Feliz aniversário, Banco da Vitória.

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Não se sabe ao certo a data da “fundação” do atual bairro de Banco da Vitória. Contudo, tendo como base as incursões nas margens do rio Cachoeira feitas pelos jesuítas portugueses no meio do século XV e registradas nas suas missivas do ano de 1554, onde se ler: “levados pelas grandes últimas marés de março, alcançamos no ano passado as barragens de pedras do rio que vem do sertão distante (rio Cachoeira) e ali fizemos um acampamento para auxiliar nossas expedições ás margens do rio e nas matas”. Carta do padre Leonardo Nunes (1554).

Como sabemos que as últimas marés do mês de março ocorrem entre os dias 21 e 31, então supõe-se que a expedição descrita pelo padre Leonardo Nunes ocorreu na última semana deste mês. Portanto, o embrião do atual bairro de Banco da Vitória foi ocupado neste período.

Então, por suposição ao descrito pelo padre Leonardo Nunes, o Banco da Vitória foi “fundado” na última semana do mês de março de 1553.

Vale frisar que o relato do padre Leonardo Nunes não descreve nenhuma fundação de localidade ou vila. Mas sim, do acampamento feito a margem esquerda do Rio Cachoeira que serviria de base operacional para a catequese na região oeste da capitania de São Jorge dos Ilhéus.

Portanto, Feliz aniversário (extra- oficial) Banco da Vitória. 464 anos!

O povoado de banco da Vitória foi instituído no ano de 1830. O Banco da Vitória foi elevado à categoria de bairro de Ilhéus em 11 de julho de 1989.

A Carreira de Grazi Fredmann, a modelo de Banco da Vitória.

modelo 3Por Roberto Carlos Rodrigues.

Antigamente, em Banco da Vitória, os meninos sonhavam ser caminhoneiros, policiais ou marinheiros. As meninas sonhavam ser professoras ou secretárias. Depois que Aldair se tornou jogador de futebol famoso do Flamengo do Rio de Janeiro, os sonhos dos nossos meninos mudaram completamente. Todos queriam ser jogadores de futebol. Já as meninas mudaram seus sonhos também. Todas queriam ser agora modelos e desfilar nas passarelas das Fashion Week de São Paulo, Madri, Nova York, Tóquio e até mesmo Milão.

De uma hora para outras as magricelas das beiras mornas do Rio Cachoeira começaram a andar nas pontas dos pés, pés entre pés, ombros retos, tórax esticados, rostos erguidos, queixos alinhados, bochechas e pálpebras maquiadas e lábios coloridos por reluzente e fortes tons de batons.

Xuxa Meneghel, Munique Evans, Luma de Oliveira, Cláudia Raia, Isadora Ribeiro, Luiza Brunet, Valéria Vanenssa e Luiza Thomé eram íntimas das conversas e dos imaginários das moçoilas da nossa comunidade.

Nos quartos das meninas havia pôsteres por todos os cantos. Cadernos com as fotos das musas eram itens obrigatórios nas escolas. Pulseiras, kits de maquiagens e principalmente cortes de cabelos eram imitadas pelas nossas gurias.

Contudo, ninguém em Banco da Vitória “incorporou” tanto o sonho de ser modelo do que Grazi Fredmann. Na verdade, Grazi Fredmann era o nome artístico de Etelvina Alvarenga dos Santos, uma moça magricela, delicada e sonhadora que morava na Rua da Represa, no sopé do Alto da Bela Vista.

Se alguém quisesse arrumar uma briga e ter uma inimiga eterna era só chamar Grazi Fredmann de Etelvina. Nessa ocasião Garzi não respondia nem sobre tortura. Arrebitava o nariz, adiantava os passos no seu andar parecido com os das emas e fugia da ocasião.
Se alguém quisesse ganhar um beijo era só elogiar o “look” do dia que a modelo sonhadora usava.

Na verdade Etelvina, – ou melhor Grazi Fredmann, era uma moça até bonita. Morena dos cabelos escuros. Rosto afinado, olhos morenos, nariz levemente arrebitado, lábios finos, sorriso resplandecente, braços e pernas compridas, seios volumosos, cintura fina, quadris nas medidas das modelos internacionais. Era nossa modelo.

Todas as tardes Grazi Fredmann arrumava um look especial para vestir-se (as vezes com peças emprestadas das amigas também sonhadoras), maquiava-se generosamente e ia desfilar nos acostamentos da Rodovia Ilhéus – Itabuna.

O percurso vespertino de Grazi Fredmann ia das imediações do antigo matadouro municipal de Ilhéus até o convento das freiras.
Grazi ia e voltava andando como se estivesse numa passarela. Acreditava que ali podia ser vista por algum caça-talento e então realizar seus sonhos tão bens sonhados de ser modelo profissional.

Numa tarde de fevereiro, dessas que o sol resolve amolecer o asfalto, ia a sonhadora Grazi Fredmann desfilando no acostamento da pista, em cima das suas sandálias de saltos bem altos e com o seu andar de pés entre pés, quando a pobre moça se deparou com um boi que fugira do pasto da fazenda Victória e corria em sua direção.

Em fração de segundos a nossa modelo de beira de pista, tentou retirar as sandália de saltos altos dos pés e só conseguir retirar de um, e pôs-se a correr feito uma louca, enquanto gritava desesperadamente.
– Socorro!!!!

A magricela corria descalça de um pé só e gritava feito uma louca. O boi enfezado aumentou a correria. Os vaqueiros gritavam e sorriam. Os moradores da beira da pista saíam as portas para ver a cena e a pobre Grazi Fredmann corria e gritava, gritava e corria.
Trezentos metros depois Grazi viu uma porta aberta e invadiu a casa de quem não conhecia. O boi passou rangendo os chifres na sua bunda. Os maloqueiros e biribanos passaram segundos depois sorrindo e zombando da pobre Etelvina, agora caída e desmaiada na sala de dona Iracy Ribeiro.

O boi foi laçado nas imediações do campo do Pacaembu. A pobre Etelvina foi tratada com água com açúcar e depois foi levada cambaleando nos braços dos seus primos para sua moradia. Em uma das suas mãos, o resto da sandália quebrada.

No dia seguinte, Grazi Fredmann não desfilou nos acostamentos da rodovia, em Banco da Vitória. A mesma coisa não aconteceu nos dias seguintes, nas semanas seguintes, nos meses seguintes. A comunidade de Banco da Vitória perdeu a sua modelo vespertina.

Etelvina Alvarenga dos Santos se mudara definitivamente para São Paulo onde tentou ser dançarina de Axé, professora de dança baiana e por fim, arrumou um emprego como secretária em um consultório dentário no bairro de Pinheiros. Quem a encontrava trabalhando neste emprego em São Paulo e com o crachá escrito o nome Telvy Alves nem imaginava está a frente de nossa famosa Grazi Fredmann.

Até hoje o prato preferido de Telvy Alves ou Grazi Fredmann ou ainda Etelvina Alvarenga dos Santos é carne assada. Grazi deve ter suas razões por este peculiar paladar.

– Maldito boi, maldito boi. Sussurra Grazi enquanto mastiga carne assada.

Banco da Vitória em 1955.

BOB38.jpgFoto da abertura da estrada Ilhéus Itabuna, ano 1955. Essa foto foi feita pelo geógrafo Milton Santos e encontra-se no seu livro Zona do Cacau, de 1957. A fotografia foi tirada no sentido Ilhéus para Itabuna, na altura da atual proximidade do ponto de ônibus, (em frente à casa de Bibogo e o restaurante de Pitu). A margem esquerda da pista era totalmente desabitada.

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Barão Von Steiger

ferdinand von steiger fotTexto publicado por Ramiro Berbert de Castro, no Jornal Dom Casmurro de 06/01/1940. Fonte Biblioteca Nacional.
 
Transcrito por Roberto Carlos Rodrigues.
 
“No ano de 1846, precisamente a 8 de novembro, segundo anotações da Suíça na Baia, aportava a capital do Estado, passageiro do vapor “Josephine”, embarcado em Havre (França) o tenente da guarnição de Rei da Prússia. Ferdinand Von Steiger, nascido em 15 de junho de 1825 em Berne (Suíça). Era filho do coronel do exército Albert Von Steiger, de Musssingen, (Suíça) e de D. Carolina Mau Stieger. Residia em Colônia (Alemanha) quando resolveu seguir para o Brasil, obtendo passaporte do governo prussiano a 11 de novembro de 1846.
 
Da capital baiana dirigiu-se a Ilhéus, fixando a sua residência nesse município, adquirindo aí, por comprar, de um colono suíço, uma propriedade agrícola, a Fazenda Vitória, à margem do Rio Cachoeira, pouco acima do arraial do Banco.
 
Desenvolveu a sus propriedade agrícola, construiu um grande solar avarandado, confortável e de atraente aspecto.
 
Casou-se mais tarde com uma ilheensse, d. Amélia de Sá Bithencourt e Câmara, filha de Egydio Luiz de Sá Bithencourt e Câmara, fidalgo, proprietário da Fazenda Esperança, à margem do Rio Itaípe, cavalheiro condecorado com a medalha da Restauração da Baia pele Independência, e tenente-coronel, chefe dp Batalhão de Guardas Nacionais do município da Vila de S. Jorge dos Ilhéus, e de sua esposa D. Ritta Constança de Sá Bithencourt e Câmara.
 
Após o seu consórcio no Brasil, recebeu o título de Barão.
Von Steiger era dotado de viva inteligência, instruído e conhecedor de várias línguas, falando corretamente o alemão, inglês, francês e português. Fez de sua aprazível morada em Ilhéus, um centro de civilização. Todas as notabilidades estrangeiras que visitavam o antigo município do sul baiano encontravam carinhosa acolhida na Fazenda Vitória.
 
O príncipe Maximiliano, Arquiduque d’Áustria, depois imperador do México, foi seu hóspede, com toda sua ilustre comitiva, e janeiro de 1860. Com o Barão Von Steiger e o germânico Henrique Berbert, o arquiduque conheceu o interior de Ilhéus, fazendo estudos de botânica e, ao mesmo tempo, caçando e pescando.
Assim teve o nobre austríaco a ocasião de penetrar nas matas virgens do nosso litoral, passando mesmo alguns dias em um rancho improvisado, que se levantou em meio da exuberante flora tropical da região.
 
Em um dos volumes de sua obra, com o título Matto Virgem, publicada em alemão, descreve minuciosamente a excursão, tendo especial referência a Von Steiger e Henrique Berbert.
 
Outras obras, publicadas na Suíça e na Alemanha, por vários escritores e cientistas, que visitaram Ilhéus, aludem a Fazenda Vitória e ao seu ilustre proprietário, Heinrich Wahra, médico e naturalista, em sua notável obra, Botanische Ergeniasse, publicada em 1960, faz referências, na introdução da mesma, ao fidalgo suíço Von Steiger e o arquiduque D’Áustria, cuja comitiva fazia parte.
 
O Barão Von Steiger exerceu influência predominantes no meio em que se habitou a viver, instalado em uma magnífica propriedade agrícola, naquelas terras dadivosas. Vinculou-se ao solo ilheenses, fez relações e tonou-se um grande amigo dos agricultores, que encontravam nele um conselheiro amável. Era generoso e querido. As portas de sua residência estavam sempre franqueadas à gente simples e bôa de Ilhéus, bem como aos homens de cultura e de alta linhagem que aportavam à Vila, que havia de ser, mas tarde, um dos principais núcleos de civilização e de progresso em nossa terra. Deixou Ferdinand Von Steiger a seguinte prole:
 
1 – Fernando Steiger Junior – nascido em 10 de 1854. Foi educado na Suíça. Falava alemão, francês e português. Casou-se neste páis com sua prima Martha, moça de fina educação e virtudes.
 
Regressando a Ilhéus, instalou-se nas matas das Alegrias e, dentro de pouco temo, fundou uma propriedade modelo, plantando cacau e cereais. Vizinha da Fazenda Paraíso de meu pai, Ramiro Castro, de quem fora sempre amigo, prosperou e ainda hoje, é uma das mais bem organizadas do Município de Ilhéus.
 
Faleceu em 28 de Junho de 1823, sendo sepultado ao lado de seu pai, no Cemitério os Estrangeiros, no CAMPO Santo, da capital baiana. Sua viúva, anos depois, contraiu novas núpcias com um alemão ar. Hermano Lussenhop, de instrução inferior e sem descortino comercial.
 
Com o falecimento de D. Martha, em 11 de novembro de 1939, o ar. Hermano Lussenhop terminado o inventário, vendeu a tradicional fazenda e prédios na cidade de Ilhéus retirando-se para o estrangeiro afim de gozar de uma herança que lhe veio como uma dádiva dos céus.
 
2 – Cherabino Steiger – Nascido em 20 de julho de 1854. Era engenheiro civil, trabalhando muito tempo como técnico da Estrada de Ferro Central do Brasil, onde deixou uma magnífica tradição. Morreu solteiro.
 
3 – Aberto Steiger – nascido em 6 de dezembro de 1858. Era agricultor. Morreu solteiro.
 
4 – Libuça Streiger – nascida em 23 de junho de 1859. Viúva do comerciante João Adami. Não deixou descendentes.
 
5 – Constansa Steiger – nascida em 10 de dezembro de 1860. É viúva do funcionário público Luis Magalhães Castro Junior, que deixou diversos filhos.
 
6 – Júlia Steiger – nascida em 3 de agosto de 1862. É viúva do agricultor UIysses de Sá Bithencourt e Câmara.
 
7- Eugênia Steiger – nascida em 13 de maio de 1864. É viúva de Hermano Braem, que foi gerente da firma C. F. Keller & Cia, e depois sócio de Braem, Wildeberger % Cia, de 1900 a 1902.
Faleceu na Suíça, onde fora a passeio em 1 de janeiro de 1903.
 
8 – Maximiliano Steiger – nascido em 23 de junho de 1866.
Pretendia o Barão Von Steiger ir ao México, devendo ser, aí, batizado pelo imperador Maximiliano I , e jovem a quem dera o nome do seu grande amigo. Não realizou o seu intento por ter em dezembro daquele ano, falecido o pequeno Maximiliano, vítima de meningite, o último dos seus descendentes diretos.
 
Sua esposa d. Amélia de Sá Bithencourt e Câmara Steiger, nascida em 4 de março de 1834, faleceu em Ilhéus em 1889, precisamente a 10 de março, foi sepultada no interior da Igreja do Rio Santana, construída pelos padres do Colégio São Antão de Lisboa, em 1573, onde tinham também os padres do mesmo colégio uma excelente casa e uma próspera fazenda com 300 escravos.
 
Sete anos após, a 13 de maio de 1887, falecia na baia o Barão Ferdinand Von Steiger, tendo sido sepultado no cemitério dos Estrangeiros, onde lhe foi soerguido um mausoléu pelos filhos.”
 
Sobre o autor do texto – Ramiro Berbert de Castro era Médico, Odontólogo, Advogado, Agricultor e Pecuarista e deputado estadual. Nasceu em Ilhéus em 06 de Junho de 1894. Faleceu em 24 de Outubro de 1966. Era filho de Ramiro Ildefonso de Araújo Castro e Libuça Berbert de Castro. Foi casado com Elvira Augusta de Carvalho Brito e Castro.

Maionese com Farinha, era assim que se comia em Banco da Vitória.

maionese_de_batataPor Roberto Carlos Rodrigues.

O molho à base de azeite, ovos e sal, inventado pelo cozinheiro francês do Duque de Richelieu em 1756, demorou 218 anos para aparecer nas bandas do Rio Cachoeira. Na França setecentista o nome do molho era Mahonaise. Em Nova Yorque, em 1905, o alemão Richard Hellman, industrializou a receita e ficou milionário. Em Banco da Vitória a tal maionese, nos anos setenta do século passado, foi introduzida no cardápio do nosso povo pardo, por dona Lia Araújo, em um dos seus cursos de culinária. Em nossa comunidade a preferência era comer maionese com farinha.

Pedaços de cenoura, batata e chuchu picados e cozidos recebiam depois aquele creme alvo como cobertura e virava comida de gente metida a besta. Maionese combinava com frango assado ou cozido e macarronada. Diziam os tais. Ambos, comidas de dias de domingo ou quando tinha visitas em casa.

No começo, criou-se uma regra culinária que devia ser seguida à risca e por conta disso muitas esposas brigavam com os maridos e com as crias dizendo: “maionese não se come com farinha. Isso é coisa de gente sem instruções”.

Por este motivo quase teve uma guerra de sexo em Banco da Vitória. Afinal, querer tirar a farinha de mandioca – que combinava com tudo que se põe à mesa -, do prato da nossa gente foi quase uma heresia.

Por este motivo, menino que almoçava na casa alheia e colocava farinha na maionese, apanhava quando voltava para casa.
– Quer me envergonhar, seu pestinha. Dizia a mãe com a bainha de facão na mão – você não sabe que maionese não se come com farinha? Ameaçava a genitora.

Por este motivo, o povo de Banco da Vitória fez uma escolha culinária: entre a maionese e a farinha. O molho francês perdeu feio.

Já que não podia colocar farinha na maionese. Ninguém gostava de maionese. Já a farinha, se comia até com lágrimas.

Hoje maionese é molho comum e se encontra em qualquer prateleira de qualquer quitanda. Entre comer farinha e maionese, muita gente prefere essa última. Eu fico com a primeira.

Agora naqueles tempos, ser rebelde na casa dos outros não era apenas comer maionese com farinha. Para ser promovido na escala da rebeldia, o adolescente esfomeado tinha de colocar azeite de dendê na macarronada. Nesse caso a surra era dobrada. Mais valia a pena. Afinal maionese e macarrão não combinavam com farinha nem com dendê. Vixe! Por isto, nunca prestaram. Isso, para muita gente acostumada com o feijão adubado de Banco da Vitória e com a fatada cozida nas beiradas do rio Cachoeira.

Na verdade, maionese era e é um molho muito metido a besta. Combina com muitos pratos, mas não combina com farinha de mandioca. Por isso não combina com a nossa gente.

Em Ilhéus, Pontal, Rio do Braço e Banco da Vitória tem histórias para contar.

DSC_0017.JPGSegundo o IBGE, 72 bairros, distritos e localidades compõem o município de Ilhéus (BA). No ano de 2016, segundo essa mesma fonte, a população da cidade era de 178.210 habitantes.

Quando o assunto é história a cidade de Ilhéus tem vastos e precisos documentos e livros que relatam sua trajetória desde o ano de 1535, quando se iniciou a ocupação da capitania de São Jorge dos Ilhéus, até os dias atuais.

Contudo, as histórias dos bairros ilheenses são poucas conhecidas ou raramente relatadas. Isso quando, oficialmente.

Além da sede do munícipio, temos relatos históricos genéricos descritos por João da Silva Campos no livro Crônicas da Capitania de São Jorge dos Ilhéus (1936), das ocupações das localidades de Olivença, Outeiro de São Sebastião, São João da Barra do Pontal, Rio do Engenho, margens do Rio Cachoeira, Lagoa Encantada e região das antigas sesmarias da Esperança, Victória e do Iguape.

José Nazal Soub faz no livro, Minha Ilhéus (2005), um excelente resgate histórico da cidade. Principalmente pelos registros fotográficos e documentais.

Maria Luiza Heine, em Ilhéus, uma cidade 50 anos depois, faz uma excelente descrição prosaica do município.

Afora isso, das 72 localidades, distritos e bairros de Ilhéus apenas três tem livros descrevendo suas trajetórias e histórias. O primeiro bairro ilheense que teve sua história contada foi o Pontal, no primoroso livro Pontal Ontem e Hoje, de José Rezende Mendonça. Temos também o livro Rio do Braço, de Osman Matos e, ultimamente, o bairro de Banco da Vitória teve sua história descrita no livro Banco da Vitória – A História Esquecida, de Roberto Carlos Rodrigues (2015).

Vemos então pelo exposto, que a cidade de Ilhéus está em grande débito para com as histórias dos seus bairros, distritos e localidades.

Localidades seculares de Ilhéus como Olivença, Iguape, Lagoa Encantada, Maria Jape, Inema, Cururupe não tem descritivos históricos. A mesma situação se ver com as localidades mais novas como os bairros do Malhado, Teotônio Vilela, Nossa Senhora da Vitória, Salobrinho etc.

Se a prefeitura de Ilhéus quisesse, bem que poderia publicar um livro com o título História dos Bairros de Ilhéus. Por certo, o departamento de História da UESC e diversos renomados historiadores ilheenses poderiam contribuir e coordenar os trabalhos, bem como a publicação de uma excelente obra.

Mas como preservação histórica parece não ser hábito governamental de Ilhéus, não podemos esperançar nessa proposta. A outra opção é a busca da iniciativa privada para alimentar o sonho dessa obra.

Por enquanto, em Ilhéus, apenas os nativos do Pontal, Rio do Braço e Banco da Vitória podem apresentar suas histórias descritas em livros.

Os demais bairros de Ilhéus orbitam apenas no imaginário da história dessa cidade sul baiana.

A cidade de Ilhéus precisa rever essa situação e colocar as histórias dos seus bairros, distritos e localidades no bojo da sua bela e deslumbrante história.

Como Chegar em Banco da Vitória

banco logoComo Chegar em Banco da Vitória – Ilhéus – Bahia.

No município de Ilhéus, o bairro de Banco da Vitória se situa entre o rio Cachoeira e os três montes ao noroeste (Alto Santa Clara, Alto da Bela Vista e Alto da Mata da Rinha, (onde se encontra a Invasão do Iraque). Todos esses montes têm coberturas remanescentes da Mata Atlântica e fazem divisa com a Reserva Florestal da Mata da Esperança.

O acesso convencional ao Banco da Vitória ocorre pela Rodovia Jorge Amado (BA 415) que interliga as cidades de Ilhéus e Itabuna e corta esse bairro de Ilhéus. A localidade de Banco da Vitória dista 6 quilômetros de Ilhéus e 19 quilômetros de Itabuna.

De veículo, saindo do centro de Ilhéus, gasta-se em média 15 minutos para chegar ao Banco da Vitória. Diversas linhas de ônibus passam pelo Banco da Vitória, inclusive o ônibus municipal de Ilhéus que tem como ponto final o bairro de Salobrinho.

O Banco da Vitória fica localizado a 8 quilômetros do bairro de Salobrinho, onde está instalada a UESC (Universidade Estadual de  Santa Cruz) e a 16 quilômetros da sede nacional da CEPLAC –  (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira).

Ao Leste a localidade faz divisa com o bairro Teotônio Villela e ao oeste com o distrito de Vila Cachoeira. Ao Norte a divisa é com o bairro do Iguape e ao Sul, com o rio Cachoeira.

Pode-se também chegar ao Banco da Vitória navegando pelo Rio Cachoeira. O percurso é o seguinte: adentrando a foz da baía do Pontal (Coroa Grande, formada pelos encontros dos rios Itacanoeira, Cachoeira e Santana) em Ilhéus, as embarcações pequenas podem seguir a ‘entrada do meio’ e chegar ao Rio Cachoeira. Navegando o rio a cima, passa-se pela antiga localidade chamada Golmeira (atual bairro Teotônio Villela). Um pouco acima atravessa a Fazenda Porto Novo e por fim se chega ao Banco da Vitória. A partir deste ponto o Rio Cachoeira não é mais navegável.

Saindo de Banco da Vitória tem ainda diversas estradas rurais. Uma inicia na ponte sobre o Rio Cachoeira (atrás do Convento das Freiras) e passa pelo povoado de Maria Jape, onde se tem uma derivação para o Rio do Engenho e a Alta Demanda (fazendas da região do distrito de Cachoeira).

Outra estrada se inicia no final da Rua São Pedro e ruma para a Fazenda Victória. Antes desta propriedade, logo após o cemitério da comunidade, tem um desvio a direita, rumando para o alto da Santa Clara. Aí, essa derivação encontra com outra estrada que se inicia no alto da Bela Vista. A partir desse ponto, uma estrada alcança a Represa do Iguape e depois a Rodovia Ilhéus Uruçuca.

Por último, outra estrada se inicia na Rua da Represa, no meio sopé do Alto da Bela Vista, circunda parte do Alto do Iraque e alcança a Mata da Rinha e depois a Mata da Esperança.

Saindo de Banco da Vitória em direção a Ilhéus se encontra a famosa Bica da Água Boa, local preferido pelo escritor Jorge Amado para apreciar o Rio Cachoeira. Mas a frente é possível conhecer a centenária Fazenda Porto Novo, onde se faz turismo ecológico e se conhece plantações de cacau orgânico.

Em Banco da Vitória é possível saborear diversas iguarias da culinária regional como as saborosas moquecas de peixes e camarões e pitus aferventados. Há também na localidade diversas churrascarias e vários bares. Além disto, vendem-se ao longo da rodovia frutas regionais e principalmente os famosos cocos gelados. Encontram-se também nessa localidade diversas casas de artesanatos e produtos naturais.

Em Banco da Vitória, comi pontos de visitações recomenda-se a visitação a Bica da Água Boa, o antigo porto do Jenipapo, a Pedra de Guerra, o cruzeiro da Rua Dois de Julho, a ponte sobre o Rio Cachoeira, A ladeira do Alto da Santa Clara (Descansa Caixão), a histórica Fazenda Victória, o Convento das Freiras, a Creche, os seminários católicos, a escola Daniel Rebouças, a Fazenda Pirataquisé e a Fazenda Aliança.

Pode-se também entrar na localidade e conhecer a Rua Aldair, bem como conhecer a casa onde o jogador da Seleção Brasileira de Futebol nasceu. Na Praça Guilherme Xavier tem a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e o famoso Clube Social. Pode também conhecer o campo de futebol da localidade, A Rua dos Artistas, Rua Dois de Julho e o Grupo Escolar Herval Soledade. Atrás deste, se localiza o Campo do Pacaembu.

Livro Banco da Vitória – 2ª. Edição. Reservas e encomendas de exemplares.

Modelo da capa.jpgA segunda edição do livro Banco da Vitória – A História Esquecida das Margens Vitoriosas do Rio Cachoeira, já está disponível para encomendas e reservas de exemplares, que serão entregues em 31 de março de 2017, em Banco da Vitória.
 
A nova versão do livro tem 170 páginas e foram incluídos 6 novos capítulos, bem como 44 fotos antigas.
 
A tiragem é limitada a apenas 200 exemplares. Portanto, se você quiser obter um exemplar deste livro, deve, em Banco da Vitória, fazer a encomenda com Cremilda Santana ou Jair Rodrigues.
 
Pela Internet, você poder fazer sua reserva por este link: https://goo.gl/DM7Ghn e pagar com o cartão de crédito.
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O preço do livro é o mesmo da 1ª. Edição. R$ 30,00 e pode ser parcelado no cartão de crédito em até 6 vezes.
 
Observação: só garantimos a entrega dos exemplares reservados e pagos dentro do limite da tiragem (200 exemplares) e do prazo supracitado. Portanto, para garantir o seu exemplar é necessário que você faça o pagamento no ato da reserva e não no dia da entrega.
 
Conheça o sumário do livro Banco da Vitória:
 
1 – Agradecimentos 4
2 – Apresentação 8
3 – Banco da Vitória – A primeira capital do cacau. 13
4 – Banco da Vitória, à sombra da história da Capitania de São Jorge dos Ilhéus 16
5 – Nas Margens do Rio Cachoeira 29
6 – Antes dos Portugueses 39
7 – A influência dos povos africanos em Banco da Vitória 50
8 – A colonização europeia em Banco da Vitória 59
9 – A colonização dos retirantes nordestinos 62
10 – As primeiras explorações da região de Banco da Vitória 65
11 – A Trilha do Banco 73
12 – Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger: O Barão de Banco da Vitória. 76
13 – A Visita do Príncipe Maximiliano ao Banco da Vitória. 80
14 – A Sesmaria e a Fazenda Victória 83
15 – A origem do nome de Banco da Vitória 92
16 – A Rainha (ou princesa) da Fazenda Vitória 96
17 – O Porto do Jenipapo e o desenvolvimento de Banco da Vitória 102
18 – Os ciclos de desenvolvimento do Banco da Vitória 108
19 – Os Tempos Áureos do Cacau e o desenvolvimento de Banco da Vitória 111
20 – Banco da vitória – A vila que quase virou cidade 123
21 – A estrada Ilhéus – Itabuna e o Declínio de Banco da Vitória 127
22 – O Bairro de Banco da Vitória 132
23 – Alternativas de desenvolvimentos sociais para o Banco da Vitória 136
24 – Os “bairros” de Banco da Vitória e suas referências geográficas 138
25 – Crônicas de Banco da Vitória 144
26 – As Sementes das nossas vitórias 149
27 – Conclusão 154
28 – CEP’s e Ruas da região do bairro de Banco da Vitória 156
29 – Referência históricas de locais e imóveis em Banco da Vitória 159
39 – Referencias locais antigas: 160
31 – Referências Oitivas 162
32 – Referências bibliográficas 163
33 – O Autor 165
 
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Texto descritivo:
 
O Banco da Vitória é uma das localidades mais antigas do Sul da Bahia. Sua ocupação se iniciou no meado do século XV, quando do desbravamento da Capitania de São Jorge dos Ilhéus (BA). Devido ao trecho navegável do rio Cachoeira entre a sede da antiga vila de São Jorge dos Ilhéus e a localidade, por estas terras estiveram padres jesuítas, desbravadores e bandeirantes portugueses, bem como diversos estudiosos europeus.
 
Antes da ocupação portuguesa, a região de Banco da Vitória era disputada por índios Tupiniquins e Aimorés, devido seu caráter religioso para estes povos.
 
Por mais de quatro séculos essa localidade ilheense foi passagem obrigatória para os desbravadores, plantadores de cacau e fundadores de localidades e cidades que surgiram na região Cacaueira do Sul da Bahia.
 
Nas terras de Banco da Vitória foi implantada a secular Sesmaria Victória, depois transformada em fazenda nos anos oitocentistas, onde também havia um dos maiores agrupamentos de escravos africanos no estado da Bahia.
 
Por muitos anos o porto fluvial do Banco da Vitória, chamado de Porto do Jenipapo, foi um dos mais movimentados do estado da Bahia, por onde circulavam centenas de embarcações. No início do século XX o Banco da Vitória tinha ares de cidade e foi depois chamada de a primeira capital do cacau, pelo geógrafo Milton Santos, no livro Zona do Cacau.
 
O Banco da Vitória foi um importante ator na construção da Região Cacaueira do sul da Bahia. Depois, teve o seu desenvolvimento ofuscado pelas crises que assolaram a cultura do cacau.
 
Este livro descreve a história dessa comunidade ilheense ao longo dos séculos e tenta, dentro do possível, restaurar sua importância para o desenvolvimento do município de Ilhéus e a formação da região cacaueira do sul da Bahia.
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A lei de Rita Sassarica.

foda-se-pePor Roberto Carlos Rodrigues.

Naqueles tempos ninguém conhecia Maria da Penha Maia Fernandes e bater em mulher era coisa corriqueira nas bandas do rio Cachoeira. Os falsos machistas diziam que batiam sem saber, mas as mulheres sabiam porque estavam apanhando. Por essa desgraçada ordem, algumas mulheres viviam com as bocas machucadas, costas marcadas de “pano de facão”, dedos quebrados, dentes moles. De vez em quando uma Maria corajosa colocava óleo quente no ouvido do marido agressor, (futuro defunto) e o brabão ia para os quintos dos infernos. Mesmo assim, nesse jogo de violência o placar dos homens estava sempre dez mil a zero. As mulheres sempre perdiam.

Mas como sempre não é eterno, um dia as coisas mudam. E mudaram em Banco da Vitória.

Era onze horas da manhã de uma segunda-feira do outono de 1974 quando se ouviu os pipocos na Rua de Trás. Três tiros de trinta e oito. Sons de balas novas, pólvora virgem, chumbo em alma de fogo.

Correm os vizinhos para a origem dos tiros. Acodem a mulher com o trabuco fumegante nas mãos, o morto, ainda quente caído no corredor. Dois tiros nos peitos e no telhado furado pela terceira bala a luz do sol do quase meio dia entrava e marcava a cozinha com um facho de luz, tão alvo, quase azul celestial.

Uns mexem no morto para ver alguns sinais de vida. Desistem logo. Outras consolam a assassina. Tiram a arma ainda quente das suas mãos. Dão-lhe um copo com água. Acomodam-na numa cadeira. Enxugam o sangue que sai da sua boca roxa, fruto dos murros do marido, agora morto e inerte.

– Um dia a gente cansa. – Um dia a gente cansa. Repete a assassina.

É Rita de Cássia, filha de Antônio Domingos e Dona Naldinha. Casada com Gregório Militão, capataz da Fazenda Alvorada, chefe de mais de 50 homens e ordens de todos os tipos e calibres.

As crianças estavam na escola na hora dos tiros e não puderam ver o pai caído no corredor, nem a mãe sendo presa pelo cabo Aristides e o soldado Juvenal.

– Eu sabia que isso um dia ia acontecer. Falou a vizinha da esquerda. – Mulher de coragem, cansou de apanhar. Retrucou a outra vizinha.

O enterro foi no dia seguinte. O capataz brabão tomou barro na cara no mesmo horário que Rita de Cássia prestava depoimento na delegacia de Ilhéus.

Delegado zangado, voz rouca, dono de um bigode preto, igual uma lagarta de fogo, e dentes manchados de nicotina, de nome Dr. Aristeu Cardoso. Perguntou o delegado a assassina:

– Matou seu marido porque dona Rita de Cássia?

– Cansei doutor. Cansei de apanhar, um dia sim um dia não caia no pau. Quatro surras por semana não é boa coisa não. Agora ele não bate mais em ninguém.

– A senhora já tinha dado parte dele? Perguntou o delegado Dr. Aristeu Cardoso, olhando para o escrivão que redigia o depoimento. Era o magricelo João de Athayde, veterano dos carteados e amantes dos conhaques importados.

– Dar parte para quê? Para apanhar ainda mais? Para ser zombada pelos senhores da polícia? Não carece de parte não. Disse a mulher olhando as marcas das algemas nos seus pulsos morenos.

– Já que a senhora diz que apanhava há tanto tempo, porque resolveu matar seu marido logo ontem? Perguntou o delegado alisando o bigode.

– Na verdade, seu doutor não era de hoje que eu pensava em matar aquele desgraçado. Já vinha com isso a muito tempo na cachola. Mas sempre tirava isso da cabeça. Mas ontem foi demais. Eu estava sozinha em casa, meninos na escola, o desgraçado no eito do mundo, eu sem ter muito o que fazer. Resolvi esquentar minha perereca, pois o brabão não era bom da cama. Dava uma por semana, olhe lá! Subia em cima de mim feito um animal. Metia com raiva e gozava logo. Depois dormia feito uma cascavel. Eu ficava na vontade. Ontem resolvi bater uma siririca para aliviar as tensões. Quando eu estava no bem bom aparece o homem na porta do quarto. Já gritando, o que é isso? O que é isso? Tá faltando homem aqui em casa?  Não deu nem tempo de eu arrumar a calçola. Ele subiu em cima de mim e começou a me bater, bater e bater. Aí eu corri, fugi dele. Fui até o armário peguei o revolve e sentei o dedo. O resto o senhor já sabe.

Uma hora depois, no restaurante Flor do Cacau, na Praça Cairu, o Delegado Dr. Aristeu almoça junto ao policial José Umberto e o escrivão João de Athayde, quando fala:

– Umbertinho, você precisa ver a qualidade da morena jambo. Trinta e poucos anos, toda torneada. Peitos duros, bunda grande, boca carnuda, olhos miúdos, cabelos pela cintura. O miserável do marido morredor em vez de socorrer a esposa siririqueira com uma foda de dar nó no pau, não, resolve bater na mulher porque ela bateu uma siririca. Veja o que deu. Morreu e a assassina agora está aí deixando a cadeia doida e alvoroçada. A nega é toda boa. Boa não, é ótima. Otimissíma.

O delegado Cardoso pigarreou e diz:

– Não fica muito tempo presa não. Tem muita gente para depor a favor dela. Apanhava demais. Se julgada, vai ser legítima defesa. O marido que se fudeu. Morreu com o pau mole. Concluiu.

Quinze dias depois Rita foi solta. Respondeu o processo em liberdade. Foi depois julgada e absorvida. Não voltou a morar em Banco da Vitória. Foi morar em Inema, era manteúda de Dr. Clóvis Dantas, seu advogado de defesa. Uma vez por semana o advogado ia até Inema, correr suas roças e aproveitava para dar uma trepada bem dada com Rita de Cássia. Nos demais dias quem azeitava a xoxota de Rita Sassarica era o magricela Arisvaldo Costureiro. Arisvaldo dizia que dava três sem tirar de dentro. Verdade ou não, Rita Sassarica vivia sorrindo pelas ruas de Inema. Devia ter seus motivos. Mas isso já uma outra estória.