Nas margens da Rodovia Jorge Amado, mais de 50 anos de história do antigo depósito da Fazenda Victória.

kaurfmanMuita gente que passa pela Rodovia Jorge Amado, nem percebe em Banco da Vitória, um velho prédio cinquentenário localizado a margem direita dessa Rodovia e a esquina da Ruinha. Esse imóvel foi um dos depósitos de cacau da Fazenda Victória, onde também funcionou um pequeno escritório dessa empresa, que controlava neste imóvel, os caminhões que desciam com cargas direcionadas para a fábrica de chocolate dos Kaufmann, no Centro de Ilhéus.

Neste local também funcionou um famoso restaurante nos anos 80. Depois o prédio foi ocupado por diversos tipos de comércios. Hoje o imóvel repousa silencioso.

Este imóvel viu o apogeu da lavoura cacaueira nos anos 60 e 70 e depois a derrocada dessa lavoura provocada pela vassoura de bruxa, a partir de 1989.

Quando você passar em frente a este imóvel, renda-o homenagem. Ele tem mais história que muitos prédios erguidos às margens da Rodovia Jorge Amado e não sabe por mais quanto tempo ficará aí, como guardião de parte da nossa memória.

Como Ilhéus não prima por preservar seu patrimônio histórico, não tomemos como surpresa se neste local não surja, muito em breve, mais um empreendimento comercial.
Como seu primo, o prédio do antigo matadouro de Ilhéus foi demolido sem cerimônia de adeus, como imaginar outro destino para este imóvel?

Em outra cidade, este imóvel seria um pequeno museu da Sesmaria e Fazenda Victória. Outras cidades, em outros ares, como o patrimônio histórico de Ilhéus, viveriam apenas de turismo. E todas seriam prósperas.

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Festa de Santos Reis em Banco da Vitória

folia-de-reisPor Roberto Carlos Rodrigues.

Agora, 06 de janeiro passa mudo e esquecido em Banco da Vitória. Poucos dos atuais moradores sabem o que significa esta data no nosso calendário. Outrora, nesta data se festejava os Santos Reis. Algumas pessoas chamavam a festa de Folias de Reis, outros, de Reisados. Em Banco da Vitória a Festa dos Santos Reis fechava os festejos natalinos do ano anterior.

Nesta data tinha Reisados na Rua da Represa, na União, na rua do Campo e na casa de Dona Romana, na Rua da Bica (Atual Duque de Caxias).

Os três reis Magos eram festejados em toda a comunidade e nesta ocasião os Ternos de Reis desfilavam pelas ruas e o festejo se concluía na igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde a missa dos Reis Magos selava a tradição católica.

Os festejos dos Ternos de Reis iam de casa em casa cantando músicas em louvor aos Santos Reis e benzendo os lares.

A Festa de Reis de Banco da Vitória servia também como abertura dos festejos católicos da comunidade. Por conta disso, logo após os festejos dos Reis Magos se iniciavam os preparativos para a festa de São Sebastião, no dia 20 de janeiro.

Agora, 06 de janeiro passa mudo e esquecido em Banco da Vitória e em 20 de Janeiro não se ver mais as canoas enfeitadas descendo o rio Cachoeira, rumando para Ilhéus, onde se festeja seu padroeiro

Deste passado tão distante, restaram apenas saudades e nada mais.

Os Ternos de Reis se dissiparam nas espumas do tempo. Ficaram esquecidos. Agora em Banco da Vitória se festeja apenas o Arrocha e o Funk. Ambos pagãs.

Quando o Banco da Vitória virou as costas para o Rio Cachoeira.

Por Roberto Carlos Rodrigues.

livro banco da vitória - CópiaQuem passa pela comunidade de Banco da Vitória, pela Rodovia Jorge Amado, e ver as casas e comércios que atualmente adornam as duas margens dessa rodovia, acredita que o rio Cachoeira fica nos fundos da localidade. Geograficamente isso ocorre. Mas, nos primórdios da fundação dessa secular localidade sul baiana, as ruas e as casas de Banco da Vitória ficavam de frente para este rio.

O atual bairro de Banco da Vitória é uma das localidades mais antigas do Sul da Bahia e a sua ocupação ocorreu no final do século XV, quando do desbravamento inicial feito pelos portugueses na antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus.

Segundo o historiador João da Silva Campos, em Crônicas da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, a ocupação das margens do rio Cachoeira teve início na década de cinquenta dos anos quinhentistas. É desse período a abertura de uma picada a margem esquerda do rio Cachoeira que, léguas acima, iria encontrar o assentamento jesuítico da localidade das Árvores ferradas (atual bairro de Ferradas, em Itabuna).

O tosco caminho feito pelos desbravadores portugueses se iniciava na atual localidade de Banco da Vitória e ia até Ferradas. Neste ponto a Trilha do Banco se encontrava com a estrada aberta pelos jesuítas que interligava a Vila de Nossa Senhora das Escadas de Olivença (atual Olivença) à Ferradas.  

A partir dali essa estrada se chamava Caminho do Sertão, passava pela Palestina (atual Ibicaraí) alcançava o Planalto da Conquista, cortava todo o sudoeste do estado da Bahia até encontrar as terras distantes de Minas Gerais.

Segundo Silva Campos, os jesuítas e desbravadores portugueses criaram diversas localidades ao longo do Rio Cachoeira, como Tanguape, Mariape (Atual Região de Maria Jape), Banco do Furtado, (localidade próxima ao atual Banco da Vitória), Pirataquicê, Cachoeira de Itabuna etc.

Inicialmente o Banco da Vitória ficava de frente para o Rio Cachoeira e sua primeira rua se Chamava Trilha do Banco. A Trilha do Banco se iniciava nas proximidades da atual escola Herval Soledade, margeava a atual rua Dois de Julho, os fundos da Praça Guilherme Xavier e a Travessa da Rua Aldair. A partir deste ponto o caminho margeava o Rio Cachoeira.

As primeiras cabanas e depois casas de moradias foram erguidas na margem da Trilha do Banco e ficavam todas de frente para o Rio Cachoeira.  Isso perdurou até o meado do século XIX quando foi implantado o Porto do Jenipapo que ficava na atual Rua Dois de Julho (bem em frente a atual quadra de esportes). Naquela época a trilha do Banco mudou de nome e se chamava Rua do Porto.

No final do século XIX e início do século XX o Porto do Jenipapo era o maior porto fluvial do Sul da Bahia e por ele eram escoadas milhares de toneladas de cacau. Nessa época, o povoado de Banco da Vitória tinha um comércio pujante e a localidade era conhecida como a primeira capital do cacau, (segundo o geógrafo Milton Santos que em seu livro Zona do Cacau, dedicou um capítulo inteiro ao Banco da Vitória).

Quando da abertura da estrada que interliga Ilhéus à Itabuna na década de 20 do século passado, o comércio de Banco da Vitória se transferiu da margem do Rio Cachoeira para margem da nova estrada. Por fim, quando do primeiro asfaltamento dessa estrada, na década de 50 do século passado, a localidade de Banco da Vitória deu as costas definitivamente para o Rio Cachoeira e concentrou sua atenção os movimentos da rodovia.

O Rio Cachoeira que foi a artéria principal do Banco da Vitória, atualmente apenas recebe os dejetos e esgotos da localidade. O povo que era apaixonado por embarcações, hoje só tem olhos para veículos de todos os portes e cores.

Quem passa apenas por Banco da Vitória e não conhece sua história não acredita que essa simples localidade Ilheensse foi no início do século passado um dos maiores centros comerciais do estado da Bahia. Ao redor do porto do Jenipapo haviam diversos órgãos municipais e estaduais, dezenas de armazéns de cacau e diversas empresas de exportação do ouro das terras do sul da Bahia.

O Banco da Vitória deu as costas para o Rio Cachoeira e o desenvolvimento social econômico esqueceu da localidade.

Atualmente o Banco da Vitória é um bairro dormitório e seu comércio nem de longe lembra as reluzentes memórias do início do século passado.

O rio Cachoeira continua passando pelo Banco da Vitória. A história do desenvolvimento do Sul da Bahia continua passando bem distante deste povo ribeirinho.

Eleições 2016 – 59% dos eleitores ilheenses tem baixo nível de escolaridade

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O TSE divulgou no seu site os dados eleitorais para as próximas eleições municipais. Pesquisando sobre o perfil do eleitorado de Ilhéus, fiquei bastante apreensivo (e surpreso) quanto ao nível de escolaridade da nossa gente que vota, – que eu achava ser bem mais expressivo. Segundo o TSE a cidade de Ilhéus tem 135.424 eleitores, sendo 71.349 mulheres (52%), 63.966 homens (47%) e os não declarados são 109.

Quanto ao grau de instrução do nosso eleitorado é que vem as surpresas, pois 80.409 pessoas aptas a votar estão agrupadas nas seguintes categoria: Ensino fundamental incompleto = 44.375 (32,7%), quem apenas sabe ler e escrever = 19.763 (14%), analfabetos = 9.351 (6,9%) e ensino fundamental completo 6.915 (5,1%). Os eleitores ilheenses com formação superior completa são apenas 4.509 (3,3%) e os incompletos, dessa classe, são também apenas 3.802 (2,8%). Os eleitores com ensino médio incompleto são 27.357 (20,2%) e os completos, nessa classe, são 19.059 (14%).

Agrupando esses eleitores em outras classes podemos dizer que:

Eleitores com baixo ou nenhum nível de escolaridade são 80.409 (59%);

Eleitores com nível médio de escolaridade são 46.412 e (34%),

Apenas 8.311 eleitores têm nível superior de escolaridade (6%).

Por enquanto no site do TSE não tem ainda a estatística do grau de instrução dos candidatos ilheenses, mas por osmose, pode supor que não seja muito diferente do perfil do eleitorado da nossa cidade.

Não sei afirmar se o grau de instrução dos eleitores é significante para os resultados das urnas. Mas, para o exercício da cidadania, este item é fundamental, crucial e inegociável.

Pelos dados supracitados, não esperem nenhum milagre das urnas ilheenses, pois o nosso eleitorado só pode oferecer o que tem e o que temos, quanto ao nível de escolaridade, é lamentavelmente triste, taciturno e preocupante.

Crônicas de Banco da Vitória

Por Roberto Carlos Rodrigues. Do livro Prosas e Causos de Banco da Vitória.

Roberto Carlos RodriguescaricaturaSou suspeito para falar do amor que tenho por minha aldeia, – o meu querido Banco da Vitória do Rio Cachoeira -, um taco de terra espremido entre este rio e as franjas da Mata Atlântica que antes cobriam os Altos da Santa Clara, Bela Vista e da Mata da Rinha. Sei, – graças a Deus -, que essa sintomatologia não é só minha, é de muita gente, muita gente mesmo! Em Banco da Vitória mora uma gente amada que sabe muito bem amar sua terra.

Vou descrever como era o “meu” Banco da Vitória.

Quando eu nasci, o Banco da Vitória fervilhava de gente, comércios e desenvolvimento. Era o fim da década de sessenta e, o cacau continuava em voga e propiciava todos os tipos de sonhos e oportunidades para quem gostava de trabalhar. Meu pai (Carlos Cardoso, filho de Dona Maria e seu Antônio Cardoso) era de família de comerciantes de produtos da lavoura regional, como: farinha, milho, feijão, arroz, açúcar etc., a maioria oriundo das terras do Morro do Miliqui (fundos da Fazenda Vitória e perto da atual estrada de Uruçuca).

A minha mãe, Ilza Rodrigues (Bebé) era filha de um neto de escravo de origem Banto, oriundo do Recôncavo baiano, chamava-se Feliciano de Assis. Minha vó era neta de índios Tupi, era conhecida como Dona Cabocla.

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A Seca enfezada da molesta do cachorro.

rios secoPor Roberto Carlos Rodrigues.

Só quem viveu, viu a seca enfezada da molesta do cachorro em Banco da Vitória. As matas, antes resplandecentes e luminosas, todas mescladas de todos os tons escuros dos verdes e perfumada pelos borrifos diários do calor úmido das terras, empalideceram, amarelaram e secaram igual as folhas de um velho chuchuzeiro cortado na tora e jogado no terreiro, barcaça sob o sol.

Antes chovia todos os dias por essas bandas. De manhãzinha, logo depois dos primeiros lumes do Astro-Rei, vinha uma chuvarada vezeira regar o cacaual, molhar as beiradas dos rios e refrescar os capins nas margens dos brejos. Todos anos, nos meses de agosto a outubro chovia sem dada dó nem piedade. Em setembro a primavera era sempre molhada e até o final do ano as enchentes eram quase semanais. Raros eram os festejos da Padroeira de Nossa Senhora da Conceição em que o rio Cachoeira não estivesse caudaloso e demasiadamente cheio.

Antes dessa seca da enfezada da molesta do cachorro, por todo canto se via o verde da Mata Atlântica e debaixo deste cobertor natural o cacau explodia em frutos e sonhos.

A terra escura, berço dos cacauais, era úmida por mais de cinco palmos de profundidade. Por todo canto havia um roçado, uma burara, um sitiozinho. O aroma do cacau pairava por todos os ventos. Continuar lendo

Lançamento: livro Prosas e Causos de Banco da Vitória. (Versões em PDF e áudio (MP3).

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Agora você pode relembrar as divertidas prosas e causos de Banco da Vitória contadas por Roberto Carlos Rodrigues em duas formas: (1) – Arquivo PDF (para ler no seu computador ou tablet (e imprimir, se quiser!) e (2) – em arquivos de áudio (MP3), para você poder ouvir no seu celular, no carro, no som da sua casa ou no PC.

O livro Prosas e Causos de Banco da Vitória (Comprar) tem agora essas duas versões para você puder baixa-las para seu dispositivo móvel e se divertir com as nossas pitorescas estórias.

Para adquiri esses produtos por apenas R$ 6,90 você precisa apenas fazer uma doação neste valor mínimo e ter acesso a todo o conteúdo logo após a confirmação do seu pagamento.

O livro Prosas e Causos de Banco da Vitória em PDF tem 120 páginas. O arquivo em MP3 é composto de 60 áudios e com mais de duas horas de duração.

Lembre-se estes produtos são digitais e serão enviados para seu e-mail. Não enviaremos cópias impressas ou CD para seu endereço. Os acessos aos produtos serão feitos pela Internet.

 

O melhor Sobe-e-Desce do Mundo.

cozido_musculo_legumesPor Roberto Carlos Rodrigues

Por aí a rústica receita culinária tem diversos nomes e alcunhas. Chamam-na de cozido, guisado, refogado, cozinhado, panelada, verdurada, panela doida entre outros sinônimos. Mas em Banco da Vitória, a carne do peito de boi mal cozido e adornado de todos os tipos de verduras disponíveis na cozinha, chama-se apenas Sobe-e-Desce, – comida para quem não tem paciência.

A receita é simples, porém, caprichosa. A carne preferencialmente tem de ser peito de boi, cortada em pedaços pequenos, temperados com alho, cebola, tomates, pimentão, sal, cominho, urucum, pimenta do reino, louro, salsa e coentro. A carne é colocada no caldeirão (Deus nos livre da panela de pressão, que não serve para essa iguaria!) com água cobrindo-a apenas alguns dedos de altura e o fogo deve ser brando para que o cozimento seja lento, porém, perfeito.

O tempo de cozimento das carnes é o mesmo que se gasta para descascar as verduras. Essas, na quantidade suficiente para não caracterizar o pecado da gula. São batatas doces, roxas e inglesas, chuchus, gilós, maxixes, repolhos, couves, abóboras, bananas da terra, inhames, aipim e o indispensável quiabo, – esses, no mínimo sete dúzias.

A carne do sobe e desce tem de ficar no ponto de corrute. Ou seja: nem dura nem mole. Tem de ficar no ponto de os dentes fazerem o barulho de “corrute”, ao cortá-las.

Após a segunda fervura das carnes, as verduras devem sem colocadas no caldeirão e este tampado. Aí então, está na hora de fazer o molho com trinta e sete pimentas malaguetas, regado no limão balão e uma pitadinha de sal. Normalmente o molho é quem chega primeiro a mesa. Depois vem o arroz e a lata lotada de farinha. Feijão cozido pode ter, mas não combina com os opíparos prazeres do Sobe-e-Desce.

Pouco tempo depois destampa-se o caldeirão e retira as verduras que são colocadas numa bandeja grande. Em outro tacho são colocados os pedaços de carne e um pouco do nutritivo caldo. O restante do caldo que fica no caldeirão faz-se o escaldado (este, diferente do pirão). O escaldado é colocado em uma travessa e essa encostada aos personagens principais do prato, que adornam a mesa da cozinha.

Logo se ver as fumaças exalando das verduras (não pode chama-las de legumes, que são coisas de ricos), das carnes e do escaldado. Os pratos são feitos com um pouco de tudo e regado com uma boa colherada de molho de pimenta.

Logo se ouvem os “currutes” dos dentes gemendo sobre a carne malcozida e as seivas escorrendo pelos cantos das bocas.

O Sobe-e-Desce é comido sob o barulho das prosas na cozinha. Os adultos comem na mesa, a criançada no quintal e a vizinha bisbilhoteira sempre aparece nessas horas fazer uma visita sem ser convidada. A comida sempre serve para mais uma.

Depois da comilança, palitam-se os dentes, bebe-se um cafezinho passado na hora, esticam-se as canelas sobre as esteiras de taboa e sonha com a futura janta. Mais isso já é outra estória, com outros paladares e noturnos ingredientes.

Cinquenta Seis de Junho.

roberto foto novaPor Roberto Carlos Rodrigues

Parece que foi ontem, mas de tão distante, aquele 06 de junho já se perdeu entre as folhas amareladas dos meus velhos calendários. Nasci numa manhã friorenta de uma segunda-feira. Era dia de São Norberto, sacerdote alemão e franciscano, famoso por suas pregações que atraiam multidões e produzia inúmeras conversões. Recebi o nome de artista: Roberto Carlos, mas o que determinaram realmente o meu sucesso foram meus sobrenomes: Rodrigues do Nascimento. Vim com a vontade de vencer no sangue. Não vim apenas para apreciar a paisagem. Vim para ajudar fazer paisagens.

Entre os tombos e os escorregões, aprendi a dançar. Entre os nãos e o impossível, resolvi arriscar. Entre as dificuldades e as decepções, aprendi a ter fé. Entre o medo e a incerteza, aprendi a ter a coragem que não me pertencia. Assim, de dia em dia, vivendo apenas um dia de cada vez, fui vencendo a morte e sobrevivendo apenas para dizer que vale a pena viver. – Isso vale muito.

Os dias tristes ficaram no esquecimento. Dos dias felizes, restaram as matizes replicáveis. Da vida que vivi e vivo ficou a lição que o amor é o verdadeiro porquê da vida.

Das pessoas que cruzei pelas veredas das horas, todas me ensinaram alguma coisa. Nunca sair de um encontro com as mãos vazias ou cheias demais ao ponto de derramar sobras. Sempre tive o que dividir e principalmente aceitar o que era generosamente ofertado. Dessa forma, fui ajudando e sendo ajudado. Fui vivendo feliz.

Nunca vi ninguém viver tão feliz como eu. Vivo em um tipo de felicidade que pouca gente entende. Na verdade, só Deus e eu entendemos. E isso é tudo e mais um pouco. Não invejo a vida de ninguém pois ninguém viveu a vida que eu vivi e vivo. Eu sou único.

Agora lambo os dedos lentos e calejados e viro lentamente a página do livro da vida. 17.800 é a sua numeração. São cinquenta seis de junhos que estou por aqui. São 50 anos de vida ou melhor 50 anos de oportunidades e sonhos, encontros e surpresas. Belas surpresas.

Não vou fazer balanço do que fiz, não fiz ou do que pretendo fazer. Vou apenas fazer o que sempre fiz e que determina minha existência: Vou vivendo um dia a cada vez. Somente o dia de hoje e as lembranças de seus ancestrais. Nada mais. Amanhã é apenas uma audaz pretensão.

Nunca gostei de festa de aniversário. Normalmente quando faço isso, não compareço. Estranhamente não gosto de receber parabéns! Prefiro a saudação Viva! Viva a vida!

Hoje faço 50 anos de vida e vejo que tudo foi tão breve que já estou com saudade de ontem. Pois ontem – sempre o ontem! -, foi o dia mais difícil da minha vida. Os ontens são terríveis e se não tomarmos pulsos eles estragam o hoje e duvidam do amanhã. Mais são agora apenas ontens. Isso basta.

Por sinal, amanhã pretendo acrescentar mais um dia no livro da minha vida. Se Deus me conceder essa proeza, espero fazer o que faço todos os dias: tentar fazer o Mundo melhor e pelo menos fazer uma pessoa feliz. Tomara que essa pessoa seja você.

Viva a vida e que ela dure o que que tiver de durar, pois a felicidade não tem prazo de validade.

Da minha vida tenho feito o melhor que posso para ser feliz e útil. Não posso reclamar dos meus resultados. Tenho tanta felicidade que chego até distribui-la com quem me cerca. Quanto mais eu doo-a mais sou feliz.

Não é a quantidade de dias vividos que determina uma vida feliz. Uma vida feliz é apenas uma forma de viver. Escolha a melhor forma de viver e seja feliz com a vida que Deus Lhe deu, e que você pode melhorá-la.

Sua vida não é um simples presente de Deus. É UM PRESENTE ESPECIAL DE DEUS e entre as inúmeras almas Ele escolheu você para compartilhar a nossa existência.

O melhor presente que eu pretendo receber hoje de você é saber que você jamais duvidará de Deus. Pois Deus é fiel, justo e cumpridor de promessa.

Na minha vida tem sido assim. Deus quer que também seja assim na sua vida. Por sinal, feliz aniversário para você também. Afinal, todo dia é dia de comemorar.

Viva! Viva a vida!

Assista ao vídeo: