2 de fevereiro – Festa de Iemanjá em Banco da Vitória

Por Roberto Carlos Rodrigues

Quem atualmente passa pela Rodovia Jorge Amado e se deslumbra com o leito caudaloso do Rio Cachoeira, nas cheias das marés atlânticas, raramente sabe que nesse atual bairro ilheense, até o final da década de oitenta do século passado, havia ali grandes festejos em homenagem a Iemanjá, a rainha do mar.

Naquela época existiam no antigo distrito de Banco da Vitória, mais de oito terreiros de Candomblé ou centros de Umbanda. Sendo que destes quatro eram bastantes representativos  e atuantes na comunidade.

O terreiro de Dona Eunice Santos ficava na Rua Dois de Julho, onda havia também o centro de Pai Miguel. Perto dali, na atual Praça Feliciano de Assis, havia o quase centenário terreiro de Mãe Licinha. Na União havia o terreiro de Mãe Maria.

Na noite de 1 de fevereiro, se ouvia por toda a localidade os sons dos atabaques que ecoavam na beira do Rio Cachoeira, onde rendiam primeiramente homenagem a Oxum, a dona da água doce e, por extensão, de todos os rios, riachos e cachoeiras.

Mãe Oxum, é uma entidade feminina e vaidosa. Adora presentes como colares, joias, perfumes, espelhos, cortes de seda e todos os tipos de adereços brilhantes.

Nas margens do rio Cachoeira, nas imediações de Banco da Vitória, Oxum recebia tudo que tanto adora e por fim, autorizava a ida dos seus filhos e filhas até as praias de Ilhéus, onde Iemanjá seria festejada.

Meia-noite em ponto, os caminhões repletos de admiradores de Iemanjá, cortavam as ruas de Banco da Vitória. Aos sons ritmados dos frívolos atabaques, se associam vozes de alegres pessoas. Todas festejando a rainha do mar. Todos encharcados de fé e felizes por estarem vivando mais uma vez aquele evento.

O destino de povo festeiro era a praia do Malhado, onde as danças e os cantos duravam até o nascer do dia. Naquele mesmo dia, conforme as vontades das marés, as oferendas eram colocadas em barcos e canoas e esses se dirigiam até a proximidade da Pedra de Ilhéus, onde os presentes eram depositados em um local chamado pelos pescadores de Toca de Iemanjá.

Na boca da noite, os devotos de Iemanjá voltavam para as sedes dos seus terreiros em Banco da Vitória, onde o samba de roda selava os festejos da rainha do mar.

Atualmente não existem mais festejos de Iemanjá em Banco da Vitória e raros são os atabaques que ecoam ritmando os cantos africanos por essa região.

Eu, que sou oriundo da mãe África e preservo meus orixás, saúdo minha mãe Iemanjá:

Odoyá! Odoyá!

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Esse nosso “dicionário” está mais para “O pai dos burros cegos”, como se dizia antigamente, do que para um propriamente léxico. Portanto, a leitura deste livreto se propõe exclusivamente a diversão e não aos ensinamentos.

Por certo, a leitura deste livreto não vai fazer de você um “Ovo de duas gemas”, mas pode ser que você se torne um “Galalau” na curiosidade do saber.

Tenha boa leitura,

Roberto Carlos Rodrigues.

 

 

A Morta-viva do Rio Cachoeira

enterro-2Por Roberto Carlos Rodrigues

Parece fácil a vida de um cronista que resolve reviver a memória do seu povo e de sua aldeia. Mas não é. Muitas vezes os fatos acontecem e as pessoas simplesmente esquecem ou fingem quem não sabem dos ocorridos. A estória que vou descrever agora aconteceu em Banco da Vitória, no início da década de sessenta do século passado e, graças a Deus, muita gente ainda está vivinha da silva para comprovar que não minto, ou que é fruto da minha imaginação. Naqueles dias, em Banco da Vitória uma mulher dada como morta, reviveu em pleno ato fúnebre.

Foi exatamente em um domingo de Feira em Banco da Vitória que chegou a notícia da morte de Dona Maria D’ajuda, mulher de um trabalhador da fazenda Porto Novo e moradora da localidade chamada O Beco.

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O feitiço do Rio Cachoeira

Por Roberto Carlos Rodrigues

Quem ver o rio Cachoeira, nas imediações de Banco da Vitória, quando da maré alta, acredita estar diante de um belo espelho d’água encantador e enfeitiçante. As águas marinas oxigenam o velho e sofrido rio, dando-lhe uma matiz mágica, levemente azulado, em nuances de um verdadeiro braço de mar.

Quem ver este rio escorrer esquálido e desanimado entre tantas pedras, lamaçais e tristes sobras e esgotos, desde a sua nascente, na Serra de Itararaca, no sopé do município de Itororó, até pouco acima de Banco da Vitória, ao vê-lo novamente, agora caudaloso, resplandecente e azulado, nas barranca da nossa localidade, por certo, acredita estar diante de outro rio. O Rio da Esperança.

Em Banco da Vitória as marés diárias dá ao velho e poluído Rio Cachoeira uma roupagem nova. Ali ele encontra o sabor do mar de Ilhéus e em suas águas brilhosas e festeiras, celebra sua árdua e sofrida jornada com frondosas mágicas feitas de águas encantadas.

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Saudades do Matadouro Municipal de Ilhéus, em Banco da Vitória.

matadouro

Por Roberto Carlos Rodrigues

Segundo os Anais Ilheenses, o antigo prédio do Matadouro Municipal de Ilhéus foi inaugurado no meio dos anos cinquenta do século passado. Naquela época, quem passava pela recém inaugurada rodovia Ilhéus Itabuna (asfaltada em 1958) via naquele prédio imponente e majestoso, um possível modelo de fabriqueta de sonhos e possibilidades. Para os moradores de Banco da Vitória, a construção daquele prédio foi a segunda coisa mais importante da comunidade. Só perdia, por importância e valor social, para construção da Escola Herval Soledade, inaugurado em 1960, que por certo revolucionou toda nossa gente.

A escola Herval Soledade ficava na margem esquerda do Rio Cachoeira e o matadouro ficava na margem direita da Rodovia Ilhéus Itabuna, recuado desta, no mínimo, 15 metros.

O prédio do Matadouro Municipal de Ilhéus devia ter as dimensões de 40 metros de comprimento por 25 metros de fundos. A construção tinha alvenarias altas, (aproximadamente 1,2 metros de altura para poder sobressair as possíveis enchentes do Rio Cachoeira) e o imóvel sempre era pintado de azul e branco.

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Um passo atrás da saudade

12 Antigo prédio da administração do Distrito de Banco da Vitória.jpgQuando eu era menino meu sonho era ser escritor. Rabiscava todo papel que via pela frente. Os lápis, em minhas mãos tinham vidas breves. Canetas se esvaziam em poucos dias. Lia jornais velhos utilizados para enrolar mercadorias compradas nas feiras. Lia a Bíblia, o Almanaque Biotônico, Almanaque Brasil, os livros da casa da Professora Cremilda, as Revistas Manchete da casa de Roquinha e as revistas de cortes e costuras do meu tio Jair Rodrigues. O que tivesse letras eu lia, como quem como frutas.

Quando eu era menino meu sonho era ser escritor. Rabiscava todo papel que via pela frente. Os lápis, em minhas mãos tinham vidas breves. Canetas se esvaziam em poucos dias. Lia jornais velhos utilizados para enrolar mercadorias compradas nas feiras. Lia a Bíblia, o Almanaque Biotônico, Almanaque Brasil, os livros da casa da Professora Cremilda, as Revistas Manchete da casa de Roquinha e as revistas de cortes e costuras do meu tio Jair Rodrigues. O que tivesse letras eu lia, como quem como frutas.

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A morte e a morte do Rio Cachoeira.

A jornalista Inês Calixto, provavelmente, ainda não conhece o Rio Cachoeira do Sul da Bahia. Mas, pelo que descreveu quando viu o Rio Araçuai no distrito de Turmalina, (MG), por certo, fala também do nosso moribundo rio Cachoeira. Inês descreveu na Folha de São Paulo em 25/10/2010 o seguinte:

“Os rios nascem pequenos, quase um fio de água, depois começam a correr e encontram-se com córregos e ribeirões. Então crescem. Mas, quando um rio morre, no lugar fica só o seu desenho.”

Faço do relato de Inês Calixto o testamento do nosso Rio Cachoeira que agoniza, quase morre, pouco acima de Banco da Vitória até sua nascente no sul da Serra da Itararaca, nas pandas derradeiras do município de Vitória da Conquista (BA).

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24 – Os Formosos, Majestosos e Opíparos Seios de Dona Ana da Conceição.

Contou-me essa história pouco antes de morrer. Fez isso, acredito, como intuito que eu desse letras a sua voz. Acreditou que eu pudesse dar posteridade as suas façanhas amorosas. Relatou tudo, do início ao fim, como quem descreve uma saga pessoal ou outra forma de heroísmo.

Naquela tarde de sábado, ele contou-me a sua maior conquista amorosa e como ele próprio sugeriu, se um dia eu escrevesse este texto, devia chamar-lhe Os Formosos, Majestosos e Opíparos Seios de Dona Ana da Conceição.

Como prometi para o saudoso amigo, transcrevo aqui a história de Aderval Monteiro e sua amante Dona Ana da Conceição.

Segundo o personagem principal dessas linhas, tudo começou com um olhar e um sorriso. Um olhar dele e um sorriso dela. Aderbal era funcionário público e trabalhava na coletoria de impostos do Governo da Bahia, em Banco da Vitória. Ana da Conceição era esposa do Odilon Coutinho, comprador de cacau da firma Lord & Charmann, também instalada neste distrito Ilheense.

Havia pouco tempo da vinda de Odilon e sua família para o Banco da Vitória e em poucos dias eles tornaram-se amigos de bebedeiras e pescarias no Rio Cachoeira. Aderbal era um negro solteiro e já vivido, na casa dos quarenta anos, jamais se casou e tinha fama de namorador e bom de bola. Já Odilon era um homem branco, já beirando as sessenta primaveras, dedicado ao trabalho, mas aos finais de semanas, gostava de beber até cair. Normalmente ele era levado bêbado para sua casa, onde a esposa e a filha única o recebiam em silêncio. Era um bom marido.

Foi numa dessas bebedeira de Odilon que Aderval levou o amigo bêbado para casa. Lá chegando encontrou sua esposa lavando o quintal. A filha estava na casa de uma amiga. Dona Ana da Conceição pediu que Aderval colocasse o marido numa rede estendida no quintal. Aderval arrastou o amigo até o fundo da casa e o acomodou na rede. Dona Ana da Conceição, com as roupas do corpo ainda molhadas ajudou ajeitar o marido. Foi neste instante que Aderval percebeu que os seios da esposa do seu amigo estavam quase a amostra, por trás da roupa fina, que molhada, ficara quase transparente.

Que formosura de seios. Pensou, mas não disse. Se disse, foi só com seus olhar.

Dona Ana da Conceição percebeu o olhar invasivo do homem ao seu lado e respondeu apenas com um sorriso. Quer toca-lo. Ela pensou em pergunta-lo, mas não disse. Se disse, foi só com o sorriso. Ficaram nisso.

Aderval, quase hipnotizado com os volumes e robustez daqueles belos seios e a cor amorenada das auréolas arrebitadas, quase babou pelo canto da boca. Se conteve como quem segura um soluço.

Sem ter o que falar, falou o que primeiro veio a boa úmida e disse:

– Deus sabe o que faz. Divagou.

– Concordo. Respondeu a mulher do bêbado dorminhoco, alisando os cabelos negros e molhados.

– E como sabe. Arrematou a conversa o funcionário público e disse:

O homem está entregue. Deixe-me ir.

– Muito obrigado, seu Aderval. Disse a mulher, inflando o tórax e realçando ainda mais o volume dos seus seios molhados. E concluir: fazer o quê? Ele prefere a cachaça a mim.

– Deve ser louco. Disse Aderval, já na passagem pela sala, rumo a porta de saída para a rua. Deve ser louco mesmo. Concluiu e saiu da casa se olhar para trás. Nos seus pensamentos, martelavam todos os tipos de pecados.

Naquele resto de dia e durante vários dias e várias noites a imagem dos belos seios de dona Ana da Conceição não saíram da cabeça de Aderval. Para ser sincero, ele conseguia relembrar todos os detalhes daqueles seios mais do que do rosto de sua dona. Os seios de Dona Ana da Conceição eram verdadeiramente formosos, majestosos e opíparos. Nunca vira nada igual em toda sua vida.

Assim os descreveu: os seios dela são firmes e duros, como se nunca tivesse dado de mamar para as crianças; são morenos claros feito o bronze africano e as auréolas são escuras, firmes e pontiagudas feito os canos das lanças militares. Precisaria de duas mãos para cobrir cada seio. Mesmo assim, sobrariam ainda músculos próximos aos dedos mindinhos. Se fosse lambê-los, chupá-los e suga-los prazerosamente precisaria de no mínimo vinte e sete minutos de passeios de língua e por certo terminaria com dores no queixo. Acariciá-lo já seria um verdadeira oração a vida. Vê-los nus já seria um espetáculo. Concluiu.

Os dias se passaram e dona Ana Da Conceição, toda vez que encontrava como Aderval, sorria para ele e arrumava o calorento sutiã. Essa era a senha secreta entre eles dois.

Aderval, por respeito ao amigo, tentou tirar aquela tentação da cabeça e até chegou a evitar encontros com o amigo e sua esposa por perto. Agindo assim, acreditava estava se livrando daquele pecado.

Porém, o destino tece o seu próprio bordado e por conta dos pontos sem nós, Odilon Coutinho veio a adoecer, foi acamado e de lá jamais saiu vivo. Acometido por um severo derrame cerebral, o comprador de cacau perdeu o movimento do corpo, deixou de falar e mal-mente gesticulava com uma das mãos. Padeceu tristemente.

A filha e a esposa cuidaram do homem doente. Nos primeiros dias da doença a casa estava cheia de amigos e vizinhos. Contudo, com o passar dos dias, este sumiram e aqueles rarearam. Apenas Aderval continuou visitando o seu amigo todos os dias. Durante a semana, todos os dias, após o expediente na coletoria, ele ia visitar o amigo, contar-lhe alguma novidade do mundo do cacau ou então levar algumas frutas que recebia no seu trabalho. As sábados, Aderval ia as tardes e ficava conversando com o seu amigo doente. Aos domingos, ante de ir a missa, passava na casa do doente e tecia algum comentário incentivador com homem postado na cama.

Naquele tempo, o belo sorriso de dona Ana da Conceição perdeu a luz e olhar de Aderval evitava focar em seus lindos e volumosos seios.

Um dia, o tempo deu um nó final na rede dos dias de Odilon e este faleceu numa friorenta manhã de quarta-feira. Dona Ana da Conceição se tornara viúva. E não tinha ainda trinta e sete anos de idade.

Após o enterro do amigo, Aderval foi até a casa de dona Ana da Conceição, se despediu da viúva e de sua filha e disse que não retornaria mais lá. Não tinha mais o que fazer ali. Argumentou. Ana da Conceição entendeu a situação e vestiu-se de luto por um ano inteiro. No Natal do ano seguinte, ela abandonou as vértices pretas e como que recupera a formosura, voltou a usar seus vestidos floridos e provocantemente decotados. Tornou-se a viúva mais desejada de Banco da Vitória e invejada pelas demais mulheres casadas.

Um dia, domingo de feira, ela encontrou com Aderval e disse que queria vê-lo na sua casa naquela tarde. Ele concordou e disse que não perderia aquele encontro por nada deste mundo

A tarde de domingo ia pela metade, a rua quase deserta, quando Aderval bateu a porta da casa de dona Ana da Conceição. Nas mãos uma sacola cheia de frutas. Ela abriu a porta como quem recebe uma brisa fresca do rosto e sorriu para ele e questionou:

– Quanto tempo, em? Não sentiu saudades minhas?

– Saudade é um prato que se como em silêncio. Respondeu Aderval, sentindo o perfume daquele fêmea magistral.

– Helena, onde está. Perguntou pela filha do amigo?

– Na casa da tia. Está no Pontal, por certo, numa hora dessa passeia na beira da praia de mãos dados com o noivo. Só vem terça-feira. Entre homem. Vamos para o nosso quintal.

Ele atendeu, deu-lhe a sacola com as frutas e ela então disse:

– Toma um cana pura ou uma cerveja?

– Os dois. Disse Aderval, se dirigindo para o fundo da casa. – Vou pegar. Disse a mulher. 

Sentado numa cadeira junto a um pequena mesa, ela o serviu e disse tenho algo para te mostrar. Achou que o senhor vai gostar.

Ele sorriu como resposta de sim.

No quintal tinha um formosa goiabeira. Perto da árvore um tangue cheio de água morna. Dona Ana da Conceição tirou as sandálias, soltou os cabelos e foi até o tanque e começou a se banhar. Então questionou o homem que não acreditava no que via.

– E ái seu Aderval, conte-me as novidades?

– Deus continua justo e cumpridor das suas promessas. E por certo ouve minhas preces. Respondeu.

Ela sorriu fartamente e jogou mais um balde água sobre o corpo.

O vestido fino quase desapareceu e as formas avantajadas do seu corpo moreno resplandeceram como quem recebe um facho de luz. Aderval tocou a dose de cachaça em um gole só e depois bebericou a cerveja. Teve vontade de sorriu, mas não fez isso. Preferiu apenas olhar aquela cena, que por mais sonhada ou imaginada por ele, era muito mais bela e fascinante.

Dona Ana da Conceição continuou conversado enquanto prazerosamente se banhava. Quando por fim, terminou de banhar-se ela disse:

-POr favor, seu Aderval, pega essa toalha aí para mim.

Ele levantou e foi até a rede onde a toalha estava pendura e quando virou, a mulher mais bonita que vira em toda sua vida estava completamente nua a sua frente. Sorrindo ela disse: me enxuga, homem. Não sabe enxugar uma mulher não?

Aderval sorriu e disse:

– Faz tempo que não faço isso, mas sou bom aluno.

– Quero ver se aprendeu bem? Respondeu ela sorrindo e indo até sua direção.

– Enxuga minhas costas. Ordenou. Depois minha bunda e pernas. Deixa meus seios por último.

Não era só os seios de dona Ana da Conceição que eram formosos, majestosos e Opíparos. Ela era totalmente bela e atraente. A cor morena se estendia dos calcanhares atém o crânio. As costas eram largas, a bunda avolumada e firme. As pernas, como se torneadas em madeira de lei, seguravam o corpo de mais de sessenta quilos, os pés eram finos e delicados, a barriga rígida. Os braços eram suaves e calmos e os seios… Ah, os seios. Estes eram fartos, duros e hipnotizantes, fatais para um home de coração fraco.

Só mais belo que aquele seios. Confidenciou-me. Somente o sorriso daquela mulher, naquele rosto moreno, molhado e ávido por beijos e mais beijos.

Após enxugar o corpo daquele fêmea sem igual, Dona Ana da Conceição pegou as duas mãos de Aderval e as colocou sobre seus seios e disse: ver se consegue sentir meu coração.

Ele sorriu. Nada disse. Estava realizado. Já podia morreu. Pensou.

Por certo. Ele sentia o seu próprio coração querer sair pelos punhos.

Dona Ana da Conceição o beijou prazerosamente e ele sentiu o seu cabelo molhado molhar sua camisa domingueira.

Ela puxou ele pelo braço e levou-o para seu quanto.

Sem falar uma única palavra. Se amaram feitos loucos adolescentes e só não foram felizes para sempre porque na manhã da quarta-feira seguinte um caminhão encostou em frente à casa de Dona Ana da Conceição e levou toda a mudança. Dona Ana da Conceição se mudara definitivamente de Banco da Vitória. Foi mora em Vila Velha, no Espirito Santo, onde tinha parentes e jamais voltara ao Banco da Vitória. Para Aderval, nem deu adeus.

Aderval olhou para mim e disse:

– Às vezes eu acho que nada disso aconteceu de verdade comigo, meu amigo Roberto. Acho que foi apenas um sonho louco. Uma louca ilusão minha. Aí, quando eu lembro da minha boca naqueles belos e divinos seios, das minhas mãos naquele corpo, dos aís dela no meu ouvido. Sorriu de prazer e agradeço a Deus por ter levado meus anos, mas não ter apagado minhas memórias. Graças a Ele, isso me sobrou.

E concluiu:

– Na verdade os seios de dona Ana da Conceição não são tão formosos, ajestosos e opíparos. Eles são divinos, encantadores e magnéticos.  Loucamente Magnéticos! – isso mesmo – são magnéticos atraem olhares e irradiam tentações.

Aderval, então me olhou seriamente. Bebericou mais um gole de cerveja e disse:

– Se os seios de dona Ana da Conceição eram assim tão belos e encantadores, imagine sua vulva. Sorriu prazerosamente e concluiu:

– Aquela vulva, que mais coisa linda, gostosa e embriagante. Dei-lhe tantos beijos que até agora deve estar ainda tonta. Nem nos melhores dicionários do mais requintado idioma Latim existem os melhores adjetivos para descrevê-la.

 – Aquilo não era uma vulva, uma xoxota qualquer, uma boceta carnuda. Era uma taça de vinho morno bebida numa madrugada de inverno.

– Você já bebeu vinho morno, meu filho? Perguntou-me.

Eu respondi que não.

– Só perde em sabor para a xoxota de Dona Ana da Conceição. Tenha certeza e acredite no que digo.

– E se eu te falar que a minha amada é especialista em boquete, você acredita?

Sorri como resposta de sim.

– Ele me pegou de jeito e com sua língua morna banhou-me de beijos e mais beijos. Só não sugou a minha alma pois não chupou meu crânio. O resto, valha-me Deus. Conclui Aderval sorrindo.

Foi a última vez que eu conversei como o meu amigo Aderval. Até hoje tenho saudade dos belos seios de Dona Ana da Conceição. Mesmo, sem jamais tê-los vistos.

Que Deus o tenha, Aderval.

21 – Vivendo com as Lendas.

Em poucos lugares do mundo é tão fácil andar com verdadeiras lendas vivas quanto no Banco da Vitória. Ali, caminhando pelas ruas, você encontra vultosas figuras que fazem parte da nossa fantástica história. Em cada rua, em cada passo, em cada janela, estão postadas as figuras importantes da nossa comunidade e fazendo parte da nossa história viva.

Não tem como não encontrar essas personagens vivas da nossa história por todos os cantos da nossa comunidade.

Na verdade, graça a Deus, encontramos nas ruas de Banco da Vitória lendas vivas como Bibogo, Gogó de Sola, Ivone Santos, Ivony, Iracy, Dona Loura, Jailton Ramos, Dona Helena, Rosival Calazans (Nem), Dona Mira, Nelson Vitório (Orelha de Nico), Osmário (Seu Tum), Valter Ramos, Veinho, Zé Ivonildo, Coió, Railda Ribeiro, Maria das Graças Menezes, Zé Orlando, Pedro Filho, Jerusa Cardoso, Juracy Martins, Cremilda Santana, Crew, Creuza Santana, Dona Lia Araújo, Jair Rodrigues, Bigu, Ana Palmira, Gerolino, Mário Lapa, Kika Melo, Onésio, Jarinho, Dico, Beré, Dinne Meneses, Dona Geovânia, Carlos Oliveira, Rodrigo Matarazzo, Marilda, Nerilda Pereira, Enéas, Tonho de Miguel Farias, Ratinho, Célia, Formiga, Edna Cabeleireira, Carlos Oliveira, Marinalva Soares, Manuala Oliveira, Catarí Borges, Loulinha, Biinha, Seu Roque, Tânia Araújo, Teca, Nete Cardoso, José Reis, Luis Delegado, Bujão, Veio, Renato da Peixaria, Luciana Alves, Bego, Patrícia Regina, César, Álvaro Pereira, Marilene e Pedro, Chico, Dupó, Tonho, Paulo, Carmé, Julinho, Lito, João Marreco, Cabeludo, Lourival Pitu, Carlos Cambal, Dona Nilza, Cassé, Clodualdo, Meire, Zé Sucena, professora Apolônia, Jonga, Zé Trator, Marlito, Zabelê, Carlinhos de Nilza, Nado de Gaguinho, Roberto de Dolores, Liminha, Jovaly, Rael, Dui, Índio Pato Mole, Galo, Antônio Francisco e tantos outros.

Talvez você não perceba, mas por certo, está cercado de verdadeiras lendas vivas da nossa comunidade. Por conta disso, a nossa estória acontece sob sua retina.

Ao encontrar um desses personagens por nossas ruas, abrace-o, beije-o, valorize-o. Afinal, você também faz parte desta vitoriosa história.

Em Banco da Vitória vivemos e convivemos com nossas lendas vivas. No mundo inteiro, isso é privilégio de poucos lugares.

 

Paulo Coragem – A voz de Banco da Vitória.

PAULO SOU.jpgPaulo Sérgio Pereira de Souza é conhecido em Banco da Vitória como Paulo Coragem (recebeu esse apelido devido sua índole mansa). Mas poderia muito bem se chamar Paulo Violão ou, mais ao seu agrado, Paulinho do Rio Cachoeira. Paulo Coragem parece que nasceu tocando violão e cantando as belezas da nossas matas e principalmente do nosso rio. Só consigo lembrar do meu grande amigo Paulo da seguinte forma: ele com seu violão e o seu violão com ele.

Paulo é filho de ícones e verdadeiras lendas de Banco da Vitória. Seu pai era Nafital de Souza e sua mãe, a bem-amada, professora Gláucia Pereira Rocha. Dessa alquimia cultural, ele nasceu (ou melhor estreou) em 3 de dezembro de 1962. A quem diga que Paulinho puxou aos Souza na arte de tocar violão e aos Pereiras na arte de cantar.

Paulo Souza é um espetacular músico, brilhante compositor e magistral cantor. Com sua voz aveludada, calma e melodiosamente envolvente, ele canta como quem conversa com as matas, resenha com a flora e murmura com as águas.

Sua poesia é provinciana, terral, intimista e contemplativa. É o poeta de Banco da Vitória.

Como quem faz um louvor à vida, as músicas de Paulo Coragem não só cantam as belezas da nossa aldeia e do nosso rio Cachoeira, mas também servem de alerta ecológico, um grito de socorro em prol do nosso planeta. Dessa forma, Paulinho não apenas canta, mas também encanta e nos conscientiza da importância da preservação da natureza e do planeta Terra.

Os Souza e Pereira tem orgulho do seu irmão artista, querido, altamente bondoso e do ser humano mais que especial, que é Paulo Voragem.

O Banco da Vitória tem prazer de dizer que Paulo Coragem nasceu e vive no seu coração. Ele é a verdadeira voz da nossa comunidade e as suas melodias são nossas canções de ninar gente grande.

Se eu fosse você, ao encontrar Paulo Coragem por aí, daria-lhe um forte abraço. Afinal, não é todo lugar que tem uma “voz” que anda, canta e encanta. Paulo Coragem faz isso com tanta naturalidade que a sua voz, muitas vezes, se confundem com os sussurros dos ventos que abanam o nosso povo e embalam os nossos sonhos.

Paulo Coragem tem nome de cantor. Faz jus a sua estirpe. O Banco da Vitória orgulha-se deste artista completo e sereno.

Videos do artista Paulo Souza no Youtube. Acesse o Canal Aqui