Maionese com Farinha, era assim que se comia em Banco da Vitória.

maionese_de_batataPor Roberto Carlos Rodrigues.

O molho à base de azeite, ovos e sal, inventado pelo cozinheiro francês do Duque de Richelieu em 1756, demorou 218 anos para aparecer nas bandas do Rio Cachoeira. Na França setecentista o nome do molho era Mahonaise. Em Nova Yorque, em 1905, o alemão Richard Hellman, industrializou a receita e ficou milionário. Em Banco da Vitória a tal maionese, nos anos setenta do século passado, foi introduzida no cardápio do nosso povo pardo, por dona Lia Araújo, em um dos seus cursos de culinária. Em nossa comunidade a preferência era comer maionese com farinha.

Pedaços de cenoura, batata e chuchu picados e cozidos recebiam depois aquele creme alvo como cobertura e virava comida de gente metida a besta. Maionese combinava com frango assado ou cozido e macarronada. Diziam os tais. Ambos, comidas de dias de domingo ou quando tinha visitas em casa.

No começo, criou-se uma regra culinária que devia ser seguida à risca e por conta disso muitas esposas brigavam com os maridos e com as crias dizendo: “maionese não se come com farinha. Isso é coisa de gente sem instruções”.

Por este motivo quase teve uma guerra de sexo em Banco da Vitória. Afinal, querer tirar a farinha de mandioca – que combinava com tudo que se põe à mesa -, do prato da nossa gente foi quase uma heresia.

Por este motivo, menino que almoçava na casa alheia e colocava farinha na maionese, apanhava quando voltava para casa.
– Quer me envergonhar, seu pestinha. Dizia a mãe com a bainha de facão na mão – você não sabe que maionese não se come com farinha? Ameaçava a genitora.

Por este motivo, o povo de Banco da Vitória fez uma escolha culinária: entre a maionese e a farinha. O molho francês perdeu feio.

Já que não podia colocar farinha na maionese. Ninguém gostava de maionese. Já a farinha, se comia até com lágrimas.

Hoje maionese é molho comum e se encontra em qualquer prateleira de qualquer quitanda. Entre comer farinha e maionese, muita gente prefere essa última. Eu fico com a primeira.

Agora naqueles tempos, ser rebelde na casa dos outros não era apenas comer maionese com farinha. Para ser promovido na escala da rebeldia, o adolescente esfomeado tinha de colocar azeite de dendê na macarronada. Nesse caso a surra era dobrada. Mais valia a pena. Afinal maionese e macarrão não combinavam com farinha nem com dendê. Vixe! Por isto, nunca prestaram. Isso, para muita gente acostumada com o feijão adubado de Banco da Vitória e com a fatada cozida nas beiradas do rio Cachoeira.

Na verdade, maionese era e é um molho muito metido a besta. Combina com muitos pratos, mas não combina com farinha de mandioca. Por isso não combina com a nossa gente.

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Como Chegar em Banco da Vitória

banco logoComo Chegar em Banco da Vitória – Ilhéus – Bahia.

No município de Ilhéus, o bairro de Banco da Vitória se situa entre o rio Cachoeira e os três montes ao noroeste (Alto Santa Clara, Alto da Bela Vista e Alto da Mata da Rinha, (onde se encontra a Invasão do Iraque). Todos esses montes têm coberturas remanescentes da Mata Atlântica e fazem divisa com a Reserva Florestal da Mata da Esperança.

O acesso convencional ao Banco da Vitória ocorre pela Rodovia Jorge Amado (BA 415) que interliga as cidades de Ilhéus e Itabuna e corta esse bairro de Ilhéus. A localidade de Banco da Vitória dista 6 quilômetros de Ilhéus e 19 quilômetros de Itabuna.

De veículo, saindo do centro de Ilhéus, gasta-se em média 15 minutos para chegar ao Banco da Vitória. Diversas linhas de ônibus passam pelo Banco da Vitória, inclusive o ônibus municipal de Ilhéus que tem como ponto final o bairro de Salobrinho.

O Banco da Vitória fica localizado a 8 quilômetros do bairro de Salobrinho, onde está instalada a UESC (Universidade Estadual de  Santa Cruz) e a 16 quilômetros da sede nacional da CEPLAC –  (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira).

Ao Leste a localidade faz divisa com o bairro Teotônio Villela e ao oeste com o distrito de Vila Cachoeira. Ao Norte a divisa é com o bairro do Iguape e ao Sul, com o rio Cachoeira.

Pode-se também chegar ao Banco da Vitória navegando pelo Rio Cachoeira. O percurso é o seguinte: adentrando a foz da baía do Pontal (Coroa Grande, formada pelos encontros dos rios Itacanoeira, Cachoeira e Santana) em Ilhéus, as embarcações pequenas podem seguir a ‘entrada do meio’ e chegar ao Rio Cachoeira. Navegando o rio a cima, passa-se pela antiga localidade chamada Golmeira (atual bairro Teotônio Villela). Um pouco acima atravessa a Fazenda Porto Novo e por fim se chega ao Banco da Vitória. A partir deste ponto o Rio Cachoeira não é mais navegável.

Saindo de Banco da Vitória tem ainda diversas estradas rurais. Uma inicia na ponte sobre o Rio Cachoeira (atrás do Convento das Freiras) e passa pelo povoado de Maria Jape, onde se tem uma derivação para o Rio do Engenho e a Alta Demanda (fazendas da região do distrito de Cachoeira).

Outra estrada se inicia no final da Rua São Pedro e ruma para a Fazenda Victória. Antes desta propriedade, logo após o cemitério da comunidade, tem um desvio a direita, rumando para o alto da Santa Clara. Aí, essa derivação encontra com outra estrada que se inicia no alto da Bela Vista. A partir desse ponto, uma estrada alcança a Represa do Iguape e depois a Rodovia Ilhéus Uruçuca.

Por último, outra estrada se inicia na Rua da Represa, no meio sopé do Alto da Bela Vista, circunda parte do Alto do Iraque e alcança a Mata da Rinha e depois a Mata da Esperança.

Saindo de Banco da Vitória em direção a Ilhéus se encontra a famosa Bica da Água Boa, local preferido pelo escritor Jorge Amado para apreciar o Rio Cachoeira. Mas a frente é possível conhecer a centenária Fazenda Porto Novo, onde se faz turismo ecológico e se conhece plantações de cacau orgânico.

Em Banco da Vitória é possível saborear diversas iguarias da culinária regional como as saborosas moquecas de peixes e camarões e pitus aferventados. Há também na localidade diversas churrascarias e vários bares. Além disto, vendem-se ao longo da rodovia frutas regionais e principalmente os famosos cocos gelados. Encontram-se também nessa localidade diversas casas de artesanatos e produtos naturais.

Em Banco da Vitória, comi pontos de visitações recomenda-se a visitação a Bica da Água Boa, o antigo porto do Jenipapo, a Pedra de Guerra, o cruzeiro da Rua Dois de Julho, a ponte sobre o Rio Cachoeira, A ladeira do Alto da Santa Clara (Descansa Caixão), a histórica Fazenda Victória, o Convento das Freiras, a Creche, os seminários católicos, a escola Daniel Rebouças, a Fazenda Pirataquisé e a Fazenda Aliança.

Pode-se também entrar na localidade e conhecer a Rua Aldair, bem como conhecer a casa onde o jogador da Seleção Brasileira de Futebol nasceu. Na Praça Guilherme Xavier tem a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e o famoso Clube Social. Pode também conhecer o campo de futebol da localidade, A Rua dos Artistas, Rua Dois de Julho e o Grupo Escolar Herval Soledade. Atrás deste, se localiza o Campo do Pacaembu.

Livro Banco da Vitória – A História Esquecida das Margens Vitoriosas do Rio Cachoeira – NOVA EDIÇÃO.

capa-17No próximo mês de março faremos o lançamento da nova edição do livro sobre a história de Banco da Vitória. Essa edição foi revista, corrigida e ampliada. O novo livro terá aproximadamente 250 páginas, sendo que 16 serão exclusivas para imagens e fotografias do nosso bairro. No dia 15 de fevereiro de 2017 iniciaremos a pré-venda dos exemplares (através de encomendas on-line). Os livros serão entregues no final do mês de março, via correio ou retirados nas casas de Cremilda Santana e Jair Rodrigues, em Banco da Vitória. Essa edição terá uma tiragem de apenas 300 exemplares, portanto, reserve o seu exemplar.

Veja o índice dos capítulos do livro:

Banco da Vitória – A História Esquecida das Margens Vitoriosas do Rio Cachoeira.

1 – Agradecimentos 4
2 – Apresentação 8
3 – Banco da Vitória – A primeira capital do cacau. 13
4 – Banco da Vitória, à sombra da história da Capitania de São Jorge dos Ilhéus 16
5 – Nas Margens do Rio Cachoeira 29
6 – Antes dos Portugueses 39
7 – A influência dos povos africanos em Banco da Vitória 50
8 – A colonização europeia em Banco da Vitória 59
9 – A colonização dos retirantes nordestinos 62
10 – As primeiras explorações da região de Banco da Vitória 65
11 – A Trilha do Banco 73
12 – Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger: O Barão de Banco da Vitória. 76
13 – A Visita do Príncipe Maximiliano ao Banco da Vitória. 80
14 – A Sesmaria e a Fazenda Victória 83
15 – A origem do nome de Banco da Vitória 92
16 – A Rainha (ou princesa) da Fazenda Vitória 96
17 – O Porto do Jenipapo e o desenvolvimento de Banco da Vitória 102
18 – Os ciclos de desenvolvimento do Banco da Vitória 108
19 – Os Tempos Áureos do Cacau e o desenvolvimento de Banco da Vitória 111
20 – Banco da vitória – A vila que quase virou cidade 123
21 – A estrada Ilhéus – Itabuna e o Declínio de Banco da Vitória 127
22 – O Bairro de Banco da Vitória 132
23 – Alternativas de desenvolvimentos sociais para o Banco da Vitória 136
24 – Os “bairros” de Banco da Vitória e suas referências geográficas 138
25 – Crônicas de Banco da Vitória 144
26 – As Sementes das nossas vitórias 149
27 – Conclusão 154
28 – CEP’s e Ruas da região do bairro de Banco da Vitória 156
29 – Referência históricas de locais e imóveis em Banco da Vitória 159
39 – Referencias locais antigas: 160
31 – Referências Oitivas 162
32 – Referências bibliográficas 163
33 – O Autor 165

Vídeo – Ferdinand von Steiger – O Barão de Banco da Vitória.


Uma das personagens mais marcantes da história de Banco da Vitória foi o suíço Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger ou Fernando de Steiger, como era conhecido entre os moradores do sul da Bahia (1825 – 1887). Steiger viveu a maior parte da sua vida na fazenda Vitória (41 anos). Ele chegou a propriedade em 1851 para atuar como administrador e neste período teve início o grande ciclo de desenvolvimento econômico da fazenda que chegou a ter mais de 120 escravos e grande produção de cana-de-açúcar, aguardente, farinha de mandioca, milho, feijão, café e cacau. Nessa propriedade também funcionava uma grande serraria. Ferdinand Steiger foi o último administrador da propriedade do seu tio por parte de mãe, Gabriel von May.

Ferdinand Freiherr von Steiger nasceu em Murten na Suíça em 15/07/1825. De acordo com os registros da Biblioteca da Burguesia de Berna, o seu nome de batismo era Ferdinand Karl Rudolf von Steiger, filho de Albert (IV) von Steiger (1788 – 1866) e Maria Frederike Karoline von Steiger (1791 – 1876), nascida May von Rued. O seu pai era um barão oriundo de uma das famílias da nobreza hereditária de Berna do Antigo Regime.

Seu pai era também coronel das tropas de Nápoles. Na sua juventude Ferdinand foi cadete da academia militar de Berlin. Em 1843 ele ingressou como alferes (aspirante a oficial) no 58º Regimento de Infantaria da Prússia, instalado em Deutz e foi transferido mais tarde como oficial do mesmo regimento para Colônia. Em 1846, em Berna, ele encontrou um parente de sua mãe, o Sr. May von Huniges, que possuía uma grande fazenda no Brasil, porém, por motivos de doenças não podia residir lá. Steiger aceitou a proposta de administrar a propriedade no Brasil, pediu baixa do regimento militar e veio para o sul da Bahia. Ferdinand chegou em Ilhéus em 1846, com apenas 21 anos de idade e cheio de planos para revolucionar a agricultura da região. No ano de 1851 ele já administrava os plantios da fazenda.

Ferdinand von Steiger ao assumir a Fazenda Vitória como proprietário em 1857 (ele a comprou pela quantia de oitenta e dois contos de reis), fez nessas terras uma verdadeira revolução agrícola, implantando modernas técnicas de uso do solo e recursos naturais, como construção de barragens, sistema de irrigação e manejos de solos. Steiger administrou a fazenda da Vitória até a sua morte, que ocorreu no ano anterior ao da abolição da escravatura.

Herval Soledade, Amigo de Banco da Vitória, Prefeito de Ilhéus e Deputado Estadual.

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Herval Soledade

Por Roberto Carlos Rodrigues.

Herval Soledade, nasceu em 27 de Setembro de 1919, (Salvador-BA) e faleceu em 02 de Novembro de 1993, em Ilhéus – BA. Era filho de Antônio Soledade e Aureolinda Maia Soledade, e casado com Maria Dinorah Souto Maior Soledade com quem teve 6 filhos, sendo: Maria Cristina, Marco Antonio, Maria de Fátima, Herval Filho, Marco Aurélio e Débora. Soledade era empresário, proprietário de postos de gasolina e loja de acessórios para automóveis, agricultor e cacauicultor.

Em Salvador, cursou o Primário e parte do Secundário, vendo a conclui-lo em e Ilhéus-BA.

Em Ilhéus foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro-PTB, mandato 1951-1955. Elegeu-se prefeito de Ilhéus para o mandato 1955-1959 (PTB). Elegeu-se deputado estadual, (PTB), de 1959-1963 e prefeito de Ilhéus, pelo PTB, no período de 1963-1967.

Na assembleia legislativa da Bahia, foi Vice-líder PTB, no ano de 1960. Foi 1º secretário da Mesa Diretora (1961), presidente da Comissão de Negócios Municipais (1959-1960, 1962); titular das Comissões: Saúde Pública e Assistência Social (1959), Finanças e Serviços Públicos (1960), Constituição e Justiça (1962), Educação e Cultura (1962), Orçamento e Fiscalização Financeira (1962); suplente das Comissões: Educação, Cultura e Arte (1959), Viação e Obras Públicas (1959), Economia e Transportes (1960), Orçamento e Fiscalização Financeira (1960, Redação de Leis e Resoluções (1960), Finanças e Serviços Públicos (1962).

Em Ilhéus, Herval Soledade foi homenageado com seu nome em Ginásio de Esportes, Grupo Escolar no bairro Banco da Vitória, Posto Médico no bairro Pontal e um Morro no bairro do Malhado.

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Grupo Escolar Herval Soledade (Banco da Vitória).


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Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger: O Barão de Banco da Vitória

capa-1Por Roberto Carlos Rodrigues Parte do capítulo do livro Banco da Vitória – A História Esquecida.

Uma das personagens mais marcantes da história de Banco da Vitória foi o suíço Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger ou Fernando de Steiger, como era conhecido entre os moradores do sul da Bahia (1825 – 1887). Steiger viveu a maior parte da sua vida na fazenda Vitória. Ele chegou a propriedade em 1851 para atuar como administrador e neste período teve início o grande ciclo de desenvolvimento econômico da ferdinand von steiger fotfazenda que chegou a ter mais de 120 escravos e grande produção de cana-de-açúcar, aguardente, farinha de mandioca, milho, feijão, café e cacau. Na propriedade também funcionava uma grande serraria. Ferdinand Steiger foi o último administrador da propriedade do seu tio por parte de mãe, Gabriel von May.

Ferdinand Freiherr von Steiger nasceu em Murten na Suíça em 15/07/1825. De acordo com os registros da Biblioteca da Burguesia de Berna, o seu nome de batismo era Ferdinand Karl Rudolf von Steiger, filho de Albert (IV) von Steiger (1788 – 1866) e Maria Frederike Karoline von Steiger (1791 – 1876), nascida May von Rued. O seu pai era um barão oriundo de uma das famílias da nobreza hereditária de Berna do Antigo Regime.

Seu pai era coronel das tropas de Nápoles. Na sua juventude Ferdinand foi cadete da academia militar de Berlin. Em 1843 ele ingressou como alferes (aspirante a oficial no 58º Regimento de Infantaria da Prússia, instalado em Deutz e foi transferido mais tarde como oficial do mesmo regimento para Colônia. Em 1846, em Berna, ele encontrou um parente de sua mãe, o Sr. May von Huniges, que possuía uma grande fazenda no Brasil, porém, por motivos de doenças não podia residir lá. Steiger aceitou a proposta de administrar a propriedade no Brasil, pediu baixa do regimento militar e veio para o sul da Bahia. Ferdinand chegou em Ilhéus em 1846, com apenas 21 anos de idade e cheio de planos para revolucionar a agricultura da região. No ano de 1851 ele já administrava o plantio da fazenda.

Ferdinand von Steiger ao assumir a Fazenda da Vitória como proprietário em 1857 (ele a comprou pela quantia de oitenta e dois contos de reis), fez nessas terras uma verdadeira revolução agrícola, implantando modernas técnicas de uso do solo e recursos naturais, como construção de barragens, sistema de irrigação e manejos de solos. Steiger administrou a fazenda da Vitória até a sua morte, que ocorreu no ano anterior ao da abolição da escravatura.

Em cartas enviadas aos parentes na Europa, Steiger referia-se à localidade de Banco da Vitória como “Vitória”. Contudo, nos documentos de envio e recebimento de produtos para sua propriedade constavam o endereço de Banco da Fazenda Vitória.

O arquiduque Ferdinand Maximiliano von Habsgurg (irmão do imperador da Áustria Franz Joseph I) quando visitou por sete dias a propriedade de Steiger em 17 de janeiro de 1860, disse haver uma placa de madeira em um ancoradouro do Arraial do Banco, com as palavras “Porto da Vitória”.

BV6O arquiduque Ferdinand Maxilimilian von Habsburg, que fez diversas andanças pelas terras da fazenda de Steiger, publicou depois, no ano de 1864 o livro Mato Virgem. Este livro, por sinal, é uma grande fonte de informações sobre os hábitos dos moradores de Banco da Vitória e os escravos da fazenda Victória, bem como excelentes relatos da fauna e flora local.

Na lida da fazenda Victória Steiger liderava um grupo de mais de 120 escravos e pouco mais de uma dezena de empregados.  Em cartas enviadas aos seus familiares na Suíça, Steiger descreve do seu relacionamento amigável com os escravos e a sua atuação como médico para a população de toda a região do arraial de Banco da Vitória. Relatava também o escriba da atuação da sua esposa na administração da fazenda e no trato com os escravos e empregados. Um bom exemplo de boa relação com os escravos da fazenda Victória, ver-se nas cartas do seu proprietário que dizia andar sempre desarmado entre os escravos e que jamais fora atacado por um deles, que ao contrário, tinha-lhe grande gratidão e apreço.

A fazenda Victória foi um dos primeiros laboratórios agrícolas da Bahia, onde Steiger realizava diversos estudos sobre as lavouras da fazenda (principalmente café, cacau e cana de açúcar), a fauna e a flora da região.

Todos esses estudos foram detalhadamente descritos em cartas enviadas aos seus parentes na Suíça e podem ser acessados no blog http://ferdinandvsteiger.blogspot.com.br/ (setembro de 2016).

Outras fontes biográficas de Ferdinand von Steiger encontram-se no artigo “Barão von Steiger”, publicado em 1939 por Ramiro Berbert de Castro, no Jornal Dom Casmurro e, no estudo “Introdução à biografia do barão Fernando de Steiger e fatos sobre sua família”, de André Paiva de Figueiredo (2016).

Ferdinand Von Steiger foi sepultado no “Bahia  A imagem abaixo mostra a entrada do Cemitério dos Estrangeiros localizado no  Largo do Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador -BA.

Sepultura de Ferdinand Von Steiger no “Bahia Fremdenfriedhof” - Cemitério dos Estrangeiro (ou Cemitério dos Alemães) em Salvador, BA. Foto de Dona Hortência Paiva. (Colaboração de André Paiva de Figueiredo).

Sepultura de Ferdinand Von Steiger no “Bahia Fremdenfriedhof” – Cemitério dos Estrangeiro (ou Cemitério dos Alemães) em Salvador, BA. Foto de Dona Hortência Magalhães Oliveira. (Colaboração de André Paiva de Figueiredo).

cmitério dos estrnageiros

Cemitério dos Estrangeiros (Salvador -A)

A Fazenda da Vitória foi vendida pelo alemão Hermann Lüssenhop a Hugo Kaufmann em 1926.

Atual planta da Fazenda Victória, pertencente aos Kaufmann. (imagem publicada o no blog “Correia Neles”, de Adelino França) e Portaria à margem da Rodovia Jorge Amado.

Localização atual da antiga sede da Fazenda Vitória:

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A História da Sesmaria e Fazenda Victória (Ilhéus – BA).

Conheça a história da Sesmaria Victória e sua transformação em fazenda. Capítulo do livro Banco da Vitória – A História Esquecida. De Roberto Carlos Rodrigues.Por Roberto Carlos Rodrigues. Segunda edição revisada e ampliada. Lançamento abril de 2016.

 A Sesmaria e a Fazenda Victória.

Capítulo do livro Banco da Vitória – A História Esquecida. De Roberto Carlos Rodrigues

             Provavelmente, a Sesmaria Victória teve este nome instituído devido a sua localização próxima às referências geográficas, conhecidas naquela época como “as vitórias” do desbravador português Martins de Carvalho, em suas excursões entre os anos de 1570 a 1585 na antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus. Se por ventura o sobrenome da Sesmaria Victória fosse uma alusão religiosa em culto a Nossa Senhora das Vitorias, padroeira da capitania de São Jorge dos Ilhéus, o seu nome seria Sesmaria Nossa Senhora das Vitórias e não Sesmaria Victória.

A sesmaria Victória tinha a extensão de uma légua em quadro com sua frente para o rio cachoeira e fundos para a sesmaria do Iguape ou sertões do Iguape e terras da família Lavigne. Vizinha a sesmaria Victoria existia na região oriental a Sesmaria Esperança e na área ocidental a sesmaria do Rio Cachoeira pertencente a Antônio José Pereira Arouca.

 As terras existentes na margem direita do Rio Cachoeira pertenciam ao governo colonial e foram concebidas como devolutas. Essas terras devolutas se estendiam até a atual região da localidade de Maria Jape, onde havia os limites das sesmarias do Rio do Engenho e da sesmaria Demanda, que ocupava essa margem do rio cachoeira até os atuais limites do município de Itabuna.

 As terras pertencentes à Sesmaria Victória foram inicialmente arrendadas aos padres jesuítas para o plantio de cana-de-açúcar e algodão no meado do século XV e durante vários anos este local teve altos e baixos no seu desenvolvimento econômico e social.

            Sabe-se que no início do desbravamento da capitania de São Jorge dos Ilhéus a Sesmaria Victória teve alguma importância na economia local. Todavia, sabe-se pelos relatos de Silva Campos, que entre o meio do século XVI e até o final do século XVII essas terras viveram sérios problemas com os índios, doenças e despovoamento, ficando, portanto, todo esse período no verdadeiro ostracismo econômico.

            Segundo Campos, neste período a Sesmaria Victória foi apenas ocupada por pequenas roças que se faziam nas margens do rio Cachoeira, onde havia produção de farinha de mandioca, feijão, algodão e cana-de-açúcar.          

            Além de possuir uma vasta quantidade de terra, a Sesmaria Victória era a segunda mais próxima da vila de São Jorge dos Ilhéus, perdendo apenas para a sesmaria da Esperança.

Na época inicial da colonização portuguesa, a Sesmaria Victória não tinha registro de cartório na vila de São Jorge dos Ilhéus, uma vez que este tipo de documentos era registrado somente em Portugal.

            O primeiro registro oficial brasileiro da sesmaria Victória consta nos Anais do Arquivo Públicos do Estado da Bahia, XI, PP 161-163, tendo como proprietário o senhor João Álvares de Miranda Varjão, no ano de 1815, segundo relatos de Silva Campos.

            Como a Sesmaria Victória ficava às margens do rio Cachoeira e tinha um porto fluvial, o seu desenvolvimento avançou naquela época mais do que as demais sesmarias Ilheenses.

            Outro fator que contribuiu para o desenvolvimento da sesmaria Victória e a sua transformação em fazenda foi a alta qualidade das suas terras para a lavoura do cacau que se iniciara no município de Ilhéus no ano de 1752. Mesmo tendo seus solos explorados desde 1560, as terras da sesmaria Victória foram consideradas uma das mais apropriadas para o desenvolvimento da lavoura do cacau sul baiano.

            A partir do ano da expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, as terras da antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus foram novamente divididas em novas sesmarias, dessa vez muito mais menores que as iniciais. A Sesmaria Victória manteve o seu nome, mas perdeu mais de dois terços do seu tamanho inicial, nessa nova partilha.

Nos anuários de registros de documentos da comarca de Ilhéus da década de oitenta do século XVIII (a comarca foi criada em 1763), ver-se que essa divisão territorial foi feita visando oxigenar o desenvolvimento da região oeste e centro oeste de Ilhéus, haja vista que após mais de dois séculos, a sesmaria Victória, devido ao seu tamanho, era a que tinha o menor desenvolvimento econômico em toda a região de Ilhéus.

Em 1830 o povoado de Banco da Vitória, existente nas terras da fazenda Victória representava boa parte do comercio do município de Ilhéus, principalmente pelo papel do seu porto fluvial, conhecido como Porto do Jenipapo, onde mais de mil embarcações eram registradas para transportar produtos e pessoas entre a localidade ribeirinha e as cidades de Ilhéus e Salvador, capital da Bahia.

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Encontradas cartas de Ferdinand von Steiger descrevendo o cotidiano da Fazenda Victória (entre os anos de 1866 a 1882).

Por Roberto Carlos Rodrigues.

cartas

Saiba mais sobre Ferdinand Von Steiger aqui!

As pesquisas históricas sobre a comunidade de Banco da Vitória têm me levado as situações magníficas e surpreendentes. Nos últimos dias tenho empenhado bastante na correção e revisão do livro Banco da Vitória – A história Esquecida. Nesta labuta, durante minhas pesquisas na Internet encontrei relevantes informações num site que publicou diversas cartas de Ferdinand Von Steiger (proprietário da Fazenda Victória), escritas entre os anos de 1866 a 1882, e endereçadas aos seus familiares suíços.

O site traz as transcrições das cartas e as fotografias das mesmas.

Na leitura dessas cartas Steiger descreve detalhadamente diversos aspectos do cotidiano das fazendas Victória e Salgado (essa, nas margens do Rio Pardo).

As transcrições dessas cartas estão no idioma alemão. Mas, provavelmente o texto original foi escrito no idioma alemão falado em alguns cantões suíços como Schwyz, Obwald e Nidward.

Nessas missivas Ferdinand Steiger mostra-se um excelente detalhista de diversos aspectos como técnicas de plantios de café e cacau, análise de clima, fauna, flora, sistemas de desmatamentos, condições de combate as pragas, lida com os escravos e índios etc. Continuar lendo

Sobre o lançamento do livro Banco da Vitória – A História Esquecida.

paperbackstack_550x498Esclarecimentos aos compradores e leitores.

Escrever um livro não é uma tarefa simples e fácil, como muitos imaginam. Agora difícil mesmo é publicar um livro neste país. A tarefa é morosa e complexa, envolve diversas pessoas, normas, regras e órgãos oficiais. Tudo tem de ser seguido como um ritual de passo após passo. Infelizmente a burocracia impera no Brasil e atrapalha tudo.

Por conta disso descobrir agora – pelas tristes vias – que mesmo fazendo uma publicação particular, (bancado todos os custos desta empreitada), as coisas não andam como desejamos.

Mesmo contando com as colaborações valiosas de diversas pessoas neste processo, infelizmente, ainda não conseguir publicar o livro em formato de papel. O livro encontra-se revisado, corrigido, registrado, pré editorado e com fé em Deus, no final deste mês seguirá para a gráfica.

O processo de impressão na gráfica dura em média 15 dias. Mais 7 dias de transporte. Ou seja, a data mais provável de termos os livros disponíveis é 22 de outubro de 2015.

Por conta disso, peço carinhosamente as pessoas que fizeram as compras pelo site ou então, fizeram as reservas em Banco da Vitória, que aguardem mais um pouco, (até a data supra citada), quando receberão seus exemplares.

Estarei pessoalmente em Banco da Vitória para autografar os exemplares do nosso livro. Por questões pessoais não farei festa de lançamento do livro. Vou colocar uma mesa e uma cadeira em frente a casa da professora Cremilda Santana (Rua dos Artistas) e quem adquiri o livro receberá uma dedicatória.

Muito obrigado pela compreensão e até breve.

Roberto Carlos Rodrigues.