You are currently browsing the tag archive for the 'bahia' tag.

microfone1O Banco da Vitória agora tem a sua rádio oficial. Conheça agora a Rádio Banco da Vitória. A melhor seleção musical da Internet. http://radiobancodavitoria.blogspot.com/ Em breve teremos propagandas e anúncios.

Ouça a nossa rádio enquanto navega na Internet. A comunidade de Banco da Vitória agradece a sua audiência. Em breve, teremos uma programação mais eclética.

Ouça agora a nossa programação especial de final de semana.

slide11

barrigudos

Por Roberto Carlos Rodrigues

Por Roberto Carlos Rodrigues

Antigamente, quem nascia em Banco da Vitória era conhecido como os ‘comem concreto’. Isso porque a nossa gente era boa de boca, comia de tudo e não fazia cerimônia na hora da mastigação. O nosso povo jamais soube o que era fome, pois tinha os frutos das matas, a abundância de caças e um rio farto de peixes e mariscos.

Gente magra em Banco da Vitória não existia. Todo mundo era buchudo e pançudo. Desde criancinha todo mundo aprendia a gostar de pirão de siris, de visgo de jaca e do travor do biri-biri. Comer siris e caranguejos se aprendia aos 03 anos de idade. Aos cinco anos já se sabia pescar carapicuns, robalos e moréias. Aos 08 anos, os meninos mergulhavam no fundo do rio e de lá trazia siris, pitus e aratanhas. As meninas já sabiam pescar de redes e jererés.

Comer bem sempre foi uma das nossas qualidades maiores. Em Banco da Vitória todo mundo era bom de boca e comia de tudo. Na verdade a gente comia mesmo era de mão, desprezando talheres de todas as naturezas e fins. As frutas abundavam em todos os quintais. Eram bananas, mamões, jacas, abius, jenipapos, laranjas, carambolas, mangas, cocos e siriquelas. Nas beiras do rio Cachoeira haviam as goiabas, araçás, canas, taramarindo, carambolas, groselhas, amêndoas etc. Junto aos pássaros, todos nós comíamos as frutas e éramos duros de sermos vencidos por doenças bobas.

Do rio cachoeira viam os peixes e mariscos. Eram as tainhas gordas, robalos ovados, carapebas, moréias, carapicuns, traíras entre tantos outros peixes. Os mariscos fervilhavam sobre as pedras. Eram siris, caranguejos, guaimúns cevados, moapéns, ostras, pititingas, camarões e os famosos pitus.

Das matas vinham as caça como as pacas, tatus,  teiús, veados, capivaras, sarués, jacaré e até jibóias que eram comidas pelos ‘bebúns’.

Naquela época frango se chamava galo e era comida de dia de domingo. Marcarão era comida de rico e leite em pó era capricho de poucos. O povo simples comia mesmo era feijão com arroz e farinha torrada e uma lasca de carne assada na brasa.

Moquecas e pirão faziam parte da nossa janta e sopa era comida de doente. As meninas quando estavam apaixonadas chupam limões com sal e pirão de mulher parida se fazia com caldo de galinha cozida no fogão a lenha.

No dia de Cosme e Damião se servia um farto caruru e tinha menino que corria as sete-freguesias e cominam mais de dez pratos da iguaria rara e deliciosa.

Agente não adoecia facilmente, pois éramos todos bem alimentados pelos ares de Banco da Vitória. Nos ‘babas’ de futebol, as canelas dos meninos se chocavam e só faltava sair labaredas da jogadas poucas amistosas. Raramente se via um menino ou menina com o braço ou pé quebrado. Tudo isso só era possível devido a nossa alimentação farta e principalmente natural.

As canas eram rasgadas nos dentes. O coco seco era  comido como pudim de menino pobre e o mocotó moqueado se comia desde pequenininho. Como não havia miojos e iogurtes, a gente se lambuzada de frutos e o próprio banho de rio já servia para trazer uns camarões para se comer aferventados. Normalmente se tomava café com banana da terra, batata doce, aimpim ou então fruta-pão.

Concreto mesmo a gente não comia, como se dizia. Mas barro era comida de muitas crianças da barriga verde. Tinha gente que não aquetava ver um buraco no reboca da casa de taipas. Ali se ajeitava e fazia uma boquinha naturalista.

Mas isso já é uma outra velha  e longa estória do nosso Banco da Vitória do Rio Cachoeira.

Roberto Carlos Rodrigues

Qual o morador mais folclórico de Banco da Vitória? Dê a sua opinião. Participe!

juryAconteceu na Bahia. Mais precisamente em Ilhéus.

Um senhor não se relacionava. Vivia encerrado dentro de casa. Não abria as janelas nem de dia. Fechado pior que um molusco. Lia e estudava. Detestava ruídos. Almejava a paz, solidão e silêncio. Acima de tudo, silêncio, para sua meditação, para a sua paz interior.

Os garotos da redondeza sabiam de seus hábitos e predileções. Por isso mesmo, irritavam-no. De forma reiterada. Com impertinência, postavam-se embaixo de sua janela e punham-se a produzir toda série inimaginável de ruídos. Como na época não haviam ainda as “motocas”, não as aceleravam, de escapamento aberto. Mas faziam barulhinho equivalente. Senão equivalente, incomensurável para o Ilhéus primitivo e tranqüilo, no início da década de 30. Leia Mais!

Campanha de Natal 2008 em Banco da Vitória

Você quer colaborar?

Acesse: http://www.bancodavitoria.com.br/6.html e saiba como.

O Cinema de Banco da Vitória

Quando eu encontro os meus amados conterrâneos, sempre pergunto à mesma coisa: – vocês já assistiram ao filme A Paixão de Cristo, no cinema de Banco da Vitória? Se a resposta for não, eu sei que essas pessoas não moravam em nossa comunidade, nos melhores anos das suas vidas. Se a resposta for sim eu sei que elas, assim como eu, tiveram o privilégio de ver o nosso cinema funcionando e alegrando a nossa comunidade.

O cinema de Banco da Vitória era famoso e funcionava no atual clube social. Aos domingos, logo após a missa, tocava a sirene avisando que a sessão ia começar. Normalmente o cinema fica lotado de gente. Tinha muitas pessoas que traziam as suas cadeiras e tamboretes para poder assistir os filmes famosos que eram exibidos ali. Dona Dedé, mãe de Nida, além de levar sua cadeira azul, levava também toti, seu cachorro de estimação, que não perdia uma só sessão de cinema.

As moças e rapazes malmente faziam o sinal da cruz na saída da igreja e corriam apressados para o cinema. Afinal no escurinho era possível ‘dar uns ‘amassos’, ‘dar uma de mãos-bobas’ ou até uma triunfal “colada”, como se chamava naquela época o beijo na boca.

A idéia do cinema de Banco da Vitória partiu de Seu Amaro, um comerciante que tinha uma bodega, perto da atual casa de Carlos Cambal. Um dia ele trouxe um amigo seu de Itabuna, chamado “Seu Zé” que logo viu que um cinema era uma grande oportunidade de negócio na comunidade. O clube Social era o local perfeito. Tinha um palco grande, cadeiras, sanitários e bilheteria. Na sessão inaugural, a pedido de Dona Lia, se exibiu o fenomenal filme Luzes da Ribalta com o Charles Chaplin no papel principal. Teve gente que se urinou nas calças durante a projeção. O sucesso foi astromboso e durante vários dias só se comentou esse filme nas ruas de Banco da Vitória.

Seu Zé do Cinema morava no Bairro do São Caetano, em Itabuna. Ele era um homem culto e inteligente. Era um cabo-verde de cabelo bom e olhos miúdos. O cinema de Banco da Vitória começou a funcionar no final da década de setenta e durou até o início da década de noventa.

Umas das figuras principais deste episódio era Dui, que carregava nas costas uma placa de madeira com os cartazes dos filmes. Dui passava nas ruas e anunciava aos gritos: “Não percam! Hoje às vinte horas e quarenta minutos o magistral filme de artes marciais, o Vôo do Dragão, como o mestre Bruce Lee.” Isso Dui fazia em todas as ruas de Banco da Vitória. Além de anunciar o filme, Dui ainda dava uma ‘palinha do filme” contando algumas cenas ou citando os artistas principais. A noite o cinema estava lotado e os meninos tinham assunto para contar a semana Inteira. Vale lembrar também que o lanterninha era Zé Sucena, que de olhos nas meninas, não deixava ninguém namorar no escurinho do cinema

Como naquela época pouca gente tinha televisão em nossa comunidade, o cinema era a maior diversão para o nosso povo. Para poder pagar um ingresso tinha menino que vendia frutas na rodagem, moça que lavava e passava roupas ou então ficava uma semana inteira sem fazer uma travessura somente para ganhar o dinheiro do um ingresso do cinema.

As sessões começavam rigorosamente no horário marcado. Isso porque Seu Zé não podia perder o último ônibus da Sulba para Itabuna que passava as 12:30. Além disso, tinha ainda os problemas com a velha maquina de projeção que queimava as lâmpadas, cortava os filmes, engolia a fita etc. Tudo isso acontecia no meio das projeções, mas eram resolvidas imediatamente pelas mãos hábeis de Seu Zé. Vale dizer que tinha também o intervalo no meio da sessão, quando os homens iam tomar um rabo-de-galo no Bar Zebrinha de seu Josias e as crianças iam compra balas, pipocas e roletes de cana.

Tarzam, Xita, Jane, Bruce Lee,O Conde Drácula, Charles Chaplin e principalmente os artistas dos filmes de faroeste faziam parte do linguajar do povo de Banco da Vitória. Dizem até que Zé Vieira ia assistir aos filmes dublados, mas não gostava disso não. Ele preferia filmes com legendas, pois assim ele podia lapidar o seu inglês e o seu francês. Agenor Bolacha, Teça, Gaguinho, Courinho, Gazula, Dona Zezé e Cabo Jonas, não perdiam um só sessão de cinema. Eram freqüentadores assíduos.

Muitos casais começaram a namorar no escurinho do cinema de seu Zé. Teve gente que até convidou o ilustre ‘operador do projetor’ para ser padrinho de casamento. Mas seu Zé não pode aceitar. O seu coração amante do cinema, já estava combalido com o ocaso das artes em todo o Brasil. Seu Zé insistiu com as projeções em Banco da Vitória até a última sessão, que dizem que só tinha oito pagantes. A televisão tinha decretado o fim do cinema de Banco da Vitória.

Dizem que Seu Zé, quando passava de ônibus por Banco da Vitória, abaixava as vista e marejava em silêncio. Ele sabia o quanto a nossa comunidade lhe proporcionou alegrias e dias prósperos. Afinal, o cinema de Banco da Vitória tinha lhe dado umas casinhas de aluguel em Itabuna, um pedaço de terra com trinta e poucas cabeças de gado em Itapé e uma casa de praia em Olivença.

Um outro que ainda hoje sente saudade do nosso cinema é Dui. Afinal, ele era o propagandista, o bilheteiro, tesoureiro e ajudante de toda ordem de Seu Zé e era o único que pegava na mala se trazia o projetor importado. Dui até hoje é capaz de narrar vários filmes que passaram no Cinema de Banco da Vitória, como Laurence da Arábia, A Ponte do Rio Kwai, O Franco-atirador e A Um Passo da Eternidade.

O tempo levou seu Zé e nosso cinema. A única coisa que ficou foi a lembrança dos domingos a noite, quando, após a missa o povo de Banco da Vitória ia se deslumbra com a sétima arte e sonhava com dias melhores para nossa comunidade.

Por último eu vou lhe fazer a seguinte pergunta: você já assistiu aos seguintes filmes: Adios Sabata!, Ringo, A Morte Não Manda Recado, A Volta do Pistoleiro, A Sombra de Uma Alma, A Morte Anda a Cavalo e A um Passo da Morte?

Se sim, você foi feliz em Banco da Vitória. Se não, então que saudade mortal do nosso antigo cinema…

——————-

Na próxima semana não perca:

A Boite de Dona Loura

Roberto Carlos Rodrigues

bancodavitoria@hotmail.com

Editor:

Roberto de Carrinho - Fale conosco pelo e-mail: bancodavitoria@hotmail.com

Twitter Banco da Vitória

Colaboradores

Silvio Farias # Hélio Pólvora # Osmário Santos = Jacqueline de Cássia # Juracy Martins Santana # Roberto Rabat # José Leite Souza # Roberto Carlos Rodrigues # Ralph Mennucci Giesbercht # Gerson Marques