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Os maravilhosos sabores de Banco da Vitória

boloPor Roberto Carlos Rodrigues.

As minhas melhores lembranças de Banco da Vitória do Rio Cachoeira são todas com contemplativas. Lembro-me dos cheiros dos ares da nossa terra, do gosto de mato fresco do nosso antigo Rio Cachoeira, dos aromas das casas que exalavam delícias, do cheiro bom da nossa gente.

Tudo neste lugar tem um perfume especial, uma aroma de mato, um gosto especial e único, com pitadas de gotas celestiais.

A água da Bica da Água Boa é doce, o ar das ruas  é fresco e o cheiro de comida se sente por todos os lados e ares.  Iguais aos pássaros, somos todos atraídos pelos cheiro das coisas e das cores. Vivemos, na verdade, hipnotizados pelos os cheiros  brejeiros deste lugar salpicado pelas babas do Oceano Atlântico.

Abaixo vou citar algumas lembranças de gostos, odores  e sabores desse nosso lugar amado e jamais esquecido. Eis algumas lembranças oftativas e degustativas de Banco da Vitória.

Relembre dessas coisas comigo:

O lelê de Dona Maroca;

A moqueca de moréia preta feita por Dona Chica;

A moqueca de robalo de Ivone Soares;

O pudim de pão de Ivone Santos;

Os bolos de tapioca de Dupó;

Os bolos de Ivony;

Os acarajés de Baiana;

Os licores de Dona Cabocla;

A fatada de Dona Constância;

Os camarões aferventados de Dona Elza;

As canas do quintal de seu Cazeca;

As jacas da Fazenda Vitória;

As goiabas do Baití;

Os churrascos do Bar de Juarez;

Os pasteis de Teça;

Os quibes de Dona Vilma (vendidos por Dui!);

Os moapens cozidos de Dona Conceição;

A feijoada de Dona Lindaura;

A farinha de Dominguinho;

Os pães de Seu Pedro Preto

Os cavacos de minha prima Vera Lúcia;

Os sorvetes de Dona Lia;

Os geladinhos de Dona Nilza da Carlos Cambal;

As batidas de frutas de Ziba;

Os camarões na moranga de Marta Duarte;

A carne do sol de Lílian e Marísio;

Os corações de boi assado por Seu Diva;

As laranjas de Belmiro;

Os pitus de Gogó de Sola;

Os siris de Cundunga;

Os gaiamuns de Roque de Dedé;

Os camarões de Tonho de Miguel Farias;

Os pasteis de Celuta;

O caruru de Neguinha;

A jacuba de Pedrão;

O quentão de Ariéis;

A cachaça desdobrada de Seu Joaquim;

O gato cozido por Bigode;

Os mamilos assado por Zé Carioca;

Os úberes assados por Zé da Alinhagem;

O licor de jenipapo de Dona Raquel;

O tatu cozido por Dona Maria Cardoso;

As cocadas de Dona Iracy e Dona Demy;

A jabá com abóbora de Dona Inês;

O caruru de Dona Eunice;

O banho de Flor de Dona Licinha;

O churrasco de rabo de porco de Seu Nafital;

O cozido de porco de Tonho de Nouzinho;

O filé com pão de Adalto Maia;

As cervejas mornas do Bar de Dalila;

A 51 do Bar de Lindor;

Os peixes de Renato;

Os cocos de Carmerindo;

As moquecas de pitus de Pitu;

Os cozinhados de Dona Vaninha;

Os churrascos de Paulo, Tonho e Nem;

Os churrasquinhos de ‘gatos’ de Carrinho;

Os salgados de Dona Loura (vendidos por Marcione);

O pirão de Dona Rosilda;

O mocotó cozido por Célia de Formiga;

A lingüiça de porco feita por ser Ailton;

O sarapatel de Luisão;

A carne de porco vendida por Pedro Melo;

Os refrigerantes gelados do Bar Zebrinha de Josias Xavier;

Os doces de carambolas de Dona Alice Lavigne;

Os tira-gostos de salame com limão do bar Taiobinha de Seu Julho;

Os peixes fritos do Colóio;

A passarinha frita do bar de Xisto Gomes;

O pão com sardinha do armazém de Seu Zé Cotoco;

Os picolés de Dona Lia;

As bolachas de ararutas da venda de Dona;

O amendoim cozido da barraca de Zé Jatobá;

As pizzas de Suquinha;

A água de coco engarrafada de Seu Laércio;

0s peixes vendidos por Zé Carlos de Zé Bisco;

As bananas da terra de Seu Nelson do Morro;

Os tatus de Ruy;

0s aipins de Edvaldo…

Tudo nesse lugar cheira a felicidade. Tudo tem gosto  de saudade. Tudo é gostoso de se dizer e sentir!

Banco da Vitória do Rio Cachoeira, tudo em ti lembrar os ares do paraíso dados aos índios tupiniquins. Adubai os nossos sonhos e fermentais as nossas doces lembranças. Dá-nos somente os dias e suas dignas labutas, pois as noites são para sonhar com os seus cheiros, gostos e paisagens.

Nafital de Souza – O ‘Inventor’ do Churrasco de Banco da Vitória

PROSA CAPA 3

Por Roberto Carlos Rodrigues

A tradição de comer carne assada em Banco da Vitória se reporta aos velhos tempos quando se assavam carnes de bois ou de porcos nas fogueiras do Matadouro Municipal de Ilhéus e as comiam como tira-gostos em bares da região de Banco da Vitória. Quem iniciou esse hábito pitoresco no “quiosque” de Dico, próximo ao Matadouro, foi o saudoso funcionário da Prefeitura Municipal de Ilhéus, Seu Nafital de Souza, (pronuncia-se Nefital) marido da ‘nossa’ amada professora Gláucia Rocha.

Nefital era um intelectual primoroso e leitor compulsivo. Tinha o hábito de andar sempre com um livro nas mãos e era um exímio jogador de futebol (lateral esquerdo do Ypiranga de Zeca Serafim).

Além de trabalhar na Administração do Distrito de Banco da Vitória como Escrevente, Nafital também atuava como açougueiro amador nos finais de semana, na feira de Ilhéus.

Nafital, acompanhado dos seus amigos Pedro Melo, Tonho de Nouzinho, Ailton Costa, Zé Carioca, Zé da Linhagem, Formiga, Buré e vários outros homens do ’sangue’, adoravam comer carnes assadas e distribuir espetinhos para os amigos e fregueses dos bares próximos ao matadouro.

Foi Dico, antigo administrador do distrito de Banco da Vitória e dono de um bar próximo ao matadouro quem primeiro viu uma oportunidade de negócios na ideia de Nafital e profissionalizou o famoso ‘assado’. Com isso se iniciou o ciclo da tradição de churrascarias em Banco da Vitória.

Depois do sucesso da churrascaria de Dico com o mamilo assado, vieram os Bares de Seu Diva e de Juarez, – esse último que se tornou um dos mais famosos churrascos de Ilhéus, nos anos 80 e 90 do século passado.

Em pouco tempo o cheiro do Banco da Vitória se tornou o aroma dos churrascos de mamilos. ali, o cupim do boi se tornou tão famoso quanto os pitus e robalos do Rio Cachoeira.

Hoje Banco da Vitória têm verdadeiras churrascarias altamente profissionalizadas que oferecem diariamente carnes de alta qualidade para mais de três centenas de clientes. Tudo isso cria empregos e oportunidades para muita gente da nossa comunidade.

Por certo, Seu Nafital, com os seus famosos ‘assados’ de rabo e lombos de porcos, jamais imaginou que o seu hábito culinário iria transformar todo o bairro de Banco da Vitória. Devemos tudo isso a ele e os seus amigos de boêmia e comilanças.

Quando em dias de folgas, Seu Nafital gostava de andar sem camisa, usando uma bermuda larga, que ele dobrava na cintura, como se a prendesse para não a deixar cair. Ele era uma amante mor do pingado chamado de rabo-de-galo e dizia que só bebia comendo.

Nafital era um pacifista nato e homem muito respeitado em nossa comunidade. Mesmo trabalhando no matadouro, ele jamais usava uma faca na cintura. Preferia mantê-las enroladas em panos e escondidas dentro do seu tradicional bocapio, que sempre vinha pendurado no seu braço esquerdo. Só tinha uma coisa que deveras lhe irritava: pessoas que falavam mal de Banco da Vitória. Para essas mal-quitas, ele mostrava o caminho da rodagem e dizia: – Ilhéus fica logo ali e Itabuna fica na outra direção. Ides!

Nafital costumava ir se banhar no Rio Cachoeira no inicio das noites. Normalmente ele ia até a Pedra de Guerra, com uma tarrafa nas costas e ficava contemplando o rio cachoeira, as matas da outra margens e o céu ímpar de Banco da Vitória. Depois pegava uns peixes, se banhava com o famoso sabonete ‘Vale Quanto Pesa’ e  voltava do seu banho noturno. Minutos depois, ele se sentava na porta da sua casa, – que ficava em frente ao Clube Social -, e mergulhava nas suas leituras. Depois de dois dedos de prosa com seu Josias Xavier e seu Faustino, ele ia dormir no aconchegante leito do seu lar.

Numa noite de um triste domingo, ficamos sabendo que Nafital de Souza não iria voltar mais para casa, nem para a administração do distrito, nem para o matadouro. Morrera em um acidente de carro bem em frente onde hoje tem o Hospital Regional Costa do Cacau.

Chamado por Deus, ele foi ensinar a arte de fazer churrascos vegetarianos para os anjos e querubins. Até hoje ele continua pescando estrelas nos vastos universos celestiais.

O Banco da Vitória precisa fazer uma homenagem a esse ser humano tão importante para a nossa história e cultura. Afinal, todas as vezes que você sentir o cheiro dos churrascos nos ares do Banco da Vitória, lembre-se que tudo isso começou com ele, Nafital ‘dos espetos e assados’ e seus amigos.

Nafital de Souza era realmente um homem que sabia reunir amigos e construir belos sonhos sob sua áurea. Sua família é prova disso. Tenho orgulho de ser seu conterrâneo. Eu e o Banco da Vitória inteiro.

P.S.: No dia 03 de Julho de 2019 foi publicada no diário Oficial de Ilhéus, a Lei 4.024  sancionada pelo prefeito Mário Alexandre que nomeia a antiga Rua do Posto de Saúde, em Banco da Vitória, como Rua Nafital de Souza.

Esse texto faz parte do livro Cotidianos de Banco da Vitória Volume 2

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A verdadeira história da Usina Vitória

A verdadeira história da Usina Vitória

joseleitePor José Leite de Souza,

Presidente da Associação Comercial de Ilhéus

A história da criação da fábrica de chocolate em Ilhéus, a Usina Vitória, começou em 1918 com a Associação Comercial de Ilhéus através da sua diretoria que tinha como presidente, na época o Sr. Hugo Kauffmann, que adquiriu do coronel Ramiro Ildefonso de Araújo Castro um terreno para ser construída a primeira usina modelo de secagem, esterilização e beneficiamento dos frutos do cacau.

Construído um prédio no dito terreno, tempos depois foi inaugurada a primeira usina de propriedade da Associação Comercial de Ilhéus, localizada na Baixa da Pimenta, hoje Rua Maria Quitéria, onde até o começo da década de 70 funcionou no antigo prédio a cadeia pública de Ilhéus. Neste mesmo local, hoje esta localizada a delegacia do Ministério do Trabalho.

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A usina funcionou por pouco tempo, porque os maquinários adquiridos eram mais produtivos para o beneficiamento de cereais.

O arrendamento do prédio da usina

Verificada a inutilidade das máquinas da usina de beneficiamento de cacau, as quais só se adaptavam aos cereais, propôs os Srs. Hugo Kauffmann & Cia., comerciantes nesta praça, o arrendamento do Prédio para a montagem de uma fábrica de chocolate.

Depois de pensar sobre o caso que exigiu ponderada reflexão da diretoria da Associação Comercial de Ilhéus em virtude de já está acordado com o Dr. Mário Pessoa, Intendente Municipal de Ilhéus, a cerca da troca daquele imóvel por um terreno de propriedade do município situada á Praça Conselheiro Luiz Viana no qual pretendia ser construído o prédio social desta Associação.

A diretoria considerando os reais benefícios que viriam com a instalação de uma fábrica de chocolate no município resolveu aceitar a proposta dos Srs. Hugo Kauffmann & Cia. tendo na ocasião o presidente da Associação Comercial, o Sr. Leovigildo Penna, procurado o Dr. Mário Pessoa a quem comunicou o novo rumo tomado.

O contrato de arrendamento do prédio da usina foi assinado no dia 1º de Agosto de 1927 para uma período de 5 anos.

No ano seguinte, diante da necessidade de ampliar a sua fábrica, o Sr. Hugo Kauffmann solicitou da Associação Comercial que comprasse do Cel. Ramiro Castro os terrenos contíguos para serem incorporados ao prédio principal. Os terrenos foram comprados e construído mais um galpão no qual foram instalados novos maquinários, conforme constam nos anais desta Associação Comercial. A construção das instalações da usina Victória nas proximidades do antigo porto de Ilhéus foi posterior.

Assim sendo, fomos surpreendidos com o conteúdo de uma nota do Dr. Hugo Kauffmann Jr. com o título “Declaração á Imprensa Sobre a Ignomínia do Ataque e Destruição da Usina Victória”, publicado numa edição do “Jornal Tribuna do Cacau”, com data de 14 á 21 de junho de 2008, impresso na cidade de Itabuna.

Informamo-lhe, Dr. Hugo Kauffmann Jr., que esta Associação Comercial de Ilhéus em nenhum momento realizou reunião ambígua.

Lembramo-lhe que nesta casa que tem como um de seus fundadores o Vosso Pai, o Sr. Hugo Kauffmann, nunca se tratou de ambigüidade. Esta Associação Comercial de Ilhéus sempre esteve e continuará ao lado dos seus associados, dos empresários em geral e dos interesses da sociedade ilheense.

Ao contrario do que Vossa Senhoria insinua na sua “Declaração” a reunião, na segunda quinzena de fevereiro na sala da presidência desta Associação, da qual o senhor foi convidado a participar, e compareceu, foi realizada com o claro objetivo de solicitar do Grupo Kauffmann dar uma utilidade para o prédio abandonado e já se transformando em escombros, da velha Usina Victória.

A Associação Comercial de Ilhéus, através dos diretores presentes na referida reunião transmitira-lhe a preocupação da sociedade local, assustada, com os constantes desabamentos do telhado apodrecido do prédio abandonado.

Na ocasião lembramos ao senhor que as velhas instalações da Usina Victória ficam no centro da cidade e junto a um terminal de transportes coletivos urbanos, e havia se transformado num refugio para delinqüentes, muitos dos quais furtando peças do velho e abandonado maquinário da antiga fábrica.

Assim, naquela ocasião, solicitamos do Senhor dar uma utilidade para o local, transformando-o, inclusive num museu ou algo parecido, reativar a Fábrica, vender ou pelo menos reformar e pintar.

Portanto, ao contrario do que o Senhor insinua na sua nota, não havia naquela reunião, nunca houve e não haverá, nesta casa nenhum “preparativo” ou “planejamento” para a demolição ou desapropriação do prédio abandonado da antiga “Usina Victória”, até porque, esta casa, desde a sua fundação não se prestou a conluios com quem quer que seja. Lembrando a V.S. que a história da Usina Victória começou nesta Associação Comercial de Ilhéus.

Portanto, pensar ou julgar assim é macular, a história e a memória daqueles empreendedores, entre eles o Sr. Hugo Kauffmann, vosso pai, que pensavam no bem da cidade e que ajudaram a fundar esta Associação Comercial, cujos princípios continuam norteando as nossas ações.

Fonte: http://www.acordameupovo.blogspot.com/