Maionese com Farinha, era assim que se comia em Banco da Vitória.

maionese_de_batataPor Roberto Carlos Rodrigues.

O molho à base de azeite, ovos e sal, inventado pelo cozinheiro francês do Duque de Richelieu em 1756, demorou 218 anos para aparecer nas bandas do Rio Cachoeira. Na França setecentista o nome do molho era Mahonaise. Em Nova Yorque, em 1905, o alemão Richard Hellman, industrializou a receita e ficou milionário. Em Banco da Vitória a tal maionese, nos anos setenta do século passado, foi introduzida no cardápio do nosso povo pardo, por dona Lia Araújo, em um dos seus cursos de culinária. Em nossa comunidade a preferência era comer maionese com farinha.

Pedaços de cenoura, batata e chuchu picados e cozidos recebiam depois aquele creme alvo como cobertura e virava comida de gente metida a besta. Maionese combinava com frango assado ou cozido e macarronada. Diziam os tais. Ambos, comidas de dias de domingo ou quando tinha visitas em casa.

No começo, criou-se uma regra culinária que devia ser seguida à risca e por conta disso muitas esposas brigavam com os maridos e com as crias dizendo: “maionese não se come com farinha. Isso é coisa de gente sem instruções”.

Por este motivo quase teve uma guerra de sexo em Banco da Vitória. Afinal, querer tirar a farinha de mandioca – que combinava com tudo que se põe à mesa -, do prato da nossa gente foi quase uma heresia.

Por este motivo, menino que almoçava na casa alheia e colocava farinha na maionese, apanhava quando voltava para casa.
– Quer me envergonhar, seu pestinha. Dizia a mãe com a bainha de facão na mão – você não sabe que maionese não se come com farinha? Ameaçava a genitora.

Por este motivo, o povo de Banco da Vitória fez uma escolha culinária: entre a maionese e a farinha. O molho francês perdeu feio.

Já que não podia colocar farinha na maionese. Ninguém gostava de maionese. Já a farinha, se comia até com lágrimas.

Hoje maionese é molho comum e se encontra em qualquer prateleira de qualquer quitanda. Entre comer farinha e maionese, muita gente prefere essa última. Eu fico com a primeira.

Agora naqueles tempos, ser rebelde na casa dos outros não era apenas comer maionese com farinha. Para ser promovido na escala da rebeldia, o adolescente esfomeado tinha de colocar azeite de dendê na macarronada. Nesse caso a surra era dobrada. Mais valia a pena. Afinal maionese e macarrão não combinavam com farinha nem com dendê. Vixe! Por isto, nunca prestaram. Isso, para muita gente acostumada com o feijão adubado de Banco da Vitória e com a fatada cozida nas beiradas do rio Cachoeira.

Na verdade, maionese era e é um molho muito metido a besta. Combina com muitos pratos, mas não combina com farinha de mandioca. Por isso não combina com a nossa gente.

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Livro Banco da Vitória – 2ª. Edição. Esgotada.

livro banco da vitória - CópiaA segunda edição do livro Banco da Vitória – A História Esquecida das Margens Vitoriosas do Rio Cachoeira, já está disponível para encomendas e reservas de exemplares, que serão entregues em 31 de março de 2017, em Banco da Vitória.
 
A nova versão do livro tem 170 páginas e foram incluídos 6 novos capítulos, bem como 44 fotos antigas.
 
A tiragem é limitada a apenas 200 exemplares. Portanto, se você quiser obter um exemplar deste livro, deve, em Banco da Vitória, fazer a encomenda com Cremilda Santana ou Jair Rodrigues.
 
 
 
Conheça o sumário do livro Banco da Vitória:
 
1 – Agradecimentos 4
2 – Apresentação 8
3 – Banco da Vitória – A primeira capital do cacau. 13
4 – Banco da Vitória, à sombra da história da Capitania de São Jorge dos Ilhéus 16
5 – Nas Margens do Rio Cachoeira 29
6 – Antes dos Portugueses 39
7 – A influência dos povos africanos em Banco da Vitória 50
8 – A colonização europeia em Banco da Vitória 59
9 – A colonização dos retirantes nordestinos 62
10 – As primeiras explorações da região de Banco da Vitória 65
11 – A Trilha do Banco 73
12 – Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger: O Barão de Banco da Vitória. 76
13 – A Visita do Príncipe Maximiliano ao Banco da Vitória. 80
14 – A Sesmaria e a Fazenda Victória 83
15 – A origem do nome de Banco da Vitória 92
16 – A Rainha (ou princesa) da Fazenda Vitória 96
17 – O Porto do Jenipapo e o desenvolvimento de Banco da Vitória 102
18 – Os ciclos de desenvolvimento do Banco da Vitória 108
19 – Os Tempos Áureos do Cacau e o desenvolvimento de Banco da Vitória 111
20 – Banco da vitória – A vila que quase virou cidade 123
21 – A estrada Ilhéus – Itabuna e o Declínio de Banco da Vitória 127
22 – O Bairro de Banco da Vitória 132
23 – Alternativas de desenvolvimentos sociais para o Banco da Vitória 136
24 – Os “bairros” de Banco da Vitória e suas referências geográficas 138
25 – Crônicas de Banco da Vitória 144
26 – As Sementes das nossas vitórias 149
27 – Conclusão 154
28 – CEP’s e Ruas da região do bairro de Banco da Vitória 156
29 – Referência históricas de locais e imóveis em Banco da Vitória 159
39 – Referencias locais antigas: 160
31 – Referências Oitivas 162
32 – Referências bibliográficas 163
33 – O Autor 165
 
 
Texto descritivo:
 
O Banco da Vitória é uma das localidades mais antigas do Sul da Bahia. Sua ocupação se iniciou no meado do século XVI, quando do desbravamento da Capitania de São Jorge dos Ilhéus (BA). Devido ao trecho navegável do rio Cachoeira entre a sede da antiga vila de São Jorge dos Ilhéus e a localidade, por estas terras estiveram padres jesuítas, desbravadores e bandeirantes portugueses, bem como diversos estudiosos europeus.
 
Antes da ocupação portuguesa, a região de Banco da Vitória era disputada por índios Tupiniquins e Aimorés, devido seu caráter religioso para estes povos.
 
Por mais de quatro séculos essa localidade ilheense foi passagem obrigatória para os desbravadores, plantadores de cacau e fundadores de localidades e cidades que surgiram na região Cacaueira do Sul da Bahia.
 
Nas terras de Banco da Vitória foi implantada a secular Sesmaria Victória, depois transformada em fazenda nos anos oitocentistas, onde também havia um dos maiores agrupamentos de escravos africanos no estado da Bahia.
 
Por muitos anos o porto fluvial do Banco da Vitória, chamado de Porto do Jenipapo, foi um dos mais movimentados do estado da Bahia, por onde circulavam centenas de embarcações. No início do século XX o Banco da Vitória tinha ares de cidade e foi depois chamada de a primeira capital do cacau, pelo geógrafo Milton Santos, no livro Zona do Cacau.
 
O Banco da Vitória foi um importante ator na construção da Região Cacaueira do sul da Bahia. Depois, teve o seu desenvolvimento ofuscado pelas crises que assolaram a cultura do cacau.
 
Este livro descreve a história dessa comunidade ilheense ao longo dos séculos e tenta, dentro do possível, restaurar sua importância para o desenvolvimento do município de Ilhéus e a formação da região cacaueira do sul da Bahia.

A origem do nome do distrito de Maria Jape.

Por Roberto Carlos Rodrigues

maria jape

Eu sempre acreditei que a localidade de Maria Jape (distrito de Ilhéus – BA) tinha o seu nome originário de alguma proprietária chamada de Maria Jape “de tal”. Contudo, em minha pesquisa sobre a história de Banco da Vitória, deparei-me com a citação abaixo, que traz outra reflexão sobre o nome do distrito ilheense. Vejamos:

“Diz Domingos Fernandes, administrador do Engenho de Santana, que é do senhor conde de Linhares, que a 21 de outubro de1602, se levantaram os gentis forros com mais alguns moradores que estavam assentados em um lugar que se chama Aldeia de “Mariape” ou (Maria Jape)…” *

Então o nome do distrito derivou de Mariape?

Vale citar que segundo Silva Campos, em Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, a localidade de Maria Jape foi criada originalmente como um aldeamento de índios Aimorés. Esse aldeamento foi criado no ano de 1599 pelo jesuíta Domingos Rodrigues.**

Por ora, pairam as dúvidas.

*Fonte 1: Documento do Arquivo da Torre do Tombo – Cartório dos jesuítas – Maço 16, nº 4: Instrumento com o tratado de uma petição de testemunhas para se provar um levantamento do gentio no engenho de Santa Anna dos Ilhéos, 18 de novembro de 1603. Pfl . 2v, 3v: CEDOC – UESC);

**Fonte 2 – Segundo a Relação das povoações, lugares, rios e distância que há entre eles, na freguesia da invenção de Santa Cruz da Vila dos Ilhéus, pelo Vigário Luís Soares de Araújo [1758]. ANAIS DA BIBLIOTECA NACIONAL, vol. 31. Rio de Janeiro: Oficinas Gráficas da Biblioteca Nacional, 1913. [documento n. 2676, pp. 184-5]: da vila navegando pelo rio acima da parte do poente há vários lugares em que habitam moradores, a saber: Cupipe, Maria Jape, São João, Tanguape, Tabuná, Pasto Matendipe, Camurupi, Banco do Furtado, Pirataquicé.

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Banco da Vitória – Ilhéus Bahia Ruas e CEP’s.

100Banco da Vitória – Ilhéus Bahia

Ruas e CEP.

1ª Travessa Cosme e Damião Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-490

Praça Guilherme Xavier Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-236

Praça Manoel José dos Santos Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-432

Rodovia Jorge Amado Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-200

Rua A Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-472

Rua Adílio Alves de Jesus Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-204

Rua Aldair Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-228

Rua Alpídio Ramos Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-428

Rua Anatália Félix Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-240

Rua B Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-476

Rua Belo Horizonte Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-486

Rua C Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-412

Rua Cosme e Damião Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-462

Rua da Represa Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-424

Rua das Flores Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-500

Rua Dois de Julho Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-244

Rua dos Artistas Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-224

Rua Doutor Bernardino Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-216

Rua Doutor Laureano Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-220

Rua Duque de Caxias Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-208

Rua Elpídio Marques Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-304

Rua Érica Alves Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-420

Rua Getúlio Domingos Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-404

Rua Jardim Alice Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-212

Rua Maria de Jesus Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-408

Rua Maria Guiomar Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-300

Rua Maria Pureza Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-436

Rua Oito de Dezembro Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-444

Rua Primeiro de Maio Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-232

Rua Raulina Miranda Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-400

Rua São João Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-452

Rua Universal Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-504

Travessa Oito de Dezembro Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-448

Travessa Universal Banco da Vitória, Ilhéus, Bahia 45661-508

Limites entre Ilhéus e Itabuna, a confirmação histórica

O marco encontrado nesta segunda-feira, 21, na Ilha dos Quiricós, supostamente encerraria a polêmica entre Ilhéus e Itabuna no que se refere ao limite entre os dois municípios. Por trás da briga, o interesse pela receita tributária gerada pelos supermercados Makro e Atacadão, que hoje beneficia Ilhéus.

Ontem, o secretário de Serviços Públicos de Ilhéus, Carlos Freitas, comemorou a descoberta do marco nos Quiricós. Alguns dias antes, uma missão formada por representantes dos dois municípios vasculhou a ilha no Rio Cachoeira e não achou a estrutura de concreto que identifica a linha divisória.

Segundo uma fonte da Prefeitura de Itabuna, o desbravador ilheense teria quebrado um compromisso acertado entre os dois governos. Eles haveriam combinado que toda ação para resolver a dúvida sobre o limite deveria ser empreendida em conjunto. Freitas foi sozinho em busca do marco perdido.

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Carta aos Vencedores

Sim, há sim mil saídas para um único problema.
Sim, há sim mil alternativas para se vencer todos os desafios.
Sim, há sim um Deus que lhe protege e lhe ama.
Sim, há um sim especial para aqueles que lhe invejam e para eles haverá também a misericórdia divina.

Não, não duvide da força do seu destino.
Não, não desacredite das artimanhas dos que proferem os males.
Não, não desista só porque disseram que você perdeu.
Não, não desista porque antes de vencer, você já é um vencedor, pelo menos, para Deus.

Nós, os vencedores vemos horizontes onde muito enxergam somente muralhas.
Ouvimos músicas até nos barulhos das chuvas que caem sobre o telhado.
De vez em quando ficamos estranhos e gostamos de solidão e silêncio.
Somos assim mesmos, predestinados para deixarmos rastros e adubarmos secretas paixões.

Acredite que você é muito importante para muita gente.
E muitas destas pessoas têm doloridas saudades da sua presença por perto.
Muitas, não só lhe invejam, mas também te veneram.

Não se preocupe com cansadas ladainhas dos perdedores e suas profecias de agouros,
Pois Deus em sua imensurável bondade também os ama.

A nós cabemos fazer histórias e desbravamos longínquos mares
Onde o amor é servido em cálices feitos pelas mãos dos anjos
E o sono é embalado pelos uivos da vitória.

Sigamos em frente irmãos, pois o triunfo nos espera.

Se não foi ontem, pode ser hoje.
E não for hoje, tenha certeza que será amanhã.
Afinal, o amanhã é o nome que damos ao que acreditamos ser o dia da esperança.
E esperança é o elixir diário dos vitoriosos.

Roberto Carlos Rodrigues

Banco da Vitória – Vídeo Os Incríveis

Vídeo com fotos de diversos moradores Banco da Vitória Ilhéus Bahia.

Produzido por Guabiru, com Fotos de Neildes Amorim e Jefferson

Trilha Musical: Quintais Sinfônicos – Música de Paulo Souza (Paulo Coragem)