A Tragédia de Banco da Vitória.

Por Roberto Carlos Rodrigues.

Por certo, um dos dias mais triste da história de Banco da Vitoria, foi 17 de maio de 1961. Neste dia morreu carbonizada num interior de uma Kombi (que fazia transporte entre Ilhéus e Itabuna), a jovem Perpétua Marques. A professora Perpétua tinha terminado seu turno de ensino na recém-inaugurada Escola Herval Soledade e se dirigia com sua colega Dalva para o Centro de Ilhéus, onde moravam. Elas pegaram o meio de transporte rodoviário em frente ao antigo Matadouro Municipal de Ilhéus e poucos metros à frente, nas imediações da atual Bica da Água Boa, o veículo se envolveu em uma batida frontal, pegando fogo e carbonizando a professora Perpétua, que ficara presa a ferragem do veículo.

Neste acidente, algumas pessoas se machucaram. Contudo, a professora Perpétua foi a única vítima fatal.

Era pouco mais do meio dia quando aconteceu o acidente fatal na Rodovia Ilhéus Itabuna e naquela tarde de outono morno nas plagas das margens do Rio Cachoeira, a comunidade de Banco da Vitória chorou a morte da linda e deslumbrante “professorinha Perpétua”, como era carinhosamente conhecida na localidade.

PERPÉTUA-MARQUES-204x300Perpétua Chagas Marques era natural da cidade de Poções, região sudoeste da Bahia (tinha nascido em 21 de agosto de 1943 e morreu com apenas 18 anos de idade). Era uma dos 8 filhos(as) do casal José Nonato Marques (Cavalariano) e Dona Doralice Chagas Marques.

A professora tinha chegado a Ilhéus em 1953, com apenas 10 anos de idade. A moçoila Perpétua estudou na Escola Santa Cecília da Professora Uzuleica Silva, no Colégio General Osório e depois fez o curso de magistério no Ginásio Municipal de Ilhéus, (atualmente chamado de Instituto Municipal de Ensino Eusinio Lavigne – IME).

bica

Bica da Água Boa – Rodovia Jorge Amado (Banco da Vitória).

A professora Perpétua Marques era naquela época uma das moças mais bonita e inteligente da cidade de Ilhéus. Tinha o porte físico bem definido para uma moça na flor da juventude. O rosto era reluzente e de cútis clara, o nariz levemente arrebitado, olhos azuis, quase em tons marinhos, lábios carnudos e nestes, um sorriso resplandecente e cativante. A cabeleira era amorenada, farta e delicadamente muito bem arrumada.

A jovem Perpétua era um verdadeiro símbolo da juventude Ilheense e desfilava beleza e carisma por onde passava. Seus hobbys preferidos eram dançar, ir ao cinema nas tardes de domingo, nadar nas praias ilheenses e tirar fotografias (ser fotografada).

perpétua.jpgA jovem professora Perpétua não tinha ainda terminado o magistério quando faleceu em 1961. Mas exercia a profissão de professora com maestria e esmero. Além de atuar como professora e educadora a jovem Perpétua também atuava ocasionalmente como tradutora do idioma inglês, o qual conhecia fluentemente.

A morte trágica da linda, inteligente e cativante professorinha Perpétua abalou profundamente a comunidade de Banco da Vitória, onde os alunos da Escola Herval Soledade, choraram por dia e mais dias o passamento da promissora mestre em pedagogia.

A notícia deste trágico acidente repercutiu em toda a cidade de Ilhéus e foi notícia em vários jornais de Ilhéus, Itabuna, Salvador e até mesmo na antiga capital da república, a cidade do Rio de Janeiro.

Na época do acidente fatal, a professora Perpétua morava na Praça. J. J. Seabra (onde hoje se encontra a escola da 1ª Igreja Batista).

Dias após o sepultamento da professora Perpétua, seus familiares e amigos fincaram uma cruz de madeira no local do trágico acidente (bem em frente a Bica da Água Boa) e ali depositaram flores e velas acessas. Por alguns anos alguns moradores de Banco da Vitória renderam homenagens póstumas à professora Perpétua no local do seu passamento (sempre as quartas-feiras, dia do trágico acidente). Nessas ocasiões o mato era retirado do pé da cruz de madeira e flores eram ali depositadas, bem como velas eram também acessas.

No ano de 1967 a Prefeitura Municipal de Ilhéus fez uma homenagem a professora Perpétua Marques, dando seu nome a uma escola que funcionava ao lado do Instituto Municipal de Ensino (I. M. E.), conhecida até hoje como uma das mais importantes da cidade, devido a qualidade do seu ensino. Inicialmente essa escola funcionava na Av. Canavieiras e era conhecida como a “escolinha de vidro” por conta de suas janelas envidraçadas. Atualmente a escola Perpetua Marques funciona na Praça Florêncio Gomes, nº 28, no bairro da Cidade Nova, (antiga Biblioteca Municipal e ex-Secretaria Municipal de Educação) e é uma referência municipal em Educação Infantil.

Perpetua 1

Atual Escola Perpétua Marques

Infelizmente, em Banco da Vitória, algumas escolas municipais têm nomes de políticos ilheenses e nenhuma chama-se Professora Perpétua Marques.

A jovem professora que perdeu sua vida no exercício da nobre profissão de ensinar devia ser sempre lembrada e homenageada em Banco da Vitória, onde a data de 17 de maio devia se chamar Dia Professora Perpétua Marques.

A morte precoce da bela, carismática e competente professora Perpétua Marques deixou órfão a comunidade de Banco da Vitória. Órfão para sempre.

Fontes:  foto e artigo de Alfredo Amorim, publicados no site http://www.r2cpress.com.br; site da Escola Perpétua Marques e oitivas de moradores de Banco da Vitória, publicadas no livro Banco da Vitória – A História Esquecida – Segunda Edição – 2016.

Ouça aqui: http://rcrodrigues.podbean.com

perpétua.jpg

7 respostas em “A Tragédia de Banco da Vitória.

  1. Importante relembrar o exemplo e carisma de uma jovem educadora daqueles idos. Parabéns à inciativa de homenagear quem tombou no exercício na nobre missão de educar dando seu nome à escola.

  2. Meu comentário não apareceu:
    Importante relembrar o exemplo e carisma de uma jovem educadora daqueles idos. Parabéns à inciativa de homenagear quem tombou no exercício na nobre missão de educar dando seu nome à escola.

  3. Nasci em Itabuna, fui criado em Ilhéus e não conhecia esse triste fato ocorrido com a nobre professora cuja vida foi ceifada num trágico acidente em pleno dever do seu trabalho. O distrito de Banco da Vitória deveria se chamar Professora Perpétua Marques.

  4. BANCO da VITORIA mora no meu coração a lhe morou meus avos minhas saudades eternas, morava na praça GUILHERME XAVIER ,antigo chafariz
    onde meu pai viveu e foi criado com suco e mel de cacau por muitos anos hoje com 80 anos com saúde e vigor
    PARABÉNS AMIGO DO BLOG BANCO DA VITORIA

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