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tesoura banco da vitóriaNaqueles tempos não havia cabeleireiros em Banco da Vitória. Os homens e meninos ‘faziam’ os cabelos nas tendas. As mulheres, – quando cortavam os cabelos, duas coisas eram certas: ou eram meninas pequenas ou eram mulheres solteiras. Mulher adulta e casada cortava o cabelo em casa, – sob a ordem do marido ou do pai.

Os mais famosos ‘cabeleireiros’ de Banco da Vitória eram Oficial do Cavaquinho, seu Piu da Tenda da Rua dos Artistas e seu Faustino da Praça Guilherme Xavier. Oficial morava no alto da Bela Vista e era funcionário aposentado da CEPLAC. Seu Piu era um músico impar e cortava cabelos para se divertir. Seu Fastino tinha uma estória á parte.

Seu Faustino morava e trabalhava numa casa próxima ao Clube Social e era o mais famoso cabeleireiro do local devido os seus cortes de cabelos. Nos homens adultos ele cortava o modelo chamado de Largarsoni, trazido da Itália e indicado por seu Duba, que era marinheiro de todos os mares e viajantes de longos oceanos. Nas cabeças dos meninos, seu Faustino cortava o famoso modelo ‘pimpão sem perdão’. – Não me diga quem deu esse nome maldito aquele corte terrível!.

Tinha menino que chorava e esperneava na cadeira seu Faustino, que para muitos era conhecida como a ‘cadeira de tortura’. Tinha quem chegava aos extremos e se urinava de medo diante das tesouras de Seu Faustino. Mas nada disso tirava a obstinação de seu Faustino que continuava derrubando as madeixas e assobiando a sua música preferida: Asa Branca de Luiz Gonzaga.

A tesoura de seu Faustino se chamava ‘ingrata’ e agia insanamente na derrubada dos cabelos. A navalha amolada se chamava pirulito e a máquina manual se chamava lampi, em homenagem a Lampião, o jagunço nordestino.

Além de cortar os cabelos dos moradores de Banco da Vitória e jogar dominó todas as tardes, seu Faustino era também um educador informal e requisitado conselheiro de família. Isso porque, quando um menino teimoso não atendia a sua mãe, ela logo dizia, em tom assustador:

“- Se você não ficar quieto eu vou levar você para cortar os cabelos em seu Faustino!”

Por conta deste anúncio medonho, o nosso bairro era cheio de meninos educados, porém cabeludos.

A meninada de Banco da Vitória tinha medo de seu Faustino e das suas tesouras ligeiras. O maior medo era na verdade de uma máquina manual de cortar cabelos: a lampi, da marca Stheiugarrt Haiburg de fabricação alemã e famosa por não reconhecer cabelos, couro cabeludo ou orelhas.

A ‘maquina lampi’ fica no canto da banqueta da tenda. Quando seu Faustino tocava nela, o chororó começava na Praça Guilherme Xavier. Quando os meninos choramingavam nas cadeiras do salão de seu Faustino, ele chocalhava as tesouras amoladas junto as orelhas dos ‘anjinhos’ ou então mexia na sua máquina ‘nazista’, produzindo um som tenebroso para as pobres menininhos. Era um som terrível. Os famosos: “tcetec, tectec, tectec…” nos ouvidos das pobres crianças.

Para reforça o seu argumento, seu Faustino ainda dizia:

- ‘Ainda não cortei uma orelha hoje!’

O império do terror estava implantado naquele salão. Tinha menino que se urinava ali mesmo. Outros eram trazidos amarrados e os pais ficavam na porta do salão para não haver fugas.

Seu Faustino, – ao seu modo peculiar e digno da sua educação exemplar -, ajudou muitas famílias e tantos meninos em Banco da Vitória. Ele era mais um educador do que um cabeleireiro. Tinha menino que  de medo não passava nem nas ruas onde seu Faustino costumava jogar dominós com seus amigos.

Profundo conhecedor das traquinagens dos meninos peraltas de Banco da Vitória, o seu Faustino aproveitava os cortes de cabelos para dar uma ‘mastigadinhas’ com a ponta de tesoura nas orelhas dos meninos mais danados. Desse modo a sua fama era grande em nossa comunidade, pois menino danado respeitava mais seu Faustino de o padre.

Por Gerson Marques

Os governantes apostam em nosso esquecimento para cometer suas insanidades, a falta de memória coletiva nos faz vitimas de governos que sabem poder contar com nossa amnésia para cometer seus desgovernos e suas sandices. No ultimo dia vinte e cinco de maio fez um ano que o prefeito de Ilhéus mandou destruir a antiga Usina Vitória a primeira fabrica de chocolate da America do Sul.

Nada melhor que o tempo para por as coisas no lugar, os argumentos usados pela prefeitura a época para justificar a demolição foram todos por água abaixo, a justificativa de que o prédio oferecia perigo aos transeuntes nunca se comprovou, basta ver a dificuldade que as maquinas e homens tiveram para derrubá-la, foi necessário que centenas de pessoas avançassem sobre os escombros saqueando a historia da cidade e mesmo assim restou um esqueleto que teimosamente insiste em dizer: Eu não merecia este fim.

No local onde havia um prédio histórico, onde havia os marcos de uma civilização, onde havia maquinas antigas e objetos de importância singular para a memória de nossa cidade, existe hoje uma montanha de entulhos que emporcalha e enfeia ainda mais a área do terminal urbano, agora sim oferecendo de fato perigo para quem transita por perto. Mas nem tudo foi perdido, no local funciona um mictório publico, um refugio para marginais e um esconderijo para crianças consumirem drogas.

O pior ainda estar por vir, corre na justiça ação da família proprietária do antigo prédio contra o município de Ilhéus, nesta ação os proprietários exigem indenização e recomposição do patrimônio. Como já ocorreu na primeira ação em que a família ganhou impedindo tardiamente a continuação da demolição à tendência é que o município de Ilhéus venha no futuro ser condenado a pagar uma verdadeira fortuna.

Quem vai pagar por este erro? Tem duvidas? Pois não tenha, seremos nos cidadãos ilheenses que pagaremos via impostos pelo erro daqueles que não respeitam a historia da cidade.

Eu não acredito como alguns dizem por ai nos bastidores da política local que a real intenção desta ação de insanidade contra o patrimônio histórico seria simplesmente a intenção pouco nobre de criar um estacionamento para o supermercado de um amigo que deveria ser construído no prédio da Codeba vizinho da fabrica. Dá para acreditar nisso?

O fato é que vai demorar anos até que esta questão seja resolvida, enquanto isso uma montanha de entulhos estará no local incomodando a consciência dos ilheenses, funcionando como um monumento a insanidade, dizendo a quem passa: Aqui jaz a historia de um povo que não respeita seu passado, afinal, na democracia cada povo tem o governo que merece.

O mais incrível é constatar que esta é, até agora, a obra mais importante deste governo.

Turismo Ecológico: FAZENDA YRERÊ

Nos dias 18 e 19 de junho acontece no Centro de Treinamento da Ceplac, em Ilhéus, a II Oficina do Diálogo do Cacau, um fórum de debates que conta com a participação de profissionais ligados à cadeia produtiva do cacau e as questões socioambientais.

A oficina é promovida pelo Instituto Cabruca, com organizações como Care Internacional Brasil, Conservação Internacional (CI), Iesb, Instituto Floresta Viva, Instituto Uiraçu, The Nature Conservancy e entidades locais.

Também participam produtores de cacau e indústriais, como Cargill Cocoa, Delfi Cocoa, Cooperativa Cabruca, Associação dos Produtores de Cacau (APC) e a Câmara Setorial do Cacau, vinculada ao Ministério da Agricultura.

Com o título “FNE, Verde Desafios e Oportunidades”, o fórum tem como foco a produção no agroecossistema cacau-cabruca, a conservação dos remanescentes de Mata Atlântica e a valorização do cacau por meio de pagamentos por serviços ambientais.

Será discutido o FNE Verde, que contempla agropecuária orgânica; manejo florestal, reflorestamento, agrossilvicultura e sistemas agroflorestais; geração de energia alternativa; sistemas de coleta e reciclagem de resíduos sólidos.

De acordo com Henrique Almeida, presidente da APC, “o Cacau é uma cultura agroflorestal que durante 250 anos, além de gerar divisas e riquezas, é reconhecida como a atividade agrícola que menos impactos provoca no bioma Mata Atlântica”.

Isso se deve ao fato de cerca de 70% do cacau da Bahia ser cultivado sob as copas das florestas, dentro de um sistema agroflorestal denominado “cabruca”.

Fonte: Jornal A Região

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Por Roberto Carlos Rodrigues

Por Roberto Carlos Rodrigues

Alguns homens nascem com talentos. Outros nascem com sorte. Outros ainda nascem para fazer história e serem amados, elogiados e lembrados ao longo dos anos. Poucos homens, porém, nascem com tudo isso e conseguem carregar a força dessa responsabilidade por toda a sua vida.

Descrevo assim para poder falar de Antônio Isaias, o menestrel de Banco da Vitória. Por certo, o ser humano mais amado de nossa comunidade e admirado por todo mundo.

Antônio Isaias era um homem de bons exemplos e de forte determinação pessoal. Conheceu o sucesso através do trabalho árduo e sem fim. Viveu sem jamais ter um único inimigo e tinha amigos e admiradores entre todos os moradores de Banco da Vitória e num raio de dez mil quilômetros.

Ele era o que se podia se chamar de exemplo bom de filho, pai, marido, amigo, colega, companheiro, parceiro, prosista. Em suas mãos o suor se transformava em riquezas e a honestidade dos seus atos era o orvalho que regava a herança dos seus justos e bem vividos dias.

Ele viveu no mato e do mato viveu por toda a sua vida. Antônio Isaias sabia conviver com a natureza e com ela tinha íntimo respeito. Ele sabia conversar com aos animais e entender as escrituras feitas nos céus que anunciavam as chuvas dos fins de tardes.

Como ele não havia tempo ruim ou situação complicada. Problema ele chamava de desafio e crise para ele era coisa de quem não tinha coragem para enfrentar a vida.

Como um predestinado a glória, Antônio Isaias encontrou na candura de sua esposa dona Lindaura, o elo para construir uma linda família e desta fazer o alicerce da sua eternidade. Cumpriu o que almejou.

Homem de grande senso de humor e desenvoltura, seu Antônio Isaias levava alegria aonde chegava e brincava com todo mundo. Dessa forma, era o homem mais rico dos moradores de Banco da Vitória, quando se falava em felicidade.

Nas festas ele era o dançarino mais animado e procurado pelas mulheres. Nas comemorações religiosas, ele era o verdadeiro ‘dono’ do andor de Nossa Senhora da Conceição e nas partidas de futebol ele era o comentarista mais respeitado e brincalhão das nossas tardes de domingo.

Todavia, era com a sua frase famosa: “Ah! Não vai dá não!” que Antônio Isaias demarcava a sua presença onde chegava. Era só ele chegar num local para se ouvi sua frase com prefixo de uma estação da felicidade.

Eu um dia lhe perguntei de onde advinha essa expressão tão peculiar e alegre. Seu Antônio Isaias, disse-me que isso surgiu num dia quando ele estava fazendo farinha com Gogo de Sola, que, de praxe, conversava e mentia pelas costas. Ele já cansado das estórias de Gogó, – que a todos os instantes lhe pedia uma dose de pinga – , teria dito frase: “Ah! Não vai dá não ficar lhe servindo de garçom!” Depois, a frase foi se resumindo e todas as vezes que alguém lhe pedia para pagar uma dose de cachaça, Antônio Isaias retruca: “Ah! Não vai dá não!”

Dessa maneira, a frase se tornou bordão em Banco da Vitória e marca registrada da presença de Antônio Isaias em nossa comunidade.

Antônio Isaias já não está mais entre nós, mas sua lembrança se ver por todos os cantos de Banco da Vitória. É só alguém fazer o bem ou ser justo por princípio, para sentir a presença dele por perto.

Por certo, Deus quando quis colocar Antônio Isaias em Banco da Vitória, tinha para com ele uma grande missão: a de nos fazerem felizes e acreditamos que o amor e o trabalho são os maiores dons da vida.

Antônio Isaias alcançou a eternidade pelo bom exemplo de ser humano. Cabe a nós mantermos viva a sua lembrança para jamais esquecermos da sua alegria, obstinação e fé na vida. Dele, até a saudade é alegre.

Por Roberto Carlos Rodrigues

Ana Cristina Oliveira, sucursal Itabuna

Fonte: A Tarde Online

cacaucombiLonge de ser a atividade pujante que em 1977 chegou a produzir 450 mil toneladas, bateu recorde de US$ 998 milhões em exportações e rendeu à balança comercial brasileira US$ 3,4 bilhões, a lavoura cacaueira ainda é o principal sustentáculo da economia do sul da Bahia. Apenas para se ter uma ideia, o setor emprega hoje, no eixo Ilhéus-Itabuna,  cerca de 90 mil  pessoas – muito acima dos cerca de 30 mil postos de trabalho oferecidos pelo comércio e serviços. As culturas do cacau, soja, feijão, milho concentram 64,3% da área agrícola plantada e somente o cacau, feijão e mandioca são responsáveis por 56% da ocupação da mão e obra na agricultura.


Na década de 70 o cacau chegou a representar 80% da pauta de exportação e hoje não chega a 4%. No ranking de importância nas lavouras baianas o cacau gerou R$ 535 milhões, em 2006. Atualmente, a produção de cacau e derivados contribui com 3,01%, atrás da soja e derivados, com 8,63, e de papel e celulose, que lidera a pauta das exportações com 17,28%.


A  cotação do produto beira hoje os U$$ 2.400 a tonelada no mercado externo. No interno, a arroba está valendo R$ 87.  Na última década, que coincide com os anos de crise e baixa produção na região, os preços oscilaram numa média de US$ 1.300 a tonelada, com um pico em 2007/08, chegando a US$ 2.516 a tonelada. O atual déficit de mercado externo vem sustentando preços altos e paga um ágio de US$ 400, mas a baixa produtividade de 15 arrobas por hectare não permite ao produtor baiano se beneficiar desse momento, não sendo remunerado seque para pagar suas dívidas. Em 2008, a produção baiana foi de 120.964 toneladas, pouco maior que 104.065 toneladas de 2007, segundo a Concauba.


Para o Brasil, o cacau hoje tem participação insignificante. O País – que já foi o segundo produtor mundial na década de 70 –  contribuiu  hoje com 6,4% para a pauta de exportação. Segundo a Organização Internacional do Cacau (OICC), o País caiu para o sexto lugar, tendo hoje uma participação de apenas 4,63% das 3.684,0 toneladas produzidas no mundo, entre 2007/2008.

Livro Prosas e Causos de Banco da Vitória

Lançamento dia 01 de maio de 2009.

Grátis para quem ama o Banco da Vitória do Rio Cachoeira.

Aguarde!! Em breve, aqui!

capa-prosa

negro_brasil1As minhas melhores lembranças de Banco da Vitória do Rio Cachoeira são todas com contemplativas. Lembro-me dos cheiros dos ares da nossa terra, do gosto de mato fresco do nosso antigo Rio Cachoeira, dos aromas das casas que exalavam delícias, do cheiro bom da nossa gente.

Tudo neste lugar tem um perfume especial, uma aroma de mato, um gosto especial e único, com pitadas de gotas celestiais.

A água da Bica da Água Boa é doce, o ar das ruas  é fresco e o cheiro de comida se sente por todos os lados e ares.  Iguais aos pássaros, somos todos atraídos pelos cheiro das coisas e das cores. Vivemos, na verdade, hipnotizados pelos os cheiros  brejeiros deste lugar salpicado pelas babas do Oceano Atlântico.

Abaixo vou citar algumas lembranças de gostos, odores  e sabores desse nosso lugar amado e jamais esquecido. Eis algumas lembranças oftativas e degustativas de Banco da Vitória.

Relembre dessas coisas comigo:

O lelê de Dona Maroca;

A moqueca de moréia preta feita por Dona Chica;

A moqueca de robalo de Ivone Soares;

O pudim de pão de Ivone Santos;

Os bolos de tapioca de Dupó;

Os bolos de Ivony;

Os acarajés de Baiana;

Os licores de Dona Cabocla;

A fatada de Dona Constância;

Os camarões aferventados de Dona Elza;

As canas do quintal de seu Cazeca;

As jacas da Fazenda Vitória;

As goiabas do Baití;

Os churrascos do Bar de Juarez;

Os pasteis de Teça;

Os quibes de Dona Vilma (vendidos por Dui!);

Os moapens cozidos de Dona Conceição;

A feijoada de Dona Lindaura;

A farinha de Dominguinho;

Os pães de Seu Pedro Preto

Os cavacos de minha prima Vera Lúcia;

Os sorvetes de Dona Lia;

Os geladinhos de Dona Nilza da Carlos Cambal;

As batidas de frutas de Ziba;

Os camarões na moranga de Marta Duarte;

A carne do sol de Lílian e Marísio;

Os corações de boi assado por Seu Diva;

As laranjas de Belmiro;

Os pitus de Gogó de Sola;

Os siris de Cundunga;

Os gaiamuns de Roque de Dedé;

Os camarões de Tonho de Miguel Farias;

Os pasteis de Celuta;

O caruru de Neguinha;

A jacuba de Pedrão;

O quentão de Ariéis;

A cachaça desdobrada de Seu Joaquim;

O gato cozido por Bigode;

Os mamilos assado por Zé Carioca;

Os úberes assados por Zé da Alinhagem;

O licor de jenipapo de Dona Raquel;

O tatu cozido por Dona Maria Cardoso;

As cocadas de Dona Iracy e Dona Demy;

A jabá com abóbora de Dona Inês;

O caruru de Dona Eunice;

O banho de Flor de Dona Licinha;

O churrasco de rabo de porco de Seu Nafital;

O cozido de porco de Tonho de Nouzinho;

O filé com pão de Adalto Maia;

As cervejas mornas do Bar de Dalila;

A 51 do Bar de Lindor;

Os peixes de Renato;

Os cocos de Carmerindo;

As moquecas de pitus de Pitu;

Os cozinhados de Dona Vaninha;

Os churrascos de Paulo, Tonho e Nem;

Os churrasquinhos de ‘gatos’ de Carrinho;

Os salgados de Dona Loura (vendidos por Marcione);

O pirão de Dona Rosilda;

O mocotó cozido por Célia de Formiga;

A lingüiça de porco feita por ser Ailton;

O sarapatel de Luisão;

A carne de porco vendida por Pedro Melo;

Os refrigerantes gelados do Bar Zebrinha de Josias Xavier;

Os doces de carambolas de Dona Alice Lavigne;

Os tira-gostos de salame com limão do bar Taiobinha de Seu Julho;

Os peixes fritos do Colóio;

A passarinha frita do bar de Xisto Gomes;

O pão com sardinha do armazém de Seu Zé Cotoco;

Os picolés de Dona Lia;

As bolachas de ararutas da venda de Dona;

O amendoim cozido da barraca de Zé Jatobá;

As pizzas de Suquinha;

A água de coco engarrafada de Seu Laércio;

0s peixes vendidos por Zé Carlos de Zé Bisco;

As bananas da terra de Seu Nelson do Morro;

Os tatus de Ruy;

0s aipins de Edvaldo…

Tudo nesse lugar cheira a felicidade. Tudo tem gosto  de saudade. Tudo é gostoso de se dizer e sentir!

Banco da Vitória do Rio Cachoeira, tudo em ti lembrar os ares do paraíso dados aos índios tupiniquins. Adubai os nossos sonhos e fermentais as nossas doces lembranças. Dá-nos somente os dias e suas dignas labutas, pois as noites são para sonhar com os seus cheiros, gostos e paisagens.

Roberto Carlos Rodrigues

lampiaoPouca gente sabe, mas o cangaceiro Lampião foi uma das pessoas que mais influenciou no desenvolvimento de Banco da Vitória. Apesar de jamais ter colocado seus pés em nosso lugar ou simplesmente saber onde ficava Ilhéus, Lampião botou muita gente para correr do Sertão Nordestino e muitas dessas pessoas que fugiam das atrocidades feita pelo bando dos cangaceiros, vieram parar exatamente na nossa comunidade. Ou seja, ao seu jeito cruel, Lampião acabou ajudando em muito o povoado de Banco da Vitória e o sul da Bahia com um todo.

Lampião se chamava Virgulino Ferreira da Silva e nasceu no dia 07 de junho de 1897, numa das fazendas do seu pai que ficava no Vale do Pageu, em Pernambuco. A família de Virgulino era rica e pacífica, mas vivia envolvida nas disputas de terras, que germinava crimes e matanças por todo o sertão brasileiro. Um dia, o pai de Virgulino, o senhor José Ferreira da Silva foi assassinado pelo delegado de polícia Amarílio Batista e pelo Tenente José Lucena, quando o destacamento procurava por Virgulino, Levino e Antônio, seus filhos.

Revoltado com essa ação da polícia e da política pernambucana, Virgulino resolveu se alistar na tropa do cangaceiro Sebastião Pereira, também conhecido como Sinhô Pereira. Isso ocorreu em 1920. Em 1922, Sinhô Pereira decidiu deixar o cangaço e passou o comando para Virgulino, que nessa época já se chamava Lampião. Ele recebeu esse apelido porque gostava de atirar a noite, criando um facho de fogo na boca do cano da sua arma.

Em pouco tempo Lampião se tornou um dos bandidos mais procurados e temidos de todos os tempos, no Brasil. As suas atrocidades vingativas viraram notícias em todo o território nacional e a sua fama correu o Mundo. O bando de Lampião agia nos Estado de Paraíba, Pernambuco, Ceará Sergipe, Bahia e Alagoas.

Em 1930 uma seca sem precedente assola o nordeste brasileiro e então ocorre o grande êxodo de nordestinos para o sul da Bahia e os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa época, Lampião fazia grandes investidas nos interiores de Alagoas e Sergipe, onde moravam várias famílias que acabaram se mudando para a região cacaueira, onde o cacau era ouro e se ganhava muito dinheiro com muita facilidade.

Muito moradores que vieram parar em Banco da Vitória nessa época, fugiram do sertão mais com medo de Lampião e o seu bando, do que da seca que assolava as terras nordestinas.

Entre 1932 e 28 julho de 1938, data da morte de Lampião e dizimação do seu bando pela Volante do coronel João Bezerra, na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, muita gente ‘arribou’ do sertão com medo das tantas mortes provocadas pelos bandos de cangaceiros e principalmente pelo bando de Lampião e pela polícia que vivia em seus encalços.

Moradores com os saudosos Seu Cazeca, Paulo Rocha, seu Sebastião, Pedro Preto, João Ruim (pai de Zé Pote) seu Milton Nunes, seu Oliveira, seu Péricles, seu Zé Melo entre tantos outros, contavam essas histórias com bastante propriedade e vários graus de veracidades.

No Alto da Bela Vista viveu por muitos anos um ex-cangaceiro sertanejo de nome Genésio, que por fazer jogo do bicho, era conhecido com Genésio Cambista. Esse alagoano dizia ter pertencido a volante (polícia sertaneja) e matado muita gente. Outras vezes ele dizia que tinha sido cangaceiro, todavia não tinha sido do bando de Lampião.

Como se ver, Lampião, que teve a sua cabeça cortada e exposta com as demais dos cangaceiros em vária capitais brasileiras, contribuiu e muito para a formação do povo de Banco da Vitória. Se não fosse ele e sua guerra particular, muitos nossos conterrâneos não iriam largar de jeito nenhum o belo luar do sertão e o canto doce do sabiá.

Cabo Jonas disse que chegou a ver as cabeças de Lampião e Maria Bonita, expostas no Museu Nina Rodrigues, em Salvador. Ele disse que não achou o ‘cabra’ com cara de brabo não. Para Cabo Jonas, Lampião não era esse homem todo como se dizia…

Mas isso já é uma outra estória.

Roberto Carlos Rodrigues

Estrada de Ferro de Ilhéus (tronco) – (1960)   BA-2631   Inauguração: 1910

Autor: RALPH MENNUCCI GIESBRECHTPerfil

HISTÓRICO DA LINHA:

ilheus1A linha-tronco Ilhéus-Itabuna foi aberta em 1910 em seu primeiro trecho, por investidores ingleses da The State Of Bahia South Western Railway Company Limited, com a idéia de alcançar Conquista (Vitória da Conquista). O primeiro ramal, o de Água Preta (Uruçuca), que partia da estação de Rio do Braço, foi aberto ao tráfego em 1914 e estendido até Poiri em 1931. Em 1918 um outro ramal tem iniciada a sua construção, estendendo-se até Itajuípe, aonde chegou em 1934. Foram as máximas extensões da ferrovia, que jamais se comunicou com outras do estado da Bahia ou com a Bahia-Minas, apesar de diversos projetos nesse sentido que jamais saíram do papel. Em 1950, os ingleses repassaram a estrada ao Governo, que mudou o nome para E. F. de Ilhéus.

A estrada jamais chegou a Conquista, pelo que se diz, pelo fato de os ingleses já estarem satisfeitos com o que arrecadavam somente com a linha já existente. Em 1963, já estava decadentíssima a ferrovia, que em 1965 já não mais funcionava.

A ESTAÇÃO: Na história dos transportes da região cacaueira de Ilhéus, temos de tomar dois marcos principais para traçar sua evolução: o lançamento da ferrovia e a fundação do Instituto de Cacau da Bahia. Até 1910, quando se inaugurou o primeiro trecho da linha de Ilhéus a Itabuna, apenas se usavam canoas e animais.

Mapa ferroviário Ilhéus Bahia 1930Os rios por demais acidentados e o excesso de chuvas dificultavam o transporte, mas mesmo assim a exportação de cacau era compensadora. Com o início do tráfego pela via férrea da Estrada de Ferro de Ilhéus a Conquista, a estação de Ilhéus foi inaugurada nesse ano, passando a servir como o seu ponto inicial e como porto de escoamento de cacau e outras culturas da região. O Instituto do Cacau, por sua vez, foi fundado em 1931. Uma das principais providências tomadas foi a construção de rodovias na região, que convergiam para a rodovia-tronco que, como a ferrovia, ligava Ilhéus a Itabuna. A situação da ferrovia, porém, em 1950, quando foi resgatada dos ingleses para a União, era horrorosa: a descrição dos problemas nos relatórios desse ano, com falta de peças, falta de condições de trabalho e outros era desesperadora, causada pela falta de verbas e prejuízos constantes.

O edifício da estação Central (estação de Ilhéus) “está encravado no centro do pátio. Não possui plataforma para embarque ou desembarque de passageiros, havendo somente um passeio de cimento, com 5 cm de altura”. Mesmo com a ferrovia em frangalhos, em 1954, a antiga ferrovia ainda figurava em regime de concorrência caótica ao lado das rodovias. Partindo de Ilhéus, seus ramais atingiam então as bordas da antiga zona do cacau.

O trem era um meio de transporte que estava ainda longe de suprir as necessidades de escoamento da produção agrícola. Apesar disso, a região não dispunha de um rendilhado de estradas tão bom, capaz de escoar rapidamente a produção. A deficiência era compensada, em parte, ainda por processos mais primitivos de transporte: a canoa e o animal de carga. A estação foi desativada por volta de 1964, quando se fechou a deficitária ferrovia, agora parte da Rede Ferroviária Federal – RFFSA, criada sete anos antes.

A última fotografia de que se tem notícia do pátio da estação, já abandonado, é do ano de 1971 e está mostrada abaixo. Todo o pátio e suas construções parecem não mais existir hoje (2008).

Fonte Site: AQUI


juryAconteceu na Bahia. Mais precisamente em Ilhéus.

Um senhor não se relacionava. Vivia encerrado dentro de casa. Não abria as janelas nem de dia. Fechado pior que um molusco. Lia e estudava. Detestava ruídos. Almejava a paz, solidão e silêncio. Acima de tudo, silêncio, para sua meditação, para a sua paz interior.

Os garotos da redondeza sabiam de seus hábitos e predileções. Por isso mesmo, irritavam-no. De forma reiterada. Com impertinência, postavam-se embaixo de sua janela e punham-se a produzir toda série inimaginável de ruídos. Como na época não haviam ainda as “motocas”, não as aceleravam, de escapamento aberto. Mas faziam barulhinho equivalente. Senão equivalente, incomensurável para o Ilhéus primitivo e tranqüilo, no início da década de 30. Leia Mais!

Editor:

Roberto de Carrinho - Fale conosco pelo e-mail: bancodavitoria@hotmail.com

Twitter Banco da Vitória

Colaboradores

Silvio Farias # Hélio Pólvora # Osmário Santos = Jacqueline de Cássia # Juracy Martins Santana # Roberto Rabat # José Leite Souza # Roberto Carlos Rodrigues # Ralph Mennucci Giesbercht # Gerson Marques