Projeto Cozinha Alternativa de Banco da Vitória fracassa em 90 dias.

comida4A ideia era inovadora e revolucionária. Encabeçada pelas Cáritas Diocesanas de Ilhéus, chancelada pelo então médico do posto de saúde local Dr. José Moura Costa e com o apoio de Dona Lia, Dona Enaura, Dona Bela e Dona Lindaura foi implantada com festa e alarido o projeto da Cozinha Alternativa de Banco da Vitória. Era junho de 1981 e Dr. Moura preocupado com os altos índices de colesterol, triglicérides, glicemia e ácido úrico dos moradores do distrito de Banco da Vitória, sugeriu a mudança radical da alimentação do povo e coube-lhe trazer o apoio da Prefeitura de Ilhéus para financiar o projeto piloto da cozinha alternativa.

Na missa de domingo o padre falou da importância do projeto e já na segunda-feira seguinte estavam diversos universitários e seminaristas do sul do Brasil, visitando as casas dos moradores de Banco da Vitória e instruindo-os sobre os novos hábitos alimentares baseados na comida verde.

Na casa de Dona Lia instalaram mais de seis fogões a gás e no clube social foram ministradas as palestras e aulas culinárias que ensinava o povo a ter uma vida mais saudável e longeva.

Os universitários gaúchos e paranaenses ensinavam fazer cozidos de semente de jaca, moqueca de coração de bananeira, lasanha de repolho com molho de talo de couve, bolinho de talos de agrião, doce de casca de melancia, patê de berinjela, feijoada vegetariana entre outras iguarias do mundo vegetal.

Foram quinze dias de aulas e mais aulas intensas, todas repletas de surpreendentes receitas e novos conhecimentos culinários da revolucionária cozinha alternativa. As donas de casas de Banco da Vitória desfilavam com diversos cadernos cheios de receitas de almoços, jantares, sopas e doces feitos com cascas de frutas, talos de hortaliças e até bagunço de jaca.

A euforia com a cozinha alternativa foi tanta que teve até pessoas que mudaram os hábitos e roupas, passaram andar apenas com roupas brancas, fitas no cabelo, usavam mel no lugar do açúcar, chá de camomila no lugar do café. Só comiam pão integral e bebiam apenas leite de soja. Viva a natureza!

No dia do encerramento do projeto da cozinha alternativa a mesa para exposição dos pratos tinha mais de 70 metros de comprimento e dava voltas dentro do clube social. As alunas mostravam seus pratos feitos com sobras de frutas, flores e verduras. Bolos de todos os tipos, gostos, cores, odores e ingredientes. Para todos os visitantes eram servidos chás de folhas de tangerina, rosas vermelhas, cidreira e hortelã. Até o licor de jenipapo era sem álcool.

Naqueles dias a palavra carne era proibida a sua pronuncia dento do clube social de Banco da Vitória. A gordura das frituras era maldita igual as pragas do maligno. Sal e açúcar foram réus julgados e condenados ao exílio perpétuo.

Numa segunda-feira seguinte a festa de encerramento do curso os universitários os seminaristas sulistas foram embora de manhã cedinho. Estavam felizes e realizados com suas alunas dedicadas e aplicadas.

Naquela semana muitos casamentos quase azedaram em Banco da Vitória. As esposas queriam fazer os pratos vegetarianos e os maridos não queriam nem saber da tal cozinha alternativa feita de mato. Teve casa que foi imposto pelo marido irritado à fervura do feijão adubado ”com tudo dentro” no café, almoço e janta, todos os dias. Fatada era comida três vezes por semana. A sopa noturna era feita com duas rabadas e cinco ossos de patinho. Quando era para comer galinha matavam-se logo quatro. De sobremesa no mínimo 8 cocadas para cada participante do almoço e mais três copos de suco bem doce…

– Eu não sou lagarta para comer mato.

– Quem nasceu para comer cascas de jaca foi jegue.

– Sopa sem gordura é igual água de brejo.

– Feijão ser carne é igual missa sem padre.

Foi o que se ouvia por todos os cantos de Banco da Vitória.

Em poucos dias os cadernos repletos de deliciosas e saudáveis receitas vegetarianas foram para os fundos dos armários e o colesterol voltou a ser servido nas casas três vezes aos dias.

Os fogões de Banco da Vitória voltaram aos seus antigos cardápios. Mocotó, buchada, sarapatel, jabá assada, cozido de peito de boi, feijão adubado, Rabada gorda, fígado ao molho, bife acebolado, perfil assado, torresmo com bisteca, feijoada carioca, carne assada, farofa de banha de porco e pirão de farinha. Muita farinha.

O projeto da cozinha alternativa de Banco da Vitória infelizmente fracassou em menos de 90 dias e nosso povo voltou a desfilar pelas ruas mostrando suas panças cheias e reluzentes. Tão reluzentes, quase fatais.

Feliciano de Assis – A pedra angular de Banco da Vitória.

FELICIANOPor Roberto Carlos Rodrigues.

Feliciano de Assis é nome de praça em Banco da Vitória. O cidadão que dá nome a essa praça ajudou literalmente construir com suas mãos boa parte do atual bairro de Ilhéus. Feliciano era pedreiro e blaster. Cortava pedras para construção de fundações de casas e prédios, quebrava britas e fazia paralelepípedos e meios-fios para calçamentos de ruas e praças. Por certo, quando andamos pelas atuais ruas calçadas de Banco da vitória pisamos em dezenas de milhares de pedras que foram cortadas com esmero pelo pai de Jair Rodrigues de Assis e seus irmãos e irmãs.

Feliciano de Assis nasceu em 09 de junho de 1903, na cidade de Cachoeira de São Felix, no recôncavo baiano. Era neto de ex-escravo e trazia em seu sangue os rastros dos negros Bantos. Seus familiares eram praticantes do Candomblé nas cidades de Cachoeira e Santo Amaro. Porém, Assis não era praticante dessa religião. Ele era católico e seguidor do Animismo, (culto em devoção as almas), mas era apaixonado pelas obras de Jesus Cristo, seu ídolo mor.

Feliciano de Assis chegou ao Banco da Vitória em 1926 com apenas 23 anos de Idade.  Estava com seu amigo inseparável por toda vida, Gonçalo. Veio exercer a sua profissão de demolidor de pedreiras e transforma-las em paralelepípedos, meios-fios, blocos de pedras e britas de todos os tamanhos.

Vale citar que na década de 20 a região cacaueira necessitava de mão de obra especializada, principalmente, na construção de estradas, ruas e casas. Neste efeito, muito artífices e profissionais eram recrutados em outras cidades e estados, para trabalhar na então rica Região cacaueira.

Em pouco tempo o jovem sanfelixta se estabeleceu em Banco da Vitória e no início da década de 30 se casou com Virginia Rodrigues de Assis (Dona Cabocla), irmã de Nestor Pereira e João Rodrigues (João de Coló). Desta união nasceram 11 filhos que sobreviveram, que são assim nomeados: Pupu (Antônio) Vastir, Dada (Idalício) Menininha (Giomar), Nilza, Vaninha, Ilza, Idalice, Big (Geny) e Jair, todos com o sobrenome do Clã Rodrigues de Assis. (E eu na rebarba!).

Feliciano de Assis era um ser especial. Teria sido o que quisesse ser. Era uma pessoa altamente carismática, calma, cativante, envolvente e inteligente. Adorava ajudar as pessoas mais humildes e participava de todos os mutirões que ocorriam na então vila de Banco da Vitória. Além de cortar pedras, ele sabia lidar com madeiras, construir telhados, edificar casas e prédios, pintar paredes e fazer calçamentos de ruas e passeios. Por conta disso ajudou com suas mãos erguer muitas casas e prédios em Banco da Vitória e na cidade de Ilhéus.

Como cortador profissional de pedras através de explosões controladas utilizando dinamites, (conhecido como Blaster), Seu Feliciano atuou também em diversas pedreiras de Ilhéus e principalmente na pedreira do Iguape, que naquela época fornecia pedras para a construção do Porto do Malhado, em Ilhéus. Desta forma, quando você olhar para o Porto Internacional de Ilhéus, lembre-se que ali também tem os frutos das mãos de Feliciano de Assis.

Por certo, dezenas de ruas nas cidades de Ilhéus e Itabuna foram calçadas com as pedras moldadas pelas mãos de Feliciano de Assis. Contudo, fora de Banco da Vitória, sua maior contribuição na construção civil foi fornecer pedras para a construção do paredão da encosta do Hospital São José, (entre a ladeira de Vitória e a Rua Bento Berilo), no centro de Ilhéus. Portanto, ao passar por estes logradouros saiba que as mãos de Feliciano de Assis contribuíram para tais feitos.

Cidadão admirado em Banco da Vitória, Feliciano de Assis era um tipo de decano extraoficial dessa comunidade. Várias pessoas recorriam a ele para ouvir orientações e conselhos. A sua forma de viver e criar sua prole, – baseadas no trabalho árduo, na justiça social e na ética -, dava-lhe ares de diplomacia e sabedoria que deviam ser seguidas por todos.

Por gostar de vestir-se sempre com camisas de linho branco e utilizar paletós engomados, gravatas listradas e chapéus aristocráticos, Feliciano era chamado por seus amigos de “O Diplomata Negro”. Nestor Pereira, seu cunhado chamava-o de “pavão raro”.

As mulheres de Banco da Vitória chamavam-no de “Cheiroso”. Isso porque Assis sempre usava os melhores perfumes, – principalmente os de fragrâncias suaves e românticas. Era naturalmente apaixonante. Dizia-se.

Feliciano de Assis foi um dos primeiros moradores da praça que hoje o homenageia. Quando ele construiu sua casa neste logradouro na década de 30 do século passado, apenas duas casas rústicas e um pequeno curral existiam ali. Uma casa de taipa existente pertencia aos Onorato e a outra casa pertencia ao saudoso seu Miguel, vizinho de Feliciano. Um pequeno curral pertencente aos Souza ficava nas imediações das atuais casas de seu Miguel e Ivone Santos.

Além das diversas ruas que calçou em Banco da Vitória Feliciano de Assis ajudou a construir (como voluntario e agente comunitário) diversas obras sociais da comunidade como: a Igreja Católica e a antiga igreja evangélica, o clube Social, o convento das freiras, as construções das casas dos padres, (No Alto da Bela Vista), nesta região o antigo salão social (hoje escola municipal) e a represa da rua da Presa. Foi deste ilustre morador de Banco da Vitória a iniciativa de criar a fonte da Água Boa, quando da abertura da nova estrada ligando Ilhéus à Itabuna, nos anos cinquenta do século passado.

Feliciano de Assis, assim como Laércio Souza, foram um dos poucos moradores de Banco da Vitória que puderam se dizer “conhecidos” do escritor itabunesse Jorge Amado. Em diversas vezes, em passagens pelo Banco da Vitoria, Amado conversou com seu Feliciano, que naquela época “cortava” pedras no Rio Cachoeira, bem em frente a atual bica da Água Boa.

Exímio pescador, Feliciano de Assis era um naturista devoto e aplicado. Só pescava o que comia com sua família e era um defensor dos animais e da natureza. Não comia caças. Gostava dos cantos de pássaros como curiós, papa-capins e sabias. O quintal da sua casa era um verdadeiro pomar onde os pássaros vinham deliciarem.

Apesar de não praticar a religião dos seus ancestrais, Assis costumava visitar os centros de Candomblés da comunidade, onde sempre era recebido como Iyaegbé ou Babaegbé (autoridade nata). Afinal, seus tios e primos eram respeitados Iyalorixás do Recôncavo Baiano.

Além de criar uma prole grande, o casal Seu Feliciano e Dona Cabocla também criaram inúmeros netos e bisnetos. Todos, – de filhos a netos e bisnetos, receberam um enfoque especial para os estudos e a educação. Dessa forma, os Rodrigues de Assis se transformaram em modelo de família na sociedade de Banco da Vitoria. Os filhos e netos do casal eram chamados na comunidade de “os pretinhos inteligentes”. Isso porque, numa época que se negligenciavam as prioridades da educação de crianças, todos os Rodrigues de Assis sabiam ler e escrever e muito destes se formaram e tornaram profissionais altamente capacitados. Feliciano não era apenas feliz no nome. Era também no saber.

Faleceu em 11 de junho de 1984, dois dias depois de completar 81 anos de idade. Foi levado à gloria. Todos sabem disso em Banco da Vitória. Até as pedras que forram as nossas ruas e casas.

Feliciano de Assis foi feliz por toda vida. Fez jus ao nome de batismo.

Feliciano de Assis era pai da minha mãe Ilza Rodrigues do Nascimento. Quando essa faleceu em dezembro de 1970, acolheu-me na sua casa como mais um neto querido. Ali fui criado e educado. Sou feliz por essência.

Notas:

1 – LEI Nº 2641, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1997  Dá nome de Feliciano de Assis, à praça dos esportes no Banco da Vitória, nesta cidade.

O Prefeito do Município de Ilhéus, Faço saber que a Câmara Municipal de Ilhéus aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica denominada de FELICIANO DE ASSIS, a Praça dos Esportes no Banco da Vitória, nesta Cidade.

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.

Gabinete do Prefeito Municipal de Ilhéus, em 15 de dezembro de 1997, 464º de Capitania e 116º da Elevação à Cidade. JABES RIBEIRO – Prefeito

2 – CEP

Praça Feliciano de Assis, Banco da Vitória Bahia – CEP 45661.000.

3 – Domicílios

Total de endereços encontrados: 17
Domicílios particulares: 16
Edificações em construção: 1
Quantidade estimada de moradores nesse logradouro: 54

Casas comerciais – 2

A Tabaca de Luiza Preta

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Por Roberto Carlos Rodrigues

Chamava-se Maria Luiza dos Santos. Mas era conhecida como Luiza Preta. Mulher pequenina, de pernas e braços finos, pés diminutos, corpo franzino, cabeça pequena e olhos miúdos. O cabelo pixaim estava sempre escondido sob os lenços coloridos. O sorriso era fulminantemente branco e espontâneo. Dizia ser das bandas de Cachoeira de São Felix, nas fraldas do Recôncavo Baiano. Chegou ao Banco da Vitória num domingo de feira na Praça Guilherme Xavier. Passou quase invisível no meio da multidão que comprava e vendia tantas mercadorias. Luiza e seus quatros filhos mendigaram na feira e dormiram de barriga cheia – coisa rara nos últimos dias. Naquele dia ela jurou perante a igreja de Nossa Senhora da Conceição – Deste lugar eu não saio mais nunca. Infelizmente não pode cumpri a promessa.

Na segunda-feira seguinte já estava lavando roupas de ganho no rio Cachoeira. Na quarta-feira já estava dormindo num barraco emprestado e em pouco tempo se transformou em Luiza Preta de Banco da Vitória, a Luiza mais amada do nosso povoado.

Mulher trabalhadeira sem igual, Luiza Preta lavava roupas, remendava lonas de caminhões, fazia cangalhas, cortava taboas e fazia esteiras. Fazia também redes de pescas e jererés, rendava caçuás, cortava lenha na mata, carregava água em latas na cabeça. Na verdade, “se virava” de todos os jeitos e modos para alimentar seus filhos.

Em pouco tempo fez um barraco de taipa na Rua da Represa e lá foi morar com suas crias. Logo começou a vender doces e quitutes na feira de Banco da Vitória. Eram doces de jenipapo, carambola, groselhas, araçás, goiabas e a famosa cocada preta chamada Tabaca de Luiza Preta. Luíza chamava seu doce de cocada preta, mas meu pai Carrinho, amante primaz da iguaria de Luiza, botou o nome de Tabaca de Luiza Preta. Carrinho argumentava que o doce tinha razões para ser assim chamado: – a iguaria era pequenina, preta feito betume, gostoso e irresistível e era impossível comer uma só. Meu pai comprava uma dúzia dessa cocada e comias ainda pelas manhãs.

Luiza Preta gostou da propaganda que os feirantes faziam da sua cocada. Mas não a chamava de Tabaca de Luiza Preta. Dizia ser apenas “cocada de coco queimado. Durante a feira de Banco da Vitória era comum os feirantes gritarem: Luiza ainda tem Tabaca Preta aí?

Luiza sorria e mandava uns dos seus filhos entregar a iguaria.

O padre não gostava do nome da iguaria de Luiza Preta. As esposas de               Banco da Vitória reclamavam do nome pejorativo do doce (mas as comiam escondidos). Tinha gente que comprava a cocada preta só para poder chegar em casa e perguntar: – quem quer comer a Tabaca de Luiza Preta? A meninada em peso gritava: – EU!!. E o doce era consumido sobre lindos sorrisos e deliciosas brincadeiras.

Em pouco tempo a vida de Luiza Preta mudou por conta do seu quitute famoso. Todo domingo ela vendia centenas de cocadas pretas. Durante a semana seus filhos e filhas vendiam os quitutes nas ruas de Banco da Vitória.

Luiza Preta vivia sorrindo e alegre com o sucesso dos seus doces.

Forrozeira e festeira, no mês de junho de 1974, Luiza Preta foi passar os festejos juninos na sua terra natal. Lá chegou bem melhor do que saiu. Estava bem vestida, usava bolsa tiracolo reluzente, dinheiro no bolso. No seu cantinho de chão, ajudou amigos e parentes, comprou sapatos e roupas para os sobrinhos, fez uma festa na casa do seu irmão e comemorou o melhor São João da sua vida.

Mas isso não agradou todo mundo. Seu ex-marido, vestido de inveja e ciúmes, a assassinou no meio da festa junina. Luiza Preta foi esfaqueada e enterrada em Cachoeira São Felix. Ela jamais voltou ao Banco da Vitória.

A morte cruel de Luiza Preta azedou o Banco da Vitória. A feira local ficou triste e sem gosto e dizia-se por lá: – quem comeu a Tabaca de Luiza Preta, comeu. Quem não comeu, se fodeu.

Nenhum filho ou filha de Luiza Preta conseguiu refazer a receita do doce de nome pejorativo da sua mãe. Dias depois eles foram embora de Banco da Vitória. Ali jamais voltaram.

Quem mais sofreu com a morte trágica de Luiza Preta foi o lendário Courinho. Este de fato e via de provas “comeu” por muitos anos a verdadeira tabaca de Luiza Preta. Foram amantes felizes.

Livro: Dona Lia – A Matriarca de Banco da Vitória

Conheça a vida, trajetória, história e o legado de Dona Lia, A Matriarca de Banco da Vitória. O livro e o áudio são gratuitos e podem ser baixados clicando nas figuras abaixo:ebook grátis itercriar 2

capa liaDona Lia A Matriarca de Banco da Vitória. Por Roberto Carlos Rodrigues

A casa é fácil de ser encontrada. Fica no número 17 na Praça Guilherme Xavier, no Centro de Banco da Vitória.  Na pequena varanda, uma senhora octogenária observa a calmaria daquele ambiente que bem conhece como poucos. Seus olhos buscam o céu azul do lugar e suas lembranças repousam sobre todo aquele solo, paralelepípedos e sua gente trabalhadora e feliz. Dona Lia, está bela e reluzente como uma linda senhora. Ela viu aquele arruado se transformar em povoado. O povoado em vila, a vila em distrito e este em bairro de Ilhéus. Dona Lia viu muita gente nascer, viver e morrer naquele lugar. Ela é uma testemunha viva da evolução dessa comunidade ribeirinha. Dona Lia baixa lentamente os olhos e observa carinhosamente suas mãos, agora tão cansadas e frágeis. Depois sorri calmamente como quem lembra de algo bom. Levanta a vista, olha novamente as onze arvores que adornam a praça Guilherme Xavier e sorri estridentemente como uma criança alegre. Dona Lia está feliz e realizada. Ela faz parte da alma deste lugar.

Muita gente amou e ama fervorosamente o Banco da Vitória. Muita gente fez e faz muito por esta comunidade. Muitos recitam seus amores poéticos por este lugar. Contudo, ninguém contribuiu mais para o desenvolvimento da nossa comunidade do que Seu Joaquim e sua amada esposa Dona Lia.

Dominguinho da Farinha abre nova filial nas bandas celestiais.

Por Roberto Carlos Rodrigues

dominginhosChamava-se Domingos, mas, em Banco da Vitória tinha uma rença de apelidos. Era também conhecido como Dominguinho da Farinha, Dominguinho Cotó, Dominguinho Namorador, Dominguinho das Meninas, Cotozinho de Mel, Pé de Valsa, entre outras alcunhas.

Dominguinho era meio-irmão de Seu Joaquim Araújo. Tinha sido trabalhador rural numa roça dos Araújo, nas bandas do Rio do Engenho. Depois, resolveu arribar com sua família para o Banco da Vitória, estabelecendo na Rua dos Artistas, numa casa circundada por vizinhos lendários da comunidade como Carrinho, Carlos Cambau e Dona Nilza, Antônio Isaias e Dona Lindaura, Zé Lavigne, Pedro Santos, Loyola, Carlos da Farmácia, Odilon, Professora Cremilda entre outros.

Na Rua dos Artistas, Dominguinho comercializou, por décadas, uma das melhores farinhas de mandioca do município de Ilhéus. Por conta dessa preciosidade culinária ganhou a alcunha de “Dominguinho da Farinha” e entrou para o rol das lendas vivas de Banco da Vitória.

Domingos tinha um braço cotó. O que perdeu neste membro do corpo multiplicou no seu coração generoso e festivo. Era um brincalhão por excelência, exímio contador de causos e requintado dançarino em festas e seresta. Vivia em contínuas festas diárias e em sua casa todo dia era um dia a ser comemorado. Dominguinho tinha seus motivos para ser tão alegre.

Com o seu passamento na manhã desta Sexta-feira Santa, por certo, Dominguinho da Farinha deixa em Banco da Vitória, no mínimo 19 tristes viúvas.

Dominguinho da Farinha estará na manhã do próximo sábado doando farinha santa e carisma, no seu novo endereço de trabalho, lá para as Bandas Celestiais, onde Deus acolhe os seus e felicitas os justos. Dominguinho agora é oficialmente uma lenda em nossa comunidade.

O Banco da Vitória está em luto. A Rua dos Artistas ficou insossa.

Tenha uma boa jornada Dominguinho de Banco da Vitória. Siga a Luz.

Zeca Serafim de Banco da Vitória parte em nova jornada.

zecaEssa semana o Banco da Vitória perdeu um dos seus filhos mais amados. Foi levado à Glória, na última segunda-feira, o desportista Zeca Serafim. Zeca criou o time Ypiranga Futebol Clube, (que depois foi comandado por Xisto Gomes), participou ativamente na implantação da Sociedade de Melhoramentos de Banco da Vitória, (atual Clube Social), da construção de Igreja de Nossa Senhora da Conceição e na implantação da antiga feira de Banco da Vitória. Por várias décadas foi um conselheiro político em prol da nossa comunidade e muitas melhorias sociais foram trazidas por sua iniciativa e liderança. Era também um profundo conhecedor da história de Banco da Vitória. Descanse em paz Zeca Serafim.

Abaixo um vídeo da Família Serafim onde se ver a alegria deste nobre cidadão.

https://www.youtube.com/watch?v=B2PEtKglnFo

As Cores de Banco da Vitória.

bvPor Roberto Carlos Rodrigues.

A cor predominante em Banco da Vitória é azul. Este azul que cobre toda nossa comunidade, vem do céu de Deus. Temos o céu mais bonito do mundo. Asseguro. O azul do nosso céu côncavo escorre até os tons de verdes nas nossas matas e reflete nas águas do Rio Cachoeira. Aqui, lindo e resplandecente. Rio ressuscitado todos os dias pelas águas das marés atlânticas.

As nossas casas são todas coloridas e multicolores. Quanto mais colorida é a fachada da casa, mais feliz é a família que ali mora.

Em Banco da Vitória as cores cinza e marrom não têm vez. Aqui as matizes, tons e intensidades das cores imitam o arco-íris e refletem no sorriso branco, – quase em croma exato -, desse povo alegre.

O povo é amorenado. A cor dessa gente foi cozida no caldeirão das raças. Negros africanos, ameríndios, alemães, suíços, polacos, portugueses, árabes e turcos fizeram parte do tempero dessa gente festiva e trabalhadora.

As casas coloridas da nossa aldeia, em tons quase saturados, mostram a vitalidade dessa gente guerreira.

Quem passa pela Rodovia Jorge Amado e não entra na comunidade de Banco da Vitória não sabe o que está perdendo. Nas nossas ruas as cores das casas encantam e fazem nossos olhos sorriem em brilhos quase lagrimejais.

– Por que essas casas são tão coloridas? Perguntam sempre os visitantes e a resposta é sempre a mesma.

– Nossas casas expressam nossa felicidade. Responde qualquer morador. Alegre, por princípio.

Em Banco da Vitória, todos os dias o arco-íris enche suas latas de tintas e vai salpicar gotas de felicidade em diversos horizontes. Uns distantes, outros próximos, tão próximos, já nas fronteiras dos nossos corações.

Maroto – O Matador de Banco da Vitória

Por Roberto Carlos Rodrigues

Por fim chegou o grande dia do meu trabalho como memorialista de Banco da Vitória.. Vou render uma alegre homenagem ao meu saudoso primo Marivaldo Gomes de Assis, vulgo Maroto – O Matador.  Nos próximos dias vou publicar um artigo descrevendo a trajetória dessa personagem que nasceu, viveu e morreu em Banco da Vitória. Vou relatar suas lambanças, brigas, brincadeiras, causos e principalmente seus amores secretos.

Preparem os sorrisos, pois Maroto trama ressuscitar, em breve,  em suas alegres recordações

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Maroto – Outubro de 2010

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Carnaval de 2012

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Herval Soledade, Amigo de Banco da Vitória, Prefeito de Ilhéus e Deputado Estadual.

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Herval Soledade

Por Roberto Carlos Rodrigues.

Herval Soledade, nasceu em 27 de Setembro de 1919, (Salvador-BA) e faleceu em 02 de Novembro de 1993, em Ilhéus – BA. Era filho de Antônio Soledade e Aureolinda Maia Soledade, e casado com Maria Dinorah Souto Maior Soledade com quem teve 6 filhos, sendo: Maria Cristina, Marco Antonio, Maria de Fátima, Herval Filho, Marco Aurélio e Débora. Soledade era empresário, proprietário de postos de gasolina e loja de acessórios para automóveis, agricultor e cacauicultor.

Em Salvador, cursou o Primário e parte do Secundário, vendo a conclui-lo em e Ilhéus-BA.

Em Ilhéus foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro-PTB, mandato 1951-1955. Elegeu-se prefeito de Ilhéus para o mandato 1955-1959 (PTB). Elegeu-se deputado estadual, (PTB), de 1959-1963 e prefeito de Ilhéus, pelo PTB, no período de 1963-1967.

Na assembleia legislativa da Bahia, foi Vice-líder PTB, no ano de 1960. Foi 1º secretário da Mesa Diretora (1961), presidente da Comissão de Negócios Municipais (1959-1960, 1962); titular das Comissões: Saúde Pública e Assistência Social (1959), Finanças e Serviços Públicos (1960), Constituição e Justiça (1962), Educação e Cultura (1962), Orçamento e Fiscalização Financeira (1962); suplente das Comissões: Educação, Cultura e Arte (1959), Viação e Obras Públicas (1959), Economia e Transportes (1960), Orçamento e Fiscalização Financeira (1960, Redação de Leis e Resoluções (1960), Finanças e Serviços Públicos (1962).

Em Ilhéus, Herval Soledade foi homenageado com seu nome em Ginásio de Esportes, Grupo Escolar no bairro Banco da Vitória, Posto Médico no bairro Pontal e um Morro no bairro do Malhado.

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Grupo Escolar Herval Soledade (Banco da Vitória).


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A Tragédia de Banco da Vitória.

Por Roberto Carlos Rodrigues.

Por certo, um dos dias mais triste da história de Banco da Vitoria, foi 17 de maio de 1961. Neste dia morreu carbonizada num interior de uma Kombi (que fazia transporte entre Ilhéus e Itabuna), a jovem Perpétua Marques. A professora Perpétua tinha terminado seu turno de ensino na recém-inaugurada Escola Herval Soledade e se dirigia com sua colega Dalva para o Centro de Ilhéus, onde moravam. Elas pegaram o meio de transporte rodoviário em frente ao antigo Matadouro Municipal de Ilhéus e poucos metros à frente, nas imediações da atual Bica da Água Boa, o veículo se envolveu em uma batida frontal, pegando fogo e carbonizando a professora Perpétua, que ficara presa a ferragem do veículo.

Neste acidente, algumas pessoas se machucaram. Contudo, a professora Perpétua foi a única vítima fatal.

Era pouco mais do meio dia quando aconteceu o acidente fatal na Rodovia Ilhéus Itabuna e naquela tarde de outono morno nas plagas das margens do Rio Cachoeira, a comunidade de Banco da Vitória chorou a morte da linda e deslumbrante “professorinha Perpétua”, como era carinhosamente conhecida na localidade.

PERPÉTUA-MARQUES-204x300Perpétua Chagas Marques era natural da cidade de Poções, região sudoeste da Bahia (tinha nascido em 21 de agosto de 1943 e morreu com apenas 18 anos de idade). Era uma dos 8 filhos(as) do casal José Nonato Marques (Cavalariano) e Dona Doralice Chagas Marques.

A professora tinha chegado a Ilhéus em 1953, com apenas 10 anos de idade. A moçoila Perpétua estudou na Escola Santa Cecília da Professora Uzuleica Silva, no Colégio General Osório e depois fez o curso de magistério no Ginásio Municipal de Ilhéus, (atualmente chamado de Instituto Municipal de Ensino Eusinio Lavigne – IME).

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