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APELIDOS

Por Roberto Carlos Rodrigues

Por Roberto Carlos Rodrigues

Ontem tomei umas canjimbrinas arretadas e para matar saudade do nosso Banco da Vitória, rabisquei mais alguns apelidos particulares da nossa comunidade. Digo particulares, para não dizer próprios, haja vista que em nenhum lugar do mundo se conhece algumas pessoas, por essas alcunas tão folclóricas, criativas e alegres.

O Banco da Vitória é um verdadeiro celeiro de apelidos especiais. Confira comigo e veja se existe por ai esses apelidos fantásticos. Pode ter certeza que somente a nossa comunidade tem essas personagens folclóricas.

Apelidos:

Galinha Sem tempero, Gosto no Toba, Dete Catatu, Topogijo, Cu de Leão, Cu de Mel, Talurin, A Morte, Rato, Belas Coxas, Tonho Cu de Burro, Tonho Bicudinha, Colher de Mexer Bosta, Empata Viagem, Caga na Pista, Derreia, Tiziu, Gazula, Farrabufado, Coró, Garapa, Usino, Cobé, Boca do Mundo, Cafubá, Pulinho, Carrinho, Parará, Pinquela a Motor, Gil Pitulha, Esquiquiri, Braço-Fino, Zé Jatobá, Miúdo de Edinha, Cyó, Mimiu, Tiú, Bernardo Prosa Ruim, Tetego, Courinho, Pixilinga, Gundé, Canuto, Pisquila, Abuzado, Adriano Curupira, Chica Beinha, Biinha, Jonas Porco e Touro, De Menor, Bigú, Zabelé, Chupa Toda, Coió, Miúdo, Graúdo, Bogoió, Casé,Vaca, Manhão…

Em breve, tem mais.

Por Roberto Carlos Rodrigues

negro_brasil1As minhas melhores lembranças de Banco da Vitória do Rio Cachoeira são todas com contemplativas. Lembro-me dos cheiros dos ares da nossa terra, do gosto de mato fresco do nosso antigo Rio Cachoeira, dos aromas das casas que exalavam delícias, do cheiro bom da nossa gente.

Tudo neste lugar tem um perfume especial, uma aroma de mato, um gosto especial e único, com pitadas de gotas celestiais.

A água da Bica da Água Boa é doce, o ar das ruas  é fresco e o cheiro de comida se sente por todos os lados e ares.  Iguais aos pássaros, somos todos atraídos pelos cheiro das coisas e das cores. Vivemos, na verdade, hipnotizados pelos os cheiros  brejeiros deste lugar salpicado pelas babas do Oceano Atlântico.

Abaixo vou citar algumas lembranças de gostos, odores  e sabores desse nosso lugar amado e jamais esquecido. Eis algumas lembranças oftativas e degustativas de Banco da Vitória.

Relembre dessas coisas comigo:

O lelê de Dona Maroca;

A moqueca de moréia preta feita por Dona Chica;

A moqueca de robalo de Ivone Soares;

O pudim de pão de Ivone Santos;

Os bolos de tapioca de Dupó;

Os bolos de Ivony;

Os acarajés de Baiana;

Os licores de Dona Cabocla;

A fatada de Dona Constância;

Os camarões aferventados de Dona Elza;

As canas do quintal de seu Cazeca;

As jacas da Fazenda Vitória;

As goiabas do Baití;

Os churrascos do Bar de Juarez;

Os pasteis de Teça;

Os quibes de Dona Vilma (vendidos por Dui!);

Os moapens cozidos de Dona Conceição;

A feijoada de Dona Lindaura;

A farinha de Dominguinho;

Os pães de Seu Pedro Preto

Os cavacos de minha prima Vera Lúcia;

Os sorvetes de Dona Lia;

Os geladinhos de Dona Nilza da Carlos Cambal;

As batidas de frutas de Ziba;

Os camarões na moranga de Marta Duarte;

A carne do sol de Lílian e Marísio;

Os corações de boi assado por Seu Diva;

As laranjas de Belmiro;

Os pitus de Gogó de Sola;

Os siris de Cundunga;

Os gaiamuns de Roque de Dedé;

Os camarões de Tonho de Miguel Farias;

Os pasteis de Celuta;

O caruru de Neguinha;

A jacuba de Pedrão;

O quentão de Ariéis;

A cachaça desdobrada de Seu Joaquim;

O gato cozido por Bigode;

Os mamilos assado por Zé Carioca;

Os úberes assados por Zé da Alinhagem;

O licor de jenipapo de Dona Raquel;

O tatu cozido por Dona Maria Cardoso;

As cocadas de Dona Iracy e Dona Demy;

A jabá com abóbora de Dona Inês;

O caruru de Dona Eunice;

O banho de Flor de Dona Licinha;

O churrasco de rabo de porco de Seu Nafital;

O cozido de porco de Tonho de Nouzinho;

O filé com pão de Adalto Maia;

As cervejas mornas do Bar de Dalila;

A 51 do Bar de Lindor;

Os peixes de Renato;

Os cocos de Carmerindo;

As moquecas de pitus de Pitu;

Os cozinhados de Dona Vaninha;

Os churrascos de Paulo, Tonho e Nem;

Os churrasquinhos de ‘gatos’ de Carrinho;

Os salgados de Dona Loura (vendidos por Marcione);

O pirão de Dona Rosilda;

O mocotó cozido por Célia de Formiga;

A lingüiça de porco feita por ser Ailton;

O sarapatel de Luisão;

A carne de porco vendida por Pedro Melo;

Os refrigerantes gelados do Bar Zebrinha de Josias Xavier;

Os doces de carambolas de Dona Alice Lavigne;

Os tira-gostos de salame com limão do bar Taiobinha de Seu Julho;

Os peixes fritos do Colóio;

A passarinha frita do bar de Xisto Gomes;

O pão com sardinha do armazém de Seu Zé Cotoco;

Os picolés de Dona Lia;

As bolachas de ararutas da venda de Dona;

O amendoim cozido da barraca de Zé Jatobá;

As pizzas de Suquinha;

A água de coco engarrafada de Seu Laércio;

0s peixes vendidos por Zé Carlos de Zé Bisco;

As bananas da terra de Seu Nelson do Morro;

Os tatus de Ruy;

0s aipins de Edvaldo…

Tudo nesse lugar cheira a felicidade. Tudo tem gosto  de saudade. Tudo é gostoso de se dizer e sentir!

Banco da Vitória do Rio Cachoeira, tudo em ti lembrar os ares do paraíso dados aos índios tupiniquins. Adubai os nossos sonhos e fermentais as nossas doces lembranças. Dá-nos somente os dias e suas dignas labutas, pois as noites são para sonhar com os seus cheiros, gostos e paisagens.

Roberto Carlos Rodrigues

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Editor:

Roberto de Carrinho - Fale conosco pelo e-mail: bancodavitoria@hotmail.com

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