Quando Fui Fazendeiro de Cacau.

Por Roberto Carlos Rodrigues.

No ano que a Seleção Brasileira de Futebol consagrou-se tricampeão do mundo, eu tive cacau e sobrevivi.

Naquela época o cacau cheirava 24 horas por dia, todos os dias, sobre os ares de Banco da Vitória. Vivíamos cercados de roças e fazendas de cacau e, para aromatizar ainda mais as nossas plagas, diariamente passavam pela Rodovia Ilhéus Itabuna centenas de caminhões carregados de amêndoas secas de cacau, indo para o Porto do Malhado, em Ilhéus e dali para os paladares da América, da Europa e do Japão.

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Prefeitos Eleitos 2012 – Cidades da Bahia, Relação completa.

Confira abaixo a lista dos prefeitos eleitos em todas as cidades da Bahia.

ABAÍRA   |  João (PSB)
ABARÉ  | Benedito (PMDB)
ACAJUTIBA  | Zé Luís (PTC)
ADUSTINA  | Zé Aldo (PMDB)
ÁGUA FRIA  | Vanjo (PT)
AIQUARA  | Tico (PC do B)
ALAGOINHAS | Paulo Cézar (PDT)
ALCOBAÇA  | Bernardo Olívio (PV)
ALMADINA  | Gleide de Val (PSD)
AMARGOSA  | Karina Silva (PSB)
AMÉLIA RODRIGUES  | Toinho (PT)
AMÉRICA DOURADA  | Joelson (PT)
ANAGÉ  | Andréa (PT) Continuar lendo

Ilhéus ganha voo noturno diário de São Paulo

Neste verão, o município de Ilhéus volta a receber voos noturnos com origem em Campinas, São Paulo. A rota está sendo oferecida diariamente pela Azul Linhas Aéreas para trazer turistas paulistas a um dos principais destinos turísticos da Bahia.

As frequências estão asseguradas até fevereiro e têm saídas diárias do aeroporto de Viracopos às 23h08 e chegada ao Aeroporto de Ilhéus às 00h02. No percurso contrário, os vôos partem às 02h10 e chegam a São Paulo às 5h18.

Em fevereiro será a época em que a Azul também vai lançar o voo entre Belo Horizonte e Ilhéus, as terças, quintas e domingos. Outra novidade para o período é a ampliação da frequência de voos entre a capital mineira e Porto Seguro, na Costa do Descobrimento (que atrai 992 mil visitantes por ano), com saídas as segundas, quartas, sextas e domingos.

A operação das novas rotas deve começar em 1º de fevereiro. Os horários de embarque e os valores das passagens serão disponibilizados no site http://www.voeazul.com.br.

Para o secretário de Turismo da Bahia, Antonio Carlos Tramm, os novos voos reafirmam a importância da construção do novo aeroporto de Ilhéus, que ajudará a região a captar outras rotas. “Um dos destinos turísticos mais procurados da Bahia, Ilhéus terá um aeroporto maior e mais moderno que o atual para atender à demanda de passageiros para a cidade”.

Segundo Tramm, a área definida para construção do novo empreendimento tem mais de 7,5 milhões de metros quadrados e está localizado numa região conhecida como Ponta da Tulha, nas proximidades da BA-001. “Em 2011, o aeroporto de Porto Seguro terá concluído as obras de recuperação”, comenta o secretário.

Fonte: O Tabuleiro – http://www.otabuleiro.com.br/blog/?p=4642#more-4642

Morre em BH um dos últimos cangaceiros do bando de Lampião

Por NEY RUBENS – Portal Terra

Um dos últimos cangaceiros do bando de Lampião e Maria Bonita, José Antônio Souto, 100 anos, morreu na tarde desta segunda-feira em Belo Horizonte, onde morava com a família. Moreno, como era conhecido no cangaço, entrou para o bando a convite do cangaceiro Virgulino, um dos integrantes do grupo, depois de ser barbeiro, caseiro e três vezes rejeitado pela polícia. O corpo de Moreno foi enterrado na manhã desta terça-feira no cemitério da Saudade, na capital mineira.

Ele vivia em Minas Gerais há 70 anos e segundo familiares veio para o Estado procurar tranqüilidade para viver com a mulher, Jovina Maria da Conceição, conhecida com Durvinha. Em 2008, o cangaceiro contou para o Terra que havia deixado o cangaço após os pais, amigos e um padre pedirem para eles abandonarem a vida cheia de riscos. Além disso, segundo a família, Durvinha tinha medo de ser degolada.

Segundo Nely Maria da Conceição, 60 anos, filha do casal, o pai já pedia para morrer há mais de dois anos, sempre chamando pela mãe. “Depois da morte de mamãe em 2008 meu pai entrou em depressão e sempre falava assim ‘Mãezinha vem em me buscar. Já vi tudo que tinha pra ver. Quero encontrar Durvinh’ ele estava sofrendo muito” disse.

Nely ainda conta que o fato de tanto Moreno quanto Durvinha serem enterrados em túmulos era considerado uma benção pelo pai. “Ele nos contava que no cangaço decapitavam os cangaceiros, mostravam a cabeça para o público e deixavam os corpos perdidos. Para meu pai, ser enterrado em um cemitério era uma coisa muito boa, uma benção. Por isso resolvemos fazer o que ele pediu, soltar foguetes no momento do sepultamento” afirmou.

A família ficou sabendo a verdadeira história do casal apenas em 2005, depois que Moreno, com problemas de saúde, revelou ter matado muitas pessoas e que abandonara um filho. Noeli da Conceição, uma das filhas do casal, também conversou com o Terra em 2008 e disse que chorou muito depois que descobriu o passado dos pais. “Eu estudei tudo aquilo que era o cangaço, sabia das atrocidades que eram cometidas, e meu pai me contou que fazia parte deles. Fiquei chocada. Fui para o banheiro, chorei muito e liguei para o meu namorado para contar a descoberta”, contou.

A partir desse ponto, Noeli encontrou o primeiro filho do casal, Inácio Carvalho de Oliveira, que hoje vive no Rio Janeiro como policial aposentado. Ele também esteve no enterro. O casal de ex-cangaceiros também recebeu homenagem em um livro “Morenos e Durvinha, amor e fuga no cangaço” escrito por João de Souza Lima.

A Saga dos Primeiros Grapiúnas

Uma singela homenagem ao centenário da cidade de Itabuna.


Por Roberto Carlos Rodrigues


“Meu nome é Manoel Constantino. Fui registrado com Manoel Constantino dos Anjos. Mas hoje sou somente Manoel Constantino. Os ‘Anjos’ se perderam pelos caminhos e por essas catatanas me chamam apenas de Caboclo Mané. Foi assim que eu fiquei conhecido desde o dia que eu acendi o meu primeiro tibero nos ares dessas terras do sul. É assim que eu gosto de ser chamado.

Sou um homem do mato, do tipo espótico que não gosto muito de gente não. Prefiro as feras das matas onde nascem as corindibas e os jequitibás. Dou-me melhor com os bichos, as plantas, os rios e os roçados. Gente mesmo, de carne e osso, não gosto muito não. De gente mesmo eu só tenho o porte e o andar, mas por dentro sou do mato feito o teiú, a onça e os papas-capins. Nasci na vulva do mato, vou viver sempre no mato e quando as pessoas forem se aproximando daqui, eu vou me afastando, como faz a saracura e a suçuarana. Sempre foi assim que eu vivi e sempre será até meu fim, com fé em nosso senhor Jesus Cristo!

O senhor deve está se perguntando com um bicho bruto como eu cheguei aqui e fiz toda essa roça praticamente sozinho. Como ceifei a mata, abrir a cabruca, fiz o soroiado, eregir a tapera, botei as sementes no chão e plantei tudo isso que o senhor ver com seus olhos. Eu lhe digo que para o senhor entender toda essa estória, o senhor vai precisar saber do começo, quando a terra ainda era virgem, com o seu cabaço feito de mato, bichos e feras. Não se aprerei não. Agora eu tenho a tarde toda pela frente e posso lhe contra desde o começo, do início de tudo. Espero que o senhor tenha a paciência do juriti para me ouvi e a mesma fé dos peixes que desovam no Rio Cachoeira. Se tiver essas coisas a nossa prosa será boa e as suas perguntas terão respostas.

Felix Severino

Quando eu bati os olhos em Severino eu logo vi que ele tinha sangue no suor, cheirava as folhas queimadas sob o sol e pisava no chão feito um touro marruá. Era o que eu precisava. Eu já tinha visto toda espécie de gente que as embarcações vomitavam em Banco da Vitória. Mas eu sempre tive a paciência como meu travesseiro. Por isso pude esperar o tempo que se fizesse necessário. Fiz a coisa certa. Esperei e o tempo trouxe Severino até aqui. Juntos viemos para cá, fizemos essas roças e hoje até podemos sorri das nossas façanhas.

Mas nem tudo foi alegria, facilidade e encontros. No começo a gente só tinha a coragem com a oração das horas. Mas dentro de nós havia uma vontade de vencer, crescer se tornar gente de responsabilidade, homens de respeito. Eu já sabia dessas terras e da força mágica desse chão. Eu já tinha vindo aqui diversa vezes, já conhecia cada planta destas bandas. Já sabia onde cantava cada pássaro e por onde passavam os ventos que rumavam para o sertão. Só precisava de um adjutório certo para fazer desse chão ser um berço de sonhos e riquezas. Foi Severino esse parceiro certo que Deus me botou no caminho.

Severino, como o senhor deve saber tem dois nomes. Ele diz que nasceu sendo chamado de Felix Severino de Oliveira, mas depois foi batizado como Feliz Severino do Amor Divino. É esse nome que ele gosta de falar completinho quando está com as autoridades das bandas da capitania de São Jorge dos Ilhéus. O povo daqui só o chama de Severino, pouca gente sabe que o seu nome mesmo é Felix. Ele gosta disso e me disse uma vez que esse nome soa em seus ouvidos como versos das noites dos seus antigos sertões. Ele morava aqui, mas o seu coração ainda está por lá, pelas suas terras torradas, onde o sol mata sem clemência e piedade e tudo que é vivo tem fedor de curtume.

Severino nasceu em 1826, na primeira quadra de novembro, no dia de número 20. Ele veio ao mundo nas terras sergipanas chamadas de Chapadas dos Índios, nas divisas com o Estado da Bahia. Viveu como gente e sofreu como tal. Um dia, cansado das agruras do seu sertão, ele abandonou as terras do canto puro do pássaro preto e veio para o sul da província da Bahia. Mal sabia ele que iria fazer uma história única e vencedora. Jamais imaginou que seu sonho seria tão grande.

Severino me disse um dia que não veio plantar uma roça ou mudar de vida. Ele veio para ser o embrião dessa linda cidade. Itabuna já estava dentro dele, desde criança sofrida da fome. Todas essas ruas, esse comércio e esse povo aguerrido já habitavam o seu imaginário sergipano.

Agora, vendo o centenário de emancipação de Itabuna, eu sei o quanto o meu amigo Severino tinha razão. Ele já sabia de tudo isso desde o primeiro dia que colocou os pés em Banco da Vitória. Ele sabia e eu acreditava nele, por isso acertamos juntos. Itabuna é o sonho de muita gente nascida aqui ou não. É o celeiro das esperanças e o redemoinho de toda essa região.

Sou um homem feliz por ter conduzido o meu amigo Severino até aqui. Seria bom que ele estivesse aqui para poder também conversar com o senhor e prosar sobre os seus novos sonhos. Mas infelizmente ele precisou viajar, foi para terras distantes, foi buscar mais gente para colocar em Itabuna. Essa é a sua labuta sem fim. Ele agora tem um novo sonho e seu novo roçado vai ser construído ali, aonde os ventos de Ilhéus chegam e do alto daquele morro se ver a Serra do Jequitibá. Severino me disse que daqui a alguns anos Itabuna vai ser a Capital do novo Estado chamado de Grapiúna. Eu não duvido não! Pois ele sempre acertou em suas previsões.

Como sempre, – se Deus permitir -, eu estarei com ele nesse novo sonho e juntos colheremos os primeiros frutos desse roçado de grandes esperanças. Itabuna, como o senhor bem sabe, ainda está em construção e é uma jovem senhora e daqui a uns anos tudo isso será do tamanho do sonho de Severino. Basta-nos o tempo como construtor das horas para tudo isso se tornar realidade. O senhor vai ver, pode acreditar!

Para isso tudo se tornar realidade, basta que a nossa Itabuna tenha somente um punhado de gente do calibre de Severino. Afinal, fazer cem anos representa apenas um segundo no calendário das esperanças

Como sempre, que assim seja.”

Versão para Impressão: A Saga dos Primeiros Grapiúnas

NOVA RÁDIO DE BANCO DA VITÓRIA

microfone1O Banco da Vitória agora tem a sua rádio oficial. Conheça agora a Rádio Banco da Vitória. A melhor seleção musical da Internet. http://radiobancodavitoria.blogspot.com/ Em breve teremos propagandas e anúncios.

Ouça a nossa rádio enquanto navega na Internet. A comunidade de Banco da Vitória agradece a sua audiência. Em breve, teremos uma programação mais eclética.

Ouça agora a nossa programação especial de final de semana.

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Antigamente em Banco da Vitória comia-se ate concreto.

gulaAntigamente, quem nascia em Banco da Vitória era conhecido como os ‘comem concreto’. Isso porque a nossa gente era boa de boca, comia de tudo e não fazia cerimônia na hora da mastigação. O nosso povo jamais soube o que era fome, pois tinha os frutos das matas, a abundância de caças e um rio farto de peixes e mariscos.

Gente magra em Banco da Vitória não existia. Todo mundo era buchudo e pançudo. Desde criancinha todo mundo aprendia a gostar de pirão de siris, de visgo de jaca e do travor do biri-biri. Comer siris e caranguejos se aprendia aos três anos de idade. Aos cinco anos já se sabia pescar carapicuns, robalos e moréias. Aos oito anos, os meninos mergulhavam no fundo do rio e de lá trazia siris, pitus e aratanhas. As meninas já sabiam pescar de redes e jererés.

Comer bem sempre foi uma das nossas qualidades maiores. Em Banco da Vitória todo mundo era bom de boca e comia de tudo. Na verdade a gente comia mesmo era de mão, desprezando talheres de todas as naturezas e fins. As frutas abundavam em todos os quintais. Eram bananas, mamões, jacas, abius, jenipapos, laranjas, carambolas, mangas, cocos e siriquelas. Nas beiras do rio Cachoeira havia as goiabas, araçás, canas, taramarindo, carambolas, groselhas, amêndoas etc. Junto aos pássaros, todos nós comíamos as frutas e éramos duros de sermos vencidos por doenças bobas.

Do rio cachoeira viam os peixes e mariscos. Eram as tainhas gordas, robalos ovados, carapebas, moréias, carapicuns, traíras entre tantos outros peixes. Os mariscos fervilhavam sobre as pedras. Eram siris, caranguejos, guaimúns cevados, moapéns, ostras, pititingas, camarões e os famosos pitus.

Das matas vinham as caça como as pacas, tatus,  teiús, veados, capivaras, sarués, jacaré e até jibóias que eram comidas pelos ‘bebúns’.

Naquela época frango se chamava galo e era comida de dia de domingo. Marcarão era comida de rico e leite em pó era capricho de poucos. O povo simples comia mesmo era feijão com arroz e farinha torrada e uma lasca de carne assada na brasa.

Moquecas e pirão faziam parte da nossa janta e sopa era comida de doente. As meninas quando estavam apaixonadas chupam limões com sal e pirão de mulher parida se fazia com caldo de galinha cozida no fogão a lenha.

No dia de Cosme e Damião se servia um farto caruru e tinha menino que corria as sete-freguesias e cominam mais de dez pratos da iguaria rara e deliciosa.

Agente não adoecia facilmente, pois éramos todos bem alimentados pelos ares de Banco da Vitória. Nos ‘babas’ de futebol, as canelas dos meninos se chocavam e só faltava sair labaredas das jogadas pouco amistosas. Raramente se via um menino ou menina com o braço ou pé quebrado. Tudo isso só era possível devido a nossa alimentação farta e principalmente natural.

 

As canas eram rasgadas nos dentes. O coco seco era  comido como pudim de menino pobre e o mocotó moqueado se comia desde pequenininho. Como não havia miojos e iogurtes, a gente se lambuzada de frutos e o próprio banho de rio já servia para trazer uns camarões para se comer aferventados.

Normalmente se tomava café com banana da terra, batata-doce, aimpim ou então fruta-pão.

Concreto mesmo a gente não comia, como se dizia. Mas barro era comida de muitas crianças da barriga verde. Tinha gente que não aquetava ver um buraco no reboca da casa de taipas. Ali se ajeitava e fazia uma boquinha naturalista.

Mas isso já é uma outra velha e longa estória do nosso Banco da Vitória do Rio Cachoeira.

Roberto Carlos Rodrigues