Zezinho Sem Cotovelos

Por Roberto Carlos Rodrigues.

DOR 56Só Deus sabe o destino que levou Zezinho Sem Cotovelos. Há quem diga que ele mora no bairro de Monte Cristo, na vizinha cidade de Itabuna, onde é pequeno comerciante. Outros dizem que ele voltou para Santa Brígida, sua terra natal, no tórrido sertão baiano, já quase na divisa do estado de Pernambuco, onde continua trabalhando com gado. Uma coisa é certa: de Banco da Vitória Zezinho sumiu para sempre.

Zezinho sem Cotovelos era freguês vezeiros dos bares de Banco da Vitória. Ali tinha diversos amigos, dois ou três admiradores e um renca de desafetos. Zeferino Francisco do Santos era vagueiro de uma fazenda do outro lado do rio, nas bandas da Vila Cachoeira. Ele era um homem pequeno, branquelo, do rosto fino e cabelos escorridos. Os olhos eram miúdos, pareciam com olhos de pássaros. O bigode fino cobria-lhe os lábios avermelhados e ressecados. O sorriso era amarelado, herança dos anos e mais anos do cigarro na boca. Vestia-se sempre com indumentárias de vaqueiro. Na cinta trazia sempre um facão amolado. Na bota de couro, escondia o punhal com cabo de osso. Nas costas, cruzava-se o rifle de repetição e no bornal, escondido debaixo dos panos, o revolver trinta e oito e mais um punhado de balas. Zezinho sempre andava no lombo de uma mula marrom e arruaceira. Gostava de galopar.

Em Banco da Vitória Zezinho sem Cotovelos nunca deu um tiro ou matou alguém. Mas havia quem acreditasse ser ele criminoso lá nas bandas por onde nascera e que encontrara um bom refúgio sendo vaqueiro numa fazenda do sul da Bahia. No povoado, era pacifico e brincalhão.

Era amigo dos cachaceiros do povoado de Banco da Vitória e de vez em quando jogava futebol com seus pares. Conhecia todos os donos de bodegas da localidade e todas as sextas-feiras se refugiava em Banco da Vitória, onde se divertia, bebia como os amigos e dançava nos cabarés da localidade. Ali se sentia em casa.

Dizia ser solteiro. Não tinha esposa nem filhos. Vivia na casa da fazenda e só tinha amigos em Banco da Vitória. Aos domingos, Zezinho sem Cotovelos gostava de passar o dia nas margens do rio Cachoeira, onde fazia assados, cozinhados e pescarias. Todas, obviamente, regadas a garrafas de cachaças. Foi exatamente em um domingo ensolarado de março que Zeferino Francisco do Santos se tornou Zezinho sem Cotovelos.

Acompanhados dos seus amigos de farras e bebedeiras, Zeferino foi para as correntezas do Rio Cachoeira onde pretendia passar todo o dia de domingo. No local onde hoje se ver erguida a ponte para Maria Jape, aos fundos do convento das freiras, havia uma grande corredeira de pedras escorregadias, onde a água do rio Cachoeira descia fazendo barulho nas pedras. A profundidade neste local não passava de meio metro e as barragens de pedras servia para fazer uma grande piscina na parte de cima do rio. Ali, no meio das mornas correntezas, estava Zeferino com seus amigos de bebedeira quando o pior aconteceu.

Zeferino estava se banhando na parte rasa da correnteza, com o corpo submerso e somente a cabeça do lado de fora da água quando sentiu algo se enrolar ao seu corpo. É uma cobra. Pensou rapidamente. Realmente era uma cobra. Uma cobra grande. O amarelinho tentou se levantar das pedras escorregadias e não conseguiu. Quando ficou de joelhos sobre as pedras. Perceber que realmente era uma cobra enrolado no seu corpo. Zeferino dei um grito tão grande que no dia seguinte, o morubixaba Garapa disse ter ouvido lá nas bandas do matadouro. Osório, disse também ter ouvido o mesmo berro lá no meio da ladeira do Alto da Bela Vista.

Quando conseguiu se levantar nas pedras escorregadias, Zeferino viu que a imensa cobra se enrolara nas suas pernas, pelo seu tronco e pescoço e que a cabeça da serpente estava entre suas mãos firmes. Gritando igual um condenado, Zeferino caiu nas pedras escorregadias, enrolado na cobra. O dois desceram as corredeiras do Rio Cachoeira entre mergulhos e gritos. A cobra tentando morder o rosto de Zeferino e este tanto deslaçar a víbora do seu corpo.

– Pega a facão! Gritou Bigode, parceiro de bebedeira de Zeferino.

– Pega um pau da cerca das freiras. Gritou nego Nide. Idem.
Vamos socorre o homem. Gritou Zé Amarelinho. Idem.
Mas a luta era particular entre Zeferino e a cobra molhada e juntos eles desceram se ralando pelas pedras, tomando solavancos e caldos. Fazendo espumas, remexendo o leito do rio. Derramando sangues entre as tocas dos pitus e calambaus.

Cento e oitenta e oito metros abaixo, quase perto da Pedra de Guerra, a cobra por fim largou o assustado Zeferino e desceu o rio Cachoeira. O vagueiro destemido, todo estropiado e azougue, foi socorrido pelos amigos e levado para a areal do porto de Ares. Ali descobriram que Zeferino estava com o rosto todo machucado das dentadas da cobra assassina. Tinha perdido um dente, a bermuda e os couros dos cotovelos.

– Era uma jiboia. Disse alguém. Não é venenosa não. Morde mais não mata. Não tem peçonha. Conclui o alguém.

– Traz a cachaça para queimar os ferimentos. Disse Bigode e foi atendido. Zeferino tomou uma talagada de cana e sentiu o ardor nos cotovelos ensanguentado. Estava em estado de choque.

Foi levado para o hospital em Ilhéus onde foi medicado e no mesmo dia voltou para sua casa na fazenda, onde ficou acamado por três dias. Quando voltou ao Banco da Vitória recebera o apelido de Zezinho Sem Cotovelos. Seus braços em tipoias comprovavam a assertiva.
Havia em Banco da Vitória quem dissesse que Zeferino não gostava da alcunha zombeteira. Mas ele preferia ser chamado de Zezinho Sem Cotovelos do que Zezinho Todo Cagado. Isso, em alusão a situação que o encontraram do dia da luta com aquela maldita cobra no Rio Cachoeira.

Infelizmente os couros dos cotovelos de Zeferino não se recuperaram. Já o apelido, se tornou eterno.

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A barba de Dona Constância.

barba.jpgPor Roberto Carlos Rodrigues

A venda A Visgueira foi o cenário da prosa. Valter Ramos tomava uma cerveja gelada enquanto conversava com Ailton Gomes. Ambos, sentados nas cadeiras do lado de fora do estabelecimento. No balcão da bodega, Antônio de Isaías tomava uma cana e conversava com Jonas Porco e Touro e Genésio Cambista, quando o padeiro Pedro Preto entrou xingando e logo pediu uma dose de Bituri. Meu pai, Carrinho, o atendeu e colocou uma dose completa da cana que foi bebida em um só gole. Sem lamber os berços seu Pedro quase explodiu:

– Ou lugar da peste este sul! – Oh lugar para as mulheres gostarem de ser putas, prostitutas, melitrinas, quengas. A mulher deste meu funcionário João, – corno tipo maxixe, entrou agora na minha padaria mais fantasiada do que a macaca do circo dos turcos. Batom vermelho cor diabo na boca. Os olhos pintados de roxo. As bochechas chamuscadas de vermelho. As pestanas dos olhos aparecidas com um zói de gambá… Tomei um susto da peste. As mulheres no Norte não têm essa papagaiada não. Lá as mulheres têm até bigode e barba. Só que o marido pega a navalha raspa a cara da mulher. Tira bigode. Tira barba. Tira tudo. Até os pentelhos. Lá homem manda. Manda e manda.

Jonas Porco e Touro argumentou:

– Aqui é diferente, amigo Pedro. Lá em casa, por sinal, com tantas mulheres, eu nem ligo mais. Até uma cobra jaracuçu que apareceu no quintal, Ivonete pegou e está criando a bichinha. Todo dia ela passa batom na cobra, passa perfume. Só não coloca brincos porque a serpente não tem orelhas. Se tivesse, sei não…

Seu Pedro olhou firmemente para o amigo Jonas e depois de refletir o que ia falar, por fim questionou:

– Sua filha passa batom e perfume na cobra? Na jaracuçu? Não tem medo não?

– Sim. Passa batom em Zumira todos os dias. Zumira é o nome da cobra de estimação de Ivonete. Concluiu Jonas.
– Carrinho! Me dar uma outra dose de Bituri. Vou voltar a fazer meus pães que eu ganho mais. Disse seu Pedro.

Enquanto Carrinho servia a nova dose de cana. Antônio de Isaías questionou:

– Mas Pedro, aqui as coisas mudaram. Você se diz muito homem e coisa e tal. Então eu tenho uma proposta para você. Aqui na Rua de Palha mora dona Constância, nossa amiga. Constância não tem bigode não. Mas tem uma barba rala. São uns fiapos brancos no queixo. Vá lá então e arranca a barba dela. Se você quiser eu compro as giletes e te dou. Dou uma caixa com dez lâminas para você. Vai lá e faz a barba de Constância.

Seu Pedro, com o copo de vidro na mão, ficou olhando para seu amigo e vizinho, pensando o que ia falar. Depois, em um só gole, bebeu a cana. Enxugou os lábios com o avental e concluiu seu argumento:

– Raspar a barba de Constância? Tirar aqueles fiapos brancos do queixo dela. Eu? Indagou seu Pedro Preto. – Prefiro passar batom na cobra de Ivonete. Concluiu.

E saiu sem pagar a conta…

Dona Constância faleceu trinta e cinco anos depois. Foi sepultada com seus cabelos brancos. Todos belos e divinos.

A Sereia de Banco da Vitória. Contos de Banco da Vitória.

sereia

Por Roberto Carlos Rodrigues.

Maré igual, aquele povo nunca tinha visto. O rio Cachoeira parecia um lençol de água prateada lambendo os matagais das suas margens. As aguas foram aumentando no meio de março e, já no final deste mês, exatamente no dia 28, a maré subiu a níveis jamais visto. As grandes marés de março eram famosas e vezeiras naquelas beiradas. Porém, igual àquela do ano de 1984, nunca teve outra igual. E foi exatamente na maré fabulosa e resplandecente deste ano que a sereia voltou a aparecer e intrigar o povo de Banco da Vitória.

Aparições da bela sereia não era novidade em Banco da Vitória até o meio do século passado. O povo deste arruado incrustado na margem esquerda do rio Cachoeira já vivia com quase cem anos de relatos de aparições de sereias nas margens do rio, principalmente nas noites de lua cheia, quando este astro facheava sua luz prateada sobre as águas claras do velho rio sul-baiano.

Canoeiros, pescadores, trapicheiros e empregados de fazendas de cacau ribeirinhas já relatavam aparições da linda mulher-peixe que aparecia nas noites de lua cheia, cantando sobre as pedras do rio, enfeitiçando os desavisados e levando para o fundo dos mares pobres homens apaixonados.

O canto da sereia – dizia os marinheiros estrangeiros que abundavam o velho centro de Ilhéus – é uma melodia divina, cantada com uma doçura sem igual, quase angelical e apaixonante. – Quem ouve o canto da sereia se joga no mar e morre afogado nos lábios de Iara. Profetizavam os trapicheiros do Porto do Jenipapo em Banco da Vitória.

Em toda a beira-mar ilheense haviam diversos relatos de pessoas que ouviram o canto da sereia e muitos dessas pessoas, ou morreram afogadas tentando tocar na bela sereia ou então ficaram por dias e mais dias, como loucas, alunadas, tân-tân das cabeças.

Nas beiradas dos rios Almada, do Engenho e principalmente no Cachoeira não faltavam relatos de homens seduzidos pela sereia. Muitos morreram nas águas e seus corpos jamais foram encontrados. Outros, depois foram encontrados nos areais como moribundos. Mas jamais foram os mesmos. Viveram como loucos até morrerem velhos. Assim como morrem os velhos lobos do mar.

Os relatos da sereia sempre eram os mesmos. Diziam que a rainha das águas aparecia sentada numa pedra, com a calda submersa e alisando seus lindos e brilhosos cabelos longos, que em parte cobriam seus seios e outra parte escorria sobre as costas e mergulhavam nas águas. Normalmente a sereia tinha um espelho em uma das suas mãos e usava uma grande concha como pente. A sua beleza era singular e encantadora. Os cabelos eram pretos e brilhosos. A pele era clara e fina. O rosto era arredondado. Neste, faiscantes olhos azuis refletiam a luz do luar. O nariz era afinado e delicadamente avermelhado. Os lábios eram carnudos, e em cores de morangos maduros, cantavam a mais bela canção do mundo. O sorriso, de um branco sem igual, parecia as espumas mais claras das ondas do alto mar. O corpo era forte a avolumado. Não se via costelas sobre sua silhueta esbelta, porém, era sexualmente atraente.

– Mulher de beleza igual não existia sobre o manto da terra. Diziam os que jurava ter visto uma sereia. – Voz mais bela, também. Argumentavam outros.

Em Banco da Vitória tinha quem jurava ter visto a sereia nas pedras do velho rio Cachoeira. Havia quem acreditava nessas aparições. Havia quem dizia que eram apenas conversas de bêbados e pescadores. Uma coisa era certa, até o dia 28 de março de 1984, a sereia de Banco da Vitória era apenas uma lenda, uma superstição ou suposição. Porém, após essa data a sereia de Banco da Vitória se tornou um fato concreto, real e vivido e, muita gente da comunidade, – e não apenas um ou outro pescador mentiroso -, pôde de fato ver uma sereia.

Sabe-se que maré monstruosa que agora relato invadiu as beiradas de Banco da Vitória na boca da noite. Nos dias anteriores, a maré já tinha avisado que estava despontando de forma anormal e espichada. Porém, foi naquela noite que as águas atlânticas invadiram os casebres da beira do rio e alagou vários brejos e riachos da região. A maré daquela noite invadiu a estrada entre Ilhéus e Itabuna, na altura da fazenda de Lilito e pela primeira vez na história contada do rio Cachoeira, ela atingiu a altura dos batentes da fazenda Pirata.

Em Banco da Vitória, aquela maré cobriu a Pedra de Guerra, alagou o campo do Pacaembu e adentrou nos brejais da Fazenda Victória.

Por certo, a sereia da nossa história subiu o caudaloso rio Cachoeira, então avolumado naquela maré grande de março e, apaixonada por nossas paisagens, se embriagou com aquelas plagas e se perdeu quando a maré vazou. A pobre sereia afoita e desesperada se alojou no riacho que escorre pelas terras do convento das freiras e ali fez sua morada por aquela noite, enquanto esperava a nova maré alta e com ela, o caminho para o mar.

Porém, a rainha das águas não contava com os latidos incessantes dos cães de guarda do convento, que percebendo aquela figura estranha nas águas do riacho, latiram a noite inteira e não deixaram as freiras dormirem.

Na manhã do dia seguinte, seu Assis Calazans, (pai de Nem, Carmem, Rosilda e Fiu), então funcionário do convento, quando chegou para trabalhar, percebeu que havia algo estranho na água do riacho e depois de averiguar o vulto nas águas percebeu que se tratava de um peixe grande que ficara preso no remanso do riacho. Seu Assis adentrou o riacho e descobriu que o vulto na água era apenas uma pele estranha de algum peixe mas estranho ainda. A pele fedia como couro de curtume, era meio esverdeada e se soltava em pequenos pedaços. Após sair do riacho, Seu Assis pensou: – Isso é pele de sereia. É melhor deixar onde está. Ele não se enganou. Aquela pele era apenas o disfarce da nossa sereia. A sereia estava viva, bem viva, por sinal, no fundo daquele riacho, bem pertinho do seu pé, quando ele ali entrou.

Quando a maré encheu no dia seguinte, o sol ardia no meio do céu e a pobre sereia não pôde sair do seu esconderijo. Teve de esperar a maré da noite para poder ir embora. Ela só não contava com um fato trágico que ocorrera naquele dia nas margens do Rio Cachoeira, em Banco da Vitória. Naquela tarde, duas pobres crianças morreram afogadas no rio, e grande parte da população do então distrito de Ilhéus foi para suas margens, acompanhar as buscas e resgates dos corpos.

Já era tardinha quando por fim a maré grande invadiu novamente o riacho do convento das freiras e a jovem sereia pôde sair do seu refúgio.

A pobre e bela princesa das águas estava tão agitada e louca para sair daquele riacho,  que nem percebeu as pessoas nas margens do rio. Saltando sobre as águas naquela boca de noite, a sereia foi vista por dezenas de pessoas que gritavam, se assustavam e assustavam o ser saltitantes sobre as águas.

– É uma sereia. É uma sereia. Gritou alguém, na Pedra de Guerra.

Não! É apenas um boto? Argumentou outrem.

É uma sereia. Afirmou veementemente Cabo Jonas. E arrematou: – É Elísia, minha amiga sereia lá das águas de São João da Barra do Pontal. É uma sereia sim. Posso afirmar. De sereias conheço tudo e mais um pouco. Concluiu.

Os corpos das duas crianças foram encontrados minutos depois da sereia assustar tanta gente na beira do rio Cachoeira e por dias só se falou desse fato em Banco da Vitória.

Dias depois, seu Assis pescando durante a madrugada, avistou uma mulher sentada sobre uma pedra no meio do rio. Ele se assustou. Pensou ser uma sereia ou uma assombração. Mas a mulher sentada na pedra do rio não cantava nem se alisava, como fazem as sereias. Apenas olhava as águas do rio e nessas, o brilho da lua minguante. Com medo e na dúvida, Seu Assis deu como concluída sua pescaria noturna e remou de volta sua canoa até o porto de João de Coló.

Assim que chegou perto da Bica da água Boa, ele olhou para trás e viu que o vulto não estava mais sentado na pedra, mas sim seguia sua canoa.

– Vale-me Deus. Disse trêmulo seu Assis, enquanto via o vulto da sereia acompanhando sua embarcação até o porto.

Antes de chegar ao porto de João de Coló, a sereia submergiu, olhou alegremente para ele, sorriu suave, jogou duas pérolas brancas dentro da sua canoa e depois sumiu nas águas.

Somente Seu Assis viu o rosto daquela bela sereia e ele afirmou até morrer: – A sereia era negra. A mais bela mulher negra que seus olhos aimorés puderam ver.

A sereia negra das águas de Banco da Vitória sumiu e jamais foi vista por essas bandas. Ela voltou para sua eterna morada no fundo da Lagoa Encantada. Acreditou-se.

As duas pérolas dadas de presente pela sereia a seu Assis encontram-se guardadas na casa de dona Conceição, sua viúva. Dona Conceição mostra as pérolas para quem quer vê-las. Porém, apenas quem acredita em sereias podem vê-las como pérolas. Os incrédulos veem apenas dois pedaços de pedras sem valor.

Dona Conceição todos os dias alisa suas duas belas pérolas. Depois, sorri alegremente e lembra do seu grande amor, que o tempo levou.