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Por Roberto Rabat
Está em tramitação na Câmara Municipal de Ilhéus o Projeto de Lei nº 023/2009 de autoria do vereador Tarcísio Paixão que visa à mudança de nome do Bairro Salobrinho, situado no Km 16 da Rodovia Ilhéus-Itabuna, para Bairro Universitário Santa Cruz. A justificativa é de estando localizado próximo a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), o Salobrinho recebe estudantes vindos de todo o Brasil. Vale lembrar que essa mudança é um desejo antigo dos moradores do bairro.
Com 35 anos recém completados, a UESC é considerada uma das principais universidades do Norte e Nordeste. No momento, a UESC oferece 29 cursos de graduação, cursos de especialização, mestrados e doutorado. Atualmente, cursos como Medicina, Direito e Engenharia de Produção e Sistemas são referência em todo o Brasil. Com isso o papel desempenhado pela universidade é importantíssimo para o desenvolvimento não apenas do bairro, como também do município.
De acordo com o vereador Tarcísio Paixão “É grande a relevância da mudança do nome de Salobrinho para Bairro Universitário Santa Cruz, no sentido de consolidar parcerias para investimentos no bairro.” Após a consolidação da mudança de nome, o Governo Estadual poderá disponibilizar recursos para serem aplicados no bairro e poderão ser feitos ainda consórcios com municípios vizinhos. Todas essas ações visam à melhoria da qualidade de vida de todos que necessitam do local para viver, estudar e trabalhar.
Fonte: RC2press
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Antigamente, quem nascia em Banco da Vitória era conhecido como os ‘comem concreto’. Isso porque a nossa gente era boa de boca, comia de tudo e não fazia cerimônia na hora da mastigação. O nosso povo jamais soube o que era fome, pois tinha os frutos das matas, a abundância de caças e um rio farto de peixes e mariscos.
Gente magra em Banco da Vitória não existia. Todo mundo era buchudo e pançudo. Desde criancinha todo mundo aprendia a gostar de pirão de siris, de visgo de jaca e do travor do biri-biri. Comer siris e caranguejos se aprendia aos 03 anos de idade. Aos cinco anos já se sabia pescar carapicuns, robalos e moréias. Aos 08 anos, os meninos mergulhavam no fundo do rio e de lá trazia siris, pitus e aratanhas. As meninas já sabiam pescar de redes e jererés.
Comer bem sempre foi uma das nossas qualidades maiores. Em Banco da Vitória todo mundo era bom de boca e comia de tudo. Na verdade a gente comia mesmo era de mão, desprezando talheres de todas as naturezas e fins. As frutas abundavam em todos os quintais. Eram bananas, mamões, jacas, abius, jenipapos, laranjas, carambolas, mangas, cocos e siriquelas. Nas beiras do rio Cachoeira haviam as goiabas, araçás, canas, taramarindo, carambolas, groselhas, amêndoas etc. Junto aos pássaros, todos nós comíamos as frutas e éramos duros de sermos vencidos por doenças bobas.
Do rio cachoeira viam os peixes e mariscos. Eram as tainhas gordas, robalos ovados, carapebas, moréias, carapicuns, traíras entre tantos outros peixes. Os mariscos fervilhavam sobre as pedras. Eram siris, caranguejos, guaimúns cevados, moapéns, ostras, pititingas, camarões e os famosos pitus.
Das matas vinham as caça como as pacas, tatus, teiús, veados, capivaras, sarués, jacaré e até jibóias que eram comidas pelos ‘bebúns’.
Naquela época frango se chamava galo e era comida de dia de domingo. Marcarão era comida de rico e leite em pó era capricho de poucos. O povo simples comia mesmo era feijão com arroz e farinha torrada e uma lasca de carne assada na brasa.
Moquecas e pirão faziam parte da nossa janta e sopa era comida de doente. As meninas quando estavam apaixonadas chupam limões com sal e pirão de mulher parida se fazia com caldo de galinha cozida no fogão a lenha.
No dia de Cosme e Damião se servia um farto caruru e tinha menino que corria as sete-freguesias e cominam mais de dez pratos da iguaria rara e deliciosa.
Agente não adoecia facilmente, pois éramos todos bem alimentados pelos ares de Banco da Vitória. Nos ‘babas’ de futebol, as canelas dos meninos se chocavam e só faltava sair labaredas da jogadas poucas amistosas. Raramente se via um menino ou menina com o braço ou pé quebrado. Tudo isso só era possível devido a nossa alimentação farta e principalmente natural.
As canas eram rasgadas nos dentes. O coco seco era comido como pudim de menino pobre e o mocotó moqueado se comia desde pequenininho. Como não havia miojos e iogurtes, a gente se lambuzada de frutos e o próprio banho de rio já servia para trazer uns camarões para se comer aferventados. Normalmente se tomava café com banana da terra, batata doce, aimpim ou então fruta-pão.
Concreto mesmo a gente não comia, como se dizia. Mas barro era comida de muitas crianças da barriga verde. Tinha gente que não aquetava ver um buraco no reboca da casa de taipas. Ali se ajeitava e fazia uma boquinha naturalista.
Mas isso já é uma outra velha e longa estória do nosso Banco da Vitória do Rio Cachoeira.
Roberto Carlos Rodrigues
A Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC – que completa 35 anos no dia 22 de abril de 2009, surgiu a partir da criação da Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna – FESPI, em 1974, reunindo as escolas isoladas Faculdade de Direito de Ilhéus, Faculdade de Filosofia de Itabuna e Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna. À época, a instituição era mantida por uma fundação de natureza privada, cujo acesso aos cursos existentes tornava-se cada vez mais difícil.
Após uma grande campanha estudantil e popular, em 1991, o então Governador do Estado incorporou a FESPI ao quadro das instituições públicas de ensino superior da Bahia, pela Lei 6.344 de 06/12/91. Em 1995, a UESC teve seu Quadro de Pessoal aprovado pela Lei nº 6.898, ficando reorganizada sob a forma de Autarquia. Assim, foi consolidada a UESC, como a mais nova Universidade Estadual da Bahia.
Pelo fato de estar situada numa região de agropecuária, a Universidade vem se estruturando para afirmar seu papel agroecológico, bem como implementar ações extensionistas, com programas de preservação da Mata Atlântica, cuja fauna e flora oferece rico material de pesquisa.
No momento, a UESC oferece 29 cursos de graduação, vários cursos de especialização, oito mestrados e um doutorado. Ao longo de sua história, já graduou mais de 15.500 profissionais nas diversas áreas de conhecimento, além de investir maciçamente no processo de informatização acadêmica, na melhoria do seu acervo bibliográfico e na ampliação e aprimoramento dos projetos de pesquisa.
Nós o chamamos Campus Prof. Soane Nazaré de Andrade. Mas se dissermos que se trata de uma cidade chamada UESC, não estaremos exagerando. Afinal, a sua população se aproxima dos 10 mil habitantes: estudantes, professores, servidores técnico-administrativos, menores-aprendizes, pessoal terceirizado, prestadores de serviços, fornecedores, que por aqui circulam todos os dias.
Esta pequena cidade, que completa 35 anos neste dia 22 de abril de 2009, nasceu modesta: apenas dois pavilhões – o Adonias Filho e o Jorge Amado – cercados de lama por todos os lados. Tantas eram as limitações que, para muitos, parecia algo visionário.
– Uma universidade, ali, no meio do mato?… É coisa de sonhador, dinheiro jogado fora! Muitas vezes ouviu-se isso daqueles que pensam pequeno.
Passados todos esses anos, aquele embrião de campus, pedra angular da Universidade, não só transformou-se numa pequena grande cidade, mas também num desafio a ser superado todos os dias – com demandas constantes – cujo compromisso maior é a formação de massa crítica e a capacitação de recursos humanos capazes de alavancar o desenvolvimento da Região Sul e Extremo Sul da Bahia. E esses pleitos impõem mudanças e investimentos constantes na infraestrutura desta nossa cidade.
Campus Soane Nazaré de Andrade km 16 Rodovia Ilhéus-Itabuna CEP 45662-000. Ilhéus-Bahia
Investimentos – Para adequar a sua estrutura física a essas demandas, o campus está sendo “presenteado”, nestes seus 35 anos, com investimentos orçados em torno de 11 milhões de reais. O maior deles é a conclusão, até o fim deste ano, do prédio do Instituto de Pesquisa e Análises Físico-Químicas (Ipaf).
Deverão estar concluídas também, nesse período, as salas de aula dos cursos de Educação Física e de Medicina Veterinária. A construção de um pavilhão para salas de aula, na dimensão dos atuais, já está licitado e as obras devem começar em breve. O complexo de laboratórios para os cursos de pós-graduação é outra obra igualmente importante prestes a ser iniciada.
Além das obras citadas, várias outras, de menor porte, estão em andamento ou previstas para ampliar as instalações do campus. Concluídas, irão representar um desafogo na carência de salas para atender aos alunos e professores dos atuais cursos de graduação e cerca de 30 de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado).
Fonte: Site UESC
As minhas melhores lembranças de Banco da Vitória do Rio Cachoeira são todas com contemplativas. Lembro-me dos cheiros dos ares da nossa terra, do gosto de mato fresco do nosso antigo Rio Cachoeira, dos aromas das casas que exalavam delícias, do cheiro bom da nossa gente.
Tudo neste lugar tem um perfume especial, uma aroma de mato, um gosto especial e único, com pitadas de gotas celestiais.
A água da Bica da Água Boa é doce, o ar das ruas é fresco e o cheiro de comida se sente por todos os lados e ares. Iguais aos pássaros, somos todos atraídos pelos cheiro das coisas e das cores. Vivemos, na verdade, hipnotizados pelos os cheiros brejeiros deste lugar salpicado pelas babas do Oceano Atlântico.
Abaixo vou citar algumas lembranças de gostos, odores e sabores desse nosso lugar amado e jamais esquecido. Eis algumas lembranças oftativas e degustativas de Banco da Vitória.
Relembre dessas coisas comigo:
O lelê de Dona Maroca;
A moqueca de moréia preta feita por Dona Chica;
A moqueca de robalo de Ivone Soares;
O pudim de pão de Ivone Santos;
Os bolos de tapioca de Dupó;
Os bolos de Ivony;
Os acarajés de Baiana;
Os licores de Dona Cabocla;
A fatada de Dona Constância;
Os camarões aferventados de Dona Elza;
As canas do quintal de seu Cazeca;
As jacas da Fazenda Vitória;
As goiabas do Baití;
Os churrascos do Bar de Juarez;
Os pasteis de Teça;
Os quibes de Dona Vilma (vendidos por Dui!);
Os moapens cozidos de Dona Conceição;
A feijoada de Dona Lindaura;
A farinha de Dominguinho;
Os pães de Seu Pedro Preto
Os cavacos de minha prima Vera Lúcia;
Os sorvetes de Dona Lia;
Os geladinhos de Dona Nilza da Carlos Cambal;
As batidas de frutas de Ziba;
Os camarões na moranga de Marta Duarte;
A carne do sol de Lílian e Marísio;
Os corações de boi assado por Seu Diva;
As laranjas de Belmiro;
Os pitus de Gogó de Sola;
Os siris de Cundunga;
Os gaiamuns de Roque de Dedé;
Os camarões de Tonho de Miguel Farias;
Os pasteis de Celuta;
O caruru de Neguinha;
A jacuba de Pedrão;
O quentão de Ariéis;
A cachaça desdobrada de Seu Joaquim;
O gato cozido por Bigode;
Os mamilos assado por Zé Carioca;
Os úberes assados por Zé da Alinhagem;
O licor de jenipapo de Dona Raquel;
O tatu cozido por Dona Maria Cardoso;
As cocadas de Dona Iracy e Dona Demy;
A jabá com abóbora de Dona Inês;
O caruru de Dona Eunice;
O banho de Flor de Dona Licinha;
O churrasco de rabo de porco de Seu Nafital;
O cozido de porco de Tonho de Nouzinho;
O filé com pão de Adalto Maia;
As cervejas mornas do Bar de Dalila;
A 51 do Bar de Lindor;
Os peixes de Renato;
Os cocos de Carmerindo;
As moquecas de pitus de Pitu;
Os cozinhados de Dona Vaninha;
Os churrascos de Paulo, Tonho e Nem;
Os churrasquinhos de ‘gatos’ de Carrinho;
Os salgados de Dona Loura (vendidos por Marcione);
O pirão de Dona Rosilda;
O mocotó cozido por Célia de Formiga;
A lingüiça de porco feita por ser Ailton;
O sarapatel de Luisão;
A carne de porco vendida por Pedro Melo;
Os refrigerantes gelados do Bar Zebrinha de Josias Xavier;
Os doces de carambolas de Dona Alice Lavigne;
Os tira-gostos de salame com limão do bar Taiobinha de Seu Julho;
Os peixes fritos do Colóio;
A passarinha frita do bar de Xisto Gomes;
O pão com sardinha do armazém de Seu Zé Cotoco;
Os picolés de Dona Lia;
As bolachas de ararutas da venda de Dona;
O amendoim cozido da barraca de Zé Jatobá;
As pizzas de Suquinha;
A água de coco engarrafada de Seu Laércio;
0s peixes vendidos por Zé Carlos de Zé Bisco;
As bananas da terra de Seu Nelson do Morro;
Os tatus de Ruy;
0s aipins de Edvaldo…
Tudo nesse lugar cheira a felicidade. Tudo tem gosto de saudade. Tudo é gostoso de se dizer e sentir!
Banco da Vitória do Rio Cachoeira, tudo em ti lembrar os ares do paraíso dados aos índios tupiniquins. Adubai os nossos sonhos e fermentais as nossas doces lembranças. Dá-nos somente os dias e suas dignas labutas, pois as noites são para sonhar com os seus cheiros, gostos e paisagens.
Roberto Carlos Rodrigues
Após o triste mês de junho de 1974, quando a seleção brasileira de futebol foi desclassificada precocemente da copa do mundo realizada na então Alemanha Ocidental, o Banco da Vitória, pôde por fim arrumar um motivo para se alegrar e festejar. A Petrobrás iniciara estudos de prospecção de petróleo em terras da nossa comunidade. Não poderia haver notícia mais acalentadora do que essa para os nativos dos lábios salgados do Rio Cachoeira. O povo se alvoroçou loucamente e gotas de riquezas salpicaram os sonhos de muita gente.
Petróleo era dinheiro vivo que brotava do chão e enriquecia qualquer pessoa e lugar. Dessa vez, o Banco da Vitória ia sair da lama. Se dizia.
Esse fato quase pirotécnico correu as ruas de distrito de Banco da Vitória e em poucos dias era notícia nos jornais e rádios de Ilhéus, Itabuna e até na Cidade da Bahia, – como os moradores de Ilhéus gostavam de chamar Salvador, a Capital do nosso Estado.
Nessa época a Petrobrás tinha iniciado diversos estudos em solos do Sul da Bahia em busca de petróleo. A caravana de prospecção iniciou os seus estudos pela cidade de Caravelas, no Extremo Sul e veio, Bahia acima, brocando as terras e desenterrando sonhos. Por fim a caravana chegou as terras dos ares mornos de Ilhéus. No nosso município foram perfurados diversos poços nos distrito de Lagoa Encantada, Sambaituba, Iguape, Coutos e nos batentes de Banco da Vitória.
Os primeiros furos nas terras de Banco da Vitória foram feito próximo a Presa do Iguape e depois mais três outros buracos foram feitos na Mata da Rinha e um último, do outro lado Rio Cachoeira, na direção do Poço do Goió
Os caminhões e caminhonetes da equipe de estudos da Petrobrás ficavam estacionados na Rua do Campo, e para lá ia todos os tipos de curiosos e bisbilhoteiros para verem os maquinários usados para perfurar o solo e detectar o líquido precioso da terra. Tinha gente que ia para ver as gigantescas brocas, outros iam para arrumar motivos para mentir por um mês inteiro. Algumas moças iam para ver os homens fortes que cheirava a querosene. Seu Pedro Preto ia para se deliciar com os modelos de caminhões da Ford, seu sonho de consumo.
Nesses dias de júbilo social, até os famosos radialistas ilheense chamados Tiro Seco e Adorsival Araújo apareceram em Banco da Vitória para entrevistarem os perfuradores da Petrobras. Junto ao radialistas apareceram também mais de uma dúzia de pessoas dizendo que tinha indícios de petróleo nos quintais das suas casas. Eram moradores da nossa comunidade que queria ficar rico com líquido preto da terra.
Seu Cazuza, quando soube na notícia disse alegremente:
- Tô rico!! Lá no quintá de casa tem um troço preto que escorre da terra dia e noite, deve ser ‘petroi’!
Meia hora depois estava seu Cazuza com uma lata de alumínio cheia do liquido escuro, mostrando-a para o pessoal da Petrobrás.
O técnico da Petrobras analisou o liquido rapidamente e disse:
Isso não é petróleo, deve ser chorume. Tem algum cemitério por perto da casa do senhor? Perguntou o rapaz.
Seu Cazuza, que morava bem em frente ao cemitério de Banco da Vitória, nem respondeu. Pegou a sua lata com o líquido fedorento e a jogou no brejo de Dona Margarida. Depois, foi afogar a sua tristeza na venda de seu Zé Cotoco. O fato virou piada em Banco da Vitória. Seu João Batista, que era o coveiro, quando via seu Cazuza sempre perguntava:
- E ai Cazuza, já saiu o resultado do teste do petróleo lá do seu quintal:
Seu Cazuza resmungava:
- Vai pro inferno, satanás!
Seu Thiago Cardoso, que achava que também tinha petróleo no seu quintal, nem ousou ir levar as amostras para os técnicos da Petrobrás. Cabo Jonas, que dizia até ter tomado banho de petróleo na Cidade de Ruy Barbosa, logo se enquadrou como perito no líquido preto da terra e argüia por onde passava.
- Petróleo?! Conheço a distância! È só trazer que eu dou na hora o diagnóstico e a qualidade do magma líquido…
Em menos de uma semana a comitiva da Petrobras saiu de Banco da Vitória, rumando dessa vez para Camamu, onde realmente se achou uma grande reserva de petróleo. Em Banco da Vitória ficaram lacrados e numerados todos os poços das terras do umbigo da Região Cacaueira. As únicas coisas que não ficam lacradas foram as bocas dos palpiteiros de plantão.
Tinha gente que dizia que os poços de petróleo de Banco da Vitória foram lacrados para não explodirem de tanto líquido precioso que se tinha neles. Outras vezes se dizia que em cada poço tinha um guarda tomando conta do reserva nacional. Havia também que argumentasse que além de petróleo se achou nos poços diamantes, esmeraldas, rubis e ouro. Houve até quem disse que seu Raimundo Ribeiro ia ficar rico só com um poço perfurado perto das suas terras, na Mata da Rinha.
Tudo isso, em pouco tempo caiu no imaginário coletivo do povo de Banco da Vitória.
Uma coisa é certa, somente a Petrobrás sabe exatamente onde estão as localizações desses poços perfurados em Banco da Vitória. O mato e o tempo se encarregaram de escondê-los dos olhos desta nossa geração.
Se havia petróleo ou não, até hoje não sabemos ao certo. Mas uma coisa a Petrobras certificou com a sua incursão em solos de Banco da Vitória: todos os tipos de sonhos e possibilidades podem brotar deste chão sagrado para esse povo que tem a esperança como horta dos seus dias.
Roberto Carlos Rodrigues
Em recente viagem a Europa, o Professor Dr. Juracy Martins Santana, Embaixador de Banco da Vitória, visitou as principais capitais do Velho Mundo e aproveitou a oportunidade para provar mais uma das suas tão laboriosas teses. Desta vez, o egrégio filho da terra da Água Boa, emoldurado pela beleza do Palácio de Versalhes, em Paris, capital da França, provou que, quem tem um sonho e faz dele uma meta latente, o objetivo se torna óbvio. Basta somente trabalho e dedicação.
Acompanhado por sua esposa e seus filhos, Dr. Juracy pôde visitar as principais cidades européias e caminhar pelas ruas emersas de tantas histórias e vastos conhecimentos. Ele deve ter se emocionado nessas suas andanças, pois sabia que nos seus mais recônditos sentimentos, ele estava escrevendo com os seus passos a prova viva que Banco da Vitória do Rio Cachoeira é uma terra de gente sonhadora e realizadora.
Dr. Juracy que nascera nas franjas dos cacauais e ouvira tantas vezes se dizer que visitar a Europa era coisa de ricos, deve ter se sentido realizado e elegantemente satisfeito. Afinal, ele não era apenas mais um turista brasileiro em terras européias. Mas sim, o professor doutor Juracy Martins Santana. Por certo, um dos mais ilustres conhecedores do Direito Penal, no Brasil.
Dr. Juracy sabe muito bem o que ele representa para o povo de Banco da Vitória, que se espelha nele como lúcido e sólido exemplo de superação, realização humana e sucesso. Nascido no clã de Antônio Isaias e fecundado com esmero por Dona Lindaura, Dr. Juracy e todos os seus irmãos e irmãs sempre tiverem uma guerra particular contra o destino e ,resolveram, – unidos e através do saber -, reescrever todas as suas histórias. Preferiram o único caminho que poder transformar humildes seres humanos em celebridades: o estudo. Desta forma, em visitar a Europa, este Martins Santana comprovou que sonho e trabalho se tornam realização concreta.
Como é facilmente sabido pelas plagas da Civilização do Cacau, Banco da Vitória é um verdadeiro celeiro de mentes ilustres e pessoas altamente talentosas. Por certo, poucos lugares do mundo têm tantos conterrâneos ilustres quanto a nossa comunidade, comparando isso a nossa pequena população. Isso obviamente se requer estudo mais apurado para saber o porquê dessa preciosidade social. Eu acredito que deve ser a água que bebemos.
Dr. Juracy é uma dessas pessoas instigadoras e desafiadoras. Por onde passou ele sempre foi o destaque maior, seja nas escolas, seja no trabalho ou nas comunidades. Aprendeu falar inglês quando isso era privilégio de pouca gente no Brasil. Tornou-se um celebre professor do idioma falado por Barack Obama e surpreendeu muitos alunos ilheenses com a sua didática fácil e permeada de toques de genialidade. Na Telebahia, empresa que trabalhou até se aposentar, ele foi eleito empregado padrão e até hoje é lembrado com um ser humano simplesmente espetacular. Deixou lá centenas de amigos e admiradores.
Agora, emergido completamente nos umbrais do Direito, ele leciona nas principais universidades do Sul da Bahia e tem o privilégio de ter como seus alunos verdadeiros vultos do direito brasileiro. Por certo, o seu biógrafo terá muito trabalho.
Quem o viu, há quarenta anos atrás caminhando pelos acostamentos da rodovia Ilhéus-Itabuna, rumo à roça de cacau da sua família, com livros debaixo dos braços, jamais acreditou que aquele filho de um simples agricultor um dia ia tão longe. Jura, como é chamado pelos seus familiares, tinha as mãos calejadas pelos cabos dos facões e dos podões. Todavia, enquanto cuidava da lavoura, sonhava andar pelas ruas das capitais européias.
Agora, enquanto passeava pelas ruas dos seus sonhos, por certo, Dr. Juracy lembrava da sua lida das roças de cacau e dos tantos desafios que teve de superar na sua vida de tantas lutas e conquistas. Ali, passo a passo, sobre os paralelepípedos testemunhais das principais histórias da humanidade, por certo ele deve ter se sentido muito alegre. Afinal, ele comprovava e cientificava que quem nasce em Banco da Vitória, realmente vai longe. Muito longe. Muito além dos seus sonhos, num lugar chamado realização.
Não nos surpreenderá em nada, se em breve, o presidente Barack Obama receber em audiência particular na Casa Branca, o nosso conterrâneo ilustre. Isso, por certo, pode não ser o sonho momentâneo do nosso Dr. Juracy Martins Santana, mas é o de toda a nossa comunidade de Banco da Vitória. Como Dr. Juracy ama incondicionalmente a nossa terra, quando sonhamos qualquer coisa, ele é o primeiro a carregar a nossa bandeira e desnudar os horizontes. Por conta disto, acredito que o seu passaporte já esteja carimbado.
Dessa forma, se em breve o Washington Post notificar em sua primeira página a visita de Dr. Juracy ao solo americano, o povo de Banco da Vitória saberá mais uma vez que o nosso aguerrido irmão, – que resolveu carregar todos os nossos sonhos sobre seus ombros -, cumpriu, como de praxe, mais uma das suas tantas metas.
Se Martin Luther King dizia que tinha um sonho e Barack Obama disse que ‘sim, nós podemos’. Por certo, Dr. Juracy deve dizer sempre a sua frase preferida:
“Sim, nós podemos sonhar.”
Que seja esse o lema de todos os moradores de Banco da Vitória do Rio Cachoeira. Dr. Juracy continua fazendo a parte dele. Cabe a nós apenas o imitarmos prazerosamente.
Roberto Carlos Rodrigues










