produção agrícola. Apesar disso, a região não dispunha de um rendilhado de estradas tão bom, capaz de escoar rapidamente a produção. A deficiência era compensada, em parte, ainda por processos mais primitivos de transporte: a canoa e o animal de carga. A estação foi desativada por volta de 1964, quando se fechou a deficitária ferrovia, agora parte da Rede Ferroviária Federal – RFFSA, criada sete anos antes.

A última fotografia de que se tem notícia do pátio da estação, já abandonado, é do ano de 1971 e está mostrada abaixo. Todo o pátio e suas construções parecem não mais existir hoje (2008).

Fonte Site: AQUI


PANTOMIMA


bodeOs Melhores Cordeiros da Fazenda

Seguirão Para O Abate na Cidade.

Os Carneiros Mais Fracos do Rebanho

Serão Sumariamente Degolados.


O Bode Velho Vai Para o Sacrifício,

Por Mais Que Seu Olhar Peça Clemência.

Nem Mesmo as Cabritinhas Inocentes

Terão Misericórdia ou Esperança.


As Carnes Assarão ao Sol: Fogueira.

As Peles Secarão ao Sol: Curtume.

As Vísceras Suarão ao Sol: Carniça.

Os Ossos Sumirão ao Sol: Poeira.


Somente a Ovelha Negra Fica Impune,

…Enquanto O Bom Pastor Toca Sua Flauta.

Luís Antônio Cajazeira Ramos

Por Jacqueline de Cássia

Oi caros leitores, me chamo Jacqueline e vivi muito bem até a minha adolescência nesse lugar único que é o Banco da Vitória.

O tema VIAGEM que vamos abordar tem muito que falar, aprender, aprender e aprender.

Aqueles que me conhecem e os que não me conhecem, quero dizer que está sendo um grande prazer participar desse projeto que irá me dá a oportunidade de contar e também aprender com vocês sobre as viagens que já fiz e as que iremos fazer juntos.

Sim, convido a todos a participar das viagens. Que tal sugerir lugares por onde vamos viajar? Informações, curiosidades, linguagens que são sotaques muito diversos desse Brasil tão nosso! Com isso, iremos interagir e teremos oportunidade de conhecer várias situações que muitas vezes não temos acesso e gostaríamos muito de conhecer.

Se não passei por lugares que queiram essas informações, vou pesquisar e com certeza revelo tudo que conseguir saber.

São várias as passagens que posso falar e também contar as grandes experiências vividas por mim nessa opção que fiz e que afirmo: foi a melhor escolha na minha vida! Viajar, viajar e viajar!

Foi, é e sempre será gratificante pro meu aprendizado. Espero com a ajuda de todos nós termos momentos deliciosos nos contatos que faremos a partir desse hábito tão prazeroso que é a leitura.

Gosto de entretenimento nas leituras que faço e por esse motivo deixo pra vocês uma poesia do Mário Quintana para despertar a fantasia, para ver com olhos de primeira vez, para perceber a arte, para chegar mais perto dos poetas, para notar diferenças, para alimentar mistério, para reparar, para mirar no espelho, para seguir em frente, para ler em boa companhia, para clarear sentimento, para provocar inquietudes, para amansar o coração, para dar corda na preguiça, para suspeitar, para aproveitar todo e qualquer percurso e para viver com POESIA.

Para Viver com Poesia – Mário Quintana – Editora Globo – 118 páginas

PARA LEVAR A INFÂNCIA A SÉRIO

As crianças não brincam de brincar. Brincam de verdade…

Triste de quem não conserva nenhum vestígio da infância…

Vocês já repararam no olhar de uma criança quando interroga? A vida, a irrequieta inteligência que ela tem? Pois bem, você lhe dá uma resposta instantânea, definitiva, única – e verá pelos olhos dela que baixou vários risquinhos na sua consideração.

A criança que brinca e o poeta que faz um poema – Estão ambos na mesma idade mágica!

Ah, aquela confiança que tem uma criança rezando… Inocente confiança. Alegria. Quem é de nós que reza com alegria? Parece que só existe mesmo o Deus das crianças… Deus é impróprio para adultos.

Hoje ganhei o meu dia. Porque uma meninazinha me perguntou: “O senhor pode me botar uma dedicação neste livro?”. Escrevi, então, sinceramente: “Para a Heloisa Maria, com toda a minha dedicação”.

Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância.

Nunca se deve tirar o brinquedo de uma criança, tenha ela oito ou oitenta anos.

Não importa o enredo das histórias: o que vale é o êxtase de quem as escuta. Por isso é que as crianças gostam de ouvir sempre as mesmas histórias, como se fosse da primeira vez.

Só poderia haver escolas para meninos-poetas, onde cada um estudasse com todo o gosto e vontade o que traz na cabeça e não o que está escrito nos manuais.

Quando a gente era deste tamanhozinho, aí sim, Deus estava logo ali por detrás das estrelas, todas elas muito perto também. Depois nos aconteceu, com a sapiência adulta, essa infinita distância… Mas na verdade as crianças estavam mais próximas da verdade. Pois Deus não será a procura de Deus?

Oh! Aquele meninozinho que dizia/ “Fessora, eu posso ir lá fora?” / mas apenas ficava um momento/ bebendo o vento azul… / Agora não preciso pedir licença a ninguém. / Mesmo porque não existe paisagem lá fora: / somente o cimento. / O vento não mais me fareja a face como um cão amigo… / Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.

Que importa o asfalto, o cimento, isso tudo?

As meninazinhas sempre saem da escola correndo descalças sobre a relva…

Nesses desenhos de crianças – vocês também repararam? – há alguns em que não aparece aquela costumeira estradinha que leva à porta de suas casas…

Benditos, mil vezes benditos aqueles carrosséis que ensinaram aos meninos de meu tempo a pura ALEGRIA DE VIAJAR!

Espero que vocês tenham gostado!

Independente do destino segue a pleno vapor o projeto de nossas viagens. Seja nas rotas nacionais ou internacionais, faremos o melhor.

Espero encontra-los logo e fazer a nossa primeira viagem por esse mundão afora.

Abraços e uma ótima e divertida semana a todos!

Jacqueline de Cássia

Criada em Ilhéus linha de ônibus específica para a Uesc

Roberto Rabat

uescDesde a última segunda-feira, dia 2, os estudantes que residem em Ilhéus passaram a ser beneficiados pela criação de uma linha de ônibus específica para a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Realizada por ônibus semi-expressos, a nova linha foi solicitada pelo prefeito Newton Lima às empresas da cidade visando atender a uma antiga reivindicação da comunidade universitária. Com ela, destaca o secretário de Transportes, Carlos Freitas, o alunado já está se deslocando para a universidade com muito mais conforto, tranqüilidade e, sobretudo, mais rapidez.

Carlos Freitas informa que, ao todo, seis ônibus já se encontram realizando a nova linha. “Um sai do Iguape, via avenida Esperança; outro, do Nossa Senhora da Vitória, passando pelo Hernani Sá e pelo Nelson Costa, via Princesa Isabel; e o terceiro, do Teotônio Vilela, passando pela rodoviária. Os demais saem diretamente do terminal urbano João Mangabeira”, explica. Ainda de acordo com o secretário, o grande diferencial do ônibus semi-expresso, utilizado pela linha Uesc, é que ele só faz desembarques a partir do Banco da Vitória, o que agiliza bastante a viagem. “Só para termos uma idéia, os ônibus que fazem a linha normal do Salobrinho demoram 55 minutos para cumprir o percurso. Já os que servem aos estudantes, apenas 35”, afirma.

O diretor de Transportes, Josemir Dias, lembra que a escala de ônibus específicos para a Universidade Estadual de Santa Cruz começa a operar a partir das 6h30min, sendo que o último veículo retorna do Salobrinho por volta das 22h10min. “Vale frisar também que esses ônibus estarão sempre circulando tendo em vista o calendário de aulas regulares da universidade. Nossa proposta, com isso, é otimizar a nova linha, gerando um grau máximo de conforto e satisfação para o alunado”, comenta, acrescentando que as viagens são feitas basicamente por universitários, “que, aos poucos, vão utilizando da melhor forma um serviço criado especialmente para eles”, diz.

Fonte: RC2Press

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