Os Formosos, Majestosos e Opíparos Seios de Dona Ana da Conceição.

Por Roberto Carlos Rodrigues.

seiosContou-me essa história pouco antes de morrer. Fez isso, acredito, como intuito que eu desse letras a sua voz. Acreditou que eu pudesse dar posteridade as suas façanhas amorosas. Relatou tudo, do início ao fim, como quem descreve uma saga pessoal ou outra forma de heroísmo.

Naquela tarde de sábado, ele contou-me a sua maior conquista amorosa e como ele próprio sugeriu, se um dia eu escrevesse este texto, devia chamar-lhe Os Formosos, Majestosos e Opíparos Seios de Dona Ana da Conceição.

Como prometi para o saudoso amigo, transcrevo aqui a história de Aderval Monteiro e sua amante Dona Ana da Conceição.

Segundo o personagem principal dessas linhas, tudo começou com um olhar e um sorriso. Um olhar dele e um sorriso dela. Aderbal era funcionário público e trabalhava na coletoria de impostos do Governo da Bahia, em Banco da Vitória. Ana da Conceição era esposa do Odilon Coutinho, comprador de cacau da firma Lord & Charmann, também instalada neste distrito Ilheense.

Havia pouco tempo da vinda de Odilon e sua família para o Banco da Vitória e em poucos dias eles tornaram-se amigos de bebedeiras e pescarias no Rio Cachoeira. Aderbal era um negro solteiro e já vivido, na casa dos quarenta anos, jamais se casou e tinha fama de namorador e bom de bola. Já Odilon era um homem branco, já beirando as sessenta primaveras, dedicado ao trabalho, mas aos finais de semanas, gostava de beber até cair. Normalmente ele era levado bêbado para sua casa, onde a esposa e a filha única o recebiam em silêncio. Era um bom marido.

Foi numa dessas bebedeira de Odilon que Aderval levou o amigo bêbado para casa. Lá chegando encontrou sua esposa lavando o quintal. A filha estava na casa de uma amiga. Dona Ana da Conceição pediu que Aderval colocasse o marido numa rede estendida no quintal. Aderval arrastou o amigo até o fundo da casa e o acomodou na rede. Dona Ana da Conceição, com as roupas do corpo ainda molhadas ajudou ajeitar o marido. Foi neste instante que Aderval percebeu que os seios da esposa do seu amigo estavam quase a amostra, por trás da roupa fina, que molhada, ficara quase transparente.

Que formosura de seios. Pensou, mas não disse. Se disse, foi só com seus olhar.

Dona Ana da Conceição percebeu o olhar invasivo do homem ao seu lado e respondeu apenas com um sorriso. Quer toca-lo. Ela pensou em pergunta-lo, mas não disse. Se disse, foi só com o sorriso. Ficaram nisso.

Aderval, quase hipnotizado com os volumes e robustez daqueles belos seios e a cor amorenada das auréolas arrebitadas, quase babou pelo canto da boca. Se conteve como quem segura um soluço.

Sem ter o que falar, falou o que primeiro veio a boa úmida e disse:

– Deus sabe o que faz. Divagou.

– Concordo. Respondeu a mulher do bêbado dorminhoco, alisando os cabelos negros e molhados.

– E como sabe. Arrematou a conversa o funcionário público e disse:

O homem está entregue. Deixe-me ir.

– Muito obrigado, seu Aderval. Disse a mulher, inflando o tórax e realçando ainda mais o volume dos seus seios molhados. E concluir: fazer o quê? Ele prefere a cachaça a mim.

– Deve ser louco. Disse Aderval, já na passagem pela sala, rumo a porta de saída para a rua. Deve ser louco mesmo. Concluiu e saiu da casa se olhar para trás. Nos seus pensamentos, martelavam todos os tipos de pecados.

Naquele resto de dia e durante vários dias e várias noites a imagem dos belos seios de dona Ana da Conceição não saíram da cabeça de Aderval. Para ser sincero, ele conseguia relembrar todos os detalhes daqueles seios mais do que do rosto de sua dona. Os seios de Dona Ana da Conceição eram verdadeiramente formosos, majestosos e opíparos. Nunca vira nada igual em toda sua vida.

Assim os descreveu: os seios dela são firmes e duros, como se nunca tivesse dado de mamar para as crianças; são morenos claros feito o bronze africano e as auréolas são escuras, firmes e pontiagudas feito os canos das lanças militares. Precisaria de duas mãos para cobrir cada seio. Mesmo assim, sobrariam ainda músculos próximos aos dedos mindinhos. Se fosse lambê-los, chupá-los e suga-los prazerosamente precisaria de no mínimo vinte e sete minutos de passeios de língua e por certo terminaria com dores no queixo. Acariciá-lo já seria um verdadeira oração a vida. Vê-los nus já seria um espetáculo. Concluiu.

Os dias se passaram e dona Ana Da Conceição, toda vez que encontrava como Aderval, sorria para ele e arrumava o calorento sutiã. Essa era a senha secreta entre eles dois.

Aderval, por respeito ao amigo, tentou tirar aquela tentação da cabeça e até chegou a evitar encontros com o amigo e sua esposa por perto. Agindo assim, acreditava estava se livrando daquele pecado.

Porém, o destino tece o seu próprio bordado e por conta dos pontos sem nós, Odilon Coutinho veio a adoecer, foi acamado e de lá jamais saiu vivo. Acometido por um severo derrame cerebral, o comprador de cacau perdeu o movimento do corpo, deixou de falar e mal-mente gesticulava com uma das mãos. Padeceu tristemente.

A filha e a esposa cuidaram do homem doente. Nos primeiros dias da doença a casa estava cheia de amigos e vizinhos. Contudo, com o passar dos dias, este sumiram e aqueles rarearam. Apenas Aderval continuou visitando o seu amigo todos os dias. Durante a semana, todos os dias, após o expediente na coletoria, ele ia visitar o amigo, contar-lhe alguma novidade do mundo do cacau ou então levar algumas frutas que recebia no seu trabalho. As sábados, Aderval ia as tardes e ficava conversando com o seu amigo doente. Aos domingos, ante de ir a missa, passava na casa do doente e tecia algum comentário incentivador com homem postado na cama.

Naquele tempo, o belo sorriso de dona Ana da Conceição perdeu a luz e olhar de Aderval evitava focar em seus lindos e volumosos seios.

Um dia, o tempo deu um nó final na rede dos dias de Odilon e este faleceu numa friorenta manhã de quarta-feira. Dona Ana da Conceição se tornara viúva. E não tinha ainda trinta e sete anos de idade.

Após o enterro do amigo, Aderval foi até a casa de dona Ana da Conceição, se despediu da viúva e de sua filha e disse que não retornaria mais lá. Não tinha mais o que fazer ali. Argumentou. Ana da Conceição entendeu a situação e vestiu-se de luto por um ano inteiro. No Natal do ano seguinte, ela abandonou as vértices pretas e como que recupera a formosura, voltou a usar seus vestidos floridos e provocantemente decotados. Tornou-se a viúva mais desejada de Banco da Vitória e invejada pelas demais mulheres casadas.

Um dia, domingo de feira, ela encontrou com Aderval e disse que queria vê-lo na sua casa naquela tarde. Ele concordou e disse que não perderia aquele encontro por nada deste mundo

A tarde de domingo ia pela metade, a rua quase deserta, quando Aderval bateu a porta da casa de dona Ana da Conceição. Nas mãos uma sacola cheia de frutas. Ela abriu a porta como quem recebe uma brisa fresca do rosto e sorriu para ele e questionou:

– Quanto tempo, em? Não sentiu saudades minhas?

– Saudade é um prato que se como em silêncio. Respondeu Aderval, sentindo o perfume daquele fêmea magistral.

– Helena, onde está. Perguntou pela filha do amigo?

– Na casa da tia. Está no Pontal, por certo, numa hora dessa passeia na beira da praia de mãos dados com o noivo. Só vem terça-feira. Entre homem. Vamos para o nosso quintal.

Ele atendeu, deu-lhe a sacola com as frutas e ela então disse:

– Toma um cana pura ou uma cerveja?

– Os dois. Disse Aderval, se dirigindo para o fundo da casa. – Vou pegar. Disse a mulher. 

Sentado numa cadeira junto a um pequena mesa, ela o serviu e disse tenho algo para te mostrar. Achou que o senhor vai gostar.

Ele sorriu como resposta de sim.

No quintal tinha um formosa goiabeira. Perto da árvore um tangue cheio de água morna. Dona Ana da Conceição tirou as sandálias, soltou os cabelos e foi até o tanque e começou a se banhar. Então questionou o homem que não acreditava no que via.

– E ái seu Aderval, conte-me as novidades?

– Deus continua justo e cumpridor das suas promessas. E por certo ouve minhas preces. Respondeu.

Ela sorriu fartamente e jogou mais um balde água sobre o corpo.

O vestido fino quase desapareceu e as formas avantajadas do seu corpo moreno resplandeceram como quem recebe um facho de luz. Aderval tocou a dose de cachaça em um gole só e depois bebericou a cerveja. Teve vontade de sorriu, mas não fez isso. Preferiu apenas olhar aquela cena, que por mais sonhada ou imaginada por ele, era muito mais bela e fascinante.

Dona Ana da Conceição continuou conversado enquanto prazerosamente se banhava. Quando por fim, terminou de banhar-se ela disse:

-POr favor, seu Aderval, pega essa toalha aí para mim.

Ele levantou e foi até a rede onde a toalha estava pendura e quando virou, a mulher mais bonita que vira em toda sua vida estava completamente nua a sua frente. Sorrindo ela disse: me enxuga, homem. Não sabe enxugar uma mulher não?

Aderval sorriu e disse:

– Faz tempo que não faço isso, mas sou bom aluno.

– Quero ver se aprendeu bem? Respondeu ela sorrindo e indo até sua direção.

– Enxuga minhas costas. Ordenou. Depois minha bunda e pernas. Deixa meus seios por último.

Não era só os seios de dona Ana da Conceição que eram formosos, majestosos e Opíparos. Ela era totalmente bela e atraente. A cor morena se estendia dos calcanhares atém o crânio. As costas eram largas, a bunda avolumada e firme. As pernas, como se torneadas em madeira de lei, seguravam o corpo de mais de sessenta quilos, os pés eram finos e delicados, a barriga rígida. Os braços eram suaves e calmos e os seios… Ah, os seios. Estes eram fartos, duros e hipnotizantes, fatais para um home de coração fraco.

Só mais belo que aquele seios. Confidenciou-me. Somente o sorriso daquela mulher, naquele rosto moreno, molhado e ávido por beijos e mais beijos.

Após enxugar o corpo daquele fêmea sem igual, Dona Ana da Conceição pegou as duas mãos de Aderval e as colocou sobre seus seios e disse: ver se consegue sentir meu coração.

Ele sorriu. Nada disse. Estava realizado. Já podia morreu. Pensou.

Por certo. Ele sentia o seu próprio coração querer sair pelos punhos.

Dona Ana da Conceição o beijou prazerosamente e ele sentiu o seu cabelo molhado molhar sua camisa domingueira.

Ela puxou ele pelo braço e levou-o para seu quanto.

Sem falar uma única palavra. Se amaram feitos loucos adolescentes e só não foram felizes para sempre porque na manhã da quarta-feira seguinte um caminhão encostou em frente à casa de Dona Ana da Conceição e levou toda a mudança. Dona Ana da Conceição se mudara definitivamente de Banco da Vitória. Foi mora em Vila Velha, no Espirito Santo, onde tinha parentes e jamais voltara ao Banco da Vitória. Para Aderval, nem deu adeus.

Aderval olhou para mim e disse:

– Às vezes eu acho que nada disso aconteceu de verdade comigo, meu amigo Roberto. Acho que foi apenas um sonho louco. Uma louca ilusão minha. Aí, quando eu lembro da minha boca naqueles belos e divinos seios, das minhas mãos naquele corpo, dos aís dela no meu ouvido. Sorriu de prazer e agradeço a Deus por ter levado meus anos, mas não ter apagado minhas memórias. Graças a Ele, isso me sobrou.

E concluiu:

– Na verdade os seios de dona Ana da Conceição não são tão formosos, ajestosos e opíparos. Eles são divinos, encantadores e magnéticos.  Loucamente Magnéticos! – isso mesmo – são magnéticos atraem olhares e irradiam tentações.

Aderval, então me olhou seriamente. Bebericou mais um gole de cerveja e disse:

– Se os seios de dona Ana da Conceição eram assim tão belos e encantadores, imagine sua vulva. Sorriu prazerosamente e concluiu:

– Aquela vulva, que mais coisa linda, gostosa e embriagante. Dei-lhe tantos beijos que até agora deve estar ainda tonta. Nem nos melhores dicionários do mais requintado idioma Latim existem os melhores adjetivos para descrevê-la.

 – Aquilo não era uma vulva, uma xoxota qualquer, uma boceta carnuda. Era uma taça de vinho morno bebida numa madrugada de inverno.

– Você já bebeu vinho morno, meu filho? Perguntou-me.

Eu respondi que não.

– Só perde em sabor para a xoxota de Dona Ana da Conceição. Tenha certeza e acredite no que digo.

– E se eu te falar que a minha amada é especialista em boquete, você acredita?

Sorri como resposta de sim.

– Ele me pegou de jeito e com sua língua morna banhou-me de beijos e mais beijos. Só não sugou a minha alma pois não chupou meu crânio. O resto, valha-me Deus. Conclui Aderval sorrindo.

Foi a última vez que eu conversei como o meu amigo Aderval. Até hoje tenho saudade dos belos seios de Dona Ana da Conceição. Mesmo, sem jamais tê-los vistos.

Que Deus o tenha, Aderval.

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Gatão – O homem que enganou a pobreza.

gatão

Por Roberto Carlos Rodrigues.

O dia 21 de setembro de 2017 logo será esquecido. No próximo domingo, nem lembraremos o que almoçamos no dia que nosso amigo Gatão morreu e se despediu definitivamente de Banco da Vitoria. Edvilson Cardoso, assim como todos nós, quando da nossa partida definitiva, será lembrado por uns, – isso, por poucos dias, e com o passar dos dias, existirá apenas na lembrança de um punhado de pessoas.

Infelizmente, vivemos em tempos confusos e sem referências de amizades. Não sabemos amar nossas lendas vivas, nem muito menos as mortas. Gatão foi prova disso.

Hoje, ainda falamos da saudade que agora sentimos de Gatão. Amanhã, não saberemos, nem porque sentiremos saudade dele.

Gatão, em vida, viveu como um palhaço que levava apenas alegria sem restrições ou preconceitos. Ele nunca se queixou da sua dor, da sua vida humilde, nem jamais disse temer a morte. Viveu um dia por vez. Seus anos lhes bastaram.

Em sua franqueza existencial, Gatão brincou com suas dificuldades e transformou-as em apenas coisas imaginárias. Foi um verdadeiro mágico.

Gatão nunca quis riquezas, casas imponentes, coisas caras, crias ou qualquer tipo de bens. Apenas quis viver em um perfeito estado de poesia. Foi um poeta de poemas sem títulos. Não deixou nada escrito. Apenas a sua lembrança poderá provar sua existência.

Se amou alguém, Gatão nunca disse. Se se apaixonou, nunca demonstrou. Se tinha raiva de alguém, soube também esconder. Se teve inveja, por certo, foi apenas dos pássaros que sobrevoam os céus da nossa comunidade e por seus próprios motivos e razões, cantarolam enquanto voam.

Edvilson Cardoso viveu como um eremita urbano. Ajudando uns, ajudado por outros. Teve alguns amigos e talvez dois ou três descontentes com o seu jeito de viver. Inimigos não teve. Tenho certeza.

A sua razão de viver era alegrar as pessoas, principalmente as crianças. Destas, ele jamais se distanciou. Em verdade, ele não quis crescer e em sua mente, era apenas mais uma criança também. Foi feliz deste jeito.

Quando a vida lhe maltratou demais, ralou seus joelhos, secou suas lagrimas e feriu a sua alma, Gatão soube vencer as adversidades, criando para si um mundo prospero, porém ilusório e imaginativo. Em vez de choramingar ou reclamar dos viés do seu existir, ele vestiu-se de um personagem rico, bondoso e generoso e, como quem vive mais no palco de que na vida real, ele se vestiu deste seu heterônimo pomposo e sepultou de vez o cidadão chamado Edvilson Cardoso. Gatão ficou rico de sonhos.

Quem o via falar das suas riquezas imaginárias, podia achar que Gatão estava louco, desvariado. Mas louco ele não era nem nunca foi. Na verdade, foi muito sábio, e dentro do seu mundo imaginário, foi mais feliz do que muita gente que se acha lucida e inteligente.

Junto a Jaia, Marcelo, Fabão, Maroto , Dei, Ericarlos, Elidê, Dine, Jaqueline, Luciana, Elí, Jacy, Rita Nunes e Eu, Gatão viveu seus melhores dias. Éramos amigos inseparáveis e amávamos de forma igual e ele sempre estava no meio do nosso amor.
Mas, quem o amou mais foi sua mãe, Rosilda. Era quem o melhor o entendia.

Agora Gatão se torna saudade para algumas pessoas e lembranças eternas para outras.

O Banco da Vitoria, se tornou um lugar mais triste sem a presença da Gatão.

Apenas as crianças d’agora saberão o tamanho dessa perda.
Daqui a alguns dias Gatão será apenas saudade para alguns dos seus poucos amigos.

Talvez a sua grande lição de vida foi nos ensinar a driblar as dificuldades com imaginação e criatividade. Afinal, pelos menos, em seu castelo de sonhos ele era rico e feliz. Assim dizia.
Por certo, ele era muito mais feliz do que muitos de nós, todos escravos das nossas desmedidas ambições e tantos compromissos. Coisas, por sinal, que Gatão nunca quis tê-las.

Por certo, o milionário Gatão foi mais feliz que o cidadão Edvilson Cardoso. Ele foi sábio na louca opção. Soube driblar a vida e fez um gol no time da morte. Venceu-a de um a zero.
Do seu jeito e forma, Gatão alcançou mais facilmente a eternidade e de lá, tenho certeza, zomba de nós, – todos bobos, tolos e verdadeiramente loucos por tantas coisas que nunca nos pertencerão.

Agora a saudade de Gatão tem gosto ar. O mesmo ar que todos nos respiramos e que ninguém é dono.

O belo é saber que a morte iguala a todos seres humanos. Todos.

Livro: A História de Banco da Vitória. Versão 2017.

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Em Banco da Vitória foram disponibilizados 150 exemplares. Preço do livro: R$ 30,00.

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Banco da Vitória em 1955.

BOB38.jpgFoto da abertura da estrada Ilhéus Itabuna, ano 1955. Essa foto foi feita pelo geógrafo Milton Santos e encontra-se no seu livro Zona do Cacau, de 1957. A fotografia foi tirada no sentido Ilhéus para Itabuna, na altura da atual proximidade do ponto de ônibus, (em frente à casa de Bibogo e o restaurante de Pitu). A margem esquerda da pista era totalmente desabitada.

Maionese com Farinha, era assim que se comia em Banco da Vitória.

maionese_de_batataPor Roberto Carlos Rodrigues.

O molho à base de azeite, ovos e sal, inventado pelo cozinheiro francês do Duque de Richelieu em 1756, demorou 218 anos para aparecer nas bandas do Rio Cachoeira. Na França setecentista o nome do molho era Mahonaise. Em Nova Yorque, em 1905, o alemão Richard Hellman, industrializou a receita e ficou milionário. Em Banco da Vitória a tal maionese, nos anos setenta do século passado, foi introduzida no cardápio do nosso povo pardo, por dona Lia Araújo, em um dos seus cursos de culinária. Em nossa comunidade a preferência era comer maionese com farinha.

Pedaços de cenoura, batata e chuchu picados e cozidos recebiam depois aquele creme alvo como cobertura e virava comida de gente metida a besta. Maionese combinava com frango assado ou cozido e macarronada. Diziam os tais. Ambos, comidas de dias de domingo ou quando tinha visitas em casa.

No começo, criou-se uma regra culinária que devia ser seguida à risca e por conta disso muitas esposas brigavam com os maridos e com as crias dizendo: “maionese não se come com farinha. Isso é coisa de gente sem instruções”.

Por este motivo quase teve uma guerra de sexo em Banco da Vitória. Afinal, querer tirar a farinha de mandioca – que combinava com tudo que se põe à mesa -, do prato da nossa gente foi quase uma heresia.

Por este motivo, menino que almoçava na casa alheia e colocava farinha na maionese, apanhava quando voltava para casa.
– Quer me envergonhar, seu pestinha. Dizia a mãe com a bainha de facão na mão – você não sabe que maionese não se come com farinha? Ameaçava a genitora.

Por este motivo, o povo de Banco da Vitória fez uma escolha culinária: entre a maionese e a farinha. O molho francês perdeu feio.

Já que não podia colocar farinha na maionese. Ninguém gostava de maionese. Já a farinha, se comia até com lágrimas.

Hoje maionese é molho comum e se encontra em qualquer prateleira de qualquer quitanda. Entre comer farinha e maionese, muita gente prefere essa última. Eu fico com a primeira.

Agora naqueles tempos, ser rebelde na casa dos outros não era apenas comer maionese com farinha. Para ser promovido na escala da rebeldia, o adolescente esfomeado tinha de colocar azeite de dendê na macarronada. Nesse caso a surra era dobrada. Mais valia a pena. Afinal maionese e macarrão não combinavam com farinha nem com dendê. Vixe! Por isto, nunca prestaram. Isso, para muita gente acostumada com o feijão adubado de Banco da Vitória e com a fatada cozida nas beiradas do rio Cachoeira.

Na verdade, maionese era e é um molho muito metido a besta. Combina com muitos pratos, mas não combina com farinha de mandioca. Por isso não combina com a nossa gente.

Como Chegar em Banco da Vitória

banco logoComo Chegar em Banco da Vitória – Ilhéus – Bahia.

No município de Ilhéus, o bairro de Banco da Vitória se situa entre o rio Cachoeira e os três montes ao noroeste (Alto Santa Clara, Alto da Bela Vista e Alto da Mata da Rinha, (onde se encontra a Invasão do Iraque). Todos esses montes têm coberturas remanescentes da Mata Atlântica e fazem divisa com a Reserva Florestal da Mata da Esperança.

O acesso convencional ao Banco da Vitória ocorre pela Rodovia Jorge Amado (BA 415) que interliga as cidades de Ilhéus e Itabuna e corta esse bairro de Ilhéus. A localidade de Banco da Vitória dista 6 quilômetros de Ilhéus e 19 quilômetros de Itabuna.

De veículo, saindo do centro de Ilhéus, gasta-se em média 15 minutos para chegar ao Banco da Vitória. Diversas linhas de ônibus passam pelo Banco da Vitória, inclusive o ônibus municipal de Ilhéus que tem como ponto final o bairro de Salobrinho.

O Banco da Vitória fica localizado a 8 quilômetros do bairro de Salobrinho, onde está instalada a UESC (Universidade Estadual de  Santa Cruz) e a 16 quilômetros da sede nacional da CEPLAC –  (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira).

Ao Leste a localidade faz divisa com o bairro Teotônio Villela e ao oeste com o distrito de Vila Cachoeira. Ao Norte a divisa é com o bairro do Iguape e ao Sul, com o rio Cachoeira.

Pode-se também chegar ao Banco da Vitória navegando pelo Rio Cachoeira. O percurso é o seguinte: adentrando a foz da baía do Pontal (Coroa Grande, formada pelos encontros dos rios Itacanoeira, Cachoeira e Santana) em Ilhéus, as embarcações pequenas podem seguir a ‘entrada do meio’ e chegar ao Rio Cachoeira. Navegando o rio a cima, passa-se pela antiga localidade chamada Golmeira (atual bairro Teotônio Villela). Um pouco acima atravessa a Fazenda Porto Novo e por fim se chega ao Banco da Vitória. A partir deste ponto o Rio Cachoeira não é mais navegável.

Saindo de Banco da Vitória tem ainda diversas estradas rurais. Uma inicia na ponte sobre o Rio Cachoeira (atrás do Convento das Freiras) e passa pelo povoado de Maria Jape, onde se tem uma derivação para o Rio do Engenho e a Alta Demanda (fazendas da região do distrito de Cachoeira).

Outra estrada se inicia no final da Rua São Pedro e ruma para a Fazenda Victória. Antes desta propriedade, logo após o cemitério da comunidade, tem um desvio a direita, rumando para o alto da Santa Clara. Aí, essa derivação encontra com outra estrada que se inicia no alto da Bela Vista. A partir desse ponto, uma estrada alcança a Represa do Iguape e depois a Rodovia Ilhéus Uruçuca.

Por último, outra estrada se inicia na Rua da Represa, no meio sopé do Alto da Bela Vista, circunda parte do Alto do Iraque e alcança a Mata da Rinha e depois a Mata da Esperança.

Saindo de Banco da Vitória em direção a Ilhéus se encontra a famosa Bica da Água Boa, local preferido pelo escritor Jorge Amado para apreciar o Rio Cachoeira. Mas a frente é possível conhecer a centenária Fazenda Porto Novo, onde se faz turismo ecológico e se conhece plantações de cacau orgânico.

Em Banco da Vitória é possível saborear diversas iguarias da culinária regional como as saborosas moquecas de peixes e camarões e pitus aferventados. Há também na localidade diversas churrascarias e vários bares. Além disto, vendem-se ao longo da rodovia frutas regionais e principalmente os famosos cocos gelados. Encontram-se também nessa localidade diversas casas de artesanatos e produtos naturais.

Em Banco da Vitória, comi pontos de visitações recomenda-se a visitação a Bica da Água Boa, o antigo porto do Jenipapo, a Pedra de Guerra, o cruzeiro da Rua Dois de Julho, a ponte sobre o Rio Cachoeira, A ladeira do Alto da Santa Clara (Descansa Caixão), a histórica Fazenda Victória, o Convento das Freiras, a Creche, os seminários católicos, a escola Daniel Rebouças, a Fazenda Pirataquisé e a Fazenda Aliança.

Pode-se também entrar na localidade e conhecer a Rua Aldair, bem como conhecer a casa onde o jogador da Seleção Brasileira de Futebol nasceu. Na Praça Guilherme Xavier tem a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e o famoso Clube Social. Pode também conhecer o campo de futebol da localidade, A Rua dos Artistas, Rua Dois de Julho e o Grupo Escolar Herval Soledade. Atrás deste, se localiza o Campo do Pacaembu.

Livro Banco da Vitória – 2ª. Edição. Reservas e encomendas de exemplares.

livro banco da vitória - CópiaA segunda edição do livro Banco da Vitória – A História Esquecida das Margens Vitoriosas do Rio Cachoeira, já está disponível para encomendas e reservas de exemplares, que serão entregues em 31 de março de 2017, em Banco da Vitória.
 
A nova versão do livro tem 170 páginas e foram incluídos 6 novos capítulos, bem como 44 fotos antigas.
 
A tiragem é limitada a apenas 200 exemplares. Portanto, se você quiser obter um exemplar deste livro, deve, em Banco da Vitória, fazer a encomenda com Cremilda Santana ou Jair Rodrigues.
 
Pela Internet, você poder fazer sua reserva por este link: https://goo.gl/DM7Ghn e pagar com o cartão de crédito.
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O preço do livro é o mesmo da 1ª. Edição. R$ 30,00 e pode ser parcelado no cartão de crédito em até 6 vezes.
 
Observação: só garantimos a entrega dos exemplares reservados e pagos dentro do limite da tiragem (200 exemplares) e do prazo supracitado. Portanto, para garantir o seu exemplar é necessário que você faça o pagamento no ato da reserva e não no dia da entrega.
 
Conheça o sumário do livro Banco da Vitória:
 
1 – Agradecimentos 4
2 – Apresentação 8
3 – Banco da Vitória – A primeira capital do cacau. 13
4 – Banco da Vitória, à sombra da história da Capitania de São Jorge dos Ilhéus 16
5 – Nas Margens do Rio Cachoeira 29
6 – Antes dos Portugueses 39
7 – A influência dos povos africanos em Banco da Vitória 50
8 – A colonização europeia em Banco da Vitória 59
9 – A colonização dos retirantes nordestinos 62
10 – As primeiras explorações da região de Banco da Vitória 65
11 – A Trilha do Banco 73
12 – Ferdinand Freiherr von Steiger-Mussinger: O Barão de Banco da Vitória. 76
13 – A Visita do Príncipe Maximiliano ao Banco da Vitória. 80
14 – A Sesmaria e a Fazenda Victória 83
15 – A origem do nome de Banco da Vitória 92
16 – A Rainha (ou princesa) da Fazenda Vitória 96
17 – O Porto do Jenipapo e o desenvolvimento de Banco da Vitória 102
18 – Os ciclos de desenvolvimento do Banco da Vitória 108
19 – Os Tempos Áureos do Cacau e o desenvolvimento de Banco da Vitória 111
20 – Banco da vitória – A vila que quase virou cidade 123
21 – A estrada Ilhéus – Itabuna e o Declínio de Banco da Vitória 127
22 – O Bairro de Banco da Vitória 132
23 – Alternativas de desenvolvimentos sociais para o Banco da Vitória 136
24 – Os “bairros” de Banco da Vitória e suas referências geográficas 138
25 – Crônicas de Banco da Vitória 144
26 – As Sementes das nossas vitórias 149
27 – Conclusão 154
28 – CEP’s e Ruas da região do bairro de Banco da Vitória 156
29 – Referência históricas de locais e imóveis em Banco da Vitória 159
39 – Referencias locais antigas: 160
31 – Referências Oitivas 162
32 – Referências bibliográficas 163
33 – O Autor 165
 
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Texto descritivo:
 
O Banco da Vitória é uma das localidades mais antigas do Sul da Bahia. Sua ocupação se iniciou no meado do século XV, quando do desbravamento da Capitania de São Jorge dos Ilhéus (BA). Devido ao trecho navegável do rio Cachoeira entre a sede da antiga vila de São Jorge dos Ilhéus e a localidade, por estas terras estiveram padres jesuítas, desbravadores e bandeirantes portugueses, bem como diversos estudiosos europeus.
 
Antes da ocupação portuguesa, a região de Banco da Vitória era disputada por índios Tupiniquins e Aimorés, devido seu caráter religioso para estes povos.
 
Por mais de quatro séculos essa localidade ilheense foi passagem obrigatória para os desbravadores, plantadores de cacau e fundadores de localidades e cidades que surgiram na região Cacaueira do Sul da Bahia.
 
Nas terras de Banco da Vitória foi implantada a secular Sesmaria Victória, depois transformada em fazenda nos anos oitocentistas, onde também havia um dos maiores agrupamentos de escravos africanos no estado da Bahia.
 
Por muitos anos o porto fluvial do Banco da Vitória, chamado de Porto do Jenipapo, foi um dos mais movimentados do estado da Bahia, por onde circulavam centenas de embarcações. No início do século XX o Banco da Vitória tinha ares de cidade e foi depois chamada de a primeira capital do cacau, pelo geógrafo Milton Santos, no livro Zona do Cacau.
 
O Banco da Vitória foi um importante ator na construção da Região Cacaueira do sul da Bahia. Depois, teve o seu desenvolvimento ofuscado pelas crises que assolaram a cultura do cacau.
 
Este livro descreve a história dessa comunidade ilheense ao longo dos séculos e tenta, dentro do possível, restaurar sua importância para o desenvolvimento do município de Ilhéus e a formação da região cacaueira do sul da Bahia.
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A lei de Rita Sassarica.

foda-se-pePor Roberto Carlos Rodrigues.

Naqueles tempos ninguém conhecia Maria da Penha Maia Fernandes e bater em mulher era coisa corriqueira nas bandas do rio Cachoeira. Os falsos machistas diziam que batiam sem saber, mas as mulheres sabiam porque estavam apanhando. Por essa desgraçada ordem, algumas mulheres viviam com as bocas machucadas, costas marcadas de “pano de facão”, dedos quebrados, dentes moles. De vez em quando uma Maria corajosa colocava óleo quente no ouvido do marido agressor, (futuro defunto) e o brabão ia para os quintos dos infernos. Mesmo assim, nesse jogo de violência o placar dos homens estava sempre dez mil a zero. As mulheres sempre perdiam.

Mas como sempre não é eterno, um dia as coisas mudam. E mudaram em Banco da Vitória.

Era onze horas da manhã de uma segunda-feira do outono de 1974 quando se ouviu os pipocos na Rua de Trás. Três tiros de trinta e oito. Sons de balas novas, pólvora virgem, chumbo em alma de fogo.

Correm os vizinhos para a origem dos tiros. Acodem a mulher com o trabuco fumegante nas mãos, o morto, ainda quente caído no corredor. Dois tiros nos peitos e no telhado furado pela terceira bala a luz do sol do quase meio dia entrava e marcava a cozinha com um facho de luz, tão alvo, quase azul celestial.

Uns mexem no morto para ver alguns sinais de vida. Desistem logo. Outras consolam a assassina. Tiram a arma ainda quente das suas mãos. Dão-lhe um copo com água. Acomodam-na numa cadeira. Enxugam o sangue que sai da sua boca roxa, fruto dos murros do marido, agora morto e inerte.

– Um dia a gente cansa. – Um dia a gente cansa. Repete a assassina.

É Rita de Cássia, filha de Antônio Domingos e Dona Naldinha. Casada com Gregório Militão, capataz da Fazenda Alvorada, chefe de mais de 50 homens e ordens de todos os tipos e calibres.

As crianças estavam na escola na hora dos tiros e não puderam ver o pai caído no corredor, nem a mãe sendo presa pelo cabo Aristides e o soldado Juvenal.

– Eu sabia que isso um dia ia acontecer. Falou a vizinha da esquerda. – Mulher de coragem, cansou de apanhar. Retrucou a outra vizinha.

O enterro foi no dia seguinte. O capataz brabão tomou barro na cara no mesmo horário que Rita de Cássia prestava depoimento na delegacia de Ilhéus.

Delegado zangado, voz rouca, dono de um bigode preto, igual uma lagarta de fogo, e dentes manchados de nicotina, de nome Dr. Aristeu Cardoso. Perguntou o delegado a assassina:

– Matou seu marido porque dona Rita de Cássia?

– Cansei doutor. Cansei de apanhar, um dia sim um dia não caia no pau. Quatro surras por semana não é boa coisa não. Agora ele não bate mais em ninguém.

– A senhora já tinha dado parte dele? Perguntou o delegado Dr. Aristeu Cardoso, olhando para o escrivão que redigia o depoimento. Era o magricelo João de Athayde, veterano dos carteados e amantes dos conhaques importados.

– Dar parte para quê? Para apanhar ainda mais? Para ser zombada pelos senhores da polícia? Não carece de parte não. Disse a mulher olhando as marcas das algemas nos seus pulsos morenos.

– Já que a senhora diz que apanhava há tanto tempo, porque resolveu matar seu marido logo ontem? Perguntou o delegado alisando o bigode.

– Na verdade, seu doutor não era de hoje que eu pensava em matar aquele desgraçado. Já vinha com isso a muito tempo na cachola. Mas sempre tirava isso da cabeça. Mas ontem foi demais. Eu estava sozinha em casa, meninos na escola, o desgraçado no eito do mundo, eu sem ter muito o que fazer. Resolvi esquentar minha perereca, pois o brabão não era bom da cama. Dava uma por semana, olhe lá! Subia em cima de mim feito um animal. Metia com raiva e gozava logo. Depois dormia feito uma cascavel. Eu ficava na vontade. Ontem resolvi bater uma siririca para aliviar as tensões. Quando eu estava no bem bom aparece o homem na porta do quarto. Já gritando, o que é isso? O que é isso? Tá faltando homem aqui em casa?  Não deu nem tempo de eu arrumar a calçola. Ele subiu em cima de mim e começou a me bater, bater e bater. Aí eu corri, fugi dele. Fui até o armário peguei o revolve e sentei o dedo. O resto o senhor já sabe.

Uma hora depois, no restaurante Flor do Cacau, na Praça Cairu, o Delegado Dr. Aristeu almoça junto ao policial José Umberto e o escrivão João de Athayde, quando fala:

– Umbertinho, você precisa ver a qualidade da morena jambo. Trinta e poucos anos, toda torneada. Peitos duros, bunda grande, boca carnuda, olhos miúdos, cabelos pela cintura. O miserável do marido morredor em vez de socorrer a esposa siririqueira com uma foda de dar nó no pau, não, resolve bater na mulher porque ela bateu uma siririca. Veja o que deu. Morreu e a assassina agora está aí deixando a cadeia doida e alvoroçada. A nega é toda boa. Boa não, é ótima. Otimissíma.

O delegado Cardoso pigarreou e diz:

– Não fica muito tempo presa não. Tem muita gente para depor a favor dela. Apanhava demais. Se julgada, vai ser legítima defesa. O marido que se fudeu. Morreu com o pau mole. Concluiu.

Quinze dias depois Rita foi solta. Respondeu o processo em liberdade. Foi depois julgada e absorvida. Não voltou a morar em Banco da Vitória. Foi morar em Inema, era manteúda de Dr. Clóvis Dantas, seu advogado de defesa. Uma vez por semana o advogado ia até Inema, correr suas roças e aproveitava para dar uma trepada bem dada com Rita de Cássia. Nos demais dias quem azeitava a xoxota de Rita Sassarica era o magricela Arisvaldo Costureiro. Arisvaldo dizia que dava três sem tirar de dentro. Verdade ou não, Rita Sassarica vivia sorrindo pelas ruas de Inema. Devia ter seus motivos. Mas isso já uma outra estória.