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Por Roberto Carlos Rodrigues

Por Roberto Carlos Rodrigues

A história sempre precisa de narradores. Se isso não ocorre, fatos se tornam vagas lembranças e em pouco tempo a memória social de um povo se esvai e é facilmente esquecida. Eu faço a minha parte descrevendo os causos e as prosas que eu vivi e/ou ouvi em nossa comunidade. Faço isso para que a história de Banco da Vitória não se perca, como tantas outras. Você, ao ler esse livreto faz a sua parte nesta jornada. Porém, a sua maior contribuição será copiar e distribuir  esse livreto para os nossos amigos e moradores. Você fazendo isso, eu saberei realmente que valeu a pena tê-lo escrito esse livro.

Eu tive uma oportunidade fantástica na vida: a ter nascido nas fraudas dos cacauais que circundavam Banco da Vitória.  Sempre tive a certeza que nasci numa época memorável, pois tive a oportunidade de não somente conhecer mais também conviver, conversar e ser amigo dos moradores mais tradicionais e folclóricos da nossa comunidade. Na ‘venda’ de meu pai, Carrinho, a famosa A Visgueira, todos os dias estavam por lá os verdadeiros catedráticos da história de Banco da Vitória, contando suas estórias ou simplesmente jogando conversas fora.

Eu tive a chance de conviver e conversar com moradores de Banco da Vitória, como Seu Xisto Gomes, Nestor Cotó, Pedro Preto, Cabo Jonas, João de Coló, Antônio Isaias, Seu Duba, Seu Juca, Seu Tiago, Bibogo, Seu Feliciano de Assis (meu avó materno), Seu Veio Cotó, Gaguingo, Zé Orlando, Seu Cazeca, Seu Amaro, Seu Agimiro, Seu Manuel Siriaco, Seu Apolônio, Seu Joaquim, Seu Péricles, Seu Zé Melo, Jonas Porco-e-touro, Seu Cazuza, Sobogó, Zé Lavigne, Paulo Rocha, Seu Taurindo, Otacílio, Seu Dedê, Aries, Zé Vieira, Dona Chica, Dona Normélia, Ivone Santos, Dona Raquel, Dona Dete Catatu, Dona, Professora Glaúcia, Dona Lindaura, Buré, Seu Farrabufado, seu Raimundo Ribeiro, Dantinha, Lindor, Seu Lis Delegado, Seu Zé Carioca, Zé Bispo, Dona Cabocla (minha vó materna), Dona Maria Cardoso, (minha vó paterna), Nafital, Dona Romana, Valter e Jailton Ramos, Enéas, Zito costureiro, Bigode, Seu Diva, Nego Nide, Botão, Seu Zé Cotoco, Dona Lia, Dona Lurdes, Nerilda, Cremilda, Zé da Alinhagem, Dona Eurides, Pedro Filho, Seu Péricles Melo, Seu Zé Melo. Seu Milton Nunes, Seu João Batista (o coveiro), Zé Batista, Zé Bolão, Courinho, Dona Margarida, Dona Dete Fateira, Dona Dete de Cabo Jonas, Seu Tum, Zé Jatobá, Dona Eunice, Dona Enaura, Dona Júlia, Arara, Seu Assis, Tonho de Nouzinho, Garapa, Altino (o gordo e o magro), Seu Botão, Seu Nelson Fontes, Jonas Paraíso, Seu Alfredo, Seu Plínio, Oficial, Seu Roque, Seu Joval, Bembéu, Seu João Ruim, Julinho da Taibinha, Dalila, Pedro Melo, Seu Ailton, meu pai Carrinho… e tantas outras pessoas espetaculares da nossa comunidade.

Agora imagine você quantas estórias impressionantes eu ouvi? Quantas versões eu tive oportunidade de ver e presenciar? De quantas mentiras eu sorri, enquanto ouvia essa gente criativa e guerreira, com suas façanhas sociais?

Disso tudo que ouvi e vivi, eu, – dentro do possível -, procurei selecionar algumas prosas e causos e agora apresento a você nessa versão de livreto.

Esse livreto nasceu de uma idéia que Ivone Santos me deu, quanto eu estava escrevendo o livro Banco da Vitória do Rio Cachoeira – A História Esquecida (em fase de conclusão). Um dia eu mostrei para Ivone o esboço desse livro, com as referências históricas e os diversos estudos que eu estava fazendo na UESC, quando ela me perguntou se eu ia escrever a história ou a ‘estória’ de Banco da Vitória?

Eu lhe respondi que eu estava fazendo um livro oficial, com a história verdadeira da nossa comunidade. Ivone então me sugeriu que eu escrevesse também os nossos causos, prosas e estórias, que são tantas e tão alegres.

Entusiasmado com a idéia, eu escrevi em 2005 um livreto com 10 estórias, chamado de Prosas e Causos de Banco da Vitória. Eu fiz apenas alguns exemplares xerografados e distribuir para os meus amigos e parentes. Hoje, esses livretos são raridades em nossa comunidade e muita gente gostaria de ter um exemplar dele.

Visando melhorar a divulgação da nossa história, antes de lançar o livro oficial sobre Banco da Vitória, eu resolvi revisar, ampliar e incrementar o livro de prosas e causos de Banco da Vitória. Essa versão que você tem em mão é o resultado deste novo trabalho.

Por favor, dentro das suas condições, tire cópias deste livreto e distribua para os seus amigos, parentes e colegas. Esse livro é de domínio público. Eu o fiz e o doei para o povo de Banco da Vitória. Fazendo assim, você estará verdadeiramente contribuindo para a cultura e a história de Banco da Vitória e nosso povo.

Lembre-se, esse é um livro de prosas e causos. Portanto, é cheio de fábulas, elucubrações e suposições. Metade dele é  verdade e a outra metade é verdade vestida de ficção.

Tenha boa leitura, seja feliz e ame profundamente o Banco da Vitória todos os dias.

Roberto Carlos Rodrigues,

Junho de 2009

Cabo Jonas Banco da VitóriaRelação dos causos e prosas:

01 – As pescarias de João de Colo

02 – O Agouro Fatal

03 – Futebol!

04 – A Índia

05 – O Inventor do Churrasco de Banco da Vitória

06 – As Conduções

07 -  O Conjunto de Oficial do Cavaquinho

08 – A Santa Missão

09 – A estória de Cabo Jonas

10 – Siboney!

11 – O Grande Encontro

12 – Seu Pedro Preto

13 – O Caroço de Bembeu

14 – A Dor na Titela

15 – A Tesoura de Seu Faustino

16 – Os Hippers de Banco da Vitória

17 – 02 Metros e 07 Centímetro de Quase Homem

18 – O carnaval de Banco da Vitória

19 – Quem Bateu em Tum?

20 – O Dia da Trágica Vacinação

21 – A Noite no Circo

22 – O forró de Maria Alcina

23 – Você é de Quem?

24 – O Forró de Dona Raquel

25 – O Cinema de Banco da Vitória

26 A Estrada Ilhéus-Itabuna e a Bica da Água Boa

27 – Lampião e o Banco da Vitória

28 – Os Deliciosos Sabores de Banco da Vitória

2 9 – Os Comem Concretos

30 – O Banco da Vitória na Guerra das Malvinas

31 – O Petróleo de Banco da Vitória

32 – Juracy Martins Santana – O embaixador de Banco da Vitória.

33 – Jorge Amado e o Banco da Vitória

34 – Perdemos Neguinha, ganhamos uma lenda

35 – De quem é esse jegue?

36 – A fantástica oficina de Nestor Pereira

37 – Ah! Não vai dá não!

38 – Como chegar em Banco da Vitória.