Em Banco da Vitória, não se faz mais bêbados como antigamente.


bêbado-capa

Por Roberto Carlos Rodrigues.

A aguardente é tão velha quanto a humanidade. Sempre, onde há seres humanos, existe álcool em forma de bebidas. Em Banco da Vitória a cachaça tinha diversos nomes e apelidos. Desde Fubuia, Fofa-Toba e Desdobrada, (para as canas de baixa qualidade) e até nomes pomposos como Rainha, Lágrima de Virgem e Urina de Santo para as bebidas mais requintadas, finas e caras.

Segundo relatos históricos se fabricou cachaça na Fazenda Victória por séculos e a aguardente deste local era apreciada pela burguesia do cacau.

No meio do século passado, a Cana de Ilhéus, nome da cachaça produzida na Fazenda Victória era até exportada para a Europa e Estados Unidos e somente os ricaços de Ilhéus podiam comprar e saborear essa fina iguaria etílica.

Além de fabricar uma das melhores cachaças da Bahia, o Banco da Vitória também sabia produzir bêbados famosos, problemáticos, brincalhões e alegres. Eram verdadeiras lendas movidas a álcool.

Os bebuns de Banco da Vitória tinham uma característica peculiar que era beber até cair. Beber para não embebedar não valia. O negócio era beber até cair, ralar os cotovelos e cortar os queixos. Quando isso acontecia, tinha valido cada centavo gasto na bebedeira.

Não vou citar aqui os nomes dos bêbados famosos de Banco da Vitória para não arrumar novos inimigos ou longas desavenças. Mas, em matéria de bêbados, posso afirmar que pouco lugar do mundo teve tantas celebridades etílicas, quanto a nossa comunidade.

Em Banco da Vitória, a cachaça recebia também diversos nomes, como Quebra-goela, Iaiá-me-sacode, Bagaceira, Danada, Lagrima de virgem, Remédio, Ximbica, Tira-juízo, Saideira, Lamparina entre tantos outros nomes.

Segundo Antônio de Isaías, profundo conhecedor de água azeda de cana-de-açúcar, beber cachaça é bom. Agora tem as condições de saber beber. Pois a cachaça, segundo Isaías, tem de ir direto para a cabeça e não para o estômago. Pois cana na barriga maltrata o fígado e irrita as tripas. Dizia. Já a cana na caixola deixa o cidadão tonto e principalmente alegre.

Segundo a autoridade etílica anteriormente descrita, o ruim da cachaça é quando ela vai para as pernas. Aí é queda na certa. Fica o bebedor no prejuízo.

Quando o assunto era música e cachaça, a toada Eu Bebo Sim, cantada originalmente por Elza Soares, sempre foi a trilha sonora dos bebuns locais. Por conta da exaltação do refrão desta música, muita gente partiu, em nossa comunidade, antes do combinado.

Não sei o que aconteceu com a qualidade das atuais cachaças vendidas em Banco da Vitória, pois elas não produzem mais os bêbados alegres, mentirosos e conversadores como os de antigamente.

Hoje os bebuns de Banco da Vitória são todos morfinos, preguiçosos e sem alegrias. Nem parecem que bebem para se alegrar, contar causos, mentir por não ter nada melhor para fazer.

Banco da Vitória já não produz mais cachaça, nem bêbados alegres, nem fedorentas bodegas. O negócio agora é beber a tal da breja gelada. Mas essa bebida, nem de perto, lembra um grande porre provocado por uma legítima Canjimbrina.

Afinal, todo bom porre tem sua história. E um porre azeitado na cachaça, principalmente na barata, tem uma enciclopédia inteira para relatar.

Tim-tim!

Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger: O Barão de Banco da Vitória

capa-1Por Roberto Carlos Rodrigues Parte do capítulo do livro Banco da Vitória – A História Esquecida.

Uma das personagens mais marcantes da história de Banco da Vitória foi o suíço Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger ou Fernando de Steiger, como era conhecido entre os moradores do sul da Bahia (1825 – 1887). Steiger viveu a maior parte da sua vida na fazenda Vitória. Ele chegou a propriedade em 1851 para atuar como administrador e neste período teve início o grande ciclo de desenvolvimento econômico da ferdinand von steiger fotfazenda que chegou a ter mais de 120 escravos e grande produção de cana-de-açúcar, aguardente, farinha de mandioca, milho, feijão, café e cacau. Na propriedade também funcionava uma grande serraria. Ferdinand Steiger foi o último administrador da propriedade do seu tio por parte de mãe, Gabriel von May.

Ferdinand Freiherr von Steiger nasceu em Murten na Suíça em 15/07/1825. De acordo com os registros da Biblioteca da Burguesia de Berna, o seu nome de batismo era Ferdinand Karl Rudolf von Steiger, filho de Albert (IV) von Steiger (1788 – 1866) e Maria Frederike Karoline von Steiger (1791 – 1876), nascida May von Rued. O seu pai era um barão oriundo de uma das famílias da nobreza hereditária de Berna do Antigo Regime.

Seu pai era coronel das tropas de Nápoles. Na sua juventude Ferdinand foi cadete da academia militar de Berlin. Em 1843 ele ingressou como alferes (aspirante a oficial no 58º Regimento de Infantaria da Prússia, instalado em Deutz e foi transferido mais tarde como oficial do mesmo regimento para Colônia. Em 1846, em Berna, ele encontrou um parente de sua mãe, o Sr. May von Huniges, que possuía uma grande fazenda no Brasil, porém, por motivos de doenças não podia residir lá. Steiger aceitou a proposta de administrar a propriedade no Brasil, pediu baixa do regimento militar e veio para o sul da Bahia. Ferdinand chegou em Ilhéus em 1846, com apenas 21 anos de idade e cheio de planos para revolucionar a agricultura da região. No ano de 1851 ele já administrava o plantio da fazenda.

Ferdinand von Steiger ao assumir a Fazenda da Vitória como proprietário em 1857 (ele a comprou pela quantia de oitenta e dois contos de reis), fez nessas terras uma verdadeira revolução agrícola, implantando modernas técnicas de uso do solo e recursos naturais, como construção de barragens, sistema de irrigação e manejos de solos. Steiger administrou a fazenda da Vitória até a sua morte, que ocorreu no ano anterior ao da abolição da escravatura.

Em cartas enviadas aos parentes na Europa, Steiger referia-se à localidade de Banco da Vitória como “Vitória”. Contudo, nos documentos de envio e recebimento de produtos para sua propriedade constavam o endereço de Banco da Fazenda Vitória.

O arquiduque Ferdinand Maximiliano von Habsgurg (irmão do imperador da Áustria Franz Joseph I) quando visitou por sete dias a propriedade de Steiger em 17 de janeiro de 1860, disse haver uma placa de madeira em um ancoradouro do Arraial do Banco, com as palavras “Porto da Vitória”.

BV6O arquiduque Ferdinand Maxilimilian von Habsburg, que fez diversas andanças pelas terras da fazenda de Steiger, publicou depois, no ano de 1864 o livro Mato Virgem. Este livro, por sinal, é uma grande fonte de informações sobre os hábitos dos moradores de Banco da Vitória e os escravos da fazenda Victória, bem como excelentes relatos da fauna e flora local.

Na lida da fazenda Victória Steiger liderava um grupo de mais de 120 escravos e pouco mais de uma dezena de empregados.  Em cartas enviadas aos seus familiares na Suíça, Steiger descreve do seu relacionamento amigável com os escravos e a sua atuação como médico para a população de toda a região do arraial de Banco da Vitória. Relatava também o escriba da atuação da sua esposa na administração da fazenda e no trato com os escravos e empregados. Um bom exemplo de boa relação com os escravos da fazenda Victória, ver-se nas cartas do seu proprietário que dizia andar sempre desarmado entre os escravos e que jamais fora atacado por um deles, que ao contrário, tinha-lhe grande gratidão e apreço.

A fazenda Victória foi um dos primeiros laboratórios agrícolas da Bahia, onde Steiger realizava diversos estudos sobre as lavouras da fazenda (principalmente café, cacau e cana de açúcar), a fauna e a flora da região.

Todos esses estudos foram detalhadamente descritos em cartas enviadas aos seus parentes na Suíça e podem ser acessados no blog http://ferdinandvsteiger.blogspot.com.br/ (setembro de 2016).

Outras fontes biográficas de Ferdinand von Steiger encontram-se no artigo “Barão von Steiger”, publicado em 1939 por Ramiro Berbert de Castro, no Jornal Dom Casmurro e, no estudo “Introdução à biografia do barão Fernando de Steiger e fatos sobre sua família”, de André Paiva de Figueiredo (2016).

Ferdinand Von Steiger foi sepultado no “Bahia  A imagem abaixo mostra a entrada do Cemitério dos Estrangeiros localizado no  Largo do Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador -BA.

Sepultura de Ferdinand Von Steiger no “Bahia Fremdenfriedhof” - Cemitério dos Estrangeiro (ou Cemitério dos Alemães) em Salvador, BA. Foto de Dona Hortência Paiva. (Colaboração de André Paiva de Figueiredo).

Sepultura de Ferdinand Von Steiger no “Bahia Fremdenfriedhof” – Cemitério dos Estrangeiro (ou Cemitério dos Alemães) em Salvador, BA. Foto de Dona Hortência Magalhães Oliveira. (Colaboração de André Paiva de Figueiredo).

cmitério dos estrnageiros

Cemitério dos Estrangeiros (Salvador -A)

A Fazenda da Vitória foi vendida pelo alemão Hermann Lüssenhop a Hugo Kaufmann em 1926.

Atual planta da Fazenda Victória, pertencente aos Kaufmann. (imagem publicada o no blog “Correia Neles”, de Adelino França) e Portaria à margem da Rodovia Jorge Amado.

Localização atual da antiga sede da Fazenda Vitória:

capa-1

A História da Sesmaria e Fazenda Victória (Ilhéus – BA).

Conheça a história da Sesmaria Victória e sua transformação em fazenda. Capítulo do livro Banco da Vitória – A História Esquecida. De Roberto Carlos Rodrigues.Por Roberto Carlos Rodrigues. Segunda edição revisada e ampliada. Lançamento abril de 2016.

 A Sesmaria e a Fazenda Victória.

Capítulo do livro Banco da Vitória – A História Esquecida. De Roberto Carlos Rodrigues

             Provavelmente, a Sesmaria Victória teve este nome instituído devido a sua localização próxima às referências geográficas, conhecidas naquela época como “as vitórias” do desbravador português Martins de Carvalho, em suas excursões entre os anos de 1570 a 1585 na antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus. Se por ventura o sobrenome da Sesmaria Victória fosse uma alusão religiosa em culto a Nossa Senhora das Vitorias, padroeira da capitania de São Jorge dos Ilhéus, o seu nome seria Sesmaria Nossa Senhora das Vitórias e não Sesmaria Victória.

A sesmaria Victória tinha a extensão de uma légua em quadro com sua frente para o rio cachoeira e fundos para a sesmaria do Iguape ou sertões do Iguape e terras da família Lavigne. Vizinha a sesmaria Victoria existia na região oriental a Sesmaria Esperança e na área ocidental a sesmaria do Rio Cachoeira pertencente a Antônio José Pereira Arouca.

 As terras existentes na margem direita do Rio Cachoeira pertenciam ao governo colonial e foram concebidas como devolutas. Essas terras devolutas se estendiam até a atual região da localidade de Maria Jape, onde havia os limites das sesmarias do Rio do Engenho e da sesmaria Demanda, que ocupava essa margem do rio cachoeira até os atuais limites do município de Itabuna.

 As terras pertencentes à Sesmaria Victória foram inicialmente arrendadas aos padres jesuítas para o plantio de cana-de-açúcar e algodão no meado do século XV e durante vários anos este local teve altos e baixos no seu desenvolvimento econômico e social.

            Sabe-se que no início do desbravamento da capitania de São Jorge dos Ilhéus a Sesmaria Victória teve alguma importância na economia local. Todavia, sabe-se pelos relatos de Silva Campos, que entre o meio do século XVI e até o final do século XVII essas terras viveram sérios problemas com os índios, doenças e despovoamento, ficando, portanto, todo esse período no verdadeiro ostracismo econômico.

            Segundo Campos, neste período a Sesmaria Victória foi apenas ocupada por pequenas roças que se faziam nas margens do rio Cachoeira, onde havia produção de farinha de mandioca, feijão, algodão e cana-de-açúcar.          

            Além de possuir uma vasta quantidade de terra, a Sesmaria Victória era a segunda mais próxima da vila de São Jorge dos Ilhéus, perdendo apenas para a sesmaria da Esperança.

Na época inicial da colonização portuguesa, a Sesmaria Victória não tinha registro de cartório na vila de São Jorge dos Ilhéus, uma vez que este tipo de documentos era registrado somente em Portugal.

            O primeiro registro oficial brasileiro da sesmaria Victória consta nos Anais do Arquivo Públicos do Estado da Bahia, XI, PP 161-163, tendo como proprietário o senhor João Álvares de Miranda Varjão, no ano de 1815, segundo relatos de Silva Campos.

            Como a Sesmaria Victória ficava às margens do rio Cachoeira e tinha um porto fluvial, o seu desenvolvimento avançou naquela época mais do que as demais sesmarias Ilheenses.

            Outro fator que contribuiu para o desenvolvimento da sesmaria Victória e a sua transformação em fazenda foi a alta qualidade das suas terras para a lavoura do cacau que se iniciara no município de Ilhéus no ano de 1752. Mesmo tendo seus solos explorados desde 1560, as terras da sesmaria Victória foram consideradas uma das mais apropriadas para o desenvolvimento da lavoura do cacau sul baiano.

            A partir do ano da expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, as terras da antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus foram novamente divididas em novas sesmarias, dessa vez muito mais menores que as iniciais. A Sesmaria Victória manteve o seu nome, mas perdeu mais de dois terços do seu tamanho inicial, nessa nova partilha.

Nos anuários de registros de documentos da comarca de Ilhéus da década de oitenta do século XVIII (a comarca foi criada em 1763), ver-se que essa divisão territorial foi feita visando oxigenar o desenvolvimento da região oeste e centro oeste de Ilhéus, haja vista que após mais de dois séculos, a sesmaria Victória, devido ao seu tamanho, era a que tinha o menor desenvolvimento econômico em toda a região de Ilhéus.

Em 1830 o povoado de Banco da Vitória, existente nas terras da fazenda Victória representava boa parte do comercio do município de Ilhéus, principalmente pelo papel do seu porto fluvial, conhecido como Porto do Jenipapo, onde mais de mil embarcações eram registradas para transportar produtos e pessoas entre a localidade ribeirinha e as cidades de Ilhéus e Salvador, capital da Bahia.

Continue lendo…

Encontradas cartas de Ferdinand von Steiger descrevendo o cotidiano da Fazenda Victória (entre os anos de 1866 a 1882).

Por Roberto Carlos Rodrigues.

cartas

Saiba mais sobre Ferdinand Von Steiger aqui!

As pesquisas históricas sobre a comunidade de Banco da Vitória têm me levado as situações magníficas e surpreendentes. Nos últimos dias tenho empenhado bastante na correção e revisão do livro Banco da Vitória – A história Esquecida. Nesta labuta, durante minhas pesquisas na Internet encontrei relevantes informações num site que publicou diversas cartas de Ferdinand Von Steiger (proprietário da Fazenda Victória), escritas entre os anos de 1866 a 1882, e endereçadas aos seus familiares suíços.

O site traz as transcrições das cartas e as fotografias das mesmas.

Na leitura dessas cartas Steiger descreve detalhadamente diversos aspectos do cotidiano das fazendas Victória e Salgado (essa, nas margens do Rio Pardo).

As transcrições dessas cartas estão no idioma alemão. Mas, provavelmente o texto original foi escrito no idioma alemão falado em alguns cantões suíços como Schwyz, Obwald e Nidward.

Nessas missivas Ferdinand Steiger mostra-se um excelente detalhista de diversos aspectos como técnicas de plantios de café e cacau, análise de clima, fauna, flora, sistemas de desmatamentos, condições de combate as pragas, lida com os escravos e índios etc. Continuar lendo

Sesmaria e Usina Victória

victoria

PayPal-donate-button

Um pouco da história:

A família Kaufmann firmou parceria no dia 26 de março de 1908 com a família Widberger, formando a Kaufmann & Cia, passando a funcionar como compradora de cacau.


Em 1928 foi inaugurada a primeira Usina Victoria, no antigo bairro da Pimenta, atual praça Visconde de Cairu, a primeira do mundo em beneficiar o cacau em seu país produtor, outros países só vieram a fazer o mesmo 40 anos mais tarde.


A fábrica extraia a manteiga, o licor (massa), torta e pó de cacau.


Esse fato histórico rendeu a Hugo Kaufmann o título de pioneiro mundial na industrialização do cacau. Após sua morte seu filho Hugo Kaufmann Jr. tocou com competência os negócios da família por décadas.


Em Itabuna foi a Cacau Industrial e Comercial S.A., implantada por Hugo Kaufmann numa grande área no Banco Raso, onde por muitos anos funcionou, exalando, todas as tardes, o inconfundível e gostoso cheiro de cacau sendo processado.


Os produtos fabricados, todos derivados do cacau, eram manteiga, massa e pó para torta de cacau. A Cacau Industrial foi a maior firma beneficiadora do produto durante muitos anos em Itabuna.

A verdadeira história da Usina Vitória

A verdadeira história da Usina Vitória

joseleitePor José Leite de Souza,

Presidente da Associação Comercial de Ilhéus

A história da criação da fábrica de chocolate em Ilhéus, a Usina Vitória, começou em 1918 com a Associação Comercial de Ilhéus através da sua diretoria que tinha como presidente, na época o Sr. Hugo Kauffmann, que adquiriu do coronel Ramiro Ildefonso de Araújo Castro um terreno para ser construída a primeira usina modelo de secagem, esterilização e beneficiamento dos frutos do cacau.

Construído um prédio no dito terreno, tempos depois foi inaugurada a primeira usina de propriedade da Associação Comercial de Ilhéus, localizada na Baixa da Pimenta, hoje Rua Maria Quitéria, onde até o começo da década de 70 funcionou no antigo prédio a cadeia pública de Ilhéus. Neste mesmo local, hoje esta localizada a delegacia do Ministério do Trabalho.

.

A usina funcionou por pouco tempo, porque os maquinários adquiridos eram mais produtivos para o beneficiamento de cereais.

O arrendamento do prédio da usina

Verificada a inutilidade das máquinas da usina de beneficiamento de cacau, as quais só se adaptavam aos cereais, propôs os Srs. Hugo Kauffmann & Cia., comerciantes nesta praça, o arrendamento do Prédio para a montagem de uma fábrica de chocolate.

Depois de pensar sobre o caso que exigiu ponderada reflexão da diretoria da Associação Comercial de Ilhéus em virtude de já está acordado com o Dr. Mário Pessoa, Intendente Municipal de Ilhéus, a cerca da troca daquele imóvel por um terreno de propriedade do município situada á Praça Conselheiro Luiz Viana no qual pretendia ser construído o prédio social desta Associação.

A diretoria considerando os reais benefícios que viriam com a instalação de uma fábrica de chocolate no município resolveu aceitar a proposta dos Srs. Hugo Kauffmann & Cia. tendo na ocasião o presidente da Associação Comercial, o Sr. Leovigildo Penna, procurado o Dr. Mário Pessoa a quem comunicou o novo rumo tomado.

O contrato de arrendamento do prédio da usina foi assinado no dia 1º de Agosto de 1927 para uma período de 5 anos.

No ano seguinte, diante da necessidade de ampliar a sua fábrica, o Sr. Hugo Kauffmann solicitou da Associação Comercial que comprasse do Cel. Ramiro Castro os terrenos contíguos para serem incorporados ao prédio principal. Os terrenos foram comprados e construído mais um galpão no qual foram instalados novos maquinários, conforme constam nos anais desta Associação Comercial. A construção das instalações da usina Victória nas proximidades do antigo porto de Ilhéus foi posterior.

Assim sendo, fomos surpreendidos com o conteúdo de uma nota do Dr. Hugo Kauffmann Jr. com o título “Declaração á Imprensa Sobre a Ignomínia do Ataque e Destruição da Usina Victória”, publicado numa edição do “Jornal Tribuna do Cacau”, com data de 14 á 21 de junho de 2008, impresso na cidade de Itabuna.

Informamo-lhe, Dr. Hugo Kauffmann Jr., que esta Associação Comercial de Ilhéus em nenhum momento realizou reunião ambígua.

Lembramo-lhe que nesta casa que tem como um de seus fundadores o Vosso Pai, o Sr. Hugo Kauffmann, nunca se tratou de ambigüidade. Esta Associação Comercial de Ilhéus sempre esteve e continuará ao lado dos seus associados, dos empresários em geral e dos interesses da sociedade ilheense.

Ao contrario do que Vossa Senhoria insinua na sua “Declaração” a reunião, na segunda quinzena de fevereiro na sala da presidência desta Associação, da qual o senhor foi convidado a participar, e compareceu, foi realizada com o claro objetivo de solicitar do Grupo Kauffmann dar uma utilidade para o prédio abandonado e já se transformando em escombros, da velha Usina Victória.

A Associação Comercial de Ilhéus, através dos diretores presentes na referida reunião transmitira-lhe a preocupação da sociedade local, assustada, com os constantes desabamentos do telhado apodrecido do prédio abandonado.

Na ocasião lembramos ao senhor que as velhas instalações da Usina Victória ficam no centro da cidade e junto a um terminal de transportes coletivos urbanos, e havia se transformado num refugio para delinqüentes, muitos dos quais furtando peças do velho e abandonado maquinário da antiga fábrica.

Assim, naquela ocasião, solicitamos do Senhor dar uma utilidade para o local, transformando-o, inclusive num museu ou algo parecido, reativar a Fábrica, vender ou pelo menos reformar e pintar.

Portanto, ao contrario do que o Senhor insinua na sua nota, não havia naquela reunião, nunca houve e não haverá, nesta casa nenhum “preparativo” ou “planejamento” para a demolição ou desapropriação do prédio abandonado da antiga “Usina Victória”, até porque, esta casa, desde a sua fundação não se prestou a conluios com quem quer que seja. Lembrando a V.S. que a história da Usina Victória começou nesta Associação Comercial de Ilhéus.

Portanto, pensar ou julgar assim é macular, a história e a memória daqueles empreendedores, entre eles o Sr. Hugo Kauffmann, vosso pai, que pensavam no bem da cidade e que ajudaram a fundar esta Associação Comercial, cujos princípios continuam norteando as nossas ações.

Fonte: http://www.acordameupovo.blogspot.com/