Livro Cabo Jonas – A Lenda Vive – COMPRE AGORA

CABIA JONASCABO 1

O maior mentiroso do Sul da Bahia. O homem de 1.001 profissões e 35 mil amigos. O ser humano mais amado dos bairros ilheenses do Pontal e Banco da Vitória. A lenda viva de Ilhéus (BA), Jonas Neves de Souza, o famosa Cabo Jonas é homenageado neste livreto onde são descritas algumas das suas pitorescas estórias.

Para quem gosta de estórias divertidas e mentiras bem contadas, este livreto em PDF é um prato cheio.

Conheça a história de Cabo Jonas e suas tantas gostosa mentiras. Saiba como ele fez para domesticar cobras, dar vida á artesanatos e principalmente surrar brigões e malfeitores.

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CABO 1

O maior mentiroso do Sul da Bahia. O homem de 1.001 profissões e 35 mil amigos. O ser humano mais amado dos bairros ilheenses do Pontal e Banco da Vitória. A lenda viva de Ilhéus (BA) Jonas Neves de Souza, o famosa Cabo Jonas é homenageado neste livreto onde são descritas algumas das suas pitorescas estórias.

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Não se fazem mais cachaceiros como antigamente – #2

Por Roberto Carlos Rodrigues

Com todo o respeito aos biriteiros, cachaceiros e cervejeiros da atualidade, posso afirmar que muitos desses alisadores de berços de copos americanos, nem se comparam aos bebedores de antigamente.

Em Banco da Vitória, há uns trinta e poucos anos, havia sim um respeitado grupo de comedores de água que passarinho não bebe. Havia uns cabras de coragem do cão. Negos que bebiam de um só gole um litro de destilada e depois nem cuspia no chão. Gente que bebia cachaça com cobras em infusão. Cachaceiros profissionais.

Jaracuçu, cobra-coral verdadeira, jararaca, cascavel, surucucu pico-de-jaca e cobra-cipó eram encontradas em infusões alcoólicas em todas as bodegas da nossa comunidade.

Havia também infusões de escorpiões, aranhas caranguejeiras, lacrais, centopeias e marimbondos.

LEIA O ARTIGO COMPLETO AQUI: https://bancodavitoria.wordpress.com/livros-prosas-e-causos/

 

O Bebê e o Garçom.

LIVRO: NÓDOAS ESCARLATES DO CACAU – ROBERTO CARLOS RODRIGUES
Prólogo escrito por Geraldo Silveira Goulart para o meu livro inédito Nódoas Escarlates  do Cacau.

Por Geraldo Silveira Goulart

No final da década de setenta do século passado fui morar no Rio de Janeiro, na Guanabara. Um choque cultural. Tudo lindo, tudo imponente, tudo diferente, moderno, brilhante. Como bom tabaréu de Ilhéus e me sentia maravilhado. Bairros diferentes e do tamanho de minha cidade, uns mais populares, outros mais chiques. Copacabana, Ipanema, Leblon… Cada um mais chique que outro. Leblon era… digamos… a Monte Carlo brasileira.

Um domingo meu irmão me falou que nós iríamos almoçar na casa de um amigo dele. – Coloque sua melhor roupa, sentenciou. Depois de uma checagem no meu visual e uma série de instruções comportamentais, nos dirigimos ao Leblon. O amigo morava na Delfim Moreira, apartamento de esquina, de cara para a praia. Muito, muito chique.

Chegamos, subimos e entramos em um apartamento imenso, lindo, palaciano. O amigo era amigo antigo, de Ilhéus. O apartamento era fruto da riqueza do cacau. Eu fiquei olhando, meio embasbacado, a sala imensa, piso de tábua corrida, sinteco que parecia um espelho, móveis de grife salpicados aqui e acolá. O lavabo era todo brilhante, espelhado, toalhas felpudas, sabonetes coloridos, papel perfumado. Quase não consegui verter minha urina plebeia naquele nobre vaso. Enquanto estava na sala, olhando a linda vista da praia do Leblon, um bebê engatinhava pela sala. – Quem é, perguntei. Era o filho do amigo de meu irmão, um neto das árvores dos frutos de ouro. Fiquei olhando, e brincando com a sortuda criança eu ia à praia no Leblon, passeava em carro importado e tinha duas babás. Guardaria na memória aquele domingo, aquele apartamento, aquele bebê.

O tempo passou, estudei, casei, trabalhei, fui morar nos Estados Unidos.

Quase duas décadas depois eu estava de volta ao Brasil, de volta a Ilhéus. Mudando de vida, mudando de ares, o bom filho a casa retornava.

A região estava em pânico e quase falida. A famigerada vassoura-de-bruxa havia chegado á região cacaueira dizimando fazendas e fortunas indiscriminadamente. Cidades definhavam, empregos desapareciam, uma legião de esfomeados se deslocava para Ilhéus e Itabuna. CRISE, na mais vil de suas definições.

Apesar disso o turismo ainda atraia gente, e outra novela da Globo havia novamente posto a cidade em destaque nacional. Abri uma pequena pousada e comecei vida nova.

Um dia meu irmão me chamou para comer uma pizza. Uma pizzaria havia inaugurado e ele havia provado e aprovado. Fomos então comer a pizza e conversar sobre a onipresente crise. Um jovem garçom muito educado nos atendia. Rápido, cortês e prestativo era o oposto dos garçons normalmente encontrados na cidade. Após servir a pizza ele perguntou a meu irmão se queria mais alguma coisa: – Mais alguma coisa, tio? Tio? TIO? Estranhando, perguntei a meu irmão. Ele olhou para mim e perguntou se eu não reconhecia o garçom. Neguei. Então ele explicou quem era.

Era ele, o bebê que eu vira engatinhar, quase duas décadas antes, naquele fantástico apartamento de frente para a praia do Leblon, Monte Carlo brasileira.

Julho 2017

Antigo Dicionário de Banco da Vitória – Versão 2019 – COMPRE AGORA!

CAPA DICIONÁRIO BAVIConheça as expressões e palavreados dos antigos moradores do bairro ilheense de Banco da Vitória. Saiba como esse povo plantador de cacau no Sul da Bahia usava um linguajar próprio para se comunicar e principalmente se divertir. Conheça o Antigo Dicionário de Banco da Vitória e descubra que atualmente muita gente não sabe quase nada desse “idioma” perdido no tempo. 

Você sabe o significam os termos: Arrelia, Bacural, Beirar o Beco, Banda-voou, Cair no Bolo, Colada, Cubar, Deforete, Eito, Insangado, Rede rasgada, Oliotria, Furada, Correr Sete Frequências e Macacoa, por exemplo? 

SE NÃO SABE, CHEGOU A HORA DE SABER!

Conheça o livreto Antigo Dicionário de Banco da Vitória e descubra mais de 1.000 expressões utilizadas pelos antigos moradores dessa localidade do município de Ilhéus BA.

Divirta-se aprendendo e ajudando as instituições sociais do Banco da Vitória. Adquira já o livreto Antigo Dicionário de Banco da Vitória e receba ineditamente uma versão em PDF no seu e-mail.

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Esse nosso “dicionário” está mais para “O pai dos burros cegos”, como se dizia antigamente, do que para um propriamente léxico. Portanto, a leitura deste livreto se propõe exclusivamente a diversão e não aos ensinamentos.

Por certo, a leitura deste livreto não vai fazer de você um “Ovo de duas gemas”, mas pode ser que você se torne um “Galalau” na curiosidade do saber.

Tenha boa leitura,

Roberto Carlos Rodrigues.

 

 

Pequena Crônica Ilheense

Por Roberto Carlos Rodrigues

CACAUEm Ilhéus, no século passado, abaixo de Deus, o cacau reinava e comandava. Nem Satanás ousava aparecer por aquelas bandas. O chocolate, com seu gosto adocicado era apenas uma mistura de suor com vaidades e mais umas gotinhas de ilusões. Bebida dos deuses, colchões dos coronéis. Incentivador de sonhos de todos os quilates. O povo marrom dos berços carnudos vivia sorrindo, como quem vive em num sonho sem fim que se sonha acordado. Tudo era belo, possível e ao alcance dos dedos. Uns eram ricos de fato. Outros, de conversas. Quem nascia em Ilhéus era, de alguma forma aparentado com os frutos de ouro. Uns eram filhos, outros irmãos, tios, netos, primos, avós. Apenas o trabalhador rural era vizinho distante. Muito distante. Riqueza por todos os cantos. Progresso pelos ares. Mansões, castelos, talheres de prata todos os dias nos almoços e nas jantas. Na cidade, fábricas e grandes lojas por todas as ruas. Empregos e oportunidades por todos os ares. Um dia, uma bruxa apareceu por aquelas plagas. A velha desgraçada, montada na sua vassoura feita de galhos secos de cacaueiros, açoitou os ares daquele lugar por toda a noite e disseminou sua peste pelos quatro cantos do território da antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus. O cacau quase morreu. Definhou nos galhos. Apodreceu no chão. Nem semente teve para manter a linhagem. Quase sumiu. O povo do lugar, sofreu mais que as roças de cacau queimadas pela peste da vassoura de bruxa. Uns morreram de desgostos, outros de raiva. Os mais fracos se mataram, os mais fortes fugiram. Ilhéus, a antiga princesinha do sul da Bahia, se contentou com posto de dona de pousada e agora vive de suas velhas lembranças e dos seus belos horizontes. O cacau que antes era quase um deus para aquele povo, agora é apenas um macumbeiro sonhador que dizem que anda fazendo milagres por aquelas bandas. De ebós e mandingas, de rezas e patuás, há quem diga que em algumas roças, um novo cacau cresce e floresce, viçoso e cheiroso, iguais seus tataravôs no início do século passado. Há quem não acredite nisso e diz que os novos frutos dos cacaueiros são adubados com novos suores, novos rostos. Só isso. Em Ilhéus, no início deste século, abaixo de Deus, o cacau não reina nem comanda. Mas ainda faz muita gente sonhar. Principalmente, os que não são filhos desta terra.

Defuntos no Banguê e a Ladeira do Descansa Caixão.

PROSA CAPA 3

rede 2Por Roberto Carlos Rodrigues.
 
Antigamente os mortos das regiões rurais de Banco da Vitória eram conduzidos das suas casas até o cemitério da localidade em um tipo de transporte chamado Rede de Banguê. Normalmente, nessas ocasiões, se cortava um pau de Biriba com aproximadamente três metros de comprimento e neste era pendurada uma rede, onde era transportado o morto. Dois homens fortes se encarregavam de conduzir a rede com o defunto e o pau apoiado nos ombros. Ao longo do caminho até o cemitério, os carregadores se reversavam no transporte do morto.
 
Quando o defunto era das regiões de Maria Jape, Japu, Beco, Rio do Engenho, Demanda ou Repartimento, este era conduzido no banguê até a beira do rio Cachoeira, onde era colocado em uma canoa e posteriormente, na Pedra de Guerra, transferido para um caixão de defunto.
 

A Morta-viva do Rio Cachoeira

enterro-2Por Roberto Carlos Rodrigues

Parece fácil a vida de um cronista que resolve reviver a memória do seu povo e de sua aldeia. Mas não é. Muitas vezes os fatos acontecem e as pessoas simplesmente esquecem ou fingem quem não sabem dos ocorridos. A estória que vou descrever agora aconteceu em Banco da Vitória, no início da década de sessenta do século passado e, graças a Deus, muita gente ainda está vivinha da silva para comprovar que não minto, ou que é fruto da minha imaginação. Naqueles dias, em Banco da Vitória uma mulher dada como morta, reviveu em pleno ato fúnebre.

Foi exatamente em um domingo de Feira em Banco da Vitória que chegou a notícia da morte de Dona Maria D’ajuda, mulher de um trabalhador da fazenda Porto Novo e moradora da localidade chamada O Beco.

LEIA O ARTIGO COMPLETO AQUI: https://bancodavitoria.wordpress.com/livros-prosas-e-causos/

Chupa Brasa – O Temível molho de pimenta de Banco da Vitória.

Por Roberto Carlos Rodrigues.

pimenta 2Como era bem sabido por todos os ribeirinhos e matreiros do sul da Bahia, as crianças de Banco da Vitória aprendiam comer pimentas assim que largavam as mamadeiras de vidro. Era comum naquela época encontrar os barrigudinhos daquelas barrancas lascando nos dentes pedaços de carne de jabá assada na brasa, lambuzada com farinha e pincelada no molho de pimenta doce – para ir treinando os buchos infantis.

Meninos e meninas do antigo Banco da Vitória comiam de tudo que pudesse passar pelas gargantas. Siris, camarões, moreia, caruru, pacas, jacarés, miolo de boi, buchada de bode, carne de pescoço de boi, enfim, comia-se de tudo, desde que fossem acompanhado de duas iguarias culinárias: farinha de mandioca e molho de pimenta.

Nos quintais das casa de Banco da Vitória não podiam faltar pés de pimentas. Eram pimenteiras repletas de Malagueta, Dedo-de-Moça, Cumari, De Cheiro, de Bode, Chapéu-de-Frade, Biquinho e Do Reino.

As pimentas temperavam pratos cozidos, assados, crus e até frutas. Uma coisa era certa: no antigo distrito de Ilhéus não se comia sem pimentas – e farinha – é claro.

Cada casa tinha uma cumbuca para fazer o molho de pimentas frescas. Dentro dos armários ficavam as pimentas em conservas e nos quintais centenas de pimentas penduradas em cheirosas e brilhantes pimenteiras.

Contudo, dos molhos de pimentas de Banco da Vitória, o mais temível era o alquímico cozido feito pela viúva dona Alzira da Beirada. O molho do capeta era chamado de Chupa Brasa e tinha motivos de sobra para ser admirado por uns e malvisto por tantos outros.

Dona Alzira da Beirada era uma pequena agricultora que nos finais de semana vendia temperos na antiga feira de Banco da Vitória e entre seus produtos estavam as famosas garrafas de meio litro com o caldo do vulcão do diabo. Era o famoso molho Chupa Brasa.

O produto era tão cobiçado que precisava ser encomendado e normalmente as 20 garrafas trazidas para a feira dominical eram logo vendidas.

O molho Chupa Brasa era famoso em todo sul da Bahia, e se dizia que mais de uma dúzia de gulosos já tinham morrido tentando provar beber uma colher cheia do tal condimento.

Zé de Lidão morrera no bar de João Ruim, depois de comer um prato de fatada regado com duas colheres do temível Chupa Brasa. Assisinho, filho do fiscal Jonatas Oliveira, foi parar no hospital, com um soluço intermitente depois de comer uma peixada também lambuzada no Chupa Brasa. Quase morreu. Dona Filomena Gouvêa quase perdeu os lábios por causas das queimaduras provocadas pelo tal molho de pimenta.

Histórias de pessoas que sofreram de dores de estômago, fígado e no ânus (provocadas por loucas hemorroidas) após comeram o tal molho de Dona Alzira da Beirada não faltavam na feira de Banco da Vitória.

A dona da receita do molho dizia para seus clientes:

– Pinga uma gota só no prato e dilui na água de limão, para não perder a comida. Esse molho é forte feito o cabrunco. Mata a sogra e sogro. Mata qualquer um que for guloso. Falava sorrindo a vendedora.

Quando perguntada sobre a receita do temível molho Chupa Brasa. Dona Alzira desconversava e dizia:

– O segredo está na quantidade exata das pimentas. São 77 de cada tipo. 7 tipos de pimentas. 539 motivos para arder e queimar as goelas. Matematizava alegremente mas não dava o segredo da tal iguaria para ser ingerido por machos com m maiúsculo.

O famoso molho de dona Alzira da Beirada não podia faltar nas mesas dos fazendeiros de Ilhéus. Muitos usavam o tal condimento para desafiar convidados para os almoços e jantares. Mas poucos comilões se atreviam ir além da dose recomendada pela feirante de Banco da Vitória.

Um dia, já tomada pela idade avançada e cansada da lida na roça, Dona Alzira adoeceu e se acamou. Os temperos foram sendo vendidos pelas filhas e netas, mas ninguém conseguia replicar a receita do molho Chupa Brasa. A freguesia domingueira da feira de Banco da Vitória sofreu com a falta que fazia Dona Alzira da Beirada e seu famoso molho, o temível e arredio Chupa Brasa.

Libório Cruz, cachaceiro e conversador dos bares e bodegas de Banco da Vitória, alardeava que sabia qual era o segredo do molho de pimentas de dona Alzira.

– Eu sei. Eu sei. Só não conto porque jurei segredo a minha madrinha. Nem as filhas dela sabem. Só eu sei. E não conto para ninguém, em respeito à minha dinda, que tá tão doente, mas nas mão de Deus. Alardeava o bêbado.

– Se eu quisesse, iria ficar rico com a receita do molho Chupa Brasa. Ia ficar bilionário. Mas, sou homem de palavra. Não conto para ninguém. Eu sei mas não conto. Não adianta perguntar. Falava o bebum escorado no balcão seboso da bodega Alvorada, na esquina da Rua do Campo.

Dona Alzira da Beirada morreu e foi sepultada numa manhã calorenta de janeiro. No mesmo dia, no final da tarde, Libório Cruz entrou na bodega Alvorada, bebeu até quase perder as pernas e por fim disse para os tantos frequentadores do estabelecimento.

– Agora que minha madrinha tá morta e sepultada, eu posso contar o segredo do famoso molho Chupa Brasa. Minha madrinha cozinhava as pimentas malaguetas na urina dela. Ela aparava o mijo da semana inteira no pinico de metal e guardava o azougue num tonel no fundo da casa e na hora de cozinhar o molho de pimentas ela regava o caldeirão com o liquido cáustico do tonel.

Era mijo fermentado o segredo daquele ardor do cão. Mijo. É mijo de velha. Esse era o segredo do Chupa Brasa. Tá revelado.

Em Banco da Vitória. Muita gente não acreditou nas revelações do bêbado Libório Cruz. Mas por via das dúvidas, nos dias seguintes, várias garrafas do temível Chupa Brasa foram jogadas fora.

A verdadeira receita e os segredos do temível molho de pimentas morreram junto a sua criadora. O Chupa Brasa saiu do cardápio daquela gente. As comidas ficaram mais doces em Banco da Vitória.

A Ilhéus da Minha Época

alcidesPor Alcides Kruschewsky

Eu nasci em 09 de abril de 1960, na rua D. Eduardo, número 25, no centro. Hoje, alguns a chamam de “Beco do Vezúvio”. O parto aconteceu no quarto de meus avós Alcides e Hilda. Enquanto minha avó Elvira, mulher de vovô Zuca Bastos(ambos emprestados de tio Guiga) adentrava o quarto com uma tesoura a querer cortar o meu umbigo, para desespero dos presentes, meu pai, que saiu em tresloucada correria na busca de Doutor Moura Costa, caía da lambreta. Só depois, minha mãe e eu fomos levados à maternidade Santa Isabel para cuidados e observações.
Quando me dei por gente, comecei a entender ao meu derredor e que esse arredor era o que chamamos de Ilhéus. Aqui, sempre perto da praia, esta era a extensão do nosso quintal e, as nossas casas se estendiam às calçadas. Aprendi a ler muito cedo, antes da idade escolar, com Diva Halla , na casa de seus pais, que do quintal até a frente, na rua Coronel Paiva, cercava literalmente, o Bar Maron. Era tudo divertido e ia para às aulas onde veria o relógio “cuco”, anunciando cada hora, inesquecíveis horas, com muita satisfação.

Passava na porta do Bar Maron e sempre cumprimentava Dona Lurdes, sentada à porta numa cadeira de lona diretor, aproveitando a brisa: – “ Boa tarde Dona Lurdes”! – “ Boa tarde , Alcidinho, como vai Silvinha e sua avó? Aproveitava para respirar fundo, sugando o delicioso aroma de quibe frito que exalava da cozinha magistral daquela senhora, esposa de Emílio Maron. Às vezes ela me parava para mandar algum mimo para minha avó e, às vezes, eu ia levar-lhe flores que vinham do Rio do Braço, dos jardins de Vovó. Essa troca de gentilezas era comum, Ilhéus era assim.

A “minha rua”, e isto quer dizer mais do que rua, uma turma de amigos, quarteirões de gente que se conhece, posso afirmar, era a maior e melhor do mundo, pois era quase do tamanho da cidade, um território. Marcávamos esses postes, como fazem os cachorros, com xixi. Corríamos essas ruas, ladeiras, morros e praias de pés descalços e passeávamos de trem, barcos, velhos ônibus ou de bicicletas, algumas reformadas, nos trinques. Dominávamos as praias, suas ondas e correntes com a habilidade inata dos praianos.

Então, em minha memória, como na de tantos, estão rostos, nomes, costumes, expressões e lugares. E isso é Ilhéus! Continuar lendo