A Carreira de Grazi Fredmann, a modelo de Banco da Vitória.

modelo 3Por Roberto Carlos Rodrigues.

Antigamente, em Banco da Vitória, os meninos sonhavam ser caminhoneiros, policiais ou marinheiros. As meninas sonhavam ser professoras ou secretárias. Depois que Aldair se tornou jogador de futebol famoso do Flamengo do Rio de Janeiro, os sonhos dos nossos meninos mudaram completamente. Todos queriam ser jogadores de futebol. Já as meninas mudaram seus sonhos também. Todas queriam ser agora modelos e desfilar nas passarelas das Fashion Week de São Paulo, Madri, Nova York, Tóquio e até mesmo Milão.

De uma hora para outras as magricelas das beiras mornas do Rio Cachoeira começaram a andar nas pontas dos pés, pés entre pés, ombros retos, tórax esticados, rostos erguidos, queixos alinhados, bochechas e pálpebras maquiadas e lábios coloridos por reluzente e fortes tons de batons.

Xuxa Meneghel, Munique Evans, Luma de Oliveira, Cláudia Raia, Isadora Ribeiro, Luiza Brunet, Valéria Vanenssa e Luiza Thomé eram íntimas das conversas e dos imaginários das moçoilas da nossa comunidade.

Nos quartos das meninas havia pôsteres por todos os cantos. Cadernos com as fotos das musas eram itens obrigatórios nas escolas. Pulseiras, kits de maquiagens e principalmente cortes de cabelos eram imitadas pelas nossas gurias.

Contudo, ninguém em Banco da Vitória “incorporou” tanto o sonho de ser modelo do que Grazi Fredmann. Na verdade, Grazi Fredmann era o nome artístico de Etelvina Alvarenga dos Santos, uma moça magricela, delicada e sonhadora que morava na Rua da Represa, no sopé do Alto da Bela Vista.

Se alguém quisesse arrumar uma briga e ter uma inimiga eterna era só chamar Grazi Fredmann de Etelvina. Nessa ocasião Garzi não respondia nem sobre tortura. Arrebitava o nariz, adiantava os passos no seu andar parecido com os das emas e fugia da ocasião.
Se alguém quisesse ganhar um beijo era só elogiar o “look” do dia que a modelo sonhadora usava.

Na verdade Etelvina, – ou melhor Grazi Fredmann, era uma moça até bonita. Morena dos cabelos escuros. Rosto afinado, olhos morenos, nariz levemente arrebitado, lábios finos, sorriso resplandecente, braços e pernas compridas, seios volumosos, cintura fina, quadris nas medidas das modelos internacionais. Era nossa modelo.

Todas as tardes Grazi Fredmann arrumava um look especial para vestir-se (as vezes com peças emprestadas das amigas também sonhadoras), maquiava-se generosamente e ia desfilar nos acostamentos da Rodovia Ilhéus – Itabuna.

O percurso vespertino de Grazi Fredmann ia das imediações do antigo matadouro municipal de Ilhéus até o convento das freiras.
Grazi ia e voltava andando como se estivesse numa passarela. Acreditava que ali podia ser vista por algum caça-talento e então realizar seus sonhos tão bens sonhados de ser modelo profissional.

Numa tarde de fevereiro, dessas que o sol resolve amolecer o asfalto, ia a sonhadora Grazi Fredmann desfilando no acostamento da pista, em cima das suas sandálias de saltos bem altos e com o seu andar de pés entre pés, quando a pobre moça se deparou com um boi que fugira do pasto da fazenda Victória e corria em sua direção.

Em fração de segundos a nossa modelo de beira de pista, tentou retirar as sandália de saltos altos dos pés e só conseguir retirar de um, e pôs-se a correr feito uma louca, enquanto gritava desesperadamente.
– Socorro!!!!

A magricela corria descalça de um pé só e gritava feito uma louca. O boi enfezado aumentou a correria. Os vaqueiros gritavam e sorriam. Os moradores da beira da pista saíam as portas para ver a cena e a pobre Grazi Fredmann corria e gritava, gritava e corria.
Trezentos metros depois Grazi viu uma porta aberta e invadiu a casa de quem não conhecia. O boi passou rangendo os chifres na sua bunda. Os maloqueiros e biribanos passaram segundos depois sorrindo e zombando da pobre Etelvina, agora caída e desmaiada na sala de dona Iracy Ribeiro.

O boi foi laçado nas imediações do campo do Pacaembu. A pobre Etelvina foi tratada com água com açúcar e depois foi levada cambaleando nos braços dos seus primos para sua moradia. Em uma das suas mãos, o resto da sandália quebrada.

No dia seguinte, Grazi Fredmann não desfilou nos acostamentos da rodovia, em Banco da Vitória. A mesma coisa não aconteceu nos dias seguintes, nas semanas seguintes, nos meses seguintes. A comunidade de Banco da Vitória perdeu a sua modelo vespertina.

Etelvina Alvarenga dos Santos se mudara definitivamente para São Paulo onde tentou ser dançarina de Axé, professora de dança baiana e por fim, arrumou um emprego como secretária em um consultório dentário no bairro de Pinheiros. Quem a encontrava trabalhando neste emprego em São Paulo e com o crachá escrito o nome Telvy Alves nem imaginava está a frente de nossa famosa Grazi Fredmann.

Até hoje o prato preferido de Telvy Alves ou Grazi Fredmann ou ainda Etelvina Alvarenga dos Santos é carne assada. Grazi deve ter suas razões por este peculiar paladar.

– Maldito boi, maldito boi. Sussurra Grazi enquanto mastiga carne assada.

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Banco da Vitória em 1955.

BOB38.jpgFoto da abertura da estrada Ilhéus Itabuna, ano 1955. Essa foto foi feita pelo geógrafo Milton Santos e encontra-se no seu livro Zona do Cacau, de 1957. A fotografia foi tirada no sentido Ilhéus para Itabuna, na altura da atual proximidade do ponto de ônibus, (em frente à casa de Bibogo e o restaurante de Pitu). A margem esquerda da pista era totalmente desabitada.

Rodovia Ilhéus-Itabuna, A Estrada da Morte

Por Ricardo Ribeiro do Blog Politica Etcetera

É lamentável constatar que uma rodovia margeada por cenário tão bonito, como é a Ilhéus – Itabuna, tenha se transformado numa macabra estrada da morte, um caminho onde quem entra fica com um justificado receio de não chegar ao destino.

Cada vez mais movimentada, a pequena ligação entre as duas maiores cidades do sul da Bahia aos poucos vai confundindo o que é uma e outra cidade. Estabelecimentos comerciais, escolas e conjuntos residenciais vão surgindo ao longo da Ilhéus – Itabuna. A estrada, sobrecarregada, não suporta mais o

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“JIPE” MORREU HOJE EM ITABUNA -BA

Ele se chamava Afrânio Batista de Queiroz, mas ninguém o conhecia por esse nome. Sua história, porém, é conhecida por todos em Itabuna, assim como o apelido que carregou por toda a vida: “Jipe”.

Conta a história – ou lenda – que Afrânio enlouqueceu depois que seu pai lhe prometeu um jipe e não cumpriu a promessa. Depois disso, ele passou a correr por toda a cidade e até pelas estradas, emplacado e buzinando como se fosse o próprio veículo. Seus olhos eram faróis e os pés eram pneus.

Há muitos anos, Jipe estava “na garagem”, ou melhor, recolhido ao Abrigo São Francisco de Assis, em Itabuna. Há 15 dias, foi internado no Hospital de Base, onde faleceu (ele preferiria “bateu o motor”) nesta manhã de quarta-feira, aos 92 anos. Era um modelo 1918.

O corpo de Jipe está sendo velado no abrigo e o sepultamento vai ocorrer à tarde.

Fonte: Pimenta na Muqueca

Homenagem do cartunista contemporâneo das Terras Grapiúnas, Dragon:

Fonte: Site Dragonx


UESC completa 35 anos de história

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A Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC – que completa 35 anos no dia 22 de abril de 2009, surgiu a partir da criação da Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna – FESPI, em 1974, reunindo as escolas isoladas Faculdade de Direito de Ilhéus, Faculdade de Filosofia de Itabuna e Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna. À época, a instituição era mantida por uma fundação de natureza privada, cujo acesso aos cursos existentes tornava-se cada vez mais difícil.

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Após uma grande campanha estudantil e popular, em 1991, o então Governador do Estado incorporou a FESPI ao quadro das instituições públicas de ensino superior da Bahia, pela Lei 6.344 de 06/12/91. Em 1995, a UESC teve seu Quadro de Pessoal aprovado pela Lei nº 6.898, ficando reorganizada sob a forma de Autarquia. Assim, foi consolidada a UESC, como a mais nova Universidade Estadual da Bahia.

Pelo fato de estar situada numa região de agropecuária, a Universidade vem se estruturando para afirmar seu papel agroecológico, bem como implementar ações extensionistas, com programas de preservação da Mata Atlântica, cuja fauna e flora oferece rico material de pesquisa.

No momento, a UESC oferece 29 cursos de graduação, vários cursos de especialização, oito mestrados e um doutorado. Ao longo de sua história, já graduou mais de 15.500 profissionais nas diversas áreas de conhecimento, além de investir maciçamente no processo de informatização acadêmica, na melhoria do seu acervo bibliográfico e na ampliação e aprimoramento dos projetos de pesquisa.

Nós o chamamos Campus Prof. Soane Nazaré de Andrade. Mas se dissermos que se trata de uma cidade chamada UESC, não estaremos exagerando. Afinal, a sua população se aproxima dos 10 mil habitantes: estudantes, professores, servidores técnico-administrativos, menores-aprendizes, pessoal terceirizado, prestadores de serviços, fornecedores, que por aqui circulam todos os dias.

Esta pequena cidade, que completa 35 anos neste dia 22 de abril de 2009, nasceu modesta: apenas dois pavilhões – o Adonias Filho e o Jorge Amado – cercados de lama por todos os lados. Tantas eram as limitações que, para muitos, parecia algo visionário.

– Uma universidade, ali, no meio do mato?… É coisa de sonhador, dinheiro jogado fora! Muitas vezes ouviu-se isso daqueles que pensam pequeno.

Passados todos esses anos, aquele embrião de campus, pedra angular da Universidade, não só transformou-se numa pequena grande cidade, mas também num desafio a ser superado todos os dias – com demandas constantes – cujo compromisso maior é a formação de massa crítica e a capacitação de recursos humanos capazes de alavancar o desenvolvimento da Região Sul e Extremo Sul da Bahia. E esses pleitos impõem mudanças e investimentos constantes na infraestrutura desta nossa cidade.

uescCampus Soane Nazaré de Andrade km 16 Rodovia Ilhéus-Itabuna CEP 45662-000. Ilhéus-Bahia

Investimentos – Para adequar a sua estrutura física a essas demandas, o campus está sendo “presenteado”, nestes seus 35 anos, com investimentos orçados em torno de 11 milhões de reais. O maior deles é a conclusão, até o fim deste ano, do prédio do Instituto de Pesquisa e Análises Físico-Químicas (Ipaf).

Deverão estar concluídas também, nesse período, as salas de aula dos cursos de Educação Física e de Medicina Veterinária. A construção de um pavilhão para salas de aula, na dimensão dos atuais, já está licitado e as obras devem começar em breve. O complexo de laboratórios para os cursos de pós-graduação é outra obra igualmente importante prestes a ser iniciada.

Além das obras citadas, várias outras, de menor porte, estão em andamento ou previstas para ampliar as instalações do campus. Concluídas, irão representar um desafogo na carência de salas para atender aos alunos e professores dos atuais cursos de graduação e cerca de 30 de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado).

Fonte: Site UESC