Não se faz mais cachaceiros como antigamente – #2

Por Roberto Carlos Rodrigues

Com todo o respeito aos biriteiros, cachaceiros e cervejeiros da atualidade, posso afirmar que muitos desses alisadores de berços de copos americanos, nem se comparam aos bebedores de antigamente.

Em Banco da Vitória, há uns trinta e poucos anos, havia sim um respeitado grupo de comedores de água que passarinho não bebe. Havia uns cabras de coragem do cão. Negos que bebiam de um só gole um litro de destilada e depois nem cuspia no chão. Gente que bebia cachaça com cobras em infusão. Cachaceiros profissionais.

Jaracuçu, cobra-coral verdadeira, jararaca, cascavel, surucucu pico-de-jaca e cobra-cipó eram encontradas em infusões alcoólicas em todas as bodegas da nossa comunidade.

Havia também infusões de escorpiões, aranhas caranguejeiras, lacrais, centopeias e marimbondos.

Os apreciadores dessas infusões venenosas diziam que cachaças com cobras em conservas eram verdadeiros elixires. Curavam de tudo, desde tuberculose a reumatismos. 
Clareavam a vista e combatia a diabete. Restauravas a tesão e debelava o impaludismo.

Havia em Banco da Vitória uns biriteiros que a cada dia, antes de tomar uma cerveja gelada, queimavam as goelas com uma dose de cana com cobra dentro.

Hoje em dia, só temos bebedores de cerveja gelada e raros são os amantes do conhaque Cinco Estrela ou do queima-peito chamado de Rabo de Galo.

Atualmente em Banco da Vitória não se encontram mais nem cachaça com charangueiros dentro. Quiçá, sapos, gias, calangos e lagartixas.

Beber cerveja gelada é fácil. Quero ver mesmo é beber uma cana com uma Pico de Jaca na conserva há mais de três anos.

Tenho vergonhas desses bebedores medrosos de hoje em dia.

Oh! Saudade danada dos cachaceiros de antigamente.

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