Sabores de Banco da Vitória – Quiabada

Por Roberto C. Rodrigues
 
A quiabada de Banco da Vitória é um prato para todas as ocasiões e paladares. Não existem segredos no seu preparado e ele serve como comida para todas as idades, principalmente, para quem não têm dentes, como crianças pequenas, velhos(as) das bocas murchas ou então, para quem tem pressa.
 
Os ingredientes são fáceis de serem encontrados nas vendas locais. Porém, o preparo deste prato requer algumas sequências que garantirão o gosto especial dos quiabos adornados de carnes e temperos.
 
Primeiro, corta-se o músculo bovino em cubos, lava-os em água de limão balão e em seguida tempera-o com pouco sal, pimenta-do-reino, cominho e corante. Por ser uma carne muito dura, o músculo é o primeiro que vai para a panela. Ao lado do fogão a lenha, pedaço de jabá dessalgados na noite anterior, aguardaram o momento de entrarem em cena.
 
Os quiabos taludos e de um verde da cor das mariposas ali chamadas Esperanças, são lavados em água corrente e depois são cortados em filetes da grossura dos dedos. Na mesma tábua de carnes são cortadas as cebolas, os tomates e três dentes de alhos. Neste prato não vai o pimentão, pois, pode amargar o caldo.
 
Meia hora depois de fogo brando, é hora de colocar os pedaços de carne de jabá na panela e esperar por mais trinta minutos. Neste período, o cheio do cozido já ultrapassou os limites da casa e atiça a fome nas redondezas.
 
O músculo bovino já amolecido, e a gordura da jabá já incorporada ao caldo, é hora de colocar na panela os 77 quiabos cortados e os demais temperos picotados. Mexe-bem a panela, prova-se e corrige-se o sal e quando o caldo borbulhar em sinais de fervuras, espreme-se um limão-galego ou balão, para evitar a goga do prato.
 
É neste instante que entram os últimos ingredientes especiais: o azeite de dendê rega a panela em doses fartas. Três mãos de camarões secos são salpicados, junto as molhes picados de coentros, salsas e cebolinha verdes. Mexe-se levemente a panela, tampa e retira-se imediatamente do fogo.
 
O prato está pronto para ser degustado e terá como acompanhamentos o arroz banco, a farinha de mandioca e o molho de pimentas malaguetas.
 
Os metidos a besta comem goiabada com garfo e faca. Já o povo moreno das margens do rio cachoeira come o cozido babento com colher. Os profissionais na arte de comer, misturam tudo com farinha. Faz uma bola com os dedos e come “de mão”.
 
Por seu um alimento de fácil digestão, repetir o prato da quiabada não é o pecado da gula. É apenas precaução alimentar.

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