As Enchentes do Rio Cachoeira do Sul da Bahia.

Por Roberto Carlos Rodrigues.

O Rio Cachoeira é a artéria aorta da Região Cacaueira do Sul da Bahia. Este rio nasce na Serra do Itaraca, no município de Vitória da Conquista e depois de percorrer mais de 300 quilômetros e banhar dezenas de cidades e localidades, ele desagua mansamente no Mar de Ilhéus.

Segundo o Dr. Francisco Borges de Barros, no livro Memórias do Município de Ilhéus, (edição de 1915), foi no ano de 1553 que os jesuítas e aventureiros portugueses iniciaram as explorações das margens do Rio Cachoeira.

O nome do rio foi dado pelo padre Luiz Soares de Araújo, no ano de 1553, referindo-se a quantidade de pedras que continha no seu leito e o barulho contínuo das águas sobre as corredeiras.

Apesar de se chamar Rio Cachoeira, ele não possui nenhuma cachoeira igual a uma queda significante de água ao longo do seu curso.

Depois de banhar a parte do leste do município de Vitória da Conquista, o Rio Cachoeira entra em terras do município de Itambé. Nesse ponto ele se chama Rio Colônia, nome dado pelos padres Capuchinhos italianos, que por ali andaram em meado do século XVIII, em missões de catequese.

Com esse nome, este rio banha o município de Itajú, antigo distrito de Itabuna e depois recebe as águas do Rio Salgado, – o seu maior e mais importante afluente.

Pouco acima da cidade de Itapé, o rio muda novamente de nome, passando a se chamar Rio Cachoeira, até desaguar no Oceano Atlântico, na cidade de Ilhéus.

Antes da entrada do antigo porto de Ilhéus, o Rio Cachoeira se une aos rios Santana e Itacanoeira (Canal do Fundão), uma derivação do Rio Almada e formam a chamada Coroa Grande, área próxima a baía do Pontal.

São também afluentes do Rio Cachoeira, os rios Piabanha, Catolé, Duas Barras, Sucuriuba, Ponte, Sapucaia, Areia, Primavera, Jacarandá e o Cachoeira, o qual, para alguns estudiosos regionais, tem esse nome devido a assertiva dos jesuítas, que assim o chamavam devido ao barulho das suas águas nas pedras.

Além desses rios afluentes, o Rio Cachoeira é também abastecido por mais de setenta ribeirões e aguadas que descambam das roças de cacau e encontram aquele que levará as suas águas até o mar, na baía do Pontal.

Só na região de Banco da Vitória existem cinco grandes aguadas que abastecem o Rio Cacaueira, sendo as principais as aguadas da Fazenda Victória. A aguada que escorre pela região norte dessa propriedade e encontra o rio cachoeira nas imediações do convento das freiras.

A segunda aguada da Fazenda Victória escorre por um ribeirão que circunda a área dos atuais loteamentos, a direita da margem da Rodovia Ilhéus Itabuna, e encontra o Rio Cachoeira na proximidade do atual posto de combustíveis.

Existe também a aguada que passa por dentro de Banco da Vitória, vindo da antiga Cerâmica Victória e encontra o Rio Cachoeira nas imediações da sede da antiga administração do distrito.

Outra aguada se origina na parte norte do Alto da Bela Vista e desbanca por trás do antigo matadouro e ali encontra o rio.

Por último tem a aguada do Brejo Fundo ou do Areal que está localizada na área mais oriental do bairro ilheense. Essa aguada encontra o Rio Cachoeira nas imediações abaixo da Bica da água Boa, próximo a curva do Porto Novo.

O Rio Cachoeira sempre foi somente navegável no trecho de Ilhéus até o Banco da Vitória. Passando dali, os trechos navegáveis comportam apenas canoas e jangadas, por algumas dezenas de metros.

As pedras que surgem no leito desse rio, um pouco acima do Banco da Vitória e se estendem até a sua nascente impossibilitam a navegação de embarcações maiores.

O afloramento de gnaisses granulíticas se deve as erupções rochosas que se vêm em toda a região cacaueira, não somente nos rios, mas também em regiões próximas aos morros e montanhas.

Uma das características marcantes do Rio Cachoeira é o ciclo das suas enchentes anuais.

Desde o período do descobrimento até os dias atuais, sabe-se que o Rio Cachoeira tem provocado diversas enchentes sazonais, sendo que muitos desses eventos climáticos têm provocado sérios danos para boa parte da região cacaueira.

Segundo o historiador Adelindo Kfoury, em seu livro Itabuna, minha terra, Até o ano de 1890 tem-se poucas notícias sobre as enchentes do rio Cachoeira e os prejuízos financeiros e materiais provocados por estes eventos climáticos.

Kfoury cita que no ano de 1914 o Rio Cachoeira teve uma violenta enchente que provocou sérias perdas em Itabuna, Banco da Vitória e Ilhéus. Essa enchente durou 11 dias e quase dizimou a cidade de Itabuna, recém-emancipada.

No livro supracitado de Kfoury há o relato que no ano de 1920, outra grande enchente sofreu o Rio Cachoeira. Segundo este autor foi naquele ano que surgiu a famosa nomenclatura da “Ilha do Jegue”, a um local alagado, próximo a cidade de Itabuna. Local onde um animal dessa espécie ficou ilhado por quatro dias e sobreviveu à fúria dessa enchente.

Em 1947 o Rio Cachoeira alagou novamente e quase destruiu a ponte Lacerda, recém-inaugurada na cidade de Itabuna. Toneladas de plantas, principalmente dos tipos baronesa e capim amazonas, se represaram nas colunas da ponte itabunense, criando uma barragem de entulho que depois se estourou e quase destruiu a vila de Cachoeira, o Banco da Vitória e a periferia oeste da cidade de Ilhéus.

Essa onda d’água inundou o Banco da Vitória com tamanha fúria e provocou a fuga de todos os seus moradores para o atual Alto da Bela Vista, que até aquela época não passava de um sítio desabitado.

Segundo dados do antigo ICB (Instituto de Cacau da Bahia) no ano de 1964, o Rio Cachoeira começou um novo ciclo de grandes enchentes. Em novembro de 1965 o rio inundou metade da cidade de Itabuna e finalmente em dezembro de 1967 as suas águas provocaram a maior enchente até então registrada na região.

Em Banco da Vitória as águas dessa enchente cobriram totalmente a parte central da localidade. Os moradores mais antigos citam que a enchente do ano de 1967 atingiu aproximadamente dois metros e meio de altura nas imediações do campo de futebol. Neste evento, somente as casas do Alto da Bela Vista não foram atingidas.

As oitivas desses moradores asseveram também que aproximadamente 50% das casas dessa localidade foram destruídas neste fenômeno natural que ocorre quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a capacidade de escoamento.

Nas décadas de oitenta e noventa do século passado, o Rio Cachoeira teve um novo ciclo de grandes enchentes, interditando várias vezes a Rodovia Ilhéus Itabuna e provocando pequenas destruições nas suas margens.

Todavia, nenhuma dessas enchentes foi tão devastadora quanto a ocorrido em dezembro de 1967.

Até o ano de 1970 o Rio Cachoeira, – na altura de Banco da Vitória -, era muito mais estreito do que é hoje (algo em torno de cinquenta metros de largura). Com o vigoroso assoreamento das suas margens o rio se alargou e por causa disto não se têm mais as suas grandes enchentes.

Há de convir também que nos últimos quarenta anos o Rio Cachoeira sofreu em todo o seu percurso ações de assoreamentos, principalmente devido desmatamentos e ações predadoras como retiradas de areias dos seus leitos, barrancos e proximidades.

Diversos ambientalistas regionais argumentam que se não fossem as enchentes sazonais o Rio Cachoeira seria apenas um canal de esgotos in natura. Isso por que diversas cidades situadas às suas margens simplesmente direcionam seus esgotos para este rio, esquecendo que é ele, sua artéria principal.

Nos últimos 10 anos várias enchentes no Rio Cachoeira invadiram ruas de Banco da Vitória e assustaram seu povo. Esses alagamentos ocorrem devido a falta de infraestrutura para escoar as águas das chuvas que escorrem principalmente dos Altos da Santa Clara e da Bela Vista.

Antigamente essas águas encontravam na região de Banco da Vitória diversos brejos, alagadiços e riachos e escorriam lentamente para o Rio Cachoeira, sem provocar enchentes em todos finais de anos.

Com a atual expansão urbana da localidade a maioria dos brejos foram aterrados para dá lugar as moradias e empresas. Por conta disso, quando de grandes chuvas a água invade as ruas antes de rumar para o rio cachoeira.

Além disso os riachos e aguadas da localidade foram canalizados de formas irregulares, – isto, quanto aos aspectos de portes de escoamentos -, provocando inundações de ruas e da Rodovia Ilhéus Itabuna.

Por certo, somente através de melhorias de saneamento público da localidade este problema poderá ser resolvido.

Sem essas obras viárias o povo de Banco da Vitoria sofrerá, todo final de ano, com as históricas e sazonais chuvas que ocorrem nas margens do Rio Cachoeira, desde a Serra da Itaraca até a Baía do Pontal, onde por fim, esta artéria principal da região cacaueira do Sul da Bahia, encontra o Mar de Ilhéus e repousa nas águas atlânticas.

Outros dois rios brasileiros também se chamam Cachoeira. Um nasce no estado de Minas Gerais e termina em solo paulista e o outro nasce em Joinville e escorre as suas águas em solos do estado de Santa Catarina por apenas 14 quilômetros, até encontrar o mar.

Destes rios, o nosso Cachoeira é o mais bonito e amado. Amado por muitos Jorges, Joãos, Silvas, Tizíus, Marias, Sofias, Danielas, Filomenas e toda essa gente morena que tem cheiro de terra perfumada por Deus.

Capítulo do livro Banco da Vitória – A História Esquecida.

As Enchentes do Rio Cachoeira do Sul da Bahia.</p>
<p>Por Roberto Carlos Rodrigues.</p>
<p>O Rio Cachoeira é a artéria aorta da Região Cacaueira do Sul da Bahia. Este rio nasce na Serra do Itaraca, no município de Vitória da Conquista e depois de percorrer mais de 300 quilômetros e banhar dezenas de cidades e localidades, ele desagua mansamente no Mar de Ilhéus.</p>
<p>Segundo o Dr. Francisco Borges de Barros, no livro Memórias do Município de Ilhéus, (edição de 1915), foi no ano de 1553 que os jesuítas e aventureiros portugueses iniciaram as explorações das margens do Rio Cachoeira. </p>
<p>O nome do rio foi dado pelo padre Luiz Soares de Araújo, no ano de 1553, referindo-se a quantidade de pedras que continha no seu leito e o barulho contínuo das águas sobre as corredeiras. </p>
<p>Apesar de se chamar Rio Cachoeira, ele não possui nenhuma cachoeira igual á uma queda significante de água ao longo do seu curso. </p>
<p>Depois de banhar a parte do leste do município de Vitória da Conquista, o Rio Cachoeira entra em terras do município de Itambé. Nesse ponto ele se chama Rio Colônia, nome dado pelos padres Capuchinhos italianos, que por ali andaram em meado do século XVIII, em missões de catequese. </p>
<p>Com esse nome, este rio banha o município de Itajú, antigo distrito de Itabuna e depois recebe as águas do Rio Salgado, - o seu maior e mais importante afluente. </p>
<p>Pouco acima da cidade de Itapé, o rio muda novamente de nome, passando a se chamar Rio Cachoeira, até desaguar no Oceano Atlântico, na cidade de Ilhéus.</p>
<p>Antes da entrada do antigo porto de Ilhéus, o Rio Cachoeira se une aos rios Santana e Itacanoeira (Canal do Fundão), uma derivação do Rio Almada e formam a chamada Coroa Grande, área próxima a baía do Pontal.</p>
<p>São também afluentes do Rio Cachoeira, os rios Piabanha, Catolé, Duas Barras, Sucuriuba, Ponte, Sapucaia, Areia, Primavera, Jacarandá e o Cachoeira, o qual, para alguns estudiosos regionais, tem esse nome devido a assertiva dos jesuítas, que assim o chamavam devido ao barulho das suas águas nas pedras.</p>
<p>Além desses rios afluentes, o Rio Cachoeira é também abastecido por mais de setenta ribeirões e aguadas que descambam das roças de cacau e encontram aquele que levará as suas águas até o mar, na baía do Pontal. </p>
<p>Só na região de Banco da Vitória existem cinco grandes aguadas que abastecem o Rio Cacaueira, sendo as principais as aguadas da Fazenda Victória. A aguada que escorre pela região norte dessa propriedade e encontra o rio cachoeira nas imediações do convento das freiras.</p>
<p>A segunda aguada da Fazenda Victória escorre por um ribeirão que circunda a área dos atuais loteamentos, a direita da margem da Rodovia Ilhéus Itabuna, e encontra o Rio Cachoeira na proximidade do atual posto de combustíveis. </p>
<p>Existe também a aguada que passa por dentro de Banco da Vitória, vindo da antiga Cerâmica Victória e encontra o Rio Cachoeira nas imediações da sede da antiga administração do distrito. </p>
<p>Outra aguada se origina na parte norte do Alto da Bela Vista e desbanca por trás do antigo matadouro e ali encontra o rio. </p>
<p>Por último tem a aguada do Brejo Fundo ou do Areal que está localizada na área mais oriental do bairro ilheense. Essa aguada encontra o Rio Cachoeira nas imediações abaixo da Bica da água Boa, próximo a curva do Porto Novo.</p>
<p>O Rio Cachoeira sempre foi somente navegável no trecho de Ilhéus até o Banco da Vitória. Passando dali, os trechos navegáveis comportam apenas canoas e jangadas, por algumas dezenas de metros.</p>
<p>As pedras que surgem no leito desse rio, um pouco acima do Banco da Vitória e se estendem até a sua nascente impossibilitam a navegação de embarcações maiores. </p>
<p>O afloramento de gnaisses granulíticas se deve as erupções rochosas que se vêm em toda a região cacaueira, não somente nos rios, mas também em regiões próximas aos morros e montanhas. </p>
<p>Uma das características marcantes do Rio Cachoeira é o ciclo das suas enchentes anuais. </p>
<p>Desde o período do descobrimento até os dias atuais, sabe-se que o Rio Cachoeira tem provocado diversas enchentes sazonais, sendo que muitos desses eventos climáticos têm provocado sérios danos para boa parte da região cacaueira. </p>
<p>Segundo o historiador Adelindo Kfoury, em seu livro Itabuna, minha terra, Até o ano de 1890 tem-se poucas notícias sobre as enchentes do rio Cachoeira e os prejuízos financeiros e materiais provocados por estes eventos climáticos. </p>
<p>Kfoury cita que no ano de 1914 o Rio Cachoeira teve uma violenta enchente que provocou sérias perdas em Itabuna, Banco da Vitória e Ilhéus. Essa enchente durou 11 dias e quase dizimou a cidade de Itabuna, recém-emancipada. </p>
<p>No livro supracitado de Kfoury há o relato que no ano de 1920, outra grande enchente sofreu o Rio Cachoeira. Segundo este autor foi naquele ano que surgiu a famosa nomenclatura da "Ilha do Jegue", a um local alagado, próximo a cidade de Itabuna. Local onde um animal dessa espécie ficou ilhado por quatro dias e sobreviveu à fúria dessa enchente. </p>
<p>Em 1947 o Rio Cachoeira alagou novamente e quase destruiu a ponte Lacerda, recém-inaugurada na cidade de Itabuna. Toneladas de plantas, principalmente dos tipos baronesa e capim amazonas, se represaram nas colunas da ponte itabunense, criando uma barragem de entulho que depois se estourou e quase destruiu a vila de Cachoeira, o Banco da Vitória e a periferia oeste da cidade de Ilhéus. </p>
<p>Essa onda d'água inundou o Banco da Vitória com tamanha fúria e provocou a fuga de todos os seus moradores para o atual Alto da Bela Vista, que até aquela época não passava de um sítio desabitado.</p>
<p>Segundo dados do antigo ICB (Instituto de Cacau da Bahia) no ano de 1964, o Rio Cachoeira começou um novo ciclo de grandes enchentes. Em novembro de 1965 o rio inundou metade da cidade de Itabuna e finalmente em dezembro de 1967 as suas águas provocaram a maior enchente até então registrada na região. </p>
<p>Em Banco da Vitória as águas dessa enchente cobriram totalmente a parte central da localidade. Os moradores mais antigos citam que a enchente do ano de 1967 atingiu aproximadamente dois metros e meio de altura nas imediações do campo de futebol. Neste evento, somente as casas do Alto da Bela Vista não foram atingidas. </p>
<p>As oitivas desses moradores asseveram também que aproximadamente 50% das casas dessa localidade foram destruídas neste fenômeno natural que ocorre quando a precipitação é elevada e a vazão ultrapassa a capacidade de escoamento.</p>
<p>Nas décadas de oitenta e noventa do século passado, o Rio Cachoeira teve um novo ciclo de grandes enchentes, interditando várias vezes a Rodovia Ilhéus Itabuna e provocando pequenas destruições nas suas margens. </p>
<p>Todavia, nenhuma dessas enchentes foi tão devastadora quanto a ocorrido em dezembro de 1967.</p>
<p>Até o ano de 1970 o Rio Cachoeira, - na altura de Banco da Vitória -, era muito mais estreito do que é hoje (algo em torno de cinquenta metros de largura). Com o vigoroso assoreamento das suas margens o rio se alargou e por causa disto não se têm mais as suas grandes enchentes.</p>
<p>Há de convir também que nos últimos quarenta anos o Rio Cachoeira sofreu em todo o seu percurso ações de assoreamentos, principalmente devido desmatamentos e ações predadoras como retiradas de areias dos seus leitos, barrancos e proximidades. </p>
<p>Diversos ambientalistas regionais argumentam que se não fossem as enchentes sazonais o Rio Cachoeira seria apenas um canal de esgotos in natura. Isso por que diversas cidades situadas às suas margens simplesmente direcionam seus esgotos para este rio, esquecendo que é ele, sua artéria principal. </p>
<p>Nos últimos 10 anos várias enchentes no Rio Cachoeira invadiram ruas de Banco da Vitória e assustaram seu povo. Esses alagamentos ocorrem devido a falta de infraestrutura para escoar as águas das chuvas que escorrem principalmente dos Altos da Santa Clara e da Bela Vista. </p>
<p>Antigamente essas águas encontravam na região de Banco da Vitória diversos brejos, alagadiços e riachos e escorriam lentamente para o Rio Cachoeira, sem provocar enchentes em todos finais de anos.</p>
<p>Com a atual expansão urbana da localidade a maioria dos brejos foram aterrados para dá lugar as moradias e empresas. Por conta disso, quando de grandes chuvas a água invade as ruas antes de rumar para o rio cachoeira.</p>
<p>Além disso os riachos e aguadas da localidade foram canalizados de formas irregulares, - isto, quanto aos aspectos de portes de escoamentos -, provocando inundações de ruas e da Rodovia Ilhéus Itabuna.</p>
<p>Por certo, somente através de melhorias de saneamento público da localidade este problema poderá ser resolvido. </p>
<p>Sem essas obras viárias o povo de Banco da Vitoria sofrerá, todo final de ano, com as históricas e sazonais chuvas que ocorrem nas margens do Rio Cachoeira, desde a Serra da Itaraca até a Baía do Pontal, onde por fim, esta artéria principal da região cacaueira do Sul da Bahia, encontra o Mar de Ilhéus e repousa nas águas atlânticas. </p>
<p>Outros dois rios brasileiros também se chamam Cachoeira. Um nasce no estado de Minas Gerais e termina em solo paulista e o outro nasce em Joinville e escorre as suas águas em solos do estado de Santa Catarina por apenas 14 quilômetros, até encontrar o mar.</p>
<p>Destes rios, o nosso Cachoeira é o mais bonito e amado. Amado por muitos Jorges, Joãos, Silvas, Tizíus, Marias, Sofias, Danielas, Filomenas e toda essa gente morena que tem cheiro de terra perfumada por Deus. </p>
<p>Capítulo do livro Banco da Vitória - A História Esquecida.

Documentário – Andanças. Os Caminhos que Vivi.

Vídeo

Documentário – Andanças. Os Caminhos que Vivi. Auto documentário relata a vida de Roberto Carlos Rodrigues e sua jornada em busca da realização dos seus sonhos.

“Quando eu me pergunto quem sou eu, sou o que pergunta ou o que não sabe a resposta?” Geraldo Eustáquio.

História do Cacau, por Ronaldo Santana

O canal Ecolink Brasil  (Youtube) publicou depoimento do ex-vice-prefeito de Ilhéus, Ronaldo Santana, sobre fatos importantes da história do município e da antiga capitania. Ronaldo faleceu há uma semana, em Salvador, vítima de parada cardíaca. O vídeo abaixo lembra o respeito que ele nutria pela cultura regional. Assista.

Crimes em Banco da Vitória.

armaDe uns tempos pra cá, infelizmente, o nosso querido bairro de Banco da Vitória tem sido manchetes constantes em diversos jornais e sites criminalistas, não por conta da beleza e hospitalidade do seu pacato povo, mas sim por crimes horrendos, bárbaros, cruéis e inumanos.

Quem viveu no tempo do “meu” Banco da Vitória jamais acreditou que na nossa pacata e calma terra, um dia seria palcos de tantas chacinas, assassinatos, roubos, prisões, enfim, tristes tentáculos da violência social brasileira.

Nos últimos dias, parece que algo estranho ronda os nossos ares e por conta disso, tantos crimes horrendos vem acontecendo em nossa localidade.

Não tenho certeza do que imagino ser a verdade sobre estes fatos, mas por certo tenho a convicção que precisamos nos unir numa corrente de fé ecumênica e realizar orações em prol da nossa comunidade com intuito de afugentar os espíritos malignos que resolveram rondar as nossas plagas.

Eu creio que somente com a intervenção de Deus poderemos afugentar estes espíritos malignos e algumas pessoas cruéis que resolveram se instalar em nossa comunidade.

O Banco da Vitória não merece ter este pequeno grupo de moradores desalmados, criminosos, sanguinolentos e vis que resolveram colocar diariamente o nome da nossa terra nas páginas policiais dos jornais e sites especializados em crimes.

Eu acredito que o nosso bairro precisa orar mais, rezar mais, amar mais. Pois somente assim poderemos vencer os males e suas manifestações.

Que Deus nos ilumine mais e mais para que no final, – como sempre ocorre – o bem vença o mal e o Banco da Vitória volte a ser a terra da paz.

Roberto Carlos Rodrigues

Mapeamento dos Terreiros de Candomblé em Banco da Vitória – Ilhéus Bahia.

candomble

Terreiro: Terreiro de Ossanha

Liderança: Damiana F. Santos de Jesus

Nação: Angola

Fundação: 1989

Regente: Ossanha

Endereço: Travessa Universal, n.º 185

Bairro: Banco da Vitória

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Terreiro: Canjeré Calendé Caluje do Terreiro de Omolú

Liderança: Lenice Silva dos Santos

Nação: Angola

Fundação: 1970

Regente: Iansã

Endereço: Dois de Julho, n.º 151

Bairro: Banco da Vitória

Telefone: 3675-2156

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Terreiro: Ilê Ialashe de Ominaci

Liderança: Miguel Borges de Souza

Nação: Keto

Fundação: 1975

Regente: Oxum

Endereço: Rua Dois de Julho, n.º 75

Bairro: Banco da Vitória

Telefone: 3675-2123

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Terreiro: Ilê Asche Omi Yá Gunté

Liderança: Tereza Cristina Araújo de Souza

Nação: Keto

Fundação: 1993

Regente: Iansã

Endereço: Rua da União

Bairro: Banco da Vitória

Telefone: 3632-1100

Fonte: UESC

Luto na margem esquerda do Rio Cachoeira.

constânciaTomba mais um Jequitibá em Banco da Vitória.

Parte para a Glória a matriarca da nossa gente. Dona Constância inicia hoje nova jornada. Dever cumprido na Terra, exemplo máximo de sabedoria, educação e honestidade. Amiga de todos, mãe de muitos, conselheira primaz e humanista por vocação. Saudade agora mais que eterna.

Parte Dona Constância certa do seu dever cumprido. Fica o significado mais honesto do termo ser humano.

Se um dia, alguém que não a conheceu, perguntar-lhe quem foi Dona Constância? Responda assim:

– Olhe para o nascer do dia e quando o sol brilhar, veja nele o sorriso de uma mulher que sorriu para a vida a vida inteira.

Banco da Vitória 13 de agosto de 2014.

R. C. Rodrigues.

Pouca Calma Nessa Hora.

Com todos os respeitos aos que pedem calma neste instante eu digo que talvez o grande defeito do nosso povo seja essa parcimônia religiosa e a mansidão civil oriunda das falsas crenças pacifistas embutidas nos nossos genes nos últimos 513 anos.

O povo que se manifesta neste momento nas ruas brasileiras é pacífico e ordeiro.

Porém, perdeu a “tal calma” diante da insensatez dos políticos e alguns empresários brasileiros que ROUBAM e USURPAM o nosso país acreditando que como somos “mansos e calmos”, nada lhes acontecerá.

Precisamos mudar este conceito de brasileiros calmos, mansos, tenebrosos, receosos e MEDROSOS. Continuar lendo

O genoma da nossa guerra civil.

Artigo publicado no dia 17 de junho de 2013 no Facebook.

O que está acontecendo com o Brasil? Questiona a elite e a politicagem brasileira estupefatas com as manifestações públicas que tomaram conta do nosso país e, aos poucos, dominam as cidades e obrigam a mídia sempre comprada renderem atenção especial e principalmente divulgação aos fatos.

Vocês não sabem o que está acontecendo por aqui?

Vocês não estão vendo o que está acontecendo em Pindorama? Continuar lendo

Quando a minha hora chegou.

Por Roberto Carlos Rodrigues.

Pfogeor fim vieram buscar-me. São seis e cada um tem o seu lugar definido neste translado. Na porta da casa outros também estão postados e esperam suas vezes de ajudar-me na viagem. Uns estão tristes, outros surpresos. Uns estão até orgulhosos e outros são insossos feitos os perfumes das margaridas murchas que exalam no canto da sala. Num canto da varanda alguém choraminga. Outra soluça escondida. A maioria está em silêncio. Assim eu saio desta vida como cheguei, mudo e cheio de planos, sempre nas mãos de alguém.

A rua não está clama e algumas crianças acompanham a minha partida a distância. Elas têm medo de mim e do meu silêncio infinito. Eu lembro que eu também era assim na minha adolescência sem rédeas. Algumas mulheres velhas olham minha partida e cochicham alguma coisa. Umas estão orgulhosas por tem me conhecido. Outras querem ser somente testemunha deste instante. Continuar lendo