Eleições 2016 – Os Candidatos a vereadores em Banco da Vitória

banco logo.jpgNas próximas eleições municipais, o bairro de Banco da Vitória tem 3 candidatos a vereadores para câmara Ilheense. Dico, Joel Borges e Edvaldo Gomes estão no pleito. Dico é funcionário público aposentado. Trabalhou por anos na antiga administração do distrito de Banco da Vitória. Mora há anos no Alto da Bela Vista. Joel Borges é filho da comunidade e faz excelente trabalho social. Como evangélico e esportista, tramita com facilidade nestes universos e tem boa aceitação entre os eleitores locais. Edvaldo Gomes mora há anos em Banco da Vitória e atualmente é suplente de vereador na câmara de Ilhéus. Faz também várias ações social junto a nossa comunidade e tem também várias iniciativas em outros bairros ilheense. Como atuante membro da comunidade católica, Edvaldo Gomes atua como carismático líder social da nossa comunidade.

Nas próximas eleições os eleitores de Banco da Vitória poderão escolher estes três candidatos locais como seus verdadeiros representantes da nossa comunidade. A quantidade de votos de Banco da Vitória dar para eleger facilmente os três candidatos (o que seria a melhor opção para o nosso povo).

Porém, o voto é do eleitor e este pode escolher em quem quiser votar, sendo candidato ou não da comunidade.

Quem vota em candidatos que não são da nossa comunidade, por certo, exerce seu direito de cidadão. Porém, não pode depois ficar reclamando do descaso que sempre sofreu o Banco da Vitória.

Quem troca seu voto por cervejas, pingas, bola de futebol, algumas telhas ou dois sacos de cimento está vendendo seu voto muito caro. Pois na verdade, quem age assim nem deveria ter o direito a votar.

Eu sei que a situação de eleger os três é complexa e um pouco difícil. Porém, imagine a força que nossa comunidade teria se eleger-se os três candidatos locais?

Eu tenho certeza que se isso ocorresse o Banco da Vitória seria um excelente exemplo de cidadania, não apenas para o munícipio de Ilhéus, mas sim para toda a nossa região sul cacaueira.

O nosso eleitorado não tem como reclamar da falta de opções para candidatos para vereadores nas próximas eleições. Dico, Joel e Edvaldo atendem todas as nossas necessidades de representantes legislativos e poderão reescrever uma nova história da nossa comunidade.

Você pode votar em quem quiser. Mas se quiser um Banco da Vitória realmente melhor, precisa votar nos nossos candidatos a vereadores.

Eu, como filho de Banco da Vitória estou fazendo campanha e pedindo votos para estes três candidatos e se você puder faça o mesmo. Pois o Banco da Vitória precisa de voz e três vozes clamando pelo nosso povo é bem melhor que o silêncio do ostracismo imposto sobre nossa comunidade pela prefeitura de Ilhéus por tantos e tantos anos.

Nas próximas eleições municipais você tem um compromisso social com a nossa gente. Vote nos nossos candidatos a vereadores. Eleja-os e conte comigo para puder ajudar a nossa comunidade.

Os verdadeiros candidatos a vereadores em Banco da Vitória são estes aqui:

  • Dico (José Nascimento dos Santos) PRTB – 28.100.
  • Edvaldo Gomes (Edvaldo Neto Gomes) PV – 43.456.
  • Joel Borges (Joel dos Santos Borges) PDT – 12.444.

Os demais candidatos são representantes de outras comunidades. Pense nisso na hora de votar. Você, como eleitor pode ajudar reescreve a nossa história. O Banco da Vitória agradece.

Eleições 2016 – 59% dos eleitores ilheenses tem baixo nível de escolaridade

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O TSE divulgou no seu site os dados eleitorais para as próximas eleições municipais. Pesquisando sobre o perfil do eleitorado de Ilhéus, fiquei bastante apreensivo (e surpreso) quanto ao nível de escolaridade da nossa gente que vota, – que eu achava ser bem mais expressivo. Segundo o TSE a cidade de Ilhéus tem 135.424 eleitores, sendo 71.349 mulheres (52%), 63.966 homens (47%) e os não declarados são 109.

Quanto ao grau de instrução do nosso eleitorado é que vem as surpresas, pois 80.409 pessoas aptas a votar estão agrupadas nas seguintes categoria: Ensino fundamental incompleto = 44.375 (32,7%), quem apenas sabe ler e escrever = 19.763 (14%), analfabetos = 9.351 (6,9%) e ensino fundamental completo 6.915 (5,1%). Os eleitores ilheenses com formação superior completa são apenas 4.509 (3,3%) e os incompletos, dessa classe, são também apenas 3.802 (2,8%). Os eleitores com ensino médio incompleto são 27.357 (20,2%) e os completos, nessa classe, são 19.059 (14%).

Agrupando esses eleitores em outras classes podemos dizer que:

Eleitores com baixo ou nenhum nível de escolaridade são 80.409 (59%);

Eleitores com nível médio de escolaridade são 46.412 e (34%),

Apenas 8.311 eleitores têm nível superior de escolaridade (6%).

Por enquanto no site do TSE não tem ainda a estatística do grau de instrução dos candidatos ilheenses, mas por osmose, pode supor que não seja muito diferente do perfil do eleitorado da nossa cidade.

Não sei afirmar se o grau de instrução dos eleitores é significante para os resultados das urnas. Mas, para o exercício da cidadania, este item é fundamental, crucial e inegociável.

Pelos dados supracitados, não esperem nenhum milagre das urnas ilheenses, pois o nosso eleitorado só pode oferecer o que tem e o que temos, quanto ao nível de escolaridade, é lamentavelmente triste, taciturno e preocupante.

Crônicas de Banco da Vitória

Por Roberto Carlos Rodrigues. Do livro Prosas e Causos de Banco da Vitória.

Roberto Carlos RodriguescaricaturaSou suspeito para falar do amor que tenho por minha aldeia, – o meu querido Banco da Vitória do Rio Cachoeira -, um taco de terra espremido entre este rio e as franjas da Mata Atlântica que antes cobriam os Altos da Santa Clara, Bela Vista e da Mata da Rinha. Sei, – graças a Deus -, que essa sintomatologia não é só minha, é de muita gente, muita gente mesmo! Em Banco da Vitória mora uma gente amada que sabe muito bem amar sua terra.

Vou descrever como era o “meu” Banco da Vitória.

Quando eu nasci, o Banco da Vitória fervilhava de gente, comércios e desenvolvimento. Era o fim da década de sessenta e, o cacau continuava em voga e propiciava todos os tipos de sonhos e oportunidades para quem gostava de trabalhar. Meu pai (Carlos Cardoso, filho de Dona Maria e seu Antônio Cardoso) era de família de comerciantes de produtos da lavoura regional, como: farinha, milho, feijão, arroz, açúcar etc., a maioria oriundo das terras do Morro do Miliqui (fundos da Fazenda Vitória e perto da atual estrada de Uruçuca).

A minha mãe, Ilza Rodrigues (Bebé) era filha de um neto de escravo de origem Banto, oriundo do Recôncavo baiano, chamava-se Feliciano de Assis. Minha vó era neta de índios Tupi, era conhecida como Dona Cabocla.

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Ruy Tatu, O Eremita de Banco da Vitória.

eremita de banco da vitóriaPor Roberto Carlos Rodrigues.

O eremita de Banco da Vitória se chamava Ruy Tatu e não tinha registro de nascimento. Ele costumava dizer que seu nome era Ruy dos Santos, mas era conhecido em nossa comunidade apenas como Ruy Tatu. Ruy ganhou esse apelido devido às caças que ele vendia todos os sábados na feira de Banco da Vitória, onde os tatus eram os maiores e mais bonitos. Todavia, muitos acreditavam e o chamavam de Rui Tatu por que ele vivia literalmente num buraco, debaixo de uma rocha, nas imediações do Morro do Miliqui, nos limites dos municípios de Ilhéus e Uruçuca. 

Ruy Tatu era um homem negro não usava armas de fogo para caçar. Normalmente as caças eram pegas em armadilhas ou então golpeadas com facões ou foices, na maioria dos casos nas cabeças dos animais. Ruy costumava caçar enveredando no mato e seguindo as trilhas dos animais. Como ele próprio dizia, muitas vezes, em suas tocaias o animal se aproximava dele sem sentir a sua presença. Esse era o seu artifício de caças. Para tanto, o caçador do Morro do Miliqui evitava se banhar durante suas caçadas e comumente andava nu no meio da mata. Depois de matar qualquer animal, ele dizia que rezava para a alma dos bichos.

Todos os sábados Ruy Tatu ia até a feira do Banco da Vitória e ali vendia rapidamente as suas caças espetaculares. Eram tatus, capivaras, teiús, pacas, jacarés e algumas aves como perdizes, sabiás, irerês, patos e pirús selvagens. Em pouco mais de uma hora todas as caças eram vendidas e Ruy ia então comprar suas mercadorias para levar para sua toca. Ele comprava peixes salgados, carne de boi, sal, um pouco de pó de café, aguardente e algumas velas. O dinheiro que ele arrecadava em suas vendas ninguém nunca soube o que ele fazia.

Quando ia ao Banco da Vitória Ruy Tatu vestia uma calça curta amarrada por uma tira de corda e uma camisa, ambas rasgadas. Jamais ele usou sapatos em sua vida e apesar de ganhar muitas roupas de presente, notava-se que ele utilizava uma roupa até acabar, sem jamais lavá-la.

Ruy Tatu tinha uma baixa estatura e mal-mente chegava a um metro e meio de altura. Ele não pesava mais que cinquenta quilos e sempre andava com um facão amolado pendurado na cintura. Quando ia ao Banco da Vitória ele passava o dia inteiro na comunidade e muitas vezes comprava coisas como vários espelhos, brinquedos, cadernos, lápis, panelas, corte de tecidos, bolos etc. Muita gente sabia que aqueles utensílios deviam ser dados de presente a alguém. Mas jamais se descobriu para quem Ruy dava essas coisas, já que na sua toca onde ele morava não havia nada que identificasse uma moradia. A cama era uma tarimba de biriba, coberta com palhas de palmeiras. Não ali havia bancos, cadeiras, armários etc.

Algumas roupas doadas ficavam penduradas nas árvores próximas a sua toca. O fogo era aceso no terreiro e as panelas ficavam também penduradas em artes de bambus. Ruy raramente recebia visitas e quando isso acontecia, ele estava sempre escondido no meio da mata observando cuidadosamente quem se aproximava da sua toca. Quando isso ocorria era os seus amigos Courinho, Veio Cotó, Xisto e Tiago Gomes, Antônio Cardoso e o velho João Batista, que também caçava naquela região. 

Pouco se sabe da origem de Ruy Tatu e da sua família. Ele dizia que seu pai tinha sido escravo nas bandas de Lagoa Encantada e que ele foi para os limites da antiga Sesmaria Victória, levado por uma tia que o criara. Ali ficou até o resto da sua vida. Havia pessoas em Banco da Vitória que dizia que Ruy Tatu tinha mais de 100 anos quando morreu em 1998. Ruy passou muitos dias sem aparecer em Banco da Vitória e isso chamou a atenção de alguns moradores que foram até a sua toca e o encontraram bastante doente devido as inflamações nos pés provocados por contaminação de bichos de porcos. Levado para o hospital de Ilhéus, Ruy se recuperou e depois foi transferido para uma casa de repouso em Itabuna, onde morreu em menos de 30 dias de internação.

Como ele bem sabia, viver em sociedade não combinava com o seu estilo de vida eremita. Antes de morreu Ruy perguntou a uma freira se ele seria perdoado por Deus por ter matado tantos animais. A religiosa sorriu e disse-lhe que ele já tinha sido perdoado por ter vivido como um verdadeiro anjo das matas. Logo depois Ruy descansou em paz e um dos seus sonhos não foi realizado. Ser sepultado no cemitério de Banco da Vitória. Ruy Tatu foi sepultado numa cova rasa do cemitério de Itabuna e sobre sua sepultura só havia um pedaço velho de madeira com três números escritos. O eremita do Banco da Vitória se transformou então num indigente morto.

 

 

A Seca enfezada da molesta do cachorro.

rios secoPor Roberto Carlos Rodrigues.

Só quem viveu, viu a seca enfezada da molesta do cachorro em Banco da Vitória. As matas, antes resplandecentes e luminosas, todas mescladas de todos os tons escuros dos verdes e perfumada pelos borrifos diários do calor úmido das terras, empalideceram, amarelaram e secaram igual as folhas de um velho chuchuzeiro cortado na tora e jogado no terreiro, barcaça sob o sol.

Antes chovia todos os dias por essas bandas. De manhãzinha, logo depois dos primeiros lumes do Astro-Rei, vinha uma chuvarada vezeira regar o cacaual, molhar as beiradas dos rios e refrescar os capins nas margens dos brejos. Todos anos, nos meses de agosto a outubro chovia sem dada dó nem piedade. Em setembro a primavera era sempre molhada e até o final do ano as enchentes eram quase semanais. Raros eram os festejos da Padroeira de Nossa Senhora da Conceição em que o rio Cachoeira não estivesse caudaloso e demasiadamente cheio.

Antes dessa seca da enfezada da molesta do cachorro, por todo canto se via o verde da Mata Atlântica e debaixo deste cobertor natural o cacau explodia em frutos e sonhos.

A terra escura, berço dos cacauais, era úmida por mais de cinco palmos de profundidade. Por todo canto havia um roçado, uma burara, um sitiozinho. O aroma do cacau pairava por todos os ventos. Continuar lendo

Lançamento: livro Prosas e Causos de Banco da Vitória. (Versões em PDF e áudio (MP3).

Lançamento: livro Prosas e Causos de Banco da Vitória. (Versões em PDF e áudio (MP3).CAPA 1 N1.jpg

Agora você pode relembrar as divertidas prosas e causos de Banco da Vitória contadas por Roberto Carlos Rodrigues em duas formas: (1) – Arquivo PDF (para ler no seu computador ou tablet (e imprimir, se quiser!) e (2) – em arquivos de áudio (MP3), para você poder ouvir no seu celular, no carro, no som da sua casa ou no PC.

O livro Prosas e Causos de Banco da Vitória (Comprar) tem agora essas duas versões para você puder baixa-las para seu dispositivo móvel e se divertir com as nossas pitorescas estórias.

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O livro Prosas e Causos de Banco da Vitória em PDF tem 120 páginas. O arquivo em MP3 é composto de 60 áudios e com mais de duas horas de duração.

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O melhor Sobe-e-Desce do Mundo.

cozido_musculo_legumesPor Roberto Carlos Rodrigues

Por aí a rústica receita culinária tem diversos nomes e alcunhas. Chamam-na de cozido, guisado, refogado, cozinhado, panelada, verdurada, panela doida entre outros sinônimos. Mas em Banco da Vitória, a carne do peito de boi mal cozido e adornado de todos os tipos de verduras disponíveis na cozinha, chama-se apenas Sobe-e-Desce, – comida para quem não tem paciência.

A receita é simples, porém, caprichosa. A carne preferencialmente tem de ser peito de boi, cortada em pedaços pequenos, temperados com alho, cebola, tomates, pimentão, sal, cominho, urucum, pimenta do reino, louro, salsa e coentro. A carne é colocada no caldeirão (Deus nos livre da panela de pressão, que não serve para essa iguaria!) com água cobrindo-a apenas alguns dedos de altura e o fogo deve ser brando para que o cozimento seja lento, porém, perfeito.

O tempo de cozimento das carnes é o mesmo que se gasta para descascar as verduras. Essas, na quantidade suficiente para não caracterizar o pecado da gula. São batatas doces, roxas e inglesas, chuchus, gilós, maxixes, repolhos, couves, abóboras, bananas da terra, inhames, aipim e o indispensável quiabo, – esses, no mínimo sete dúzias.

A carne do sobe e desce tem de ficar no ponto de corrute. Ou seja: nem dura nem mole. Tem de ficar no ponto de os dentes fazerem o barulho de “corrute”, ao cortá-las.

Após a segunda fervura das carnes, as verduras devem sem colocadas no caldeirão e este tampado. Aí então, está na hora de fazer o molho com trinta e sete pimentas malaguetas, regado no limão balão e uma pitadinha de sal. Normalmente o molho é quem chega primeiro a mesa. Depois vem o arroz e a lata lotada de farinha. Feijão cozido pode ter, mas não combina com os opíparos prazeres do Sobe-e-Desce.

Pouco tempo depois destampa-se o caldeirão e retira as verduras que são colocadas numa bandeja grande. Em outro tacho são colocados os pedaços de carne e um pouco do nutritivo caldo. O restante do caldo que fica no caldeirão faz-se o escaldado (este, diferente do pirão). O escaldado é colocado em uma travessa e essa encostada aos personagens principais do prato, que adornam a mesa da cozinha.

Logo se ver as fumaças exalando das verduras (não pode chama-las de legumes, que são coisas de ricos), das carnes e do escaldado. Os pratos são feitos com um pouco de tudo e regado com uma boa colherada de molho de pimenta.

Logo se ouvem os “currutes” dos dentes gemendo sobre a carne malcozida e as seivas escorrendo pelos cantos das bocas.

O Sobe-e-Desce é comido sob o barulho das prosas na cozinha. Os adultos comem na mesa, a criançada no quintal e a vizinha bisbilhoteira sempre aparece nessas horas fazer uma visita sem ser convidada. A comida sempre serve para mais uma.

Depois da comilança, palitam-se os dentes, bebe-se um cafezinho passado na hora, esticam-se as canelas sobre as esteiras de taboa e sonha com a futura janta. Mais isso já é outra estória, com outros paladares e noturnos ingredientes.

Hugo Kaufmann – O provedor mor de Banco da Vitória.

Hugo-KaufmannEste cidadão da foto chamava-se Hugo Kaufman. Por conta dos esforços deste incansável empresário o Banco da Vitória saiu da condição de simples arruado e se transformou, no meio do século passado, em um dos lugares mais prósperos das margens vitoriosas do Rio Cachoeira.

A história de Hugo Kaufmann vai muito além dos limites da Fazenda Victória. Conheça um pouco dessa história e sua importância para o todo sul da Bahia.

Hugo Kaufmann nasceu em 28 de dezembro de 1876 na cidade de Derendingem, no Cantão, suíço alemão de Soluthurn, na Suíça.

Menino ainda trabalhou na firma Le Doux & Cia., no Havre. Em 1903 foi contratado, em Paris, pela firma C. F. Keller & Cia. Para trabalhar na sua subsidiária brasileira, Braem Wildgerger & Cia., sediada no Brasil, na Bahia. No mesmo ano veio para o Brasil onde em 1906 abriu em Ilhéus uma filial da empresa sendo seu diretor até 1908, quando fundou a Hugo kaufmann & Cia., da qual participava também Wildberger e Cia., em 1918 se separaram.

Em 1926 Hugo Kaufmann comprou a Fazenda Victória, que antes pertencia ao alemão Hermann Lüssenhop.

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Cinquenta Seis de Junho.

roberto foto novaPor Roberto Carlos Rodrigues

Parece que foi ontem, mas de tão distante, aquele 06 de junho já se perdeu entre as folhas amareladas dos meus velhos calendários. Nasci numa manhã friorenta de uma segunda-feira. Era dia de São Norberto, sacerdote alemão e franciscano, famoso por suas pregações que atraiam multidões e produzia inúmeras conversões. Recebi o nome de artista: Roberto Carlos, mas o que determinaram realmente o meu sucesso foram meus sobrenomes: Rodrigues do Nascimento. Vim com a vontade de vencer no sangue. Não vim apenas para apreciar a paisagem. Vim para ajudar fazer paisagens.

Entre os tombos e os escorregões, aprendi a dançar. Entre os nãos e o impossível, resolvi arriscar. Entre as dificuldades e as decepções, aprendi a ter fé. Entre o medo e a incerteza, aprendi a ter a coragem que não me pertencia. Assim, de dia em dia, vivendo apenas um dia de cada vez, fui vencendo a morte e sobrevivendo apenas para dizer que vale a pena viver. – Isso vale muito.

Os dias tristes ficaram no esquecimento. Dos dias felizes, restaram as matizes replicáveis. Da vida que vivi e vivo ficou a lição que o amor é o verdadeiro porquê da vida.

Das pessoas que cruzei pelas veredas das horas, todas me ensinaram alguma coisa. Nunca sair de um encontro com as mãos vazias ou cheias demais ao ponto de derramar sobras. Sempre tive o que dividir e principalmente aceitar o que era generosamente ofertado. Dessa forma, fui ajudando e sendo ajudado. Fui vivendo feliz.

Nunca vi ninguém viver tão feliz como eu. Vivo em um tipo de felicidade que pouca gente entende. Na verdade, só Deus e eu entendemos. E isso é tudo e mais um pouco. Não invejo a vida de ninguém pois ninguém viveu a vida que eu vivi e vivo. Eu sou único.

Agora lambo os dedos lentos e calejados e viro lentamente a página do livro da vida. 17.800 é a sua numeração. São cinquenta seis de junhos que estou por aqui. São 50 anos de vida ou melhor 50 anos de oportunidades e sonhos, encontros e surpresas. Belas surpresas.

Não vou fazer balanço do que fiz, não fiz ou do que pretendo fazer. Vou apenas fazer o que sempre fiz e que determina minha existência: Vou vivendo um dia a cada vez. Somente o dia de hoje e as lembranças de seus ancestrais. Nada mais. Amanhã é apenas uma audaz pretensão.

Nunca gostei de festa de aniversário. Normalmente quando faço isso, não compareço. Estranhamente não gosto de receber parabéns! Prefiro a saudação Viva! Viva a vida!

Hoje faço 50 anos de vida e vejo que tudo foi tão breve que já estou com saudade de ontem. Pois ontem – sempre o ontem! -, foi o dia mais difícil da minha vida. Os ontens são terríveis e se não tomarmos pulsos eles estragam o hoje e duvidam do amanhã. Mais são agora apenas ontens. Isso basta.

Por sinal, amanhã pretendo acrescentar mais um dia no livro da minha vida. Se Deus me conceder essa proeza, espero fazer o que faço todos os dias: tentar fazer o Mundo melhor e pelo menos fazer uma pessoa feliz. Tomara que essa pessoa seja você.

Viva a vida e que ela dure o que que tiver de durar, pois a felicidade não tem prazo de validade.

Da minha vida tenho feito o melhor que posso para ser feliz e útil. Não posso reclamar dos meus resultados. Tenho tanta felicidade que chego até distribui-la com quem me cerca. Quanto mais eu doo-a mais sou feliz.

Não é a quantidade de dias vividos que determina uma vida feliz. Uma vida feliz é apenas uma forma de viver. Escolha a melhor forma de viver e seja feliz com a vida que Deus Lhe deu, e que você pode melhorá-la.

Sua vida não é um simples presente de Deus. É UM PRESENTE ESPECIAL DE DEUS e entre as inúmeras almas Ele escolheu você para compartilhar a nossa existência.

O melhor presente que eu pretendo receber hoje de você é saber que você jamais duvidará de Deus. Pois Deus é fiel, justo e cumpridor de promessa.

Na minha vida tem sido assim. Deus quer que também seja assim na sua vida. Por sinal, feliz aniversário para você também. Afinal, todo dia é dia de comemorar.

Viva! Viva a vida!

Assista ao vídeo:

  

Projeto Cozinha Alternativa de Banco da Vitória fracassa em 90 dias.

comida4Por Roberto Carlos Rodrigues.

A ideia era inovadora e revolucionária. Encabeçada pelas Cáritas Diocesanas de Ilhéus, chancelada pelo então médico do posto de saúde local Dr. José Moura Costa e com o apoio de Dona Lia, Dona Enaura, Dona Bela e Dona Lindaura foi implantada com festa e alarido o projeto da Cozinha Alternativa de Banco da Vitória. Era junho de 1981 e Dr. Moura preocupado com os altos índices de colesterol, triglicérides, glicemia e ácido úrico dos moradores do distrito de Banco da Vitória, sugeriu a mudança radical da alimentação do povo e coube-lhe trazer o apoio da Prefeitura de Ilhéus para financiar o projeto piloto da cozinha alternativa.

Na missa de domingo o padre falou da importância do projeto e já na segunda-feira seguinte estavam diversos universitários e seminaristas do sul do Brasil, visitando as casas dos moradores de Banco da Vitória e instruindo-os sobre os novos hábitos alimentares baseados na comida verde.

Na casa de Dona Lia instalaram mais de seis fogões a gás e no clube social foram ministradas as palestras e aulas culinárias que ensinava o povo a ter uma vida mais saudável e longeva.

Os universitários gaúchos e paranaenses ensinavam fazer cozidos de semente de jaca, moqueca de coração de bananeira, lasanha de repolho com molho de talo de couve, bolinho de talos de agrião, doce de casca de melancia, patê de berinjela, feijoada vegetariana entre outras iguarias do mundo vegetal.

Foram quinze dias de aulas e mais aulas intensas, todas repletas de surpreendentes receitas e novos conhecimentos culinários da revolucionária cozinha alternativa. As donas de casas de Banco da Vitória desfilavam com diversos cadernos cheios de receitas de almoços, jantares, sopas e doces feitos com cascas de frutas, talos de hortaliças e até bagunço de jaca.

A euforia com a cozinha alternativa foi tanta que teve até pessoas que mudaram os hábitos e roupas, passaram andar apenas com roupas brancas, fitas no cabelo, usavam mel no lugar do açúcar, chá de camomila no lugar do café. Só comiam pão integral e bebiam apenas leite de soja. Viva a natureza!

No dia do encerramento do projeto da cozinha alternativa a mesa para exposição dos pratos tinha mais de 70 metros de comprimento e dava voltas dentro do clube social. As alunas mostravam seus pratos feitos com sobras de frutas, flores e verduras. Bolos de todos os tipos, gostos, cores, odores e ingredientes. Para todos os visitantes eram servidos chás de folhas de tangerina, rosas vermelhas, cidreira e hortelã. Até o licor de jenipapo era sem álcool.

Naqueles dias a palavra carne era proibida a sua pronuncia dento do clube social de Banco da Vitória. A gordura das frituras era maldita igual as pragas do maligno. Sal e açúcar foram réus julgados e condenados ao exílio perpétuo.

Numa segunda-feira seguinte a festa de encerramento do curso os universitários os seminaristas sulistas foram embora de manhã cedinho. Estavam felizes e realizados com suas alunas dedicadas e aplicadas.

Naquela semana muitos casamentos quase azedaram em Banco da Vitória. As esposas queriam fazer os pratos vegetarianos e os maridos não queriam nem saber da tal cozinha alternativa feita de mato. Teve casa que foi imposto pelo marido irritado à fervura do feijão adubado ”com tudo dentro” no café, almoço e janta, todos os dias. Fatada era comida três vezes por semana. A sopa noturna era feita com duas rabadas e cinco ossos de patinho. Quando era para comer galinha matavam-se logo quatro. De sobremesa no mínimo 8 cocadas para cada participante do almoço e mais três copos de suco bem doce…

– Eu não sou lagarta para comer mato.

– Quem nasceu para comer cascas de jaca foi jegue.

– Sopa sem gordura é igual água de brejo.

– Feijão ser carne é igual missa sem padre.

Foi o que se ouvia por todos os cantos de Banco da Vitória.

Em poucos dias os cadernos repletos de deliciosas e saudáveis receitas vegetarianas foram para os fundos dos armários e o colesterol voltou a ser servido nas casas três vezes aos dias.

Os fogões de Banco da Vitória voltaram aos seus antigos cardápios. Mocotó, buchada, sarapatel, jabá assada, cozido de peito de boi, feijão adubado, Rabada gorda, fígado ao molho, bife acebolado, perfil assado, torresmo com bisteca, feijoada carioca, carne assada, farofa de banha de porco e pirão de farinha. Muita farinha.

O projeto da cozinha alternativa de Banco da Vitória infelizmente fracassou em menos de 90 dias e nosso povo voltou a desfilar pelas ruas mostrando suas panças cheias e reluzentes. Tão reluzentes, quase fatais.